Heartless

3 segundo capítulo.


Notas iniciais
olá gatitas, como estão? Aqui está o capítulo novo.
Espero que gostem, aproveitem! s2

James G. > Quando poderemos nos encontrar?

BM > Em breve.

James G. > Por que não agora? Por que não amanhã?

BM > Paciência é uma virtude, meu querido.

James G. > Uma virtude que eu não tenho. Conversamos há quase três semanas, já podemos nos encontrar.

BM > Não.

James G. > Por que não?

BM > Porque eu estou dizendo não.

James G. > Eu só... Preciso te encontrar. Por favor.

BM > Eu sempre deixei bem claro: meus termos, minhas condições e minhas regras. Jogue assim ou você está fora. Lembra?

James G. > Sim. Conversamos há dias, você me entende como ninguém. E acho que te entendo também. Há tempos não me sinto dessa maneira, desde a... Você sabe. E estou com tanta vontade de você.

BM > Falta pouco, meu querido. Não podemos apressar nada, tudo ocorre no seu devido tempo. Cada passo deve ser bem pensando.

James G. > Você sempre fala dessa maneira... Metódica. Estranha. Como se tudo fosse um grande jogo.

BM > E não é? Pense dessa maneira, levar a vida como um grande jogo, cheio de riscos e perigos, torna tudo mais divertido.

James G. > Bem... Não tenho certeza.

BM > Você é adorável, querido!

James G. > Isso não soa muito viril.

BM > Virilidade é expressa na hora H (na cama, se possível), não com palavras. Conheço muitos homens que enchem a boca pra dizer que é machão, age grossa e estupidamente, mas na hora H chora e implora como um bebezinho, e até se urinam todo. Nenhum pouco viril.

James G. > Durante o sexo?

BM > Hahahahaha.

BM > Entenda como quiser.

James G. > Quando? Quando vamos nos encontrar?

BM > Quando eu quiser. Quando eu decidir. Você não confia em mim?

James G. > Confio. Claro que confio. E você, não confia em mim?

BM > Não. Ainda não, mas vou confiar.

James G. > Por quê? Nunca te dei motivos para não confiar.

BM > É fácil confiar por mensagem, James. Você ainda tem muito que descobrir. E talvez não goste do que vai descobrir. Só quando tudo estiver às claras, posso decidir se você tem ou não a minha confiança. Você faria qualquer coisa pra ter minha confiança, Jamie?

James G. > Você sabe que sim!

BM > Então confie em mim agora e acredite, falta muito pouco. Você é importante pra mim, James. E toda sua espera será recompensada. Você será recompensado.

James G. > Recompensado, é?

BM > Aham. Muito bem recompensado. Em todos os sentidos. Acredite Jamie, te darei os melhores momentos da sua vida!

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Nervosamente, o agente Edward Cullen passou a mão no cabelo e ergueu o rosto para o teto, evitando bufar para não ser escutado do outro lado da linha.

— Por que não vai jantar na minha mãe? Não sei que horas vou sair daqui hoje e ela adora te receber. — disse ao telefone.

Atrás, ao redor da mesa de autópsia, sua equipe observava Carlisle Cullen, o legista e também seu pai, examinar os órgãos encontrados. Estavam todos usando máscaras, e Carlisle usava também um avental cirúrgico sobre as roupas e luxas de látex, já que mexia nos órgãos. Ele separava amostras de DNA – algumas para tentativa de identificação e outras para testar com reagentes, para saber se tinha entrado em contato com algum produto químico ou droga enquanto estava no corpo de seu, agora, ex dono ou depois, tentando dar uma média da hora do óbito ou de quando tinha sido removido. Qualquer maldita dica iria ajudar, já que não tinham nada.

E Edward estava no telefone com sua esposa, Tanya Denali, conversando sobre o jantar.

