Heartless
9 oitavo capítulo.
Notas iniciais
Eu sei, eu sei, sinto realmente muito pela demora. Coloquei uma explicação no perfil, quem leu, entendeu né? Bem, eu estou no terceiro ano (sim, titia Candy quase neném kkkk) e eu estava garantindo minha nota pra não ter que correr atrás no quarto bimestre. Todo mundo sabe como é uma merda ter que recuperar tudo em um bimestre só, sendo que o quarto é o menor, então eu garanti minha nota, sim galera, sem nenhuma nota vermelha e agora estou de boa, vou me formar e isso é demais *-* KKKKKKK E eu tinha dado uma desanimada na Heartless, mas então me animei de novo, ai desanimei de novo e então lendo os reviews, recebendo elogios a respeito da Heart pelo twitter e vendo-as perguntando por BM nos reviews da minha outra fic (let me take you there, quem quiser ler, à vontade ok? todas bem vindas) e eu me animei novamente. Sim, sim, sim. O hiatus acabou, eu não abandonei a Heartless, estou oficialmente de volta e teremos capítulos com a maior frequência que eu puder, prometo. Então......... Espero que vocês continuem comigo, que eu ainda tenha leitoras, e gostem do capítulo, aproveitem s22
Mateo Gonzales era novamente o guarda responsável pelo controle da entrada e saída de pessoas no prédio da polícia de Seattle naquela tarde novamente. O dia estava agitado e corrido; agentes do FBI e da Equipe-Mortal subiam e desciam constantemente para o andar onde estavam instalados, ele cuidava da verificação de autorização para passar do primeiro andar enquanto outros guardas tentavam afastar a mídia que estava ao redor do prédio como urubus em carniça.
Agente Edward Cullen, o chefão da Equipe-Mortal, tinha chegado há quase duas horas, mesmo com os óculos escuros no rosto, era óbvia a carranca de poucos amigos. E não era pra menos todo seu mau humor, afinal, Beleza Mortal tinha atacado e entregado um corpo novamente. E pelo que tinha escutado dos burburinhos espalhados pelo prédio, era tudo muito pior do que a imprensa estava sabendo e divulgando – Beleza Mortal tinha deixado um jogo de "caça ao tesouro" no parque que os levou até uma ossada. Cullen passou pela imprensa, que lhe cercou com uma enxurrada de perguntas e suposições sensacionalistas assim que se aproximou da entrada, empurrou-os com força, até um pouco desnecessária, mas explicável, e entrou. Não falou ou cumprimentou ninguém. E ninguém ousou lhe dirigir a palavra. Foi para o elevador sozinho – as três pessoas que estava saíram rapidamente e os dois detetives da polícia que esperavam pelo elevador antes dele, acabaram desistindo assim que agente Cullen entrou com um grande envelope pardo.
— C-com licença, por favor, com licença... — escutou uma voz feminina conhecida. — Por favor.
Mateo se esticou sobre o balcão de entrada na curiosidade e se surpreendeu ao vê-la. Como é o nome dela mesmo? Sua mente correu atrás da informação, era... Hum... Isobel? Não, mas era algo parecido, era... Isabella! Isso, Isabella Swan, lembrou-se.
Alguns guardas a ajudavam e ele logo correu para fazer o mesmo. Esticou o braço para ela, que pegou sua mão e abriu um grande sorriso ao vê-lo, então a puxou para dentro do prédio, enquanto o resto dos policiais afastavam os jornalistas.
— Oh, obrigada por me salvar, Mateo. — Bella disse aliviada.
— Você se lembra do meu nome. — ele refletiu satisfeito em voz alta. A morena sorriu e colocou o cabelo para trás.
— Claro, como não lembraria? Mateo Gonzales. E você, se lembra do meu?
— Claro que sim Isabella que prefere apenas Bella.
— Muy bien. — disse em espanhol, surpreendendo-o. Ela riu. — Dei uma treinadinha no meu espanhol, mas ainda estou esperando minhas aulas particulares, claro.
— Quando quiser. — sorriu o mais galanteador que conseguia.
Bella riu novamente, mas logo seu rosto tomou uma expressão séria.
— A situação está complicada, né? Deixe-me adivinhar, Beleza Mortal?
— O que mais poderia ser? Acho que viu o noticiário né, deve estar a par de tudo.
— Vi sim, isso é tão... Horrível. — disse agitando a cabeça com repudio e incredulidade. — Oh meu Deus, eu fique horrorizada com toda a situação, mas é impossível não ficar sabendo, está passando em basicamente todos os noticiários importantes. Foi no Washington Park, acharam mais um corpo, né? É o que dizem os jornais.
