Heartless
2 primeiro capítulo.
Notas iniciais
PS: Uma feliz aniversário pro Robert Pattinson, awn *-*' E um feliz dia das mães pra mãe de todos, pra você que é mãe e/ou que vai ser.
Milakarina123, sua linda, feliz dia das mães procê que esse ano está passando grávida e ano que vem vai passar com a minha Sophia linda nos braços *-* s2
E agora sim o capítulo; espero que gostem, aproveitem.
Seattle, 2012.
— Robert's got a quick hand, he'll look around the room, he won't tell you his plan…
Mike Newton escutou alguém cantarolando ao fundo, enquanto ia despertando novamente.
Newton era um simples contador que ao fim do expediente de uma sexta-feira resolveu ir a um bar beber sozinho e quem sabe, mesmo sendo casado, achar por uma companhia feminina. Era frustrado, fracassado e infiel, talvez até Jessica, sua esposa, soubesse disso, mas não se arrependia; sempre voltava para a esposa e o filho pequeno, então não achava estar cometendo um pecado tão imperdoável. No bar, bebendo uma cerveja, conversou com uma linda mulher, mas então o companheiro dela chegou e foram embora. E após algumas cervejas, ele também foi. Na noite escura, sozinho, já com a mão na maçaneta do carro, sentiu-se ser empurrado contra a lataria e então uma picada no pescoço, antes que pudesse virar e ver o que estava acontecendo, seus músculos cederam e tudo ao seu redor virou um borrão, então apagou.
Acordou nu, amarrado com grossas tiras de couro afiveladas fortemente em uma mesa de inox e logo percebeu do que se tratava: Beleza Mortal. E isso o fez ficar desesperado, soltando gritos abafados pela boca tapada com silver tape. Já tinha lido sobre o quanto seus assassinatos eram cruéis, chorou, enquanto tentava se soltar.
Beleza Mortal se aproximou, deslizou o bisturi lentamente por seu rosto abrindo um corte superficial e sussurrou em seu ouvido “tudo vai ficar bem”, mas Mike sabia que, a não ser que a definição de ‘bem’ dos dois fossem bem diferentes, nada acabaria bem. Beleza Mortal zombou o tamanho de seu pênis passando o bisturi por ele, voltou o bisturi para o seu abdômen, abaixo do peito esquerdo, perto das costelas e o afundou na pele. Mike urrou de dor ao senti-la cortar sua carne, mas então sentiu uma nova agulhada em seu pescoço e apagou.
Acordou novamente esperando ser tudo um maldito pesadelo, mas continuava no mesmo cômodo escuro e amarrado. E sentindo uma fodida dor dilacerante no abdômen, junto às costelas do lado esquerdo, onde tinha sido cortado. Mas parecia ser uma dor interna que irradiava para fora. Com a boca ainda amordaçada com a fita, murmurava alguns palavrões e pedidos de socorro. Tentou se erguer, mas uma dor lancinante abaixo do peito esquerdo o fez cair de volta. Ergueu lentamente a cabeça e olhou na direção da dor, conseguiu ver apenas o começo, mas ali tinha uma grande incisão fechada com grampos cirúrgicos. Mike escutou passos e virou o rosto, Beleza Mortal estava voltando.
— Deve estar doendo, né? Aposto que está. E espero que esteja. Foi por isso que não te dei nenhum remédio pra dor ou anestesia, apenas te apaguei. E agora a dor é com você. Tente usar sua mente pra afastá-la de seu corpo. Dizem que funciona. — Beleza Mortal disse ao se aproximar e gargalhou. Tinha um enorme sorriso no rosto e segurava uma bandeja cirúrgica, em cima dela um pedaço de carne mole, brilhante e arroxeada. — Devo admitir que para um pau mole e pequeno, você tem um belo baço.