Queria desligar o maldito telefone e se dedicar apenas ao maldito caso, mas sabia que devia isso a Tanya. Estavam juntos há doze anos e eram casados há seis, e apesar de cobrá-lo mais atenção, quando necessário, Tanya era companheira e compreensiva, entendia a necessidade que o marido tinha de colocar o psicopata atrás das grandes. Conheceram-se dois anos antes do primeiro cadáver Beleza Mortal ser encontrado; se esbarraram no fórum, ele tinha vinte três anos e fazia um ano que tinha sido promovido e transferido para o FBI, e ela com vinte e um anos, uma linda estudante de direito. Um ano inteiro de amizade colorida, se conhecendo e ficando sem compromisso, até ele, finalmente, pedi-la em namoro oficialmente. Foram quatro anos de namoro até se casarem. E também quatro anos no caso Beleza Mortal, mas ainda assim, Edward achou que conseguiria administrar o casamento e carreira, jamais imaginou que iria ficar tanto tempo em um só caso. Edward tornou-se chefe da Equipe Mortal e Tanya formou-se em direito, tiveram que se mudar para Seattle, onde vários corpos eram desovados e o escritório da Equipe-Mortal se instalara, e então aguentar a rotina desgastante. A sorte era que, além de se amarem (o que com certeza ajudava a manter o casamento) Tanya também tinha sua vida profissional corrida, apesar de bem menos que a do marido, a pequena mulher de aparência frágil e delicada, era uma importante e competente promotora pública. Mas ainda era uma mulher, mesmo com a independência, apaixonada pelo marido e gostaria de passar mais tempos juntos como um casal normal e finalmente ter filhos. Algo que Edward ainda evitava. O casamento não era dos piores, quer dizer, ele não era um alcoólatra que batia na esposa e ela não era menos do que uma esposa dedicada, mas Beleza Mortal ocupava sua mente e seu tempo, se não fosse para ser o melhor pai possível, dedicado ao filho e a família, como Carlisle tinha sido, melhor deixarem os planos de filhos para depois que prendessem Beleza Mortal e pudesse voltar à vida normal, se assim fosse possível.

— Mas você disse que íamos jantar juntos, Edward. Eu pensei...

— Eu sei. E eu sinto muito, meu anjo. — Edward disse. E realmente sentia. — Mas estou meio ocupado com a Equipe.

— Oh, não. Outro corpo?

— Não, um coração e um baço.

Tanya soltou a respiração ruidosamente. Ela preferia não saber detalhes das investigações, há muito Edward não contava os detalhes, a causa da morte, como o corpo foi encontrado, as cicatrizes, ela não tinha estômago forte suficiente pra isso. Só dizia ‘outro corpo’ ou ‘outro baço’ e era suficiente pra ela entender a situação.

— Está bem, desculpe, não tenho direito de te pressionar...

— Ei, meu anjo, tudo bem, você não está me pressionando. Eu que sinto muito mesmo. E juro que vou te compensar, podemos almoçar amanhã ou talvez jantar...

— Não me prometa algo que não possa cumprir. — disse com pesar, e Edward podia sentir a nota de mágoa em sua voz. — Mas tudo bem. Tenho que revisar alguns detalhes de um processo, tenho uma audiência importante amanhã. Se eu for pra casa da Esme, eu ligo pra ela e te mando uma mensagem, ou eu como alguma coisa por aqui mesmo.

— Se eu conseguir sair daqui cedo, eu te ligo, ok?

— Claro... Agente Cullen — concordou com ceticismo, até um pouco de ironia. — Boa sorte com seu trabalho e... Toma cuidado.

— Sempre tomo. E você também, se cuida.

— Eu te amo, tchau. — e desligou antes que ele pudesse responder.

Edward suspirou pesadamente, guardou o celular no bolso e passou a mão no cabelo. Tanya era afetada tanto quanto ele, mesmo que de maneira indireta. Era óbvio o quanto ele tinha se afastado durante todos esses anos, era óbvio que ele não era mais o mesmo homem do começo do namoro e até do casamento, ela o via se revirar na cama e então se levantar no meio da noite pra fumar. Beleza Mortal não estava fodendo apenas com suas noites de sono, sua paciência, sua sanidade, também estava fodendo com seu casamento. E isso o deixava ainda mais furioso e com gana de colocá-lo atrás das grades. Ou melhor, na maldita fila da injeção letal.