— Aham, Beleza Mortal deixou mais uma de suas lembrancinhas a Equipe do agente Cullen, mas com um joguinho de caçada.
— Caçada? — repetiu curiosa.
— É, bem, como uma caça ao tesouro fodida, sabe? E o tesouro era o cadáver de um cara azarado qualquer. E isso é o que a mídia sabe. — se aproximou dela e baixou o tom de voz, como se estivesse pronto a contar um segredo: — Há mais.
— Mais?!
Mateo pegou seu braço gentilmente e a puxou para o canto do salão de entrada, ficando de costas para a porta, assim não corria o risco de ninguém ler seus lábios ou qualquer coisa fodida. Bella era psiquiatra e amiga da Equipe-Mortal, inclusive do chefão, Edward Cullen, que mal tinha lhe contar alguns detalhes, pensou.
— Ainda não há confirmação para quem não é da Equipe-Mortal, mas sabe como os boatos correm.
— Aham, eu sei. — ela assentiu, aproximando a cabeça para escutar sue tom de voz baixo, aparentando interesse em suas palavras.
— Então, alguém que trabalha no Seattle Grace escutou a conversa do legista com a uma especialista em ossos chamada de outro hospital. Essa pessoa, que contou para outra pessoa, que contou para outra e acabou chegando até o ouvido de algum policial e assim foi, na verdade não sei como não chegou à mídia, mas a questão é, não era um corpo em si, era uma ossada. Apenas os ossos do cara.
— Apenas os ossos? — franziu o cenho. — E fizeram DNA nele?
— Essa é a outra parte, no jogo de charada, Beleza Mortal deixou também algum órgão para a identificação. Eu suponho ser um coração ou um baço, como é típico dele.
— Oh meu isso é tão... — começou com os olhos arregalados, mas parou no meio, horrorizada. — Brutal. Como um ser humano consegue fazer uma coisa dessas?
— E não é? Mas, não sei.
— O que? Você não parece tão horrorizado quanto à maioria das pessoas ficaria.
— Eu sempre gostei de filmes de terror, isso soa como um filme de terror na vida real. — disse com um quase sorriso. — Oh merda, deixe pra lá, não quero parecer um fodido doente e insensível.
— Nunca pensaria isso de você, Mateo, além do mais, eu também gosto de filmes de terror, continue. — incentivou-o sorrindo.
— É meio... Genioso a maneira que Beleza Mortal age. Quer dizer, olha o espetáculo que ele consegue fazer e tudo sem deixar um rastro, uma pista se quer. Digam o que quiser, mas quem diz que não se impressiona com essa merda é um maldito mentiroso.
Bella inclinou a cabeça para o lado, lhe analisando. Mateo sentiu o estômago se contorcer, merda, será que agora ela pensaria que ele era um doente mental?Não devia assumir a ninguém esse tipo de coisa. Estava pronto para começar a pedir desculpas e alguma explicação nervosa, mas ela então riu. Ou melhor, gargalhou.
— O que?
— Desculpe... — disse entre as risadas, tentando parar o riso. — Oh Deus. Você sabe, eu sou psiquiatra e faço um perfil de Beleza Mortal, devo estar nisso tanto tempo quanto próprio ‘Beleza Mortal’ e a Equipe-Mortal, eu também devo dizer que me surpreendo e me admiro com as coisas que ele consegue fazer. É impressionante, claro. E isso não te faz uma pessoa insensível, como psiquiatra e sendo a voz da experiência digo, é normal, você apenas não é hipócrita.
— Me sinto melhor agora que escutei isso vindo de uma profissional, estava quase me sinto um doente por esse tipo de sentimento, por me sentir o mais próximo de um ‘fã’ que Beleza Mortal tem. — disse em tom de brincadeira.
— Você não é o único, há muitos fãs pela internet, acredite, mas isso quer dizer que iria gostar de ser pego por Beleza Mortal? — brincou também, batendo em seu braço com o cotovelo.
— Oh inferno, não. Quer dizer, eu não sei. A ideia de ver quem ele realmente é e talvez lhe perguntar algumas coisas parece legal, mas ser uma de suas vítimas? Melhor deixar pra lá.
— Compartilhamos a mesma opinião. — Bella riu. — Agora eu tenho que subir, agente Cullen está me esperando, provavelmente a respeito de toda essa situação.
— Gostaria de poder lhe acompanhar, mas como você percebeu, está uma confusão esse lugar hoje. — disse apologeticamente, coçando a cabeça. Bella agitou a cabeça.
