Heartless
6 quinto capítulo
Notas iniciais
ééééé, demorei. Eu sei. E sinto muito mesmo. Aconteceram uns lances chatos aqui por MP e eu não minto quando digo que sou totalmente insegura com tudo que escrevo e o quanto fico feliz por vocês gostarem e estarem lendo, infelizmente sou mais frágil do que gostaria e sou fácil de atingir principalmente referente ao que faço tão dedicada e isso me desempolgou bastante. Mas ai li todas as coisas doces que vocês já me escreveram e não seria justo vocês pagarem aguardando eu decidir deixar de ser besta e escrever. Então eu voltei, vou deixar pra lá e continuar, sem mais dramas.
Peço realmente desculpas pela demora e aproveitem o capítulo ♥
O quarto em que estava era grande e confortável, com decoração básica e poucos móveis. Estavam em uma grande cama de casal junto à parede, dando vista direto para a janela com sacada, que estava aberta com a cortina branca agitando-se suavemente com a brisa da madrugada. E os únicos barulhos que se escutavam ali era o barulho da sucção, gemidos. E os altos gemidos de James.
— Ohhhhh, poooorra, não para com isso... Mmmm, caraaaaalho. — James gemia, contorcendo-se na cama.
Ele sentia os dedos enterrados em sua coxa, enquanto a boca habilidosa descia e subia, engolindo seus quinze centímetros de ereção até a base. E não parecia ter dificuldade alguma. James nunca teve problema com tamanho de pau, às vezes até se achava pequeno, mas sempre dava conta do recado e nem sempre parecia satisfeito. Nos últimos tempos tinha aliviado o tesão apenas em masturbação e alguma puta de vez em quando, mas nunca em toda sua vida tinha se sentido como naquele momento. Pronto para gozar a qualquer momento como uma maldita mangueira de incêndio.
Enterrou os dedos em seus cabelos e tirou de seu rosto, queria assistir o trabalho que fazia. Quando seus olhos se ergueram, encontrando-o os dele, James gemeu. Seus olhos eram selvagens e tinha certeza de que se não estivesse com a boca ocupada, estaria sorrindo. Uma mão circulava a base de seu pênis, a outra massageava suas bolas no lugar certo e a boca continuava a trajeto, quente e aveludada, com a língua circulando e se arrastando por suas veias sobressaltadas até a cabeça, passou-a lentamente sobre a fenda e então colocou toda a cabeça de cogumelo na boca, sugando, enquanto a mão apertava sua base.
— Pooooooorra... — James gritou ao gozar.
Sentiu o sêmen pousar em sua língua e ali mesmo, com a boca em seu pau, quase vomitou. Porra amarga do inferno, rosnou mentalmente. Odiava quando filhos da puta não lhe davam um simples aviso de "vou gozar", inferno, iria lhe poupar tanta coisa. Continue, respire pelo nariz e mantenha em sua língua, disse a si. Continuou chupando e masturbando-o com mais força, manteve sua boca apenas na cabeça e terminou o serviço com a mão, ora em sua base, ora em suas bolas. James estava tão absorto em seu próprio orgasmo, com os olhos fechados, contorcendo-se e soltando vários palavrões que nem percebeu.
Quando teve certeza que ele tinha terminado e cada maldita gota estava em sua boca, levantou-se tranquilamente e caminhou para o banheiro do quarto. Cuspiu tudo na pia. Várias cuspidas silenciosas, até que sua boca estivesse seca.
Não era uma pessoa com muitas frescuras, simplesmente adorava foder tanto quanto adorava matar (talvez gostasse um pouco mais de matar), mas algumas coisas, estranhamente, atingiam seu limite. Assim como gostava de penetração, gostava de dar e receber sexo oral; raras foram as vezes que tinham lhe dado um sexo oral que valesse a pena, assim também como foram raras as vezes que tinha atingido ao prazer extremo e orgasmo, mas ainda assim, gostava de toda a sensação e o clima da hora de uma foda, seja rápida ou completa, com direto até a preliminares, gostava de ver a satisfação nos olhos alheios e de saber que era o motivo daquilo, gostava dos elogios e de sempre, sem exceção, escutar “uau, nunca tinha gozado dessa maneira” ou “foi a melhor foda de toda a minha vida”, isso era tão perto quanto gozar e era bom, gostava dos corpos suados em atrito, os gemidos e gritos, os arranhões e mordidas, toda a atividade surpreendente que o sexo podia lhe oferecer, principalmente com parceiros (as) criativos (as). Mas seus limites eram – não podia suportar o nojo que tinha da saliva dos outros e quando praticava sexo oral, não conseguia engolir, às vezes para provocar lambia os dedos, mas nada além disso. Apenas uma vez na vida tinha engolido e tinha apagado isso da mente, não conseguia se lembrar do gosto ou do que tinha sentido. Nunca tinha encontrado alguém que o gosto lhe atraísse suficiente para engolir, já tinha provado diversos gostos, mas todos, ao atingir sua língua, lhe faziam ter vontade de vomitar e cuspir na hora. Tentava tirar isso da mente, respirar através da ânsia e tentar escutar apenas os gemidos de prazer que recebia pelo esforço, mas ainda assim era um maldito sacrifício. Era simplesmente do tipo “chupa e cospe”.
Quando acabou de cuspir e lavar a boca com água, arrumou os cabelos e voltou, totalmente sem roupa, para a cama e sorriu para James. Que também estava nu, com o pênis semi flácido apontando na direção do estômago, deitado com as mãos sob a cabeça.
— Isso foi... Incrível. — James suspirou.
Beleza Mortal assentiu sorrindo. Pra ele... Claro que tinha sido incrível. Subiu na cama e se escarranchou sobre o quadril de James, sentindo seus sexos se roçarem. Mordeu o lábio inferior, então sorriu maliciosamente.
— E é apenas o começo. Eu posso fazer muito mais, Jamie. — arranhando o peitoral depilado de James, inclinou-se para frente e o beijou.
