Heartless
8 sétimo capítulo.
Notas iniciais
ps: vou terminar de responder todos os reviews do capítulo passado hoje e sábado.
ps²: esse capítulo iria ter Bella, mas eu acabei trocando por Beleza Mortal. Não é tortura/morte, é algo mais pessoal, espero que gostem. Aproveitem.
James estava sentado no sofá velho e desgastado de seu apartamento, o estofado estava tão usado que podia sentir a dureza das molas em seu traseiro, mas não se importava muito quando tinha a fonte de todo seu prazer ao seu lado, Beleza Mortal; com as pernas esticadas e os pés sobre a mesinha de centro de tampo de vidro trincado e fumando um cigarro estranhamente cheiro, mesmo ele não sabendo o motivo.
Quando a campanhinha tocou, ele foi atender resmungando e esperando qualquer um, menos BM já que não tinham marcado nada, mas tinha sido muito melhor do que qualquer um. Deu um beijo tão duro e voraz que tinha deixado sua boca avermelhada e meio ofegante, deixou que entrasse e se ajeitasse ali, pegando duas garrafas de cerveja na geladeira. Queria foder e ter mais um dos seus momentos maravilhosos, mas BM não quis, empurrou-o para longe e caiu em seu sofá – reclamando do quão velho era –, então pegou o controle da televisão – reclamando também sobre a falta de TV a cabo – passou pelos canais até parar no jornal.
Na tela mostrava: – Plantão ao vivo: Beleza Mortal ataca novamente?
— E agora a pouco o agente do FBI e chefe da Equipe-Mortal, equipe dedicada há cinco anos ao caso Beleza Mortal, Edward Cullen, acabou de chegar ao Washington Park, lugar onde, segundo fontes confiáveis, Beleza Mortal, o temido psicopata, deixara mais um corpo torturado, resultado de sua sádica e cruel vontade. — a repórter, que estava na frente do parque que estava cercado pela fita amarela de isolamento e de policiais, que além de segurar a imprensa afastava os curiosos.
A cena mudou, indo para uma gravação – voltou ao momento em que Edward Cullen chegava ao lugar, estacionando seu Volvo prata. Desceu calmamente, colocou os óculos escuros no rosto e caminhou na direção dos portões do parque. Todos os repórteres e fotógrafos se jogaram em cima dele fotografando e jogando perguntas, enquanto os guardas tentavam ajudar a afastá-los para que o agente pudesse passar.
— Agente Cullen, uma declaração, por favor. — um jornalista gritou, lhe estendendo um gravador.
— Agente Cullen, o que está acontecendo?
— Por que fecharam e isolaram o parque?
— É mais um corpo de Beleza Mortal?
— Foi uma denúncia?
— Ele voltou a atacar em Seattle?
— Por que a Equipe-Mortal está toda aqui?
— Já tem alguma pista?
— Agente Cullen?!
Eram gritos, perguntas, flashes eempurrões de todos os lados.
Quando chegou aos portões do parque, virou-se rapidamente para eles e ergueu os braços, para que se afastasse um pouco.
Naquele breve momento, enquanto eles se afastavam, James olhou para Beleza Mortal pelo canto de olho – mantinha um olhar selvagem e examinador, realmente examinando cada detalhe do que a televisão mostrava com o canto de seus lábios erguidos em um sorrisinho maldoso que podia assustar qualquer um, mas apenas o excitava. BM levou o cigarro novamente, enquanto na televisão, agente Cullen começou a falar:
— Eu ainda não sei qual é a situação que vou encontrar aqui. Sei tanto ou menos que vocês já que, obviamente, acabei de chegar. Sim, minha equipe recebeu uma denúncia, então vamos investigar cada pedaço desse parque pra ter alguma certeza antes de dar qualquer declaração. E esperamos a compreensão de todos vocês agora. Quando tivermos certezas e respostas, vamos dar uma declaração oficial.
Nem deu tempo de tudo recomeçar, apenas ergueu a fita amarela de isolamento e entrou no parque, enquanto os guardas seguravam a impressa. Continuaram fotografando e filmando até que ele saiu do campo de visão.
Mudou novamente a imagem, voltando a mostrar a repórter ao vivo: — A imprensa e vários curiosos, até alguns admiradores de Beleza Mortal, se aglomeram na frente do parque buscando novidades, qualquer vislumbre do cadáver ou até mesmo de Beleza Mortal, continuaremos aqui em busca de informação, qualquer novidade, voltaremos com plantão de notícias ao vivo. — e imagem voltou a mudar, alguns comentários sobre antigos cadáveres e cenas de Edward Cullen e sua equipe.