— Eu entendo e eu sei onde fica não é como se você realmente precisasse me acompanhar, mas agradeço sua intenção e a conversa agora. Você é realmente doce. — sorriu.
— E você me deixa menos masculino dizendo que sou doce, Bella.
— Por favor — ela gargalhou, mas se corrigiu. — Tudo bem, você é realmente muy caliente.
— Mucho mejor.
Bella riu novamente, jogando a cabeça para trás.
.
Espalhados sobre a grande mesa de reuniões da sala de Edward estavam várias imagens em papel fotográfico no tamanho A4. Não imagens qualquer, mas fotografias de cadáveres na mesa de autópsia de Carlisle, assim como órgãos e locais onde foram achados.
Claro que tinha todas as fotos em um arquivo no computador, para qualquer acaso, mas também mantinha um arquivo sempre atualizado com as fotos de qualquer cadáver, órgão ou cena de crime referente à Beleza Mortal. A organização era simples na grande gaveta do arquivo na sala – por ano, então por mês, por dia e cadáver.
Além de colocar as fotos do caso atual, Tyler, Edward colocou as fotos do primeiro corpo que tinha encontrado de Beleza Mortal e mais dois casos. Espalhou pela mesa em quatro fileiras, de acordo com o caso.
Fileira 1; primeiro corpo encontrado em 2002. John Doe*. Fotos – um homem sobre a mesa da autópsia, músculos esticados e pele escurecida, cabeça e pescoço tomando uma cor verde-azulada, cor que começava a se estender por seu corpo, rosto irreconhecível com o inchaço e ferimentos, assim como o resto de seu corpo, repleto de cortes e escoriações, mãos e pés azulados; fotos internas do corpo pelo corte do esterno até a cintura, sem coração, baço e tubo digestivo destruído por diabo verde.
Fileira 2; corpo encontrado em 2008. Heidi Chelsea, stripper, desaparecido em Agosto de 2007, identificada dois meses após corpo encontrado, DNA com a irmã, Gianna Chelsea. Fotos – corpo esticado sobre a mesa, escurecido pelo tempo, repleto de escoriações e cortes, sem a pele das coxas e barriga, rosto inchado e em carne viva escurecida, pele retirada perfeitamente ao redor dos olhos, nariz e boca, também sem pálpebras, lábios e nariz.
Fileira 3; baço e coração encontrados em 2012. John Doe. Fotos do local achado – casebre abandonado no meio da floresta da Interestadual a Port Angeles. Parte interna do casebre – vazio e sujo, apenas uma mesa de madeira logo na entrada e uma caixa térmica sobre ela; caixa térmica vermelha com a tampa na branca, um coração pintado a sangue com o dedo sobre ela; parte interna da caixa, um seco e escurecido baço e um coração ensanguentado.
Fileira 4; Ossada, coração e baço encontrados em 2012. Tyler Crowley, fichado na polícia, desaparecido em Fevereiro de 2009, declarado morto sem corpo em Fevereiro de 2010. Fotos – grande árvore em que as pistas foram grampeadas; grande saco ziplock com o coração esbranquiçado conservado em formol, com os dizeres em caneta permanente azul e letras bastão “siga seu coração, belo mortal”; do outro lado, o pedaço de uma camisa masculina cinza cortada ao meio; a frase entalhada a casca da árvore “mas leve seu cérebro com você... Woof, woof”; ossada protegida por uma vegetação densa e rasteira, com a outra metade a da blusa rasgada sobre seus pés; ossada sobre a mesa de autópsia, osso desgastado e amarelado, manchas negras no fêmur e nas costelas.
Eram fotos de vários ângulos daquelas situações, fotografando os detalhes de cada marca feita por Beleza Mortal.
O que toda aquela merda tinha em comum? Era o que estava se perguntando.
Além da maldita brutalidade e crueldade dos crimes, nada parecia se encaixar. Nenhum padrão. Não eram vítimas de mesmos locais, mesmo sexo, mesma raça, mesma idade, mesma profissão, aparentemente, nada em comum. Além da ausência de baço ou coração, às vezes presença de produto de limpeza e o coração entalhado com bisturi, nada em comum na forma da morte. E se não soubesse que eram do mesmo caso, jamais pensaria em que são do mesmo caso, então... O que aquela merda toda tinha em comum?
Edward estava em pé, sem o terno, com a gravata afrouxada e mangas arregaçadas até o cotovelo. Andava ao redor da mesa para ter uma visão completa de todas as fotos de todos os lados, uma xícara de café na ponta da mesa, ao lado um cinzeiro e um cigarro na mão. Nas duas horas tinha fumado quase um maço inteiro de cigarros e aquela era sua quarta – ou seria quinta? – xícara de café. Dormir seria quase possível de tão ligado que estava. E ainda queria mais, queria ter uísque ali, isso sim seria uma boa.