E assim ficou. Deixou o tempo passar e não fez mais nada com ele. Deixou o baço na bandeja em cima do carrinho cirúrgico ao lado, para que Mike o observasse enquanto murchava, secava e escurecia. E apenas se aproximava com um bisturi na mão e fazia cortes superficiais em seu rosto, então o deixava sozinho amarrado no cômodo escuro. Ficava sem comer ou beber nada o tempo inteiro e as necessidades tinha que fazer ali mesmo. Amarrado a cama, estava sobre uma poça de urina, sentindo uma dor fodida, suando como um porco, sentindo frio pela febre que sentia, provavelmente por causa de uma infecção, com o cheiro da urina, da carne apodrecendo e do próprio medo, apenas na expectativa do que Beleza Mortal faria com ele ou de quando aquilo acabaria.
Já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha acordado e dormido ou de quantos dias estava preso, mas definitivamente não aguentava mais. Apesar de, definitivamente, estar melhor que muita vítima de Beleza Mortal, não aguentava mais a expectativa do que estava por vim; tinha fome, sede e muito medo. Mas quando acordou dessa vez percebeu que tinha algo diferente.
Desnorteado, piscou forte algumas vezes, sua cabeça latejava extremamente pesada e a dor no abdômen parecia mais intensa. Olhou ao redor e seu primeiro instinto foi gritar, mas a silver tape em seus lábios abafava seus gritos, se chacoalhou e seu corpo bambeou no ar; estava içado de cabeça pra baixo. Seus braços estavam puxados para trás e seus pulsos dolorosamente amarrados com uma corda áspera. Com muita dificuldade ergueu um pouco o tronco, estava nu e a grossa corda envolvia suas pernas, juntando-as dos joelhos até os tornozelos, amarrando-os firmemente. E por fim, pendurado em um gancho de açougueiro preso ao teto. Merda. Sacudiu-se mais e choramingou, sentindo a estranha e patética vontade de chorar. Só conseguia pensar na vida que tinha; no filho, do quanto se arrependia de ter traído a esposa, do quanto queria sair dali vivo, pedir perdão, consertar erros e viver. Oh, senhor, me ajude.
— Oh, você acordou! — Beleza Mortal disse animadamente.
Ouviu os passos escoarem no vazio do cômodo enquanto se aproximava. Beleza Mortal então se colocou na sua frente, com um sorriso perverso nos lábios e um olhar com um brilho selvagem. Esticou a mão e puxou a fita de seus lábios com força, fazendo-o gemer de dor.
— Bem melhor. Está se sentindo meio zonzo, né? Fica tranquilo que são apenas os efeitos da droga que te dei passando, elas eram meio fortes e te apagaram completamente. Tanto que você nem notou quando eu te amarrei e pendurei no gancho. — sorriu. — Ah, e a cabeça pesada é apenas todo o sangue do seu corpo descendo. Tenta não se mexer muito ou a pressão pode fazer seu corte abrir. — soltou uma risada suave.
— Por quê? — a voz de Mike não era mais do que um sussurro fraco. — Por que você está fazendo isso comigo? O que eu te fiz?
— Hum... — coçou o queixo, fingindo pensar alguns segundos — Nada, e essa é a beleza da coisa! — abriu um sorriso ainda mais largo. — Eu apenas amo fazer isso, não é suficiente?
— Por favor, me solta. — choramingou com os olhos fechados. — Por favor, estou implorando.
— Implorando, é? Bem, e o que você me oferece por sua patética vida?
Mike abriu os olhos rapidamente, inundados em esperança.
— E o que você quer? Posso te dar dinheiro, o quanto você quiser. Diz a quantia e me solta, então seguimos em frente.
— Uma bela proposta, mas você já viu meu rosto e eu aprecio muito o meu anonimato.
— Eu juro que esqueço sua cara ou qualquer coisa, nem vou a policia. Só... Só me solta, te dou o dinheiro e você vai embora.
— Oh, não chora, meu querido, tudo vai ficar bem. — deu um leve empurrão no corpo dele, então se afastou. — Mas dinheiro nenhum pode pagar essa diversão. Ou te salvar.