— Podemos fazer isso à madrugada inteira. E amanhã de manhã. E depois. E depois. Sempre. — James murmurou entre o beijou, com as mãos firmes em sua cintura.
— Oh não. — mordeu seu lábio inferior e voltou a se erguer. — Amanhã precisarei de você pra outra coisa, um pequeno... Trabalhinho.
— Nós não vamos... Hum... — hesitou, procurando outra palavra.
— James, você pode dizer a palavra. Dizer não vai piorar ou mudar a situação, e quanto mais cedo você se acostumar, mais cedo encontrará o prazer disso. — sorriu perversamente. — Matar.
— É só... Estou absorvendo isso tudo ainda. Tudo que você faz... O que... Eu fiz. O que vamos fazer... É só... Tenha paciência comigo.
— Eu sempre terei meu querido. — inclinou-se e o beijou suave e rapidamente de novo, logo voltando à posição inicial.
— Amanhã nós vamos... Matar?
Beleza Mortal gargalhou. A hesitação e a careta que ele fez a pronunciar aquelas palavras eram bem divertidas.
— Oh não, James, não vamos, fique tranquilo. — sorriu. — Não posso sair por ai matando a torto e a direito como se fosse algo simples. Nem todos aceitam ou entendem tais necessidades tão... Primitivas. — suspirou com resignação. — Além do mais, se eu simplesmente fosse matar sempre que tivesse vontade de fazê-lo, eu não teria divertimento futuro, provavelmente não restaria mais ninguém nesse mundo.
— Não, restaríamos nós dois. — James corrigiu, apertando sua cintura.
Não, querido Jamie, não restaria ninguém além de mim. Seu sorriso dizia exatamente o que tinha pensado, mas o encanto ao redor de James não o permitia ver. Tudo que viu foi o sorriso encantador que tinha, então pra que decepcioná-lo, não é?
— Sim, agora, restaríamos nós dois. — mentiu, fazendo-o sorrir como uma criança após ganhar o melhor presente de natal.
— Então, o que vamos fazer?
— Eu tenho um corpo enterrado por perto, preciso devolvê-lo. — sorriu naturalmente, acariciando o peitoral de James e brincando com seu mamilo.
— Devolvê-lo? Como? Quer dizer, eu não quero ser preso.
— E você não irá ser preso, meu querido. Eu jamais deixaria isso acontecer. — a não ser que seja extremamente necessário, completou mentalmente, sorriu. — Não sou iniciante, sou profissional. E você pode confiar em mim, pode confiar sua vida mim e nunca vou decepcioná-lo. Você disso, não sabe Jamie?
— Sim, eu sei.
— Ótimo, então daqui a algumas horas. Uau, estamos ficando animadinho de novo, é?
James riu.
— Inferno, claro que tô! Não é fácil manter o pau mole com você rebolando em cima de mim desse jeito.
— Então vamos resolver isso rapidinho. — rindo, inclinou-se e beijou seus lábios.
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Edward não conseguia dormir. E o pior é que nem ao menos sabia o motivo da insônia da noite. Quer dizer, é normal pra ele não dormir, mas dessa vez, tinha mais do que Beleza Mortal na mente, tinha Bella.
Por que inferno estava se sentindo como um maldito adolescente cheio de hormônios por causa de um maldito encontro profissional, no máximo uma sessão de terapia individual de trauma?
Por Deus, ele nem ao menos sabia o que isso significava. E em todos os anos no caso Beleza Mortal, jamais tinha se interessado em fazer qualquer tipo de terapia ou sessão com psicólogos, psiquiatras ou qualquer inferno com alguém tentando analisar seu estado mental e emocional. Ainda mais alguém como Isabella Swan, que ele só desejava analisar todas as partes de sua anatomia. E isso o deixava ainda mais furioso, porque não devia estar se comportando como um maldito adolescente cheio de hormônios por uma mulher que não fosse sua esposa, quando nem quando era adolescente ou quanto conheceu Tanya sentiu-se dessa maneira.
Enquanto Tanya ainda dormia, no meio da madrugada, levou sua carcaça cansada para fora do quarto. Mexeu no cabelo e caminhou para o escritório apenas de samba canção. Uma das coisas que gostava da noite, mesmo com suas malditas insônias, eram o silêncio e solidão. Não precisava preencher o silêncio ou agir como se estivesse tudo bem, podia manter sua carranca no rosto e simplesmente estar com o foda-se ligado. Mantinha um bom armário abastecido com bebida em seu escritório, serviu-se com um copo de uísque e acendeu o cigarro. Três horas da madrugada. Faltava muito para três horas da tarde. Inferno. Quer dizer, não que ele estivesse contando o tempo para o encontro profissional com a doutora Isabella Swan. Claro que não, seria totalmente antiprofissional. É.
— Eu não gosto quando você faz isso, Edward.
A voz de Tanya tão baixa e sonolenta o assustou. Já tinha terminado o corpo de uísque e estava no fim do cigarro, sentado esticado e confortável no sofá de couro preto de seu escritório. A esposa tinha o rosto amassado, os cabelos loiros em cachos bagunçados e usava um robe de seda rosa sobre o baby doll que costumava dormir. Tanya era baixa, chegando apenas à altura de seu ombro, mas tinha curvas exatas nos lugares certos. Não era um estúpido louco para entrar nas calças de Isabella que não percebesse isso, só que nunca tinha sido um cara “apenas sexual”, precisava de mais do que apenas sexo para manter um relacionamento com o sexo oposto e seu casamento um dia tivera isso.
— Do que você está falando? Não conseguia dormir e vim para o escritório pra não te acordar. — murmurou, deu uma última tragada e apagou o cigarro, deixando a bituca no cinzeiro em cima da mesa.
— Pois me acorde, poxa. Sabe o quanto me assusta acordar no meio da noite e não te ver ao meu lado?
— Pensei que nessa altura já estaria acostumada.