Duas horas relendo relatórios e revendo fotos. Tinha colocado aquelas fotos na mesa em especial por serem tão diferentes... Mas ao mesmo tempo tão... Estranhamente semelhantes. E ele só não sabia em que.
— Merda. — rosnou. Levou o cigarro a boca e tragou com raiva.
Além de toda a situação, ainda estava sentindo desesperadamente a necessidade de um banho. Estava suado, cheirando á café e cigarro, além de ter um cabelo desgrenhado – ou melhor, desgrenhado tinha sido há uma hora e meia, agora estava mais para um ninho de passarinho de tanto que mexia e o puxava no tique nervoso que tinha desde seus cabelos tinha crescido o suficiente para serem puxados.
O que aquela merda toda tinha em comum?
— Edward? — a doce voz lhe assustou completamente, mas ao mesmo tempo lhe ofereceu um conforto que lhe parecia impossível. Antes mesmo de erguer a cabeça, sabia quem era.
— Bella...?
Ela estava parada na porta parecendo insegura se podia ou não entrar, enquanto prendia o lábio inferior entre os dentes.
Estava simples, mas bonita – de calça jeans justa e uma blusa cinza com uma jaqueta biker preta acolchoada junto com salto alto preto e uma bolsa cinza pendurada em seu antebraço. Seus longos cabelos negros estavam soltos sobre seu ombro e seu rosto tinha tão pouca maquiagem que parecia natural, apenas demarcando seus olhos. Simples... Linda.
Edward afastou seus rostos alguns centímetros, mas perto suficiente para sentir a respiração dela em seu rosto e a boca dela gritar pela sua. E Bella acalmou os gritos e o beijou, esmagando seus lábios com os dele, pousando uma mão em seu rosto. Sem língua, apenas seus lábios colados, aproveitando o calor e a maciez. Era pouco, precisava do gosto dela, mas não podia.
Afastou suas bocas rapidamente e deu um passo cambaleante pra trás.
— Oh Deus, me desculpe, me desculpe, eu não... — Bella soltou o ar com força e colocou o cabelo pra trás, nervosamente.
— Tudo bem é só...
— Edward... Eu realmente, eu não... Desculpe, eu não...
— Eu sinto muito, eu preciso ir.
Piscou forte e lambeu os lábios, que formigaram com a simples lembrança do beijo. Um beijo casto, que devia ser quase inocente, mas tinha trazido à tona toda malícia que lhe cabia. Era estranho que antes – envolvido na densa massa quente de fúria contra Beleza Mortal e falta de resultados, além da culpa pós o pequeno beijo – tivesse conseguido evitar seus pensamentos de irem até ela. E de repente, lá estava ela. Bella, Bella, Bella.
— Oi Edward, você está... — lançou um olhar a bagunça de sua mesa, hesitante. — Ocupado?
— Er... Não mais do que normalmente, apenas revisão. Bem, o que você está fazendo aqui? — ao vê-la encolher ligeiramente os ombros com sua pergunta, Edward se amaldiçoou. Apesar de sua voz estar preenchida com a mais crua e sincera curiosidade, sua pergunta podia ser interpretada também como uma rude acusação. — Quero dizer, desculpe, não quis soar rude, estou apenas curioso e surpreso, realmente.
— Não queria te incomodar, eu só... — passou a mão no cabelo, franzindo o rosto desconfortável. — Posso entrar? É difícil falar daqui, acho que estou desconcentrando o resto da sua equipe.
— Oh claro, entre, apenas... Não repare na minha mesa, trabalho.
— Beleza Mortal?
Edward assentiu.
— Vi pelos noticiários a respeito do corpo encontrado no parque, sinto muito, isso tudo é uma... Merda, com o perdão da palavra. — disse com uma risadinha, um riso sem humor, totalmente desconfortável.
— É uma completa merda fodida. — concordou, fazendo-a rir. Só então se lembrou do cigarro que tinha em mãos, agitou-o para que as cinzas caíssem no chão. — Se importa se eu fumar? Isso me... Acalma.
— Não, tudo bem. Todos nós temos vícios, eu fumo também. Além do mais, alguns gostam do cheiro de gasolina, outros café, eu gosto do cheiro de cigarro. Menos o Gudang, é fedido, me dá dor de cabeça. — deu um sorriso de lado.
Edward não conseguiu deixar de sorrir também.