Ninguém disse nada, sabiam da dificuldade que era manter qualquer relacionamento ou vida fora das investigações. Emmett e Rosalie tinham sorte; ambos agentes do FBI, tinha se conhecido um ano após o começo das investigações Beleza Mortal, eram extremamente competentes e durante o expediente mantinham a postura profissional, mas ainda assim tinham sorte de poderem ficar juntos praticamente o tempo inteiro, já que iam em investigações juntos, raramente iam para lugares diferentes, e Edward fazia questão de ajudá-los nisso; uma das principais regras da equipe era nunca irem em nenhuma investigação sozinho, antes Emmett sempre o acompanhava, agora, sempre que podia, o deixava ir com Rosalie e ia com Jasper. Ainda eram afetados por todos os problemas causados pelo caso, mas ao menos enfrentavam tudo juntos. Definitivamente tinham sorte.

Edward colocou sua máscara no rosto e se aproximou da mesa.

— E então?

— Já mandei uma amostra de DNA para o laboratório, em alguns minutos teremos um resultado prévio pra saber se são da mesma pessoa. Não tenho dúvidas, que como todas as outras vítimas encontradas, o dono ou donos dos órgãos foram torturados sadicamente; pelo corte feito no baço, ele foi retirado enquanto o dono ainda estava vivo. E o coração, pelo tamanho atual e a situação de algumas artérias, é pós mortem, já estava parado quando foi retirado. — Carlisle disse encarando o filho.

— E há quanto tempo? É óbvio que o baço não é novo. — Jasper murmurou confuso.

— É curioso, porque tem realmente dias de diferença. O baço já está em estado de decomposição, então foi retirado há uns quatro dias, no mínimo. E o coração há no mínimo cinco horas.

— A pergunta é: por quê? — Rosalie disse. — Beleza Mortal sempre nos mandou os órgãos frescos, ainda com sangue, e diretamente em nossas mãos. E agora ela coloca dois órgãos, um deles de quatro dias em uma caixa térmica no meio do nada? Qual é a mensagem?

— Sim, Rosalie está certa. Por quê?

Antes que pudessem falar qualquer outra coisa, um enfermeiro assistente de Carlisle entrou e avisou que a ‘Srta. Brandon’ estava esperando o agente Cullen lá em cima. Todos sabiam da aversão de Alice por necrotérios, os cadáveres e órgãos da Beleza Mortal. O primeiro baço que recebeu em seu aniversário, por fazer parte da Equipe-Mortal, a fez vomitar por quase meia hora e chorar a noite inteira escondida no apartamento. E na primeira vez que viu um cadáver, a mesma coisa. Então preferia ficar apenas na teoria e deixar a prática para os agentes.

Edward foi o primeiro a andar até a porta, tirando as luxas de látex e a máscara, sendo imitado e seguido pelos outros, menos Carlisle que continuaria a autópsia e esperaria os exames de DNA.

Caminharam para fora da sala de autópsias e necropsias, andando pelo corredor frio, onde tinham algumas cadeiras, a porta que dava a um pequeno escritório e, do outro lado, a porta do elevador. Entraram no elevador juntos e Edward apertou o botão para subirem.

Alice estava em pé, com a bolsa e pasta de arquivos em uma cadeira, com os braços cruzados sobre o peito, esperando. Assim que eles saíram do elevador, se aproximaram. Pelas carrancas que traziam no rosto, era óbvio para Alice que Beleza Mortal estava brincando com eles novamente.

— Obrigado por ter vindo, Alice. — Edward disse.

— Tudo bem. — lhe deu um sorriso cansado. — O aconteceu? E os órgãos?

— Ainda estão examinando e é por isso que lhe chamei. Qual o maldito sentido disso tudo?

— Do que? — Alice franziu o cenho.

— Alice, o baço tem no mínimo quatro dias e o coração há no mínimo cinco. Isso é diferente de qualquer outra coisa que esse bastardo tenha feito. — Rosalie explicou. — É difícil entender.

— Quatro dias e cinco horas? Isso é uma grande diferença. — Alice murmurou. Ou melhor, pensou em voz alta. E mentalmente repassou em tudo que tinha sobre Beleza Mortal, procurando algo que explicasse isso.