A gargalhada de Beleza Mortal assustou James, ria enquanto a fumaça de seu cigarro saia por sua boca.
BM gostou daquilo. O agente Cullen parecia firme, inquebrável, inalcançável, com a cabeça erguida e queixo para frente, arrogante e forte, como se encontrar um fodido cadáver em um parque público não estivesse fodendo com a sua cabeça... Mas sabia que estava, podia ver através dos pequenos, quase imperceptíveis, detalhes. Mas ainda assim continuava firme... E ainda conseguiu manter o sarcasmo em sua declaração, o leve ar de deboche que BM conhecia perfeitamente. Agitou a mão rapidamente, derrubando as cinzas do cigarro no chão de pedra de James.
— Quanta pressão seria necessária para fazê-lo cair de seu pedestal e implorar? — perguntou com humor e colocou o cigarro a boca.
— Quem? — James perguntou confuso.
— Edward... Cullen. — disse lentamente e soprou a fumaça em seu rosto.
Era exatamente isso que pretendia ao fazer essa pequena jogada, queria ver a reação do agente Cullen; principalmente quando a imprensa chegasse e lhe exigisse resultados. E ele não estava decepcionando... Oh sim, parabéns Cullen, você está indo muito bem! Agente Cullen era forte e Beleza Mortal gostava disso como o inferno. Os fracos eram fáceis, sempre os primeiros a sucumbir e ceder. Não, esses tipos causava decepção, gostava dos que lhe proporcionavam desafios, dos que questionavam, barganhavam, soltavam insultos ao ar; gostava dos fortes, dos que lutavam. Será que aguentaria cinco dias? Ou mais? Hum... Isso soava divertido. Há tempos não encontrava alguém que não implorasse no primeiro, no máximo segundo dia.
— Aposto que não dura um dia. — James bufou.
— Não... Agente Cullen é mais forte do que isso. — disse firme com convicção.
— Por que tanta fé nele? E por que está com esse olhar?
— Que porra de olhar? — tragou o cigarro novamente.
— Como se estivesse pensando no futuro, esperando algo... Planejando ou prevendo algo.
Bufou soltando a fumaça com força, demonstrando sua irritação. Um aviso claro pra que James recuasse se não quisesse algumas marcas permanentes em seu lindo rostinho.
— Pare com isso, James. Essa maldita psicologia de livros baratos é patética, não gosto de tentem me analisar... Nem você, meu querido. Edward Cullen está investigando esse caso há anos, sabe do que sou capaz e do que poderia acontecer se eu o pegasse... Sabe quantos agentes desistiram ou pediram transferência desde o inicio da Equipe-Mortal? Provavelmente, apenas os chefes permaneceram desde o começo. Ele aguentou ver todos os cadáveres, descrição das mortes, absolutamente tudo. Mas aguentar isso na teoria é fácil. Eu só... — olhou para o teto e sorriu. — Queria saber o quanto ele aguentaria disso na prática... Pessoalmente.
— Por que você simplesmente não o pega logo e acaba com isso? Imagina a surpresa dele ao acordar amarrado e descobrir você? Então ser torturado e morto? Isso sim seria divertido. — James riu. — Podíamos fazer isso. Imagina, seria o ápice de Beleza Mortal matar o agente responsável há dez anos pelo caso, fama total! Vamos? Nós podemos...
— Não. — o cortou em sua patética empolgação.
— Por que não?
— Primeiro, porque eu disse não. Segundo, porque eu não faço isso pela fama. Terceiro, porque é tudo no meu tempo, Jamie. — virou o rosto para encará-lo. — E como eu disse, não.
— Então eu devia fazer.
— Você? Sério? — perguntou com ceticismo e gargalhou.
— E por quê? O nome Jane te diz alguma coisa? Pois é, eu já matei. E gostei da sensação, gostaria de fazer de novo e o Cullen seria perfeito. Eu posso fazer isso.
— Não, você não pode. Você não poderia cagar e limpar sua bunda perto do Cullen sem que eu dissesse onde ou como, James. Lembre-se disso. E não, não vamos fazer nada.
— Então me treine e me deixe bom nisso, vamos fazer no agente Cullen!
— Eu disse não e não vamos fazer nada. Então você entende a porra do meu não e não faz porra nenhuma, está me entendendo, Jamie? — disse o encarando.
— O que? Está criando humanidade dentro de você, Beleza Mortal? — sussurrou, enfatizando seu apelido.
Beleza Mortal sorriu maliciosamente, assentindo docilmente. Colocou o cigarro na boca e o deixou preso entre seus lábios, levantou e se ajoelhou na frente de James, que sorriu sem entender nada. Abriu a fivela de seu cinto, puxando lenta e habilidosamente para fora de seu jeans, enquanto o cigarro queimava e acumulava a cinza em sua ponta.