— Eu devo estar cheirando maravilhosamente bem pra esse tipo de pessoa, porque atualmente estou cheirando a suor, café e cigarro. — bufou revirando os olhos e ergueu a mão com o cigarro. — É Marlboro, aceita?
— Não, só fumo os meus mentolados. Apesar de adorar o cheiro, eu tenho algumas frescuras na hora de fumar. — sorriu. — Mas obrigada.
Ele assentiu e deu uma nova tragada, agradecendo por não ter que apagar o cigarro para falar com ela. Aos menos ajudaria a acalmá-lo durante aquela visita, que, aliás, ele nem sabia o motivo.
— Então... Eu vim aqui me desculpar por ontem, Edward. Eu... Céus. Acho que não estive tão embaraçada desde... Nunca? Ou talvez no dia seguinte após ficar bêbada na faculdade pela primeira vez e descobrir tudo que tinha feito, isso é... — riu desconfortável e colocou uma grande parte de seu cabelo para trás, que caiu para o lado em macias camadas negras.
O cabelo dela lhe dava vontade enterrar os dedos, saber se eram tão macias quanto aparentavam e respirar seu doce cheiro. Saber como ficariam espalhadas em um travesseiro e... Wow pare com isso, Cullen, censurou-se antes que uma ereção rugisse em suas calças com a imagem que sua mente estava prestes a conjurar.
— Eu não devia ter ultrapassado os limites, foi... Impulsivo e irresponsável da minha parte. Acredite, eu não saio por ai beijando meus pacientes, ou amigos, ao menos não na boca e...
— Bella, está tudo bem. Você não estava lá sozinha, não tenho nada para lhe desculpar.
— Claro que tem. Não estava sozinha, mas você foi pego de surpresa. Você veio para beijar minha bochecha e eu virei o rosto, então... Eu lhe beijei Edward. Eu sinto muito por tê-lo feito, quer dizer, não por ter lhe beijando, mas por ter lhe beijado sem sua permissão e de surpresa sabendo que não deveria ter feito mesmo que quisesse e oh meu deus, alguém cale a minha boca. — terminou após ter falado incrivelmente rápido, abaixando a cabeça. Riu constrangida. — Acho que compliquei ainda mais minha situação. — ergueu a cabeça colocando o cabelo para trás. — Eu só... — fugiu de seu olhar, apontando para trás por cima do ombro. — Devia ir embora.
Edward riu, apagou o cigarro no cinzeiro sobre a mesa e o deixou lá. Ao menos era uma situação de mão dupla, não era o único malditamente confuso a respeito de tudo. E sim, ela queria beijá-lo, não pode deixar de sorrir com essa pequena grande revelação. Idiota, xingou-se revirando os olhos, isso não muda nada.
— Bella? Eu não... Você pode, por favor, olhar pra mim? Melhor. Bem, eu realmente não culpo você e não estou bravo pelo... Pelo que aconteceu. Somos adultos e deixamos acontecer, nós dois, não apenas você, nós dois, então vamos lidar com isso e seguir.
— Jura? Então nada mudou? Quer dizer, eu realmente gosto de conversar com você e não queria que meus impulsos mudasse algo.
— Juro, nada mudou. — mentiu, é claro que muita coisa tinha mudado, principalmente dentro dele. — Entre mortos e feridos, salvaram-se todos, podemos seguir em frente, sério.
Bella suspirou.
— Graças a Deus, estava realmente com medo da sua reação e das coisas que você estava pensando ao meu respeito.
Edward riu.
— Estava pensando na maneira certa de lidar com a situação, de ir até você e lhe pedir desculpas, na verdade, estou grato por você tê-lo feito. Nesse momento acho que você tem mais bolas do que eu, Swan.
— Sempre soube disso, eu sou muito bem dotada, Cullen. — brincou, fazendo-o rir.
Bella olhou por cima de seu ombro, as fotos sobre a mesa.
— Fotos de Beleza Mortal?
— Hum... — ele olhou para trás, mais por reflexo, porque sabia exatamente do que se tratava. — Sim, quatro casos. Não é pouca merda, Bella, não é coisa para pessoas com estômago fraco, não acho que você deva... — parou quando era tarde, ela já tinha colocando a bolsa sobre uma cadeira, lhe contornado e estava vendo as fotos. — Vê-las. Tudo bem, só tente não vomitar nas fotos.
— Eu tenho o estômago forte, Edward. — disse com um revirar de olhos.
E ela parecia ter mesmo. Porque estava ao redor da mesa, olhando analiticamente as fotos espalhadas pela mesa sem expressar reação aparente alguma – olhar clínico e frio, profissional –, mas ele estava vendo os sinais que seu corpo mandava. Ela lambeu os lábios e passou a tomar respirações curtas, mais rápidas e com um nervoso engolir seco. Apreensão, talvez repulsa e horror.