— Eu também, mas não estou. E me assusta demais.
Vendo seus olhos suaves e o seu lábio curvado em um beicinho, Edward suspirou e levantou-se, mexendo no cabelo. Caminhou até Tanya e segurou seu rosto entre as mãos, afagando com o dedão. A loira segurou seus braços e o acariciou.
— Sinto muito. Eu só... Não consigo lidar com tudo isso junto, não como você. Não sem sentir medo de te perder, Edward. — confessou, olhando-o nos olhos.
— Tudo bem, meu anjo. — beijou o alto de sua cabeça, puxando-a para um abraço. — Tudo bem. Eu só... Estou acostumado. E sinto mais medo do que deixo transparecer. Vai ficar tudo bem, eu te prometo.
— Eu sei. Você faz tudo ficar bem, mesmo quando está tudo fodido, como agora. — disse com um leve sorriso, sentindo-o afagar seus cabelos.
— Wow, Tanya-certinha-Denali falando uma palavra feia? — riu.
— É o que você faz comigo, seu bobão. — afastou-se um pouco, para olhar em seu rosto novamente. — Será que agora você voltaria pra cama comigo? Não quero ficar sozinha.
— Claro, meu anjo, o que você quiser. — beijou seus lábios rapidamente, antes de passar o braço sob seus joelhos e a pegar no colo abruptamente, fazendo-a soltar um gritinho entre o riso, carregando-a para o quarto no colo.
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Edward acordou mais cedo que Tanya, como sempre. Levantou-se com o maior cuidado possível, tentando não acordá-la ao sair da cama. Ela tinha dormido abraçada a ele, Edward sabia que era um gesto de garantia que ele não sairia da cama de novo no meio da madrugada, mas não disse nada, apenas ficou ali abraçado à esposa e olhando o teto, até conseguir um cochilo. E não pareceu suficiente. Nunca era.
Tomou seu banho frio, faz a higiene matinal e a barba. Saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura e pegou um terno preto pra vestir. Terno impecavelmente ajustado. Nó da gravata bem feito. Sapatos bem engraxados. Cabelos bagunçados como sempre, mas limpos e secos. Perfume importado. Ar sério, sofisticado e sério. Profissional, mas elegante. E só depois de se encarar no espelho mais do que deveria, que percebeu o que estava fazendo. E por quem estava fazendo. Para com isso, idiota, rosnou pra si mesmo. Pegou o celular e o resto das coisas no quarto, então desceu, enquanto a esposa acordava.
Colocou o celular no bolso, as coisas no sofá e foi para a cozinha para fazer o café da manhã para os dois. Alguns pequenos agrados e mimos para a esposa era o mínimo que podia fazer. Talvez fosse por apenas estar sendo um maldito marido relapso ou apenas pelos pensamentos e desejos que estava tendo nos últimos dias. Sabia que não era suficiente ou real pedido de "desculpa por estar sendo uma dor na bunda", mas ao menos estava tentando. Preparou pra ela ovos mexidos com queijo branco e torradas, pra ele era quase um pecado não colocar bacon, mas sua esposa era uma típica mulher com paranoias com o peso, mesmo que ele não se importasse com isso. Fez um suco de laranja natural pra ela e café preto bem forte pra si mesmo.
Tomou seu café rapidamente e comeu uma torrada, então escreveu pra Tanya uma mensagem na lousa da geladeira – tenha um bom dia, meu anjo =]. Pegou as coisas na sala e saiu.
–
O tempo passou devagar demais para seu gosto. Ainda mais quando não tinha absolutamente nada pra fazer. Nenhuma ação, quer dizer. Não tinha que correr atrás de uma pista ou ver um corpo ou órgão novo, por mais torcido que isso soasse. Ficar bebendo café e fumando, examinando papéis e pistas antigas, discutindo com Emmett e Rosalie sobre coisas pequenas. Era uma merda. Mas pelo menos seu humor não estava dos piores, e ele não sabia o motivo. Ou fingia não saber.
Pediu o almoço pelo telefone e comeu no escritório mesmo. As 2:30 sentiu-se mais ansioso pelo que estava por vim. Foi ao banheiro da sala de reuniões e jogou uma água no rosto e na nuca. Voltou a arrumar a gravata e colarinho da blusa, então vestiu o paletó. Sua aparência estava menos organizada do que de manhã, mas pelo menos a barba estava feita, o desodorante e o perfume ainda estavam ali.
— Onde o senhor está indo que arrumou gravata, colarinho e o cabelo? — Emmett perguntou divertido, assustando-o.
Nem tinha escutando-o entrar. E agora ele estava sentado em uma das cadeiras, com os pés sobre a mesa e as mãos atrás da cabeça. E o sorriso mais filho da puta nos lábios, que fazia as covinhas infantis e inocentes em suas bochechas parecerem assustadoramente deslocadas ao redor daquele sorriso.
— Como você sabe o que eu arrumei? E tire seus pés da minha mesa.
Arrumou todas as coisas da mesa e colocou o necessário dentro de sua pasta, junto com o notebook e o celular no bolso.
— Eu sou teu amigo e te conheço. E você estava todo bagunçado quando entrou no banheiro, geralmente só se ajeita para compromissos oficiais e como eu sei que não temos nenhum... Eu sou uma bosta em matemática, mas juntar 1 mais 1 não é tão difícil. E ai, pra onde está indo?
Edward o encarou cético, o filho da puta ainda sorria presunçoso. E o filho da puta tinha razão e lhe conhecia demais. Por isso aquele filho da puta era seu melhor amigo. E o filho da puta mantinha os pés em sua mesa.
— Eu tenho um compromisso, só que não é oficial para todos.
— Um compromisso? Um encontro?
— Um compromisso profissional. E tire os malditos pés da minha mesa, McCarty.
— Ok, Cullen. — baixou os pés e as mãos, ficando em pé. — Que encontro profissional é esse?