Mike fechou os olhos, sua cabeça estava ficando dolorida, sentia como se fosse explodir com a pressão sanguínea, misturado ao balanço do seu corpo graças ao empurrão que fazia seu estômago se revirar e a dor no abdômen. Escutou Beleza Mortal voltar, empurrando um carrinho de curativos de inox com vários objetos cortantes em cima.
— Yeah, he found a six shooter gun, in his dad's closet in a box of fun things, and I don't even know what — cantou e parou. Deixou o carrinho ali, pegou o bisturi e se aproximou de Mike. Pousou o bisturi em sua bochecha e pressionou até o limite de sua pele, qualquer movimento abriria um talho, olhando diretamente nos olhos cheios de medo de sua vítima. — But he's coming for you, yeah, he's coming for you.
Mike fechou os olhos com força e implorou novamente. Beleza Mortal gargalhou, afastando o bisturi de seu rosto.
— All the other kids with the pumped up kicks, you better run, better run, outrun my gun. — voltou a cantar, andando de volta ao carrinho de curativo. — All the other kids with the pumped up kicks, better run, better run, faster than my bullet.
Continuou cantando, enquanto calçava um par de luvas de látex cuidadosamente, ajustando-a em seus dedos. Aproximou ainda mais o carrinho do pendurado Mike, pegou então uma pinça tesoura oval, daquelas usadas para colocar piercing de língua, e um alfinete extragrande de 8,5 cm.
Parou o corpo dele no ar, olhando em seus olhos. Segurou-o pelo queixo.
— Abre a sua boca.
Mike apertou os lábios.
— Eu disse, abre a porra da sua boca. — apertou a mandíbula dele, pressionando a bochecha contra os dentes. Ele manteve a boca fechada, apertando os olhos, lutando contra a dor, mas acabou cedendo e entreabriu os lábios. — Muito bom.
Beleza Mortal abriu a pinça tesoura e enfiou na sua boca, uma parte sob a língua, tocando a prega sublingual, e a outra por cima, fechou a pinça e puxou a língua dele pra fora da boca. Mike soltava alguns ruídos, tentando falar.
— Sabia que a língua é um dos órgãos mais sensíveis e curiosos do corpo humano? Dá pra acreditar que uma coisinha tão pequena tem dezessete músculos, três mil papilas gustativa e é o músculo mais forte e o mais flexível do corpo? — Beleza Mortal disse enquanto segurava a língua de Mike com força fora da boca, a diversão era óbvia em sua voz.
Beleza Mortal então ergueu o alfinete. Mike arregalou os olhos, nunca tinha visto um alfinete tão grande, tentou agitar a cabeça, mas Beleza Mortal segurava sua língua com tanta firmeza que chegava a doer. Beleza Mortal então colocou a ponta do alfinete sobre sua língua, em uma das laterais, e afundou lentamente. Mike urrou de dor e choramingou. A ponta afiada saiu do outro lado, tocando em seu lábio inferior. Beleza Mortal continuou segurando a língua com a pinça e se virou para pegar outro alfinete e o afundou na outra lateral.
Soltou língua e puxou a pinça, mas Mike não teve como puxar a língua por causa dos alfinetes, qualquer pequeno movimento doía e se puxasse, rasgaria. Beleza Mortal colocou a pinça no carrinho e segurou o lábio inferior dele, puxou-o para baixo e ergueu a ponta do alfinete, afundando a ponta no beiço, e fez o mesmo do outro lado. Saia um pouco de sangue dos furos na língua, que agora estava presa ao lábio inferior do lado de fora da boca. Os olhos de Mike estavam arregalados e estampados com a dor e agonia, choramingando, implorando sem palavras que tirasse aquilo e o soltasse.
— Já viu Menina de Ouro? — Beleza Mortal perguntou. — Ela está presa a uma cama, ligada 24 horas a aparelhos, tão desesperada pela morte que morde a língua na tentativa de suicídio. Sabe como ela conseguiria fazer isso?