Edward deu a volta na mesa, ficando na frente dela, que mantinha a cabeça baixa observando as imagens da fileira 2.
— É preciso muito mais do que um estômago forte para encarar isso, Bella. Não são teorias, as simples descrições teóricas dos crimes ou programas de televisão, é real. É cruel e brutal.
Bella assentiu e ergueu os olhos para ele.
— Tente. Prometo não vomitar nas suas fotos, o que aconteceu com essa aqui? — e voltou a baixar os olhos para a sequência de fotos na mesa.
— Além dos cortes por seu corpo, Beleza Mortal tirou toda a pele do seu pescoço até seu escalpo. Exatamente como uma máscara, um corte perfeito ao redor de tudo, depois cortou os as pálpebras, então os lábios e nariz. Também retirou seus seios e baço. Tudo com um bisturi.
Ele percebeu seus olhos se arregalarem ligeiramente e um engolir seco. Bella girou uma foto, que estava bem no que antes tinha sido um rosto. Era horripilante até para Edward – um rosto humano sem expressão, em carne pura escurecida e, o pior, os olhos. Os olhos eram a pior parte, sem as pálpebras eles ficavam abertos o tempo todo e os globos oculares pareciam prestes a saltar. Era horripilante ver aquele rosto destruído sempre preso à expressão de horror e pânico.
— Ela foi identificada ao menos?
— Sim, Heidi Chelsea, identificada pela irmã, Gianna.
Bella ergueu a cabeça e inclinou para o lado, curiosa.
— Você se lembra de cada detalhe de cada investigação?
— É o meu trabalho. — deu ombros. — E me ajuda em alguns momentos, quando preciso ligar algumas peças. Não posso negar, eu tenho um vislumbre de cada cadáver encontrado, mas alguns, é difícil explicar, simplesmente grudam e eu me lembro de cada detalhe. E esse é um deles, jamais vai sair da minha mente.
— Por quê?
— Os olhos. Sem as pálpebras, eles ficaram presos nessa expressão de horror e pânico, e é impossível não pensar que foi exatamente essa a expressão que ela estava durante a tortura, sentindo horror e pânico enquanto estava sendo torturada.
— Entendo, deve ser difícil tirar esse tipo de coisa da mente. — voltou a olhar as fotos. Olhando a fileira 1. — E esse?
— Meu primeiro caso no FBI, primeiro cadáver Beleza Mortal. Além dos cortes e lacerações, ele estava sem o coração, baço e tubo digestivo destruído por diabo verde. Morreu engasgado ou sufocado com dor e o próprio vômito.
— Foi identificado?
— Não, enterrado apenas como evidência e John Doe.
Bella ergueu a cabeça novamente.
— Ele morreu sem nome, é uma merda. — riu amargurado. — Beleza Mortal tirou tudo dele. Além de torturá-lo e matá-lo, tirou também o nome. A chance da família, se ele tinha uma, de se despedir, de ter um enterro digno e um nome na lapide. Não que ele se pudesse se importar com isso agora, mas é uma merda.
— E o que não te faz esquecer esse cadáver?
— Foi o primeiro, em 2002, era apenas um corpo destruído cruelmente, mas eu era jovem e arrogante, tinha a certeza que iria pegar o desgraçado que fez isso, e aqui estamos nós, dez anos depois, na mesma. E o cheiro, o fodido cheiro. — suspirou. — Na época eu achei o que fizeram no corpo cruel, mas aprendi com o tempo que esse foi um dos mais brandos.
— Talvez foi um dos mais brandos porque, como você disse, era o primeiro. Beleza Mortal estava começando e teve tempo para se aperfeiçoar e experimentar coisas novas, aumentar os risco e a própria fodida diversão.
Baixou a cabeça novamente para as fotos, dando um passo para o lado, olhando a fileira 3.
— Coração e baço encontrados em um casebre. Um coração desenhando a sangue na tampa da caixa térmica. Baço retirado durante a tortura e coração no fim.
Bella ergueu a cabeça, franzindo o cenho.
— São aqueles órgãos que vocês acharam quando a Alice estava comigo, certo? Que você comentou no restaurante, no nosso primeiro encontro.
— Sim. — respondeu feliz por ela ter se lembrado. — Era parte do jogo, uma resposta a minha pergunta sobre quanto tempo ele passa com as vítimas. Um recado torcido, doente, mas inteligente. É isso que diferencia Beleza Mortal.
— O que?
— A inteligência torcida e o humor negro.