— Merda. — Edward disse impaciente, passando a mão no cabelo. — Vamos lá pra fora, preciso fumar.

Antes de saírem, Edward deixou um recado com uma enfermeira – avisa ao doutor Cullen que estamos lá fora e que nos leve os resultados do exame lá. E então foram. Ficaram em um dos vários bancos de concreto ao ar livre na frente do hospital.

Alice sentou, com a pasta de arquivos no colo e a bolsa sobre ela, tirou de dentro uma agenda de espiral do ano com capa enfeitada da Tinker Bell. Estava com vários clips de papel colorido segurando anotações ou marcando páginas, alguns papéis dentro e era obviamente muito usada. Jasper sentou ao seu lado, observando-a. Emmett abraçou Rosalie pela cintura e deixou-a recostar em seu peito, ambos cansados pela madrugada de trabalho. E Edward enfiou a mão no bolso, tirando o maço de cigarros com isqueiro, acendeu um.

— Essa coisa ainda vai te matar. — Emmett comentou. E era óbvio que era uma brincadeira, já que tinha o teto de vidro. Tinha fumado muito durante a vida e tinha largado o vício há oito anos e apenas pela esposa que dizia que não beijaria um cinzeiro.

E Edward levou na brincadeira. Guardou o maço e isqueiro no bolso, deu uma longa tragada e disse, enquanto soltava a fumaça:

— Foda-se. Melhor câncer, do que Beleza Mortal, né? — agitou a mão, derrubando algumas cinzas do cigarro e olhou Alice. — Alguma coisa sobre o caso?

— Ontem à noite eu refiz o perfil, juntando tudo em que tínhamos trabalhando, então esse é o... Rascunho. E estou tentando achar algo que me faça entender porque a diferença de tempo entre as retiradas dos órgãos.

— Tudo bem. Alguma novidade?

— Beleza Mortal é um serial killer, organizado e não social, mas é socialmente adequado, tem mobilidade geográfica e ocupacional, acompanha noticiário, possivelmente fez faculdade — leu o que tinha escrito na agenda —, usa a sedução para dominar, conversa com as vítimas, pode ser fã da polícia e entra em contato para fazer jogos. — voltou a encarar Edward.

— Entra em contato para fazer jogos com a polícia, é o que Beleza Mortal está fazendo com a gente. — Jasper comentou.

— Mas os jogos sempre tem algum sentido, certo, Alice? — Emmett perguntou franzindo o cenho.

— Com certeza. — Alice disse categoricamente. — Ele é inteligente e manipulador. Sabe exatamente o que quer e onde quer, é apenas isso que ele está fazendo, nos levando até onde ele quer.

— O que você está dizendo, basicamente, é: esse é o jogo dele. — Rosalie refletiu, soltando-se de Emmett. — Ele dá as cartas e dita às regras, nós temos que apenas jogar conforme elas. É isso?

— Exatamente. Beleza Mortal gosta desse jogo e por isso ele nos dá essas pequenas peças, tanto os órgãos quanto os corpos, para que continuemos no jogo. A prova disso é o quão difícil é achar os corpos dos órgãos que ele nos manda avulso. É tudo para a diversão dele.

— Porque todo o maldito corpo que achamos, de alguma maneira, achamos porque ele permitiu. — Edward disse sério e incrédulo ao entender. — Porque é exatamente o que ele queria que fizéssemos. Porra. — bufou e colocou o cigarro na boca. Naquele momento, apenas nicotina, cafeína e álcool para lhe acalmar, mesmo que pouco.

— Edward, eu sei que parece pouco, mas esse pouco que sabemos é importante. Beleza Mortal é uma pessoa minuciosa, é nos detalhes que vamos conseguir pegá-lo.

— Tudo bem, Alice, pode ser. Mas e esses órgãos, o que você acha?

— Eu... — bufou e voltou a folhear a agenda. — Não tenho ideia.

Ótimo! Edward bufou mentalmente, deu as costas ao grupo e deu um novo trago no cigarro. Seria injusto descontar a frustração em Alice, ainda mais quando ela se esforçava tanto quanto qualquer outro para ajudá-los. Seria hipocrisia exigir que ela entendesse algo que ele, como detetive desse caso há dez anos e que achava entender Beleza Mortal como ninguém, não tinha ideia do que significava. Merda!