Beleza Mortal se virou, tirou as luvas e pegou o bisturi no carrinho, voltou a olhar Mike, com a língua presa com alfinetes no lábio inferior. Sorriu.
— Estranho né? Tenho um nojo fodido de saliva, mas adoro sangue. — deu uma risada faceira, erguendo o bisturi. — Do que eu falava mesmo? Ah, do filme. Como eu ia dizendo, ela mordeu, porque a língua, mesmo não sendo um órgão vital, é muito vascularizada, tendo até uma ramificação carótida nela. Tem um lugar exato, se você morder ou cortar fundo suficiente, causará uma hemorragia difícil de ser controlada, e tão intensa que faz a pessoa sangrar... Até a morte.
Ao entender o que Beleza Mortal pretendia fazer, Mike começou a agitar o corpo, tendo se soltar novamente, balançando a cabeça.
— Mas ela também é sensível, lembra? A dor que você está sentindo agora é pouca se comprada à dor de um corte tão profundo que atinge a carótida, então por causa dela e dos espasmos, controlar a deglutição é quase impossível, pode ser que você morra sufocado ou engasgado com seu próprio sangue. — sorriu. — Olha quantas opções estou lhe dando!
Algo que devia ser um grito saiu da garganta de Mike, que fez Beleza Mortal gargalhar. Então o segurou pelo queixo e encostou o bisturi no meio da língua, exatamente em cima da base, sobre a carótida. Fez o primeiro corte superficial.
— And his name that sat on him was Death. And hell followed with him. — citou o final de uma música apocalíptica do Johnny Cash e afundou o bisturi, cortando profundamente até a ponta, até ver o sangue escorrer. Passou o bisturi por cima do corte novamente, deixando-o ainda mais profundo e o sangue jorrou, escorrendo direto para sua garganta. Pode escutá-lo se engasgar e gemer. Gargalhou.
Iria ser rápido. Se não morresse com a hemorragia, morreria afogado ou engasgado com o próprio sangue, e se por algum milagre não fosse assim, morreria sufocado quando a língua ficasse inchada e roxa como uma berinjela. Foi uma das mortes mais rápidas, já tinha se divertido mais em trabalhos anteriores, mas de qualquer jeito, tinha valido a pena. Tinha pegado Mike com um objetivo, não total diversão com sua morte; virou a cabeça e viu a caixa térmica vermelha. Voltou a olhar o corpo agitado de Mike e passou o bisturi por cima do corte que tinha feito para arrancar seu baço. E então fez um corte superficial no meio do se peito, onde cortaria em breve para arrancar seu coração. Agora faltava o ponto final, o último detalhe pra deixá-lo uma beleza, seria o primeiro coração que desenharia de cabeça pra baixo, mas ainda assim, valeria a pena. Entalhou assoviando o refrão de pumped up kicks.
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Edward andava impaciente de um lado para o outro. Impaciente e furioso. Terminou de beber o café preto e amargo, colocou a caneca na mesa e pegou o amassado maço de cigarros no bolso da calça. Para ser mais prático e não correr o risco de ficar sem fogo em nenhum momento, deixava o isqueiro dentro do maço, então acendeu um cigarro e tragou lenta e profundamente, então guardou o isqueiro no maço e o maço. Era a terceira caneca de café e o quinto cigarro do dia. E não era nem dez horas da manhã. Mas tudo bem, porque na verdade, nem tinha dormido mesmo.
Dormir era um luxo que não tinha há muito tempo. Dez anos, exatamente. Alguns cochilos, algumas poucas horas de sono agitado, mas fazia dez anos que não conseguia uma noite de sono completa, sem sonhos perturbadores ou se revirar na cama até levantar para fumar.