— Ah. E esse último eu suponho que seja o cadáver achado no parque, dado que está em uma vegetação?
— Foi apenas uma ossada junto com pedaços de uma blusa, uma mensagem e um coração conservado em formal dentro de um ziplock. Encontramos o corpo com ajuda de cães farejadores que cheirou a parte da blusa grampeada a árvore e achou a outra parte, que estava na ossada, graças à mensagem de humor fodido, como sempre.
— Siga seu coração, belo mortal... Mas leve seu cérebro com você... Woof, woof? — leu a frase confusa e com um leve humor em sua voz. — Está bem, eu entendi o começo, mas como vocês ligaram os cachorros?
— Agente Emmett McCarty, meu doente melhor amigo disse que nos livros de histórias dele os cachorros latiam ‘woof, woof’ e funcionou.
— Que amigo mais... Estranhamente inteligente... Eu acho. — Bella riu, apontou para uma das fotos. — O que são essas manchas?
— Osso carbonizado.
— Ele morreu queimado? — franziu o cenho.
— Não. O legista e uma especialista em ossos disseram que não, as marcas são muito especificas e localizadas. Ele foi queimado, mas não igualmente, algo concentrado e forte, talvez um maçarico. E causa da morte é indefinida.
— Suponho que os órgãos você não esquecerá porque foi uma óbvia resposta a sua pergunta, mas e esse, por quê?
— Foi um dos mais estranhos. O cadáver foi enterrado, esperou a esqueletização completa, então desenterrado e devolvido com uma mensagem, um coração e com causa de morte indefinida, é estranho.
— Isso é tudo tão... — tomou uma respiração profunda e colocou o cabelo para trás. — Como você consegue lidar com isso o tempo todo?
— A vontade de acabar com isso, de ter respostas, não sei. — suspirou.
— E por que você está olhando essas fotos agora?
— Estava procurando alguma semelhança, tentando saber o que toda essa merda tem em comum.
— Algum sucesso com isso? — perguntou correndo os olhos por todas as fotos lentamente.
— Não. Nada semelhante, nada se encaixa. Sem padrão em absolutamente nada.
Ela soltou um som de compreensão e continuou analisando as fotos sobre a mesa. Era estranho para Edward deixar alguém que não fizesse parte de sua equipe tão perto da investigação, talvez nem fosse certo, mas e se ela visse algo nas fotos, psiquiatricamente analisando, que pudesse ajudar? Sim, continue dizendo isso e talvez consiga se convencer que esse é o único motivo para mantê-la em sua sala, Edward.
Sim, era diferente tê-la em sua sala, analisando seu trabalho. Tanya jamais faria algo assim. Ela podia ser promotora pública e lidar com crimes, mas eram apenas da Unidade de Vítimas Especiais – que lidava geralmente com crimes sexuais ou contra incapazes –, ela jamais poderia lidar com as fotos dos cadáveres de Beleza Mortal. Não sem vomitar, chorar ou ter pesadelos por várias noites. Já Bella...
Bella era realmente diferente. Intrigante, diferente e forte. Além de sexy, malditamente quente como o inferno. Porra. O fazia querer se jogar sobre ela e lhe atacar furiosamente, entrar em suas calças até que os dois rugissem de prazer, ali mesmo na sala, com as fotos de fodidos cadáveres sobre a mesa, sem se importar com nada mais. Passou a mão no cabelo e tentou afastar os pensamentos ou acabaria duro ali mesmo.
Merda, merda, merda. Já não bastando todo o drama que sua vida já tinha graças a Beleza Mortal, seu pau não achava suficiente e lhe trazia mais drama, com Bella. Grande, perfeito.
— Existem algumas fotos de supostos cadáveres de Beleza Mortal pela internet, mas nunca sei quais são reais ou não, mas eu nunca tinha visto fotos dos cadáveres assim, após serem limpos e na mesa da autópsia. — disse passando o dedo por uma das fotos, realmente interessada. — Ainda mais tendo certeza que são de Beleza Mortal.
— O que você acha?
— É estranho ver assim. O cadáver com as marcas do massacre, mas limpo, parecendo tão... Natural e produzido, é estranho explicar, mas é como se toda a animosidade brutal de Beleza Mortal fosse contida em uma mesa de autópsia.
— Eu entendo.
— E pela primeira vez, vejo um padrão. — disse sorrindo.
— Que? — surpreendeu-se com sua revelação, há tempos não tinha uma pista, um padrão podia ajudar e muito nas investigações. — Que padrão?
— Não sei se ajuda ou não, provavelmente não ajudará a pegar Beleza Mortal, mas há algo nessas fotos, não está vendo?