James não podia deixar de sorrir, ter aqueles lábios ao redor de seu pau o chupando novamente seria o paraíso, sim! BM dobrou o cinto no meio, então estalou ar; aquele barulho o assustou, assim como o excitou, foda-se, sim!
BM segurou a tira de couro em uma mão só, tragou o cigarro e absorveu a fumaça, puxou para fora de seus lábios, agitando e derrubando as cinzas no chão. Segurando o cigarro entre os dedos e o cinto nas mãos, escarranchou-se sobre o colo de James, apoiando seus joelhos no sofá. Voltou a colocar o cigarro entre os lábios e passou uma ponta do cinto por trás de seu pescoço, pegando do outro lado, então passou a ponta por dentro da fivela, como se fechasse em uma cintura, então puxou até o final. Deu duas voltas com a tira de couro em sua mão, fechou o cinto e puxou com toda a força, repuxando e machucando a pele de seu pescoço, cortando seu oxigênio. James se surpreendeu com aquilo, bateu em seus braços para que parasse, mas para o seu tamanho, tinha uma força assustadora.
Beleza Mortal nem seu mexeu, o rosto sério, com o cigarro entre os dedos da mão que segurava a fivela e com a outra puxando a tira de couro enrolada em sua mão, via o pescoço e o rosto dele ficarem vermelhos, seus olhos se arregalarem e boca abrir tentando puxar qualquer oxigênio possível, balbuciando, mas nem se abalou.
— Essa é a porra da minha humanidade pra você, é suficiente? — sorriu. — Eu cuido do rabo daqueles que estão comigo, James, mas acredite, meu rabo vai vim sempre em primeiro lugar. Eu não vou me ferrar por causa de ninguém... Nem por sua causa, meu amor. É meu jogo, lembre-se disso, jogue conforme minhas regras ou você está fora! Agente Cullen é meu! — rosnou, aproximou-se dele e beijou seu lábio inferior levemente, então soltou o cinto. Deixando James respirar, ofegante e aliviado, com lágrimas nos olhos. — Se um dia resolver fazer algo a respeito dele, eu farei. Meu problema entendeu? Dos meus problemas, eu cuido. Você. Me. Entendeu. James? — rosnou lentamente entre os dentes.
— Tudo bem, tudo bem, me desculpe. — disse ofegante. Beleza Mortal sorriu e acariciou seu rosto, enxugando suas lágrimas lentamente. James se inclinou na direção de sua mão, como um gato que se esfrega na perna de alguém na busca de um carinho. Não devia ter desafiado suas regras e ordens, devia apenas obedecer, era agradecido por estar vivo e ainda poder ficar ao seu lado. — Sinto muito, tudo bem. Mas como você disse, ele está nisso há muito tempo, e se ele achar alguma coisa?
BM deixou o cinto em seu pescoço, lhe olhando nos olhos, e levou o cigarro a boca novamente, tragou e prendeu a fumaça, agitando a mão pra derrubar as cinzas.
— Oh sim, ele vai achar. — disse com humor, soltando a fumaça por entre suas palavras em seu rosto, até abrir um largo sorriso satisfeito.
— O que?! — gritou, colocando as mãos na cintura de BM, ainda em seu colo, e apertou. — Você disse que era profissional, que não íamos ser presos, agora está dizendo que deixou alguma maldita pista na porra do parque?! Perdeu sua mente, porra?!
Os olhos de Beleza Mortal se estreitaram, fazendo-o ter medo real pela primeira vez. Tinha feito de novo, mas agora com gritos, merda, menos de um segundo depois de suas palavras ecoarem pela sala mesclada ao barulho da televisão, já estava arrependido; queria apenas cair de joelhos e pedir perdão pelos gritos, por ter questionado e pensar em desobedecer, mas antes que pudesse falar qualquer, BM colocou a ponta do cigarro em seu peito, afundou em sua pele e o apagou em sua carne. James urrou com a dor, encarando o local queimado e depois em seus olhos, horrorizado.
— Você... — deu uma risada amarga. — Você tem bolas por gritar comigo, James, eu admiro isso, mas nunca mais repita esse erro novamente. Nunca mais em sua fodida vida ouse gritar comigo de novo, porque da próxima vez que você fizer, será a última vez que terá língua... Ou bolas. — jogou o cigarro longe e levantou-se de seu colo, admirou por alguns segundos a minúscula queimadura redonda em seu peito e lhe virou as costas. Filho da puta.
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Edward o observou em silêncio. Aquilo tinha o acertado em cheio como um soco na cara, outro no estômago e talvez um chute nas bolas. Oh sim, uma surra da realidade, Edward, aproveite que é de graça.