— Pare de falar com esse tom desconfiado e malicioso comigo, é assustador. E se possível, tire o sorriso também, porque completa a fantasia.
— Você é pior que a sua mãe, você sabe né? — riu. — Quem você está indo ver?
— Aprendi com ela, querido. Uma psiquiatra.
O riso de Emmett parou na hora e seu rosto ficou sério.
— Pelo amor de Deus, não me olhe assim, não estou indo me consultar. É apenas uma consultoria, como faço com Alice. E antes que diga, não estou tentando substituir Alice, é uma amiga da Alice e estuda Beleza Mortal como um trabalho pessoal, e eu me interessei pela perspectiva dela disso tudo.
— Ah tá. Ei, diminui a velocidade ai. Uma amiga? É a mulher que não sai da sua cabeça? — perguntou encarando-o desconfiando, Edward engoliu seco. — Filho da puta, a psiquiatra é a mulher que você mencionou ontem, não é?
— Talvez.
Emmett gargalhou, jogando a cabeça para trás. Sua maldita risada escandalosa. Seria surpresa se todos no prédio não tivessem escutando.
— Porra, eu disse que você estava fodido. Puta que pariu, disse que você ia falar com essa mulher de novo e essa merda só ia piorar, eu disse. Devia ter apostado dinheiro ao invés das minhas bolas, teria faturado uns bons dólares.
— Vá se foder, Emmett. Estou saindo agora, qualquer emergência estou no celular.
— Tudo bem, boa sorte com a doutora. — desejou com o sorriso filho da puta.
Edward ergueu o braço e lhe mostrou o dedo do meio sobre seu ombro, fazendo-o gargalhar.
–
Eram três horas quando seu celular começou a apitar, piscando o lembrete na tela.
Amanhã, 3 horas, encontro profissional com Dr. Swan.
Ele clicou para que saísse e respirou fundo, desligando o carro. Estava estacionado em frente ao prédio dela. O bairro onde estava era de classe média alta e era como um bairro neutro – onde tinha tanto prédios e apartamentos residenciais, quanto comerciais. E esperava estar indo para o consultório dela. Quer dizer, só podia ser o consultório... Certo?
Sentia-se mais profissional carregando seus objetos de trabalho, então desceu do carro carregando suas coisas e o celular na mão, para saber o apartamento e o andar. Na entrada do prédio, apenas disse o nome e o porteiro deixou-o entrar, estava sendo esperado. Subiu de elevador até o lugar.
O prédio era calmo e silencioso. Não era totalmente luxuoso, mas tinha uma arrumação clássica e clean, era um lugar onde ele gostaria de morar. Não que não gostasse de sua casa, ela era apenas... Grande demais e o bairro era familiar demais, quase como estivesse em uma cidade do interior e todos devessem saber da vida de todos. E o prédio da doutora Swan sugeria exatamente o contrário, ele exalava privacidade, onde cada um cuida da sua vida e todos seguem felizes. Exatamente um lugar que ele gostaria de estar.
Apertou a campanhinha do apartamento uma vez, olhando para os lados. Não demorou muito até ela abrir a porta. E arrancar seu fôlego com seu sorriso.
Bella parecia tão simples, mas ainda com uma beleza incrível. Usava óculos estreito com armação preta um pouco mais grossa, lhe dava um ar sério e intelectual. Seus longos cabelos negros estavam mais cacheados e meio bagunçados, jogados para o lado e não aparentava ter mais maquiagem do que a que destacava seus olhos. Estava descalça, usando jeans e uma camisa branca de alça. Apesar de simples, era atraente demais... Inferno. Era tudo justo demais e marcava cada uma de suas curvas.
— Oi Isabella.
— Por favor, me chame de Bella ou estarei te chamando de agente Cullen.
Edward riu.
— Oi... Bella.
— Isso, muito melhor. Olá Edward, não tinha certeza que você viria, é bom te ver. — sorriu e se inclinou em sua direção, Edward se abaixou um pouco e permitiu que ela beijasse seu rosto, cumprimentando-o.
— Sou curioso demais pro meu próprio bem, então seria difícil eu não vim. — sorriu. Deus, ela tinha um cheiro delicioso.
— Entre, por favor. E não repare em nada, nem na simplicidade ou por eu estar descalça, realmente gosto de estar assim.
Claro que ele não se importaria, ela devia estar confortável. Então se quisesse tirar algo mais e ficar ainda confortável... Oh inferno, me tornei um pervertido.
O apartamento era bonito e simples, mas grande. A janela da sacada que ocupava quase a parede inteira dava uma iluminação incrível; um grande sofá branco, um sofá de dois lugares típico para casais e uma poltrona, uma mesinha de centro com tampo de vidro e na parede, em frente a isso, a grande televisão de tela plana. E ali o caminho que dava para os outros cômodos.
— Posso te oferecer algo pra beber? Talvez um chá ou um café?
— Eu tomei café demais hoje, se beber mais, não vou dormir a noite. E não bebo chá.
— É porque você nunca bebeu o meu chá. É muito bom. — sorriu.
— Acho que não, obrigado.
— Sorte sua que eu não me ofendo fácil ou estaria ofendida por você recusar o meu chá. Tá, então eu vou buscar outra coisa pra nós bebermos enquanto conversamos. Algo que ninguém jamais recusa e se você recusar, ai sim ficarei ofendida. Então você pode colocar sua pasta no sofá e ficar a vontade, sinta-se em casa.
Antes que ele pudesse responder, ela caminhou para fora da sala, indo pra cozinha, ele supôs. Sentindo-se um pervertido por ter analisado o traseiro dela enquanto ela caminhava. Era isso, ria parar de andar tanto com Emmett sem Rosalie por perto, porque perto dela, ele maneirava as asneiras sexuais, era a solução. Colocou a pasta no sofá e sentou, tentando relaxar, mas ainda estava tenso.
Oh céus, aquele não era seu escritório, era o apartamento dela. A casa dela. As coisas dela. Um lugar muito pessoal. Isso parecia um tanto... Impróprio.