E tudo tinha começado há dez anos, quando encontrou o primeiro corpo do serial killer Beleza Mortal. Eles não sabiam seu nome, não tinha uma pista, uma foto, um retrato falado, nem ao menos sabiam se era homem ou mulher, porque nenhuma das pessoas que viu Beleza Mortal pessoalmente sobreviveu para contar a história. Mas não podiam chamá-lo de "filho da puta doente", pelo menos não abertamente, e como todo serial killer tinha um apelido, esse não era diferente – Emmett escutara o comentário de Carlisle sobre o que tinham feito ao homem era uma beleza, e depois o que Edward murmurou, beleza mortal. E então esse ficou sendo o apelido, assim era chamado por todos – desde a as autoridades de segurança, mídia e toda a população. O sádico e cruel ‘Beleza Mortal’.
Há dez anos Edward Cullen tinha vinte e cinco anos e era apenas um agente do FBI, junto do parceiro e melhor amigo, o agente Emmett McCarty, como foram os primeiros a encontrar o corpo, ficaram responsáveis pelo caso. Um corpo destroçado, com rastros de diabo verde no tubo digestivo, sem o coração e o baço e com o desenho de um coração entalhado com bisturi no peito. Um mês depois, surgiu um novo corpo, mas de uma mulher. Depois outro, outro, outro. Dez anos depois, eles tinham ao todo quarenta corpos; mortos de maneira diferentes, mas sempre de maneira sádica e cruel e a mesma coisa em comum: ás vezes rastro de algum produto de limpeza corrosivo no tubo digestivo, ás vezes sem o baço ou/e sem o coração, e sempre com o desenho de coração entalhado no peito.
Eram na média quatro corpos por ano, todo o FBI e as policias estaduais de todo o país estavam no caso, já que os corpos eram encontrados por lugares diferentes do país. E sem rastro algum que levasse ao assassino ou que desse alguma dica.
Em 2007, cinco anos após o primeiro corpo, com pelo menos vinte corpos com assinatura do coração de ‘Beleza Mortal’ na gaveta, foi criada a Equipe-Mortal, uma força tarefa criada unica e exclusivamente para solucionar os crimes desse serial killer e capturá-lo. Além de Edward Cullen e Emmett McCarty, a equipe contava com os agentes Jasper Whitlock e a agente Rosalie Hale, que era esposa de Emmett, e a psicóloga Alice Brandon, chamada pra traçar um perfil de Beleza Mortal e das suas vítimas, achar algo em comum ou uma ligação. Nesse mesmo ano a criação da Equipe-Mortal foi divulgada na mídia. Aro Volturi, o chefe do FBI na época, dera uma coletiva de impressa: Estamos criando a Equipe-Mortal e os dias de Beleza Mortal estão contados. Você não pode se esconder para sempre, onde quer que você esteja, vamos te achar. Todos os membros da equipe foram apresentados, mas apenas Aro falou. Uma semana depois, ele foi encontrado morto no chão do apartamento. Estava nu, com os braços e pernas abertos, semelhante ao Homem Vitruviano de Da Vinci, presos ao chão com silver tape e sua boca estava costurada com linha preta milimetricamente, sem espaço algum entre os pontos. E em seu abdômen, recentemente depilado com cera quente, tinha entalhado um calendário do mês da coletiva, um corte exato e profundo feito com bisturi – do dia da entrevista coletiva até a sua morte estavam riscados. E o maldito coração entalhado em seu peito. Ficara óbvio que tinha sido Beleza Mortal, uma zombaria, uma provocação, tem certeza que os meus dias estão contados?
Ofereceram a Edward o cargo de chefe do FBI, mas ele não aceitou, queria apenas pegar Beleza Mortal. E faria isso sendo chefe apenas da Equipe-Mortal.
Mas em anos de trabalho absolutamente nada foi encontrado. Mesmo com a entrada de novos agentes na equipe, liderados pelos originais (Edward, Emmett, Rosalie, Jasper e Alice), nada foi encontrado. As vítimas nunca tinham nada em comum, nada as interligava ou as ligava a um possível assassino. Eram de idade, classe social, raça, sexo, cidade e muitas vezes estados diferentes e até estrangeiros. Nenhum rastro, nenhuma pista, era como se Beleza Mortal matasse e então sumisse, voltando apenas para matar uma nova pessoa. E isso enfurecia Edward que dedicava toda a sua vida a esse maldito caso.