— E eu acabei de te deixar sem palavras. Sou realmente foda quando faço tanto sentido né? — Emmett se vangloriou. — Bem que mamãe sempre disse que sou mais do que minhas covinhas adoráveis.
— Vá se foder Emmett.
— Eu te dei muito que pensar. Tente colocar isso na gaveta das 'coisas fodidas para resolver mais tarde' e volte para o arquivo na sua mesa 'coisas fodidas para resolver agora', Beleza Mortal. Temos trabalho a fazer.
Filho de uma puta.
Emmett bateu em seu ombro e seguiu para seu lado designado com o cão farejador e seu guia. Edward soltou mais alguns palavrões, até seguir para seu lado também com o cão e o guia. Novamente afastou Dra. Swan da sua mente e se focou apenas em Beleza Mortal, seu trabalho.
Mesmo tendo dividido o parque em várias subdivisões, ainda era um lugar amplo, muito arborizado e cheio de malditos lugares para esconder a porra de um corpo. Claro que Beleza Mortal tinha pensado nisso, não daria um maldito cadáver de graça, se fosse pra ser fácil teria simplesmente colocado dentro de um saco e deixado em uma lixeira com um recado “bem aqui, belo mortal, aproveite e me pegue". Edward duvidava que aquele corpo levasse a qualquer lugar, Beleza Mortal era simplesmente melhor do que isso; o corpo não devia ter nenhuma digital ou qualquer pista que levasse ao assassino, era minucioso e, Edward era um maldito se não admitisse isso, competente. Se usasse seus poderes para o bem, seria de muita utilidade para o mundo... Talvez algo como Hitler. Mas se Hitler caiu, Beleza Mortal cairia também. E em um mundo perfeito, ou ao menos justo, seria em suas mãos.
Estava há quase duas horas naquele parque desde o momento em que chegaram à árvore até a procura do corpo em cada centímetro, já estava começando a escurecer e se não tivessem resultados, a melhor decisão seria parar e esperar até que amanhecesse, porque era o inferno procurar qualquer coisa no escuro, tropeçando em mato. Os cachorros já estavam ficando cansados também. Além disso, Tanya não parava de ligar e mandar mensagem, mesmo que ele ignorasse e ela soubesse o quanto odiava ser interrompido durante o trabalho.
Edward sabia que todos estavam fazendo o melhor que podia, mas não estava sendo suficiente e isso o estava enfurecendo; não com sua equipe, jamais com eles, mas com Beleza Filho da Puta Mortal.
Até o seu rádio apitar, sinalizando uma chamada, e escutar a voz de Rosalie do outro lado, mas abafado pelo bolso, não entendeu. Pegou-o, chamou-a de volta e apertou o botão para falar.
— Fala Rosalie.
— Achamos o corpo. — Rosalie avisou. Finalmente!
Edward guardou o rádio no bolso e deu o aviso ao guia com o cão farejador, então foi para o lado onde Rosalie estava procurando. Encontrou com Emmett no meio do caminho, que também tinha recebido o chamado de Rosalie. Então Jasper e Alice, ele carregava a mala com equipamentos com a alça sobre o ombro, para que examinassem o corpo. O outro agente levou os cães e os guias de volta aos carros, ficando apenas os principais da Equipe-Mortal.
— O que nós temos? — Edward perguntou se aproximando.
— Eu estou me sentindo em Bones. — Rosalie comentou.
— E o que diabo isso supostamente deveria significar?
Edward se aproximou do lugar; era em um canto muito afastado e escuro do parque por causa de toda a vegetação que protegia, realmente teria demorado muito pra encontrar sem o cão farejador. A outra metade da blusa rasgada estava sobre seus pés, mas não era um corpo qualquer, merda, era uma ossada.
— Mas que inferno... — murmurou confuso.
— Por isso Beleza Mortal colocou o coração no saco e deixou claro que era um jogo dele, porque se tivéssemos encontrado apenas a ossada, não iríamos relacionar com seus crimes. — Alice disse.
— Mas tem certeza de que é algo de Beleza Mortal? — Jasper perguntou. — E se for de algum imitador?
— Os jogos, o humor negro, o coração... É Beleza Mortal. — Edward disse categoricamente.
— Quanto tempo demora uma esqueletização completa? — Emmett perguntou encarando a ossada.
— Três anos. — Rosalie respondeu. — No mínimo. E essa merda estava enterrada antes, é óbvio pela mancha de terra no osso e nos cantos.
— Beleza Mortal mata... Enterra... Espera três anos.. Desenterra... E nos entrega... Se essa porra, supostamente, devia fazer sentido, eu não o peguei. — Emmett disse com um sorriso obviamente forçado. Como em ‘vish’, um meme da internet.