Tinha um livro no sofá, foi quase instinto pegá-lo, era ávido por leitura. Era um exemplar bem gasto de 'O Morro dos Ventos Uivantes'. Um bom livro, já tinha lido. Era um dos favoritos da sua mãe, que lhe passara o hábito da leitura. Folheou o livro, cheio de quotes grifadas com caneta marca texto.
— Meu livro favorito. — Bella disse ao voltar pra sala, carregando duas taças de... Vinho.
— Desculpe por fuçar, estava aqui no sofá e não resisto a livros. — deu uma risada constrangida.
— Oh tudo bem, eu estava lendo. Por isso estou de óculos, que eu já devia ter tirado, raramente deixo alguém me ver com ele, constrangedor.
— Na verdade você fica ótima de óculos também. — sorriu e acrescentou rapidamente, ao perceber o que tinha dito: — E é um ótimo livro.
— Com certeza. Nem tenho noção de quantas vezes o li, é incrível. Toma. — lhe ofereceu a taça.
— Realmente não precisava. Além do mais, não é muito cedo pra beber? — brincou. Bella riu.
— Não é um vinho comum, tem alguns segredos. É uma receita antiga que uma amiga me ensinou, ela aprendeu com a avó. Experimenta.
— Vou confiar em você, ein.
— Pode confiar totalmente. — sorriu.
Ela sentou na poltrona, dando um gole em seu vinho. Edward cheirou um vinho, uma mania que tinha, e então bebericou. Realmente era bom. Diferente. Ao mesmo tempo em que era suave, tinha um gosto forte. Não tinha ideia do que podia ter no vinho, mas era bom. Sorriu, lambendo os lábios.
— Você gostou, posso ver em seus olhos. Eu disse que era bom. — Bella se gabou.
— Devo confessar, deve ser um dos melhores vinhos que já bebi.
— Se não o melhor, né. E nem adianta pedir, a receita é totalmente secreta. Sempre que quiser beber mais, terá que vim me visitar. — disse rindo.
Talvez ela estivesse apenas brincando, mas por um momento ele realmente gostou daquela sugestão. Mas disfarçou isso rindo e bebendo mais um pouco do delicioso vinho.
— Então... — Bella começou, cruzando as duas pernas na poltrona, como uma criança senta no chão. — Quer começar falando sobre Beleza Mortal ou do meu trabalho?
— Os dois? Quer dizer, você não analisa Beleza Mortal do seu ponto de vista psiquiátrico?
— Touché. — riu suavemente, deu mais um vinho e colocou na mesa de centro. — Vocês tiveram alguma novidade esses dias?
— Você sabe que não posso revelar segredos do processo, é antiético. E crime, se tratando de uma investigação federal.
— Isso soa perigoso, melhor não cometermos crimes federais, né. — brincou. — É que nos últimos dias não saiu nada novo da mídia ou internet.
— É que realmente não tinha o que sair. É uma merda. — colocou a taça de vinho na mesa de centro e passou a mão no cabelo.
— O que é pior? Receber alguma novidade quente, como um corpo ou um órgão, ou ficar totalmente sem nada?
— É uma pergunta da psiquiatra?
— Talvez sim, talvez não. Só se sinta confortável em me dizer “não te interessa”. — sorriu, colocando uma mecha do cabelo pra trás.
— Jamais seria tão indelicado. Mas eu acho que... Ficar totalmente sem nada por tanto tempo. É um sentimento torcido, porque desejar ter novidade é como desejar que Beleza Mortal torturasse e matasse mais alguém. Mas eu sei, de alguma maneira, que mesmo quando não recebemos nada, ele continua agindo. E receber alguma novidade pode ajudar a nos aproximar da captura.
— É justo. Não acho algo torcido. Você não torce pra que mate mais alguém, você torce pra que ele entregue o corpo e cometa algum deslize, mesmo que mínimo, e vocês o capture e salve as futuras vítimas. É totalmente justo.
— Talvez. Então é assim que funciona uma terapia?
— Um pouco assim, mas com um assunto mais... Pessoal. Você pode me dizer algo que tenha em mente, seja agora ou que tenha pensado antes, então conversamos a respeito.
— Beleza Mortal. É o que mais tem em minha mente desde sempre. — e ultimamente você também, completou mentalmente. Mas não tinha necessidade de dar tanta informação.
— Então falemos de Beleza Mortal. O que você tem pensado?
— Em tudo. Perguntei pra Alice algo e ela não soube me responder, disse que talvez você, sendo psiquiatra e pela experiência, consiga responder.
— Tente.
— Estive pensando o porquê Beleza Mortal comete seus crimes.
Bella franziu o cenho por alguns instantes e então sorriu.
— É uma boa pergunta. O que você acha?
— Não sei. Andei pesquisando um pouco sobre o assunto e até usando Beleza Mortal, mas na internet tem muita merda sem sentido que não me ajudou em nada e... — suspirou, enterrando os dedos no cabelo e fechando a mão em punho. — Não tenho ideia. Talvez um trauma?
— É possível.
— Seu tom é muito cético, você não acha que Beleza Mortal tenha algum trauma?
— Eu não sei. Dos casos mais conhecidos de seriais killers, a maioria, se não todos, sofreram algum tipo de trauma. Mas eu não sei...
— O que?
— Beleza Mortal matar porque sofreu um trauma, bem, não faz sentido. Foge do padrão. E olha que nem tem um padrão nisso tudo.
— Como assim?
— Conhece John Wayne Gacy, né?
— Claro, o palhaço assassino.
— Exatamente, é um bom exemplo. Ele teve uma vida difícil e traumática, o que jamais justificaria a crueldade de seus atos, mas ele aparentava ser normal. Ele era espancando e chamado de “bichinha” pelo pai alcoólatra, e já foi preso por estar praticando atos sexuais com um jovem no banheiro de um bar. E quando ele começou a matar, todas as suas vítimas eram do sexo masculino. Sabe o que ele disse sobre as vítimas dele?