E mais um acontecimento, além dos corpos, eles começaram a receber órgãos. Todo o ano, no dia do aniversário de Emmett, Rosalie, Jasper e Alice um baço humano chegava e no aniversário de Edward chegava um coração. Chegavam ao prédio da policia de Seattle, onde eles estavam instalados, endereçados a eles dentro de uma caixa de presente com um cartão de “parabéns”. Os órgãos não eram dos corpos achados e raramente eram identificados, isso significava que existiam mais corpos, mais mortes. E também era um novo aviso, Beleza Mortal sabia exatamente quem era cada um deles a sua procura e podia fazer um movimento a qualquer momento, o que deixava todos ainda mais atentos. E tornou tudo pessoal, tinham que capturar esse filho de uma puta.
A mídia estava ciente do caso e de vários detalhes, não tinham como evitar que vazasse informações, então a unica coisa que não vazou era que os corpos tinham corações entalhados minuciosamente com bisturis no peito, para evitar que qualquer maluco fodido tentasse imitar Beleza Mortal. Ou que se alguém imitasse alguma das outras características dos seus cadáveres, teriam como diferenciar pelo coração, a assinatura, apenas o FBI e a Equipe-Mortal sabiam. Então todo o corpo que tivesse rastro de produto de limpeza no tubo digestivo e a falta de um baço ou coração era separado, então um alerta era enviado ao FBI e depois a Equipe-Mortal para verem se tinha um coração entalhado no peito, então adicionar mais um cadáver a enorme lista dos mortos de um dos maiores, talvez o maior, serial killer da história do país, aquele que aterrorizava a todos, Beleza Mortal.
— Não achamos um corpo. — Emmett disse ao entrar na sala de reuniões, seguido por Rosalie e Jasper.
Os três tinham carrancas no rosto, era óbvio que também estavam desgastados, frustrados e furiosos com todo o caso ‘Beleza Mortal’. Nenhuma pista, nenhum suspeito. Às vezes recebiam ligações anônimas ou algum chamado de alguma polícia rodoviária ou estadual, tinham que investigar todas as possibilidades, mas geralmente eram pistas falsas. Às vezes encontravam corpos de outros assassinos, como também encontravam corpos da Beleza Mortal. Mas fora isso? Eles tinham pouco mais do que nada.
Eles estavam no segundo andar do prédio da Policia Estadual de Seattle, que fora cedido por eles, na sala de reuniões. Uma grande mesa, várias cadeiras, uma enorme televisão de plasma pendurada na parede, um máquina de café e todos os arquivos do caso Beleza Mortal, as quais apenas eles tinham acesso.
Edward deu uma última tragada no cigarro e o apagou no cigarro no cinzeiro em cima da mesa, deixando a bituca nele.
— Não acharam absolutamente nada? — Edward rosnou e mexeu nos cabelos, impaciente.
— Também não disse isso. — Emmett disse então se virou para a esposa. — Rose?
— As coordenadas nos levaram a um casebre abandonado no meio da floresta da Interestadual que faz caminho a Port Angeles. — Rosalie falava, enquanto tirava de dentro da bolsa transversal que carregava sobre o ombro um envelope A4 pardo. Abriu e tirou as fotos de dentro, colocando sobre a mesa, perto de Edward.
— O que é isso?
— A cabana estava vazia, só havia uma mesa de madeira logo na entrada e em cima dela uma caixa térmica. — Rosalie respondeu. — E dentro da caixa um baço e um coração.
Edward pegou as fotos. A caixa era vermelha e com a tampa branca, na tampa estava desenhado um coração pintando com dedo e usando como tinta sangue, semelhante aos corações entalhados no peito das vítimas. As outras fotos eram da interior da caixa, apenas um escuro e seco baço e um sangrento coração, ambos obviamente humanos. Tinha também fotos do casebre, interna e externamente. Jogou as fotos na mesa.