— Essa coisa ainda vai te matar, Edward. — Carlisle comentou ao se aproximar. E Emmett não pode deixar de rir.

Edward nem tinha visto-o se aproximar, mas se virou para o pai, enquanto soltava a fumaça do cigarro. Carlisle estava com alguns papéis em mãos, provavelmente o resultado dos exames dos órgãos achados. E não usava mais o avental cirúrgico, agora estava com a calça preta social, uma blusa de botões azul clara e o jaleco médico branco por cima, com uma caneta no bolso e um crachá de Dr. Cullen no peito. Apenas para a Equipe-Mortal Carlisle trabalhava como legista e fazia as autópsias, por ser alguém de total confiança, porque no Seattle Grace, era diretor do hospital e cirurgião geral.

— Vocês falam como se eu estivesse enfiando uma Glock na boca e fumando-a com o dedo no gatilho. — Edward revirou os olhos.

— A diferença é que será mais lento. Mas tudo bem, você é adulto e sabe das suas escolhas, não é? Mas um pai pode tentar.

— Tudo bem, pai. Agora você pode me chamar o Dr. Cullen?

— Jogue esse cigarro fora e então conversamos. — Carlisle disse sério. Não Carlisle o médico ou o legista, mas Carlisle Cullen, o pai. Aquele que detestava cigarro e maldito vício do filho na nicotina.

Emmett gargalhou.

— Obedeça a seu pai, Edward, ou ele te vira nos joelhos e surra o seu traseiro branquelo. — provocou o melhor amigo. Rosalie e Jasper riram, Alice abafou o riso com a atenção voltada as anotações da agenda.

Edward estreitou os olhos para o grandão, mas Carlisle virou-se primeiro.

— E acha que não posso fazer o mesmo contigo só por que é cara grande, McCarty? Tenho idade para ser seu pai, te boto no meu joelho tão rápido que nem vai saber o que te atingiu. Mantenha isso em mente.

— É, meu amor, seu traseiro branquelo também está em risco. — Rosalie zombou e gargalhou.

— Lado bom do meu pai, ele é democrático. — Edward disse sarcástico, deu uma última e longa tragada no cigarro, jogou-o no chão e apagou com a sola do sapato. Sorriu para Carlisle. — Satisfeito?

— No chão? Sério?

— Carlisle, por favor, os resultados. O que você tem pra mim? — pediu impaciente.

Carlisle bufou e lhe entregou as folhas.

— Os órgãos são das mesmas pessoas? — Rosalie perguntou hesitante.

— Sim. Homem na faixa dos trinta anos. — Edward leu o que estava na folha, ergueu o rosto, franzindo o cenho. — E o tempo também está certo. Cinco dias, cinco horas. O baço retirado durante a tortura e o coração pós mortem.

— Tá... Então Beleza Mortal retirou o baço, esperou cinco dias e então, quando ele morreu, retirou o coração? — Jasper perguntou. — Tá... Não acho o maldito sentido dessa merda. Nunca vi nada parecido. Na prática ou na teoria em livros.

— Nunca tínhamos visto nada do que Beleza Mortal fez, até ele fazer. — Edward disse firme.

— E nada do que Beleza Mortal faz se aprende nos livros. — Alice repetiu o que tinha escutado há pouco tempo.

— É isso, talvez a gente não ache o sentido, porque estamos procurando no lugar errado. Temos que pensar no que temos sobre Beleza Mortal e encaixar isso. — Edward disse enterrando os dedos nos cabelos e apertando-os em punho. Um tique nervoso. — Órgãos da mesma pessoa, mas com uma diferença de tempo na retirada. Isso é parte do jogo, foi uma jogada, mas qual a finalidade?

Alice tinha a sensação de estar esquecendo algo. Algo óbvio... Vamos Alice, pense, disse a si mesma. E repensou o máximo que podia, enquanto os outros murmuravam ao seu redor. Serial killer organizado e não social, mas é socialmente adequado, tem mobilidade geográfica e ocupacional, acompanha noticiário, possivelmente fez faculdade, usa a sedução para dominar, conversa com as vítimas, pode ser fã da polícia e entra em contato para fazer jogos. Talvez fosse algo que tinha visto há pouco tempo, mas que tinha a ver com o que estava procurando. Mas o que? Merda!