— “Eles eram um bando de gays e vagabundos inúteis”. — Edward disse. Bella sorriu. — Eu já li sobre ele, tive que ler alguma coisa sobre assassinos em série e psicopatas para Beleza Mortal.
— Saber mais sobre esse “mundo” ajuda bastante. Ele começava tratando bem os rapazes, mas depois os torturava, estuprava e matava. John Wayne colocou os traumas do passado pra fora, a raiva que tinha do pai e todas as surras que tomava por ser “bichinha”. Talvez ele se odiasse por, talvez, ser gay. Ou odiava saber que existiam outros gays que não sofreram o que ele sofreu. Não sei, nunca o estudei profundamente, mas o pai o fez crescer duvidando de própria masculinidade e ensinando brutalmente que isso não era certo. Então ele descontou isso em suas vítimas, sempre homens. Outro exemplo é Gary Ridgway, que matava sempre prostitutas. Ele disse que apenas queria sexo de graça, então ficava com raiva e matava a mulher, sempre mulheres. As pesquisas de um psiquiatra mostram que a mãe dele era uma mulher rígida, às vezes violenta e extremamente religiosa, mas se vestia de forma provocante. Gary ficou perturbado com isso, porque ficava atraído por ela. Ele amava e odiava a mãe ao mesmo tempo. Ele via a mãe nas prostituas, podia amá-la e então matá-la. Você entende o que eu tô querendo dizer?
— Sim, Beleza Mortal não tem um padrão de vítima.
— Exatamente. A teoria mais famosa sobre surgimento de um serial killer é a negligência e o abuso quando muito jovens. Abuso emocional, físico ou sexual. Ou eles testemunharam algum tipo de abuso. E esse trauma faz com que seus crimes sejam meio... Padronizados. Um serial killer branco matará um branco. Um com duvidas da própria sexualidade matará homens e ou gays. Um com ódio de mulheres matará mulheres parecida com razão de seu ódio, seja na aparência, imagem ou profissão. Beleza Mortal não tem isso. Mas isso não justifica nada.
— Porque muitas pessoas crescem sofrendo negligência e abuso, até mais sérios, mas não viram criminosos violentos ou seriais killers.
Bella assentiu.
— Um trauma não faz as pessoas saírem por ai matando. Eu tenho meus traumas e não saio matando por ai. — deu um sorriso casando e voltou a pegar a taça na mesinha de centro.
— Então por que você acha que Beleza Mortal mata?
— Já te veio à cabeça que Beleza Mortal simplesmente... Mata?
— Mata por matar? Então ele é um monstro?
— Claro que ele é um monstro, mas, talvez, ele nasceu assim. É como um pedófilo. Claro que existem pedófilos que são pedófilos por algum trauma, mas tem aqueles que simplesmente desejam crianças e não controlam. Você acha que todas as pessoas com desejos sexuais com menores têm relações sexuais com menores? Muitos se controlam, fazem tratamento psicológico, psiquiátrico, podem usar anel peniano, tomam medicação pesada pra controlar isso. Muitas pessoas nascem gays, o que é óbvio que eu não acho errado, mas por conta da família, religião ou sociedade, também controlam isso das maneiras mais estranhas e até do mesmo jeito que pedófilos reprimem seus desejos. Talvez Beleza Mortal esteja nessa lista. Simplesmente tem esses desejos e não os reprime, então mata. Sem padrão, sem preferência de vítima. Procura apenas aumentar a adrenalina, a excitação e a diversão nas mortes. Procura apenas o próprio prazer.
— Isso é fodidamente doente.
— Totalmente. Mas ainda assim, como psiquiatra, é interessante. E isso acabou de soar muito torcido e doente. — Bella riu abaixando a cabeça, envergonhada.
— Não, claro que não, só estou me perguntando o motivo do seu interesse.
— Você nunca teve vontade de sentar frente a frente com Beleza Mortal e simplesmente perguntar o motivo de tudo? Receber respostas diretas, saber mais detalhes, poder entender e ver tudo pelo ponto de vista dele?
— Todos os dias. Tanto quanto quero matá-lo, quero socá-lo, quero também fazer uma penca de perguntas.
— É uma necessidade humana, Edward, receber respostas. E também parte de nós, a curiosidade. — sorriu de lado e bebericou seu vinho.
Edward pegou a taça na mesa e bebeu também, antes de afrouxar um pouco a gravata e voltar a falar.
— Então é isso que você faz com seus pacientes?
Bella inclinou a cabeça para o lado.
— O que?
— Eu não sei. Conversa de um jeito fácil, faz a conversa fluir e o deixa a vontade a ponto de nem perceber o tempo passar?
— Acho que isso foi um... Elogio?
— Com certeza. Eu achei que ficaria mais... Travado. — Edward riu.
— É o vinho. É sempre uma boa tática para destravar pacientes, eu os deixo alcoolizados. — o acompanhou na risada. — Eu simplesmente... Falo. Sempre tive um pouco de facilidade com comunicação e melhorou após minha época de terapia, então uso isso como ferramenta de trabalho.
— E o vinho é apenas um bônus, ein? — brincou erguer a taça, antes de levar aos lábios.
— Não, o vinho é especial. Não posso servir a qualquer paciente, é antiético. Talvez até crime federal.
— Isso soa perigoso, melhor não cometermos crimes federais, né. — Edward repetiu suas palavras.
Bella gargalhou. E conseguia ficar ainda mais linda rindo, e tinha uma risada e sorriso lindos. Oh porra, Edward, para com isso.
— E como funciona uma terapia de trauma?
— Temos três fases: a estabilização, elaboração do trauma e integração traumática.
— Falou grego pra mim, você sabe né?