— Achamos o corpo, está escurecendo e não vamos conseguir mais nada aqui. Vou apenas chamar de legistas para fotografar e dar uma olhada ao redor, recolher e levar para o Carlisle examinar, então vocês pode encerrar o dia.
— Nós? — seu melhor amigo franziu o cenho. — E você?
— Sou o chefe, lembra? O lado bom é que posso dar ordens e vocês tem que me obedecer. A parte fodida é que tenho que cuidar dos relatórios e da papelada toda. Eu vou voltar para o escritório, fazer isso hoje mesmo e me livrar da merda toda enquanto ainda estou no pique.
— Você é o chefe, Edward, como quiser.
— Claro, Srta. Amo Pornô Gay e Por Isso Quero Ver Meu Marido Fodendo Seu Melhor Amigo. — Edward revirou os olhos, enquanto todos riam de sua provocação.
— Emmett é bom de cama, Edward, dê uma chance e me deixe assistir. Será bom pra nós três.
— Alice, agende uma consulta para Rosalie, tenho certeza que ela precisa conversar sobre esse problema dela urgentemente. Você é doente, garota. — piscou. — Nos vemos amanhã cedo no hospital com Carlisle.
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Já estava escuro e tarde quando Edward finalmente terminou todo seu trabalho burocrático no escritório. Além de acabar com um maço de cigarros inteiro e toda uma jarra de café preto. Estava exausto, mas sem sono. Suado, sem o terno e com a gravata frouxa, todo amarrotado. Se não estivesse cheirando á café, tabaco e suor, Tanya podia pensar que o estava traindo... Lembrou-se de Bella novamente. Oh merda, mas ele estava.
Estacionou o Volvo em frente a casa, com a pasta na mão e o paletó sobre o ombro. As luzes de todas as casas da vizinhança estavam apagadas, as famílias felizes e bonitinhas de comercial de margarina agora dormiam tranquilamente. As discussões eram por motivos idiotas, todos resolvidos em uma hora de conversa ou com um lado cedendo, a maioria não tinha problemas para dormir e se tivessem, apenas tomavam uma pílula e pronto, nada mais do que coisas idiotas. Enquanto toda a sujeira não chegava ao seu quintal, eles permaneciam alheios de toda a merda em que ele trabalhava, ignoravam os noticiários e fingiam que tudo estava bem no mundo. Edward, em alguns momentos, invejava isso. Queria poder dormir uma noite inteira sem se revirar na cama imaginando quem Beleza Mortal estaria torturando; queria poder discutir com Tanya sobre a cor da cortina ao invés de dizer "achamos um novo corpo" e encerrar qualquer chance de assunto; queria poder engravidá-la e então pensar apenas no futuro de seu filho... Queria ser normal. Mas então piscava e voltava à realidade, aquela era sua realidade, um agente do FBI especializado em Beleza Mortal que tinha que viver achando corpos destruídos e correndo atrás de um monstro. Se não fizesse, quem o faria? E a unica coisa que o tirava do mundo mortal e lhe trazia alguma normalidade, algum conforto, era Bella Swan e era algo errado, mas merda aquele beijo não saia de sua cabeça. E merda, cara, ele estava fodido.
A casa estava toda apagada quando entrou trancando a porta, Tanya provavelmente estava dormindo e ele não estava a fim de subir e acordá-la. Jogou sua pasta e paletó na poltrona, tirou os sapatos e meias, tirou a gravata e blusa, abriu seu cinto e caiu no sofá bufando. Precisava de um banho, mas realmente não queria acordá-la, então ter que encará-la. Mas estava realmente impossível dormir grudando daquela maneira, era horrível dormir sem um banho após achar algo By Beleza Mortal, fazia-o sentir ainda mais sujo. Porra.
Subiu o mais silenciosamente para o quarto e Tanya realmente estava dormindo em seu lado da cama com o braço esticado para o lado dele, coberta pelo edredom até a cintura. Edward pegou na gaveta apenas uma samba canção limpa e caminhou para o banheiro o mais silenciosamente possível, trancando a porta.
A ducha do chuveiro era potente, o que era realmente bom pra relaxar, deixou a água morna quase fria e, após se despir, entrou em baixo da água, virando o rosto para cima. Passou a mão pelos cabelos molhados e no rosto, então pegou o sabonete, com os olhos fechados começou a ensaboar seu corpo. Precisava se livrar da sensação de sujeira. Passou por todo o lugar que suas mãos alcançavam até ficar bem ensaboado, devolveu o sabonete à saboneteira e começou a se enxaguar. Enquanto suas mãos deslizavam por seu corpo... Sua mente deslizava até Bella...