Algo óbvio... Parte do jogo... Uma jogada... Sua diversão sádica...

— Acompanha noticiário e entra em contato com a polícia para fazer jogos. — murmurou, com os olhos perdidos no vazio.

— Que? — Jasper perguntou. — Alice? Alice...? — estalou os dedos na frente dos seus olhos. Ela piscou e voltou à realidade.

— Claro! Beleza Mortal acompanha o noticiário e entra em contato com a polícia para fazer jogos.

Os outros se entreolharam sem entender nada. Do que inferno ela estava falando? Alice guardou a agenda na bolsa e a passou para o colo de Jasper, para que pudesse mexer nos arquivos. Na última parte, onde guardava recortes de jornais. Separados por época e até assunto.

Os mais atuais... Datas... Aqui!

— Eu sempre separo as matérias que falam sobre Beleza Mortal, tudo pode ser necessário e usado. E aqui está, Edward, a jogada tem a ver com você.

— O que?

— A diferença de datas. A data que ele retirou o baço e a data da morte. Nessa entrevista você disse: "Estamos trabalhando agora para conseguir uma média de dias que Beleza Mortal passa com a vítima em seu cativeiro, talvez isso possa nos ajudar. Na verdade, qualquer detalhe pode".

— A diferença de cinco dias. Ele nos mandou o recado óbvio, a resposta da nossa pergunta. A vítima fica cinco dias sendo torturada no cativeiro e então... Morte. — Emmett disse.

— Filho da puta! — Edward rosnou.

Mas então jogou a cabeça para trás, passou a mão nos cabelos e gargalhou. Beleza Mortal agora devia estar em qualquer lugar, talvez bebendo talvez fodendo alguém, muito satisfeito consigo mesmo e rindo de toda a situação. Imaginando a cara dos agentes, principalmente a sua, ao entender a charada. Maldito bastardo. Claro que sim, era tudo um jogo.

E podia dizer o inferno sobre ele, era um filho da puta, não tinha a menor dúvida, mas um filho da puta inteligente.

— Do que você está rindo? — Emmett questionou confuso.

Edward parou de rir e meteu a mão no bolso, pegando o maço de cigarros.

— De toda a situação. Eu perguntei, ele respondeu, e isso tem algum humor. Acho que eu preferia receber um bilhete ou um calendário marcado, mas o humor fodido dele prefere um baço e um coração. — tirou o último cigarro e o isqueiro de dentro, segurou-o em uma mão com as folhas, amassando a embalagem vazia. — Foda-se. Vou voltar para o escritório, tenho que fazer um relatório sobre isso. Alice, você volta comigo? Quero uma cópia de tudo que você tem.

— Tudo bem. — ela assentiu.

— Eu vou entrar, tenho uma cirurgia daqui a pouco. Edward, eu vou mandar minha secretária enviar o resto dos resultados por fax pra lá. Boa sorte pra vocês.

Edward assentiu. Carlisle acenou e virou-se, voltando para o hospital.

— Beleza Mortal acabou de matar alguém. Vamos supor que ele é humano e precise de um maldito dia de descanso, ou pelo menos para descartar o corpo. Então, Rosalie e Emmett vão pro apartamento de vocês, trepem ou durmam, porque não aguento mais olhar pra cara morta de vocês dois. Jasper dê carona para Alice até o prédio e depois até a casa dela, depois vá pra casa dormir também. Preciso de todos bem acordados amanhã.

— Sim, capitão. — Emmett bufou. — E você, quando vai dormir?

— Eu sou chefe, apenas me obedeça. Vá foder. E depois dormir. Os quatros, se possível. — deu um breve sorriso e virou-se, dando as costas a eles. Mas olhou por cima do ombro. — Não necessariamente juntos.