— Sinceramente? Não.
Bella deu a volta na mesa e foi para o seu lado.
— O que você vê Edward?
— O trabalho de Beleza Mortal? — arriscou hesitante.
— Sim. E como esse trabalho é?
— Hum... Fodido? Cruel? Sádico? Posso encontrar várias definições.
— Todas elas cabem no contexto e estão certas, e, além disso?
— Vamos lá Bella, estou nisso há meses, óbvio que não vejo porra nenhuma, uma luz será muito bem vinda. — disse impaciente.
— Olha isso Edward. É claro que é cruel, fodido e sádico, toda sua tortura tem muita fúria, está vendo? Mas olha isso. — pegou uma foto na mesa. A foto do rosto destruído de Heidi, passando o dedo por ele. — Olha o trabalho que Beleza Mortal teve com o bisturi. Tirar a pele de alguém não deve ser assim tão fácil, mas olha como ele fez esse trabalho perfeitamente passando a lâmina cuidadosamente ao redor dos lábios, nariz e olhos. Tirou a pele como uma máscara, então cortou os detalhes, os seios, baços. — colocou a foto na mesa — Então tem esses ossos queimados, está vendo? Não foi simplesmente jogado em uma fogueira, foi algo, como você mesmo disse, concentrado e forte. A retirada dos órgãos, entalhar o coração, a mensagem. Claro que pra fazer isso precisa ter sangue frio e que tudo tem fúria, mas vai muito além da fúria.
— É inteligência?
— Sim! — disse com entusiasmo. — Claro que tem a fúria, mas não é algo descabido ou descontrolado, tem humor, inteligência, perspicácia pra saber quando e como fazer as coisas, tem a perícia e delicadeza para fazer as coisas manuais com o bisturi. Não vê o padrão?
— Em todos os corpos tem isso, não é apenas fúria que move Beleza Mortal. — concluiu.
— Exatamente. A fúria o faria deixar os cadáveres uma bagunça e vocês já o teriam pegado, é mais.
— Bela teoria.
— Sei que não ajuda, mas é meu ponto de vista. Cherchez la femme. — disse sem emoção, neutra.
— Hã? Francês? — Edward franziu o cenho. — Sei que femme é mulher, mas o que significa a frase?
— Cherchez la femme. Procure a mulher. É a expressão de um livro, Les Mohicans de Paris de Alexandre Dumas, pai. Eu sou uma droga em francês, sei o básico dos básicos, mas sei essa frase de cabeça, mas como não tenho uma pronuncia boa em francês, vou falar no nosso idioma mesmo “Há uma mulher em cada caso; assim que me trazem um relatório, eu digo: 'Procure a mulher'”.
Edward encarou-a confuso. Procure a mulher? Voltou a encarar as fotos, mas ainda não fazia sentido.
Bella se virou para ele e deu um passo em sua direção. Quando ele ergueu a cabeça e voltou a olhá-la, percebeu a proximidade, a distância menor que um braço.
— Fúria com humor negro, inteligência, perspicácia, delicadeza e perícia. A meu ver, não como profissional, mas como mulher e meio feminista, digo, um homem jamais seria capaz de manter todas essas características e continuar livre. Cherchez la femme, Edward.
— Isso...
— Ou talvez esteja apenas falando demais, não sei. É apenas uma teoria pessoal, um palpite. — sorriu. — Eu tenho que ir. Vim apenas te pedir desculpas e já estendi demais minha visita, tenho um consulta. É bom saber que estamos bem, então qualquer coisa, me liga e marcamos algo.
— Oh, é... Ok. — disse ainda atordoado.
— Oh céus, eu não queria te confundir, sinto muito, apenas ignore meus palpites. Ignore, está bem? Sou impulsiva e tenho tendência a falar demais, e pra piorar o filtro cérebro/boca falha com uma frequência absurda. — riu divertida. — Espero te ver em breve.
Inclinou-se em sua direção, apoiando a mão em seu ombro e beijou seu rosto rapidamente. Ele nem teve tempo de reação, sentiu o beijo, o seu cheiro de morango, então ela estava pegando sua bolsa e caminhando para a porta.
— Ah. — ela parou e se virou pra ele. — Você estava certo.
— Sobre?
— O seu cheiro. Suor, café e cigarro. Você cheira maravilhosamente bem. — sorriu maliciosamente e então saiu de sua sala com um aceno.
Bem, bem... Quem diria que uma visita podia lhe afetar em tantos lugares diferentes ao mesmo tempo, não Cullen?
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*John Doe: é uma expressão popular americana que serve para denominar um homem sem nome ou cuja identidade permanece desconhecida.
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