Edward afastou seus rostos alguns centímetros, mas perto suficiente para sentir a respiração dela em seu rosto e a boca dela gritar pela sua. E Bella acalmou os gritos e o beijou, esmagando seus lábios com os dele, pousando uma mão em seu rosto. Sem língua, apenas seus lábios colados, aproveitando o calor e a maciez. Era pouco, precisava do gosto dela, mas não podia.
Afastou suas bocas rapidamente e deu um passo cambaleante pra trás.
— Oh Deus, me desculpe, me desculpe, eu não... — Bella soltou o ar com força e colocou o cabelo pra trás, nervosamente.
— Tudo bem é só...
— Edward... Eu realmente, eu não... Desculpe, eu não...
— Eu sinto muito, eu preciso ir.
Bella... Bella... Bella... Edward mordeu o lábio inferior para abafar os próprios gemidos, porque quando deu por si, sua mão estava ao redor de seu pênis, acariciando lentamente com a pressão certa, pra cima e pra baixo toda sua ereção.
Se masturbando no chuveiro novamente, Edward? Odiava isso, não tinha nada contra a masturbação para os outros, mas para ele... Isso o deixava deprimido, mas precisava daquilo naquele momento. Oh, bem vindo de volta à adolescência, Edward. Quando terminou de cuidar de si mesmo e do seu duro problema, limpou toda a bagunça que tinha feito, terminou de se limpar e desligou o chuveiro. Porra, agora sim estava frustrado e se sentindo ainda pior. Secou-se e vestiu a samba canção, jogou a roupa no cesto de roupas sujas, pendurou a toalha no gancho junto à porta e saiu do banheiro agitando os cabelos úmidos com o dedo, para que secassem.
— Você chegou. — a voz da Tanya era baixa e lhe assustou. Ela sentava sentada na beirada da cama, no escuro. Porra.
— É, cheguei. Eu te acordei? Desculpe, tentei fazer o menor barulho possível...
Tanya acendeu a luz do abajur e ficou em pé.
— Eu escutei o barulho do chuveiro e acabei me assustando, a porta do banheiro estava trancada, eu tentei abrir, mas acho que você não escutou. Você não atendeu meus telefonemas, não respondeu minhas mensagens...
— Tanya, eu estava trabalhando, não podia...
— Não podia separar cinco minutos do seu maldito tempo pra digitar uma mensagem dizendo "eu estou bem"? Estava passando na televisão o tempo inteiro sobre a situação do parque, fiquei preocupada. Você sabe que eu odeio quando você me ignora.
— Eu não estava te ignorando, Tanya. — Edward mentiu revirando os olhos. — Eu estava trabalhando, sabia que voltaria pra casa e você veria que eu estou bem. Não precisa se preocupar comigo.
— Mas eu me preocupo! Você é meu marido e está atrás de um maldito psicopata que pode a qualquer momento resolver caçar você, como não quer que eu me preocupe, droga?!
— Notícia ruim chega rápido, Tanya. E eu não estava sozinho, tinha toda uma equipe comigo, nada aconteceria de ruim.
— Você não sabe, não pode ter certeza. É perigoso!
— Você é promotora, Tanya, coloca criminosos na cadeia o tempo inteiro e isso também é perigoso, a qualquer momento algum deles pode ficar vingativo e ir atrás de você, eu me preocupo com você, mas não te sufoco porque sabia da sua carreira quando decidi ficar com você e sabia que nunca seria uma competição entre a nossa vida pessoal e a profissional, talvez você devesse fazer o mesmo. — Edward disse suavemente, enquanto ela aumentava o tom de voz.
— Eu estou te sufocando? Estou me preocupando com você, como uma boa esposa faria! Sim, eu sabia que essa era sua carreira quando decidi ficar com você, mas não sabia que nossa vida acabaria assim! E eu nunca te coloquei depois da minha carreira, você sempre veio em primeiro lugar pra mim, Edward! E eu não me coloco na frente do perigo como você!
— No trabalho estou sempre cercado por agentes e tendo proteção. Se quiser comparar, é mais perigoso quando estou aqui só com você, do que no trabalho com minha equipe.
— É? Então por que você não volta pra porra da tua equipe?! — Tanya gritou.
Edward encarou-a surpreso com os gritos, mas ela realmente parecia furiosa e ele não estava disposto a brigar. Passou a mão pelo cabelo e bufou.
— Quer saber? Foda-se. Eu estou cansado, tive um dia de merda e quero cair na minha cama, tentar dormir mesmo que por alguns segundos. Se você quer brigar, espere até amanhã e talvez eu esteja disposto a argumentar. É o meu trabalho, não é nenhuma novidade pra você; pode aceitá-lo ou me dar à dica pra que eu possa arrumar minhas malas e ir embora. — Edward disse sério, então se virou indo na direção à porta do quarto.