— Já mandaram a caixa e os órgãos para a perícia?
— Carlisle já está cuidando da autópsia. — Jasper disse.
— Então vou pra lá, quero ver essa porra na minha frente. E vocês podem ir pra casa e dormir um pouco, óbvio que estão cansados e precisam descansar.
— Você dormiu tanto quanto nós, Edward. É óbvio que vamos com você. — Emmett disse.
— Então vamos. Jasper ligue para a Alice e diga pra ela me encontrar no Seattle Grace, preciso falar com ela.
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Há alguns metros do hospital central de Seattle, o Seattle Grace, ficava uma das filiais da mundialmente famosa cafeteria Starbucks. Era uma cafeteria grande, com um grande balcão e mesas dentro, e mais algumas pequenas mesas redondas e de ferro do lado de fora, sob o grande toldo verde. E em uma dessas mesas, sob o toldo, estavam sentadas de frente uma para a outra duas amigas. Uma com longos cabelos negros, soltos e com as pontas levemente cacheadas, a outra com cabelos castanhos presos em um alto rabo de cavalo.
A de cabelos presos se chamava Alice Brandon, a psicóloga da Equipe-Mortal há cinco anos e dedicava toda a sua vida a isso. Entrara na equipe com 23 anos, por indicação de Emmett McCarty, seu amigo de longa data. Eles precisavam de uma psicóloga boa e de confiança, Alice tinha acabado de se formar em psicologia em Harvard, mas Emmett sabia que seu trabalho de conclusão de curso foi sobre perfis de criminosos – visitando presídios, entrevistando assassinos, vítimas sobreviventes e familiares das vitimas assassinadas, formando-se assim com honra e recebendo várias propostas de emprego. Ela era ideal, sabia analisar mentes criminosas e era de confiança, jamais vazaria nenhum detalhe das investigações, Alice aceitou então fazer parte da Equipe-Mortal.
No começo era apenas mais um novo desafio, era interessante e fascinante estudar sobre os crimes de Beleza Mortal, mas com o passar dos cinco anos, se tornou o trabalho de sua vida, dedicando o máximo de horas a traçar o perfil de Beleza Mortal e suas vítimas, tentando descobrir um modo de achar o assassino. Mas não encontrou absolutamente nada. Era como se Beleza Mortal fosse várias pessoas ao mesmo tempo. Porque não tinha um padrão de vítima ou de assassinato, a unica coisa semelhante em todos era o coração entalhado no peito, mas essa era apenas a assinatura do assassino. Nada mais. Quando ela parecia achar um padrão, Beleza Mortal mudava completava. Era como se ele previsse seus passos e estivesse apenas brincando com sua mente, dando-lhe uma isca e então puxando. Isso deixava Alice frustrada e irritada, com o assassino e com si mesma, porque não tinha nada além de meros palpites descartáveis.
Alice tamborilava os dedos nervosamente na pequena mesa redonda de ferro, com um copo de Caffè Latte a sua frente e a sua enorme pasta com arquivos do caso na frente da sua amiga, que lia algumas folhas.
— Eu não tenho ideia de onde estou errando, Bella. Estou nisso há cinco anos e simplesmente nada, me sinto tão inútil. — bufou impaciente. Pegou o copo de Caffè Latte e bebericou.