Jogou o maço vazio no lixo, segurou as folhas em baixo do braço, colocou o cigarro na boca, fez uma cabana com a mão para proteger do vento e o acendeu. Tragou forte e guardou o isqueiro no bolso, voltando a segurar as folhas. Pegou a chave do Volvo prateado no bolso e desativou o alarme com o bipe.

–

Todos chegaram ao prédio da Polícia de Seattle juntos, estacionaram os carros e subiram juntos.

Alice e Jasper foram rapidamente para o scanner, escanear as anotações e o que tinha feito sobre o perfil de Beleza Mortal, para Edward. Rosalie e Emmett trocaram de roupa e pegaram as próprias coisas, despediram-se de todos e foram embora, como Edward tinha mandado.

E Edward foi para a sala de reuniões, que usava como escritório pessoal. Primeiro pegou um novo maço de cigarros na gaveta e deixou na mesa junto com o isqueiro, depois se serviu com uma caneca de café preto e forte, como gostava. Como precisava. Já que não deixava nenhum tipo de bebida alcoólico perto, pra não acabar alcoolizado durante o horário de trabalho.

Alice bateu na porta e abriu hesitante, Edward virou-se, após um pequeno gole.

— Pode entrar e deixe os papéis na mesa

— Você está bem, Edward?

— Melhor do que o dono dos órgãos, né? — ironizou, suspirou. — Vá pra casa descansar, Alice.

— Jasper está lá fora me esperando, já estamos indo. Aqui está tudo que fiz. Algumas das minhas anotações pessoais e outras que já ia te entregar. — colocou as várias folhas na mesa.

— Obrigado. — Edward andou até ela, colocou a caneca na mesa e pegou as folhas.

— Edward, eu estava pensando, agora que conseguimos algum pequeno avanço, quer dizer, descobrir o que Beleza Mortal quis nos dizer é importante. E eu só fiz isso pela ajuda da minha amiga, Bella Swan...

— Quem? — ergueu o rosto, franzindo o rosto.

— A minha amiga psiquiatra. Lembra que disse que tinha uma consultora free lancer? — ele assentiu. — É de confiança e falei com ela hoje. Definitivamente, a dica dela me ajudou, eu acho que você devia conversar com ela.

— Alice, eu não preciso conversar com uma maldita psiquiatra.

— Não vai ser uma consulta, Edward. Beleza Mortal se tornou pessoal pra você e eu sei que você, com certeza, tem uma visão única do caso, eu sei disso. E deve ter algumas dúvidas, se tem alguém que pode ajudar, é ela!

— Você me ajuda.

— A Bella também trabalha no caso de Beleza Mortal e também tem alguma experiência com criminosos, talvez o que você queira saber, ela possa te responder. Já falei com ela sobre isso e ela concordou. Disse para te passar o número dela para que conversassem, talvez até marcar algo.

— Alice...

—Edward, aqui está o telefone. Fica a sua escolha. Mas se puder, por favor, ligue. — colocou um pequeno pedaço de papel na mesa. — E vá descansar, você precisa, como qualquer outro. Tchau.

Antes que pudesse dizer algo, Alice tinha saído.

Edward pegou o pedaço de papel, uma folha rosa decorada, obviamente da agenda da Alice. Um número de telefone, Isabella “Bella” Swan.

Ele não sabia por que, mas sentiu uma maldita vontade de telefonar. Talvez fosse sua mania de detetive que o fazia um curioso fodido sobre absolutamente qualquer coisa. Isabella era seu nome, Bella devia ser seu apelido, era óbvio.

Mas uma psiquiatra? Oh porra, tudo que não precisava era uma psiquiatra lhe dizendo que devia tirar férias ou tentar tirar Beleza Mortal da cabeça. Que a falta de sono e o aumento de cigarros fumados, cafeína e álcool bebidos eram sintomas do forte estresse que estava passando há dez anos e isso foderia seus nervos há longo prazo. Já tinha passado por isso há um ano. Todo o ano, todos os detetives da equipe tinha que passar por uma analise psicológica com uma psiquiatra do FBI e ela sempre dizia isso a Edward. Foda-se. Não, obrigada.