— Eu sei. — Bella riu. — Uma pessoa traumatizada pode ter vários... Sintomas. Ânsia e pânico, ataques de raiva descontrolada, pensamentos suicidas, sentimentos de culpa fortes, desespero, pode começar a escutar vozes, mudar de personalidade e talvez ter distúrbios de identidade, pode começar a se automutilar e usar entorpecentes. Ela está muito traumatizada e agitada, então temos que estabilizá-la. Eu tenho que ganhar alguma confiança com o paciente. Conversar, mostrar que não sou melhor que ela e que jamais vou julgar nada do que ela me disser, é meio como construir uma ponte entre nós. Então começar a estabilizar o trauma mostrando coisas positivas, meio que afastar o paciente das interferências e emoções traumáticas, fazê-lo controlar as próprias emoções novamente. E essa parte tem que ser bem feita ou pode fazer com que as outras duas não funcione, dependendo do caso, a estabilização pode durar anos.
— E você é sempre paciente, né?
— Eu tenho que ser. E eu gosto de ser. Ter total certeza de que o paciente está pronto pra seguir em frente. É um trabalho meticuloso.
— E o que é elaboração do trauma?
— Encarar o trauma. Por isso a pessoa tem que estar o mais estável emocionalmente possível ou pode apenas piorar tudo. É juntar todas as memórias traumáticas, se lembrar de tudo e encarar isso, os motivos, o que levou a acontecer, os culpados ou a ausência deles. E a integração traumática é colocar um ponto nisso. É acalmar os sentimentos, trabalhar o luto e se despedir disso tudo, como aceitar que o trauma aconteceu, mas que se pode ter uma vida depois disso e então seguir em frente. E eu ainda acompanho o paciente até que ele se sinta forte suficiente pra continuar sozinho o trabalho. Meio que... Um dia de cada vez, sabe.
— Então acho que eu ainda não posso fazer uma terapia do trauma, já que ainda não posso me despedir de Beleza Mortal.
— Oh não, claro que pode, apenas fazendo a parte 1. Estabilizar, fazer você se sentir confortável comigo e criar confiança em mim, não há porque ter pressa.
— Estranho pensar no quanto já me sinto confortável, quer dizer, nos conhecemos há muito pouco tempo.
— Eu me sinto assim também, tão fácil conversar com você. Gosto da sensação.
Ficaram se encarando em silêncio. Poucos segundos que pareceram correr em câmera lenta. Que fez Edward se perguntar qual seria o gosto dos lábios dela, aqueles lábios que ela mastigava nervosamente. Qual a sensação de tê-la apertada em seus braços ou em baixo de seu corpo.
— Você torna fácil conversar, acredite. — disse que seus instintos mais primitivos lhe dominassem e atacasse a mulher. — Eu sinto dificuldade de falar assim com quase todo mundo, então você torna isso... Simples. Deve ter muitos pacientes por isso.
— Alguns. — sorriu de lado. — Gosto do que faço, acho que deixo transparecer isso e é por isso que as pessoas vêm até mim. Tenho muito prazer com ele e me dedico bastante, isso torna tudo ainda melhor e faz com que eu faça um bom trabalho, isso faz toda a diferença.
— Com certeza. — sorriu.
— Então, você quer mais vinho antes do nosso próximo assunto?
— Não sei... Acho que um é meu limite, não sei se posso tomar mais sem alguma tontura. Ainda mais sem saber que tipo de vinho é esse ou o que tem aqui.
— Eu não vou dizer Edward.
— Eu posso tentar né. — riu, fazendo-a gargalhar.
Bella levantou, pegou a própria taça e caminhou até, pra pagar a taça de suas mãos. E seus dedos se roçaram. Era quase como sentir uma corrente elétrica percorrer seus corpos, seus olhos se encontraram e ficaram em silêncio.
— Bem... — ela engoliu seco. — Só mais uma taça, então. Não é forte suficiente pra te deixar tonto, acredite.
— Acho que está bem.
— Vem que eu te mostro o meu apartamento.
Edward foi com ela, enquanto ela apontava para os cômodos. Tinha uma suíte, um banheiro e outro quarto, que ela tinha transformado em escritório, então a grande cozinha americana. Preferiu não pensar sobre o quarto dela, já estava difícil se manter dentro das próprias calças sem esse tipo de pensamento.
Apenas pegou mais uma taça de vinho e conversaram um pouco ali. Descobriu que ela estava em Seattle há pouco mais de cinco anos e no apartamento há pouco mais de um ano, antes morava em Nova York e que não tinha consultório fixo porque vive viajando, fazendo trabalhos na casa dos pacientes ou em hospitais, principalmente como voluntária.
Voltaram para a sala e conversaram mais sobre Beleza Mortal e psiquiatria, puderam conversar e se conhecer mais.
E Edward percebeu cada vez mais que mulher incrível Bella era. O quão fácil era conversar com ela, o quanto eles riam juntos e tudo fluía fácil. E o quanto a desejava. Mesmo que isso fosse algo completamente errado. Foda-se.
— Acho que está na minha hora. — Edward disse a contragosto.
Nem percebeu que já estavam ali conversando há quase duas horas, o tempo passou tão malditamente rápido que o irritou profundamente.
— Oh ainda é cedo e eu não tenho nada pra fazer, pode ficar mais se quiser. E jantar ou lanchar, o que preferir. — ela disse rapidamente e sorrindo
Edward gostou disso, ela queria que ele ficasse. Não sabia se tanto quanto ele queria ficar, mas a vontade existia. Sorriu.
— Já te atrapalhei demais e não acho que vou gastar todo meu assunto no segundo encontro. — disse rindo. E só então percebeu o duplo sentido. — Quero dizer, encontro profissional, eu...
— Eu entendi. — Bella riu. — Não está me atrapalhando nenhum pouco, mas tudo bem, guardemos um pouco para o terceiro encontro.
Ele pegou sua mala e seu paletó, que tinha tirado durante a conversa assim como ela tinha tirado os óculos, arrastando-se para a porta. Bella rapidamente se pôs a frente e abriu a porta, com um sorriso divertido.