Tanya se assustou com suas palavras; ele realmente tinha acabado de falar, mesmo que subliminarmente, em divórcio? Ofegou, enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas, correu pra ele.
— Edward? Edward, por favor, meu amor. — passou o braço ao redor de sua cintura e o abraçou por trás, encostando a bochecha em suas costas, fazendo-o parar. — Eu sinto muito, me perdoa meu amor.
Edward soltou o braço dela de sua cintura, segurando-os, e se virou pra ela lentamente. Quando ficaram de frente um para o outro, Tanya o abraçou novamente e forte, deitando a cabeça em seu peito.
— Tudo bem, Tanya.
— Não, eu sinto muito. Eu não devia... Eu sinto muito... Eu te amo, só estava preocupada com você. — ergueu o rosto para encará-lo, soltou sua cintura e pegou seu rosto entre as mãos. — Você pode entender isso, meu amor? Só estava preocupada.
— Tudo bem. Nós dois tivemos um dia estressante, precisamos esfriar a cabeça e deixar a conversa pra amanhã.
— Sim, podemos realmente deixar a conversa pra amanhã e relaxar hoje, podemos relaxar juntos, se você quiser. — ela beijou seu peito, desceu a mão lentamente, arranhando suavemente seu peitoral com a unha, o beijou novamente.
— Tanya, não... — tentou tirar as mãos dela, olhando para o teto.
— Por quê? Quero me desculpar com você... — beijou seu peito, passando a ponta de sua língua. — E relaxar como marido e mulher, você quer Edward. Faz tempo que...
Edward agarrou os pulsos dela com firmeza e o segurou longe de seu corpo, dando um passo para trás e olhando em seus olhos surpresos.
— Eu disse não, ok? Não estou no clima, não quero mais discutir. Vai pra cama e dorme que eu vou fazer o mesmo... — soltou o pulso dela. — Em outro quarto.
Antes que Tanya respondesse, ele saiu do quarto a passos largos. Deixando-a frustrada, magoada, furiosa, irritada... Ou uma mistura de tudo.
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No dia seguinte, Edward saiu de casa antes que Tanya acordasse. Brigar às sete horas da manhã não estava em seus planos naquele maldito dia que já começaria com trabalho por Beleza Mortal. Já tinha recebido uma mensagem de Carlisle avisando que o resultado da autópsia estava pronto.
Emmett, Rosalie, Jasper e Alice já estavam no Seattle Grace quando Edward chegou, apenas esperando por ele no subsolo onde ficava a área de autópsias e perícias. Era óbvio que Alice não entraria, detestava o clima frio e a aparência da sala, ainda mais com uma ossada sobre a mesa, então ficou do lado de fora enquanto os outros entravam; eles colocaram as máscaras e se aproximaram da mesa, onde Carlisle já estava, com todo o equipamento e roupa médica, observando os ossos com outra médica, que eles não conheciam – ela era alta e magra, como uma modelo, pele negra e grandes olhos castanhos, assim como o cabelo crespo que estava solto e com grandes cachos bem definidos.
— Essa é a Zafrina, antropóloga forense, especialista em investigação com restos mortais, especialmente ossos. — Carlisle a apresentou.
— Ei, é um prazer conhecê-los. Uma pena que nessa situação. — a mulher disse com um leve sorriso e sotaque forte; ela devia ter descendência latina, da América do Sul, talvez Brasil.
— Igual à Bones? — Rosalie perguntou empolgada.
— Sim, Bones. — Zafrina riu.
— O que inferno é isso de Bones que a Rosalie tanto fala? — Edward bufou.
— Você é uma grande dor na bunda, Edward. Principalmente na minha. — Rosalie revirou os olhos, rindo. — Bones é uma série onde a equipe investiga assassinatos através da ossada, é uma boa série. E tem o quente David Boreanaz, wow!
— Rosalie, menos. Bem menos. — Emmett murmurou com o cenho franzido, todos riram. Ela assentiu e lhe mandou um beijo.
— Podemos voltar para o trabalho e falar do osso?
— Sim, chefe. — Rosalie bateu continência e olhou para Carlisle e Zafrina. — E então?
— Er... — Carlisle limpou a garganta, enquanto parava de rir. — Bem, eu não sou nenhum especialista em ossos, então chamei Zafrina, que é de minha total confiança, para me auxiliar. E ela na verdade fez todo o trabalho e testes, então deixarei que ela fale dessa vez.