Deixou o número do telefone na mesa, pegou a caneca de café e caminhou com os papéis de Alice para a ponta da mesa, tinha muito que fazer. Relatórios sobre os corpos e incluir as novas descobertas nos arquivos.


Já era oito e meia da noite quando terminou tudo que precisava. Era a pior parte de seu trabalho, mesmo com a hipocrisia, já que vivia achando corpos mortos e não tinha uma fodida dica sobre o assassino, mas realmente odiava a parte burocrática do seu serviço. Ainda mais quando ficava responsável por ela. Evitou fumar, mas tomou quatro canecas cheias de café. Dificilmente dormiria tão cedo. Foda-se, não queria dormir. Queria um cigarro. E talvez ligar pra Tanya.

Oh merda, Tanya. Tinha se esquecido dela completamente. Merda. Pegou o celular no bolso.

“Resolvi ir jantar com a sua mãe, já que Carlisle também está de plantão. Estou levando uma muda de roupa comigo, vou dormir lá e vou direto para a minha audiência. Se for sair cedo daí, sabe onde me encontrar. Ei querido, não se esqueça de comer algo, você ainda é humano e precisa disso. Comida ein, não café, uísque e cigarro. Toma cuidado e se cuida. Eu te amo.” – dizia a mensagem da esposa.

Estava tão concentrado no trabalho que nem o sentiu vibrar. Viu o horário da mensagem e a hora atual, ela já estava há algum tempo na casa da mãe. Nem valia a pena ir ou ligar. Clicou para responder.

“Estou atolado de trabalho, muita burocracia. Quem sabe amanhã? Vou pedir alguma coisa pra comer, não se preocupe. Mande meu amor pra minha mãe. E pra você. Eu te amo, meu anjo.”– enviar.

Colocou o celular na mesa e passou a mão no rosto, principalmente nos olhos. Quando os abriu, a primeira coisa que seus olhos viram foi o papel com o telefone de Isabella Swan na mesa. Mesmo com toda a concentração no trabalho, havia uma pequena parte dele que queria ligar. Ansiedade. Antecipação. Curiosidade. Sim, é apenas curiosidade, disse a si mesmo, dando-se uma desculpa para telefonar.

Levantou-se, pegou o celular da mesa e caminhou para o outro lado, pegando o papel. Discou o número anotado na tela touch screen e depois o discar. Começou a chamar.

Que merda é essa, Edward? Estava nervoso. Porra! Quase riu da própria estupidez. Por que estava nervoso? Talvez devesse ligar do telefone do escritório, assim poderia dizer que era parte do trabalho. Mas agora já estava chamando e de qualquer maneira ficaria marcado como ligação perdida. Por alguns segundos tensos ouviu o sinal. Mexeu no cabelo aliviado, ela não estava perto e não iria atender, provavelmente cairia na caixa postal, estava pronto para desligar, quando uma voz distraída murmurou um conciso, Oi.

Porra, e agora? Passou a mão no cabelo e engoliu rapidamente. Foda-se.

— Estou falando com a senhorita Swan? Isabella Swan?

Silêncio. Uma pausa distinta. O que, tinha ligado errado?

— Quem diabos é você, e como conseguiu meu número privado?


Notas finais
E ai, o que acharam? Começamos com uma pequena troca de mensagens, lembrem-se que nada é sem motivo, tudo será usado no futuro. Como foi dito no capítulo, é tudo um jogo e Beleza Mortal é uma pessoa manipuladora, sabe exatamente onde quer as peças (que são as pessoas). E os órgãos do Mike foram um recado, outra jogada. Edward é casado, mas a crise vai começar (outra, Edward não fica com a Tanya flw? flw u.u KKKKK). E agora Edward vai conhecer a Dra. Isabella Swan, o que será que vai rolar nesse telefonema e nesse encontro, ein? Em breve mais Beleza Mortal em ação.
Queria agradecer a todas comentando, vocês são lindas demais véi, estou adorando ver as teorias e reações de vocês, obrigada mesmo. Fantasminhas, se quiserem comentar, eu agradeceria ein KKK Então comentem muito e até o próximo, obrigada! bjsbjs s22
PS: Milakarina123, obrigada pela primeira recomendação da fic, sua linda! *-*-*' <­3