— Minha avó costumava dizer que se não acompanhar a visita até a porta, e se possível abrir a porta, ela não volta. Pode ser besteira, mas não acho que vou arriscar. — sorriu, segurando a maçaneta da porta.
— Primeiro seu vinho secreto, agora você me acompanhar e abrir a porta. É doutora Swan, não há chances de eu não voltar.
— Bom. — sorriu, enquanto suas bochechas tomavam um adorável tom rosado.
— E obrigada pelo vinho e pela conversa, eu realmente gostei de conversar sobre Beleza Mortal com você e sobre seu trabalho.
— Fico feliz, estou à disposição quando precisar. E podemos fazer uma sessão real de terapia do trauma, sem Beleza Mortal, tudo sobre você.
— Então até qualquer dia. Você liga ou eu ligo. — sorriu, mexendo no cabelo.
Edward sabia que ela tinha a mania, que ele gostava, de dar beijos na bochecha de saudação e despedida, então se adiantou e se inclinou em sua direção, dando um singelo beijo em sua bochecha.
Mas ela virou o rosto suavemente, então o beijo bateu no canto de sua boca. E nenhum dos dois se moveu. Apenas segundos, mas eram lentos suficientes para ambos saberem que queriam mais. Precisavam de mais.
Edward afastou seus rostos alguns centímetros, mas perto suficiente para sentir a respiração dela em seu rosto e a boca dela gritar pela sua. E Bella acalmou os gritos e o beijou, esmagando seus lábios com os dele, pousando uma mão em seu rosto. Sem língua, apenas seus lábios colados, aproveitando o calor e a maciez. Era pouco, precisava do gosto dela, mas não podia.
Afastou suas bocas rapidamente e deu um passo cambaleante pra trás.
— Oh Deus, me desculpe, me desculpe, eu não... — Bella soltou o ar com força e colocou o cabelo pra trás, nervosamente.
— Tudo bem é só...
— Edward... Eu realmente, eu não... Desculpe, eu não...
— Eu sinto muito, eu preciso ir.
E
Edward apressou-se para o elevador em olhar para trás, enquanto apertava o botão, escutou-a fechar a porta do apartamento.
Merda. Rosnou mentalmente. Não conseguia pensar em mais nada, apenas em Bella... O singelo beijo... E o quanto queria um beijo de verdade. Merda.
Quando chegou ao carro, desativou o alarme e entrou rapidamente, jogando o paletó e a pasta no banco do passageiro, então o mais rápido que pode saiu dali.
O que você fez Edward? Algo gritou em sua mente.
Tanya passou em sua cabeça rapidamente, mas então Bella novamente.
Quer dizer, ele não tinha beijado ela. Ela tinha beijado ele. É, mas você começou beijando sua bochecha, a voz irritante da realidade ou consciência disse em sua mente. É, mas ela virou o rosto e então me beijou. Claro que sim, por que deveria se culpar por isso? Mas você é o homem casado que devia saber o quanto isso é errado. É, mas... Ela não tinha chamado alguém de ‘amor’ pelo telefone? Ela, provavelmente, também é comprometida. Será que ela também estava se sentindo culpada? Ou também queria muito mais? Isso não é da sua conta, o relacionamento dela é com ela e o parceiro, você só pode se responsabilizar pelos próprios atos, você não a parou, apenas manteve sua boca na dela. Tudo bem, talvez tivesse um pouco de culpa, mas qual é? Era homem e tinha sangue quente na veia, como podia não continuar? Você não tem culpa por ela ter te beijado, mas é culpado por ter vindo ao apartamento dela, culpado por não ter se afastado imediatamente, e é culpado por querer mais.
Por Deus, tinha sentido aquele pequeno beijo em sua virilha. Sim, droga, ele queria mais. Desesperadamente.
É errado, merda. Errado. Pare com isso. Agora.
Seu telefone começou tocar, assustando-o e o tirando da confusão de seus pensamentos. Merda. Manteve uma mão no volante e os olhos na pista, enquanto pegava o telefone no bolso. Era um agente da lei, devia cumprir a lei e não falar no telefone enquanto dirigia, mas no visor mostrar ‘Emmett’ e só podia ser do trabalho.
— Pode falar. — disse ao atender ao telefone.
— Volte pra cá, Romeu, temos um novo corpo. — Emmett disse.
Merda.
Notas finais
E entãããão, o que acharam? Uma ceninha quente no começo, sei que estão ansiosas pras Beward, mas isso é pra deixar claro: vai rolar. E eu achei interessante (e engraçado) escrever o nojo de Beleza Mortal por saliva alheia e engolir porra, BM tem seus limites KKKKKKKKKK
Já tinha várias gurias se questionando porque Beleza Mortal faz tudo isso, então Edward tbm pensou nisso e agora teve um novo palpite, será que Dra. Swan está certa, simplesmente nasceu assim ou rolou algum trauma? E esse encontro deles não podia ir muito longe (ainda) lembrem que o Edward é casado e totalmente fiel a esposa (ainda) e tá lutando contra os próprios desejos (ainda), é KKKK Mas eu sou muito legal né, não rolaria esse beijo nesse capítulo, mas eu demorei pra postar e então resolvi colocar pra adoçar a boca de vocês pra que me desculpassem pela demora. Funcionou? *-*' KKKKKKKKKKKK E a luta interna pós-beijo foi interessante né? Tentei colocar a confusão dele e um pouco de humor um dia eu fico boa em comédia KKKKKKK
Em resumo, espero que tenham gostando. E agora estou de férias (amém!!!) e então escreverei muito. Acho que começarei a postar fic nova, uma mais leve só estou bem indecisa sobre o que começar a postar, vão querer? rs.
Espero que comentem leitoras novas, as antigas e fieis, fantasmas, todas ein. E voltamos a programação normal, domingo que vem volto com mais um capítulo. Até o próximo, bjsbjs s22
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