— Bem... A ossada pertence a um homem, de 25 a 30 anos. Ele foi morto a pouco mais de três anos, porque a deterioração do osso ainda está muito recente. Estava enterrado, mas em solo quimicamente modificado, então o que retiramos não era suficiente pra identificação do lugar onde estava enterrado; isso foi algo bem pensado por parte do assassino. Então lavamos para tirar a terra e as manchas de terra, ficando apenas essas. Podem se aproximar. — Zafrina virou-se para a ossada completa esticada na mesa de autópsia, estava de luva, então apontou para algumas marcas negras no osso meio amarelado nos fêmur e nas costelas. — Essas marcas não saíram.
— E o que são essas?
— Raspamos em alguns lugares para analisar. Essas partes foram onde o osso foi carbonizado. E nas raspas que analisamos, mostrou também pele queimada. A pele foi queimada tão profundamente que alcançou o osso e queimou nele, grudando e ficando.
— Que porra... Quer dizer que ele foi queimando? Morreu carbonizado? — Jasper perguntou confuso.
— Não, se fosse isso, todos os ossos deveriam ter essas marcas. Ele foi queimado, não há dúvida, mas não igualmente. — Zafrina explicou. — Foi um fogo concentrado. Na grande maioria apenas queimou a pele e carne, algo em terceiro grau, mas em certos pontos deixou o fogo ir a todas as camadas e alcançar o osso.
— Algo com fogo concentrado e potente?
— Um maçarico? — Emmett sugeriu.
— Pode ser. Definitivamente o padrão combinaria. — Zafrina disse.
— E a causa da morte?
— Vou colocar como indefinida, Edward. — Carlisle explicou. — Eu não posso dar uma certeza, apenas que sofreu queimaduras graves. Da próxima vez me dê algo com mais carne e poderei ajudar.
— Pode deixar, vou dar esse aviso a Beleza Mortal quando o encontrar. — Edward ironizou. — E o coração?
Carlisle pegou a prancheta que estava ao lado da ossada, virou uma folha e correu os olhos por ela, lendo-a:
— Estava sendo conservado em formol há três anos também, por isso supomos que é do dono da ossada aqui. Fizemos teste de DNA e o dono era Tyler Crowley. Foi fichado na polícia aos quinze anos e ficou no reformatório até os vinte e um, tentativa de homicídio doloso, com intenção de matar; estava dirigindo bêbado e atropelou uma jovem, que felizmente sobreviveu, mas como não era a primeira vez que dirigia bêbado, foi detido. Ele saiu, a ficha foi limpa e recomeçou. Sumiu em Fevereiro de 2009, visto ultima vez em um bar em Port Angeles sozinho, a noiva deu queixa do desaparecimento e procuraram um ano inteiro, foi declarado morto sem corpo em Fevereiro de 2010. E aqui está ele agora, Julho de 2012, oficialmente morto.
— Já avisaram a noiva? — Rosalie perguntou.
— Não, deixamos a parte de avisar os parentes para os detetives, é todo seu. Os números de contato estão no fim da página. — Carlisle entregou a ela a prancheta, que agradeceu sarcasticamente, odiava a parte de contar às pessoas que seus entes queridos haviam sido torturados e mortos.
— Mais alguma coisa?
— Nada. Já fotografamos tudo, principalmente as marcas, e fizemos relatórios. Está tudo no envelope pardo ali. — apontou para a mesa. — O maldito foi muito cuidadoso, como sempre.
— Antes de enfiar uma bala no coração do filho da puta, vou parabenizá-lo por isso. Vocês cuidem do resto, vou voltar para o escritório e dar uma olhada nisso.
Bufando irritado, ele tirou a máscara, jogou-a na mesa e pegou o envelope, saindo da sala. Zafrina encarou a porta bater, confusa; ele saíra assim por sua causa? Pela incompetência e falta de resultados exatos? E como se lesse sua mente, Rosalie lhe deu um sorriso em solidariedade:
— Peço que desculpe Edward, não é nada pessoal, Zafrina. Ele está nesse caso há muito tempo, é o chefe então a falta de resultados cai, principalmente, sobre ele. Cobranças de todos os lados, principalmente de si mesmo, tenho certeza de que ele está satisfeito com seu trabalho; é com ele mesmo e com Beleza Mortal que Edward está furioso.
— Oh, obrigada. Vou dar uma última olhada na ossada, fazer mais alguns testes e tentar achar algo, mas é praticamente impossível. Eu realmente espero que vocês consigam algo mais.
A equipe assentiu.
Notas finais
Agradeço a todas comentando, muito obrigada gatitas, e convidar aos fantasminhas que comentem também, não sabem o quanto é importante. Comentem e até o próximo, bjsbjs s22
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