A morena na sua frente colocou as folhas de volta na pasta de arquivos e a fechou, olhando para Alice. As duas se conheciam há cinco anos, tinham se conhecido algumas semanas depois de Alice para a entrada da Equipe-Mortal. Conheceram-se na Biblioteca Central de Seattle, na sessão de livros de psicologia e psiquiatria, Bella viu Alice pegar um livro e indicou um melhor sobre o assunto. Ambas tinha facilidade em conversar e fazer amizade, então logo se apresentaram e quando deram conta estavam sentadas em uma das mesas conversando semelhanças e diferença das profissões e seus trabalhos, já que Isabella Swan, ou Bella como preferia, era psiquiatra. Conversaram durante horas no primeiro encontro, então Bella teve que ir embora, trocaram apenas telefones para manter contato e se despediram. Dois dias depois, Alice ligou para Bella e marcaram de se encontrar no shopping para relaxar e espairecer. Bella comentou que estava trabalhando em um perfil e que Alice, como psicóloga, talvez pudesse ajudar. Claro que Alice aceitou e ficou surpresa quando Bella falou Beleza Mortal, então contou a ela que trabalhava na Equipe-Mortal que estava em busca do serial killer. E desde então eram amigas e Bella era como uma consultora para Alice, sempre conversavam sobre o assunto. Mesmo quando Bella tinha que viajar a negócios, trocavam telefonemas e e-mails.
E Alice gostava da companhia de Bella. Sempre fazia algum comentário ou apontava algo que deixara escapar, e mesmo quando não conversavam sobre o caso, podiam conversar sobre frivolidades ou sobre como estava se envolvendo com o agente Jasper. Era um dos momentos mais calmos da sua vida conturbada nos últimos cinco anos.
— Não acho que você esteja errando, Alice. Ninguém faria isso melhor do que você, porque não há muito a ser feito. E você já sabe alguma coisa.
— Eu não sei de nada, Bella, são apenas palpites. Nada do que eu já li ou estudei reflete o que ele faz.
— Nada do que Beleza Mortal faz se aprende nos livros, Alice.
— Eu sei. Você estuda psicologia criminosa e lê se a vítima é branca, o assassino provavelmente é branco. Então Beleza Mortal mata branco, negros, pardos, amarelos. Esse bastardo é colorido?!
Bella riu de seu tom e palavras, Alice revirou os olhos, mas acabou rindo também.
— É sério, você lê que se a cena do crime mostra sinais de um planejamento cuidadoso, o assassino é provavelmente inteligente e mais velho. E Beleza Mortal já matou dessa maneira, então pensamos em um homem de 40 anos muito inteligente. Mas se a vítima é assassinada de maneira desorganizada, o assassino é provavelmente esquizofrênico, que são desleixados. E Beleza Mortal também já matou dessa maneira.
— Você acha que Beleza Mortal é esquizofrênico?
— Claro que não, ele é inteligente demais. Mas então me pergunto, por que não há um padrão?
— É ai que você peca, Alice. Simplesmente não há padrão. Isso não é teoria, é prática. Pelo que eu li, o primeiro cadáver de Beleza Mortal foi achado há dez anos. Dez anos, Alice. Ele teve tempo de praticar e se aperfeiçoar. E talvez tenha até lido esses livros baratos sobre psicopatia...
— E está brincando com todos nós. — Alice completou, Bella apenas assentiu. — Ele lê sobre um perfil e o segue, matando para que pensemos que ele é de um jeito. Então ele lê outro perfil e mata desse jeito, mudando completamente de rumo e nos deixado desnorteados. Assim sempre chegaremos uma estrada de vários caminhos.
— Exatamente, agora você está pensando como psicóloga e psiquiatra, não como uma pessoa desesperada.
— E graças a você, né? Sempre vou te agradecer por toda a ajuda que você me dá, Bella. Cinco anos aguentando a mim e os meus belos dramas mortais.
A morena gargalhou pelo trocadilho feito por Alice.
— Você sabe que eu gosto de te ajudar e também gosto de trabalhar nesse caso. A diferença é que isso paga a suas contas e pra mim é apenas diversão. — sorriu, pegando o próprio copo na mesa.
Alice gargalhou, enquanto Bella bebia seu cappuccino, então escutou seu celular tocar a introdução de Love Story, Taylor Swift. Pegou a bolsa na cadeira vazia ao lado e no bolso da frente o celular. Jasper.
— Tenho que atender, é o Jazz. — Alice disse. Bella assentiu com um sorriso malicioso. — Não me olha assim, pode ser sobre o trabalho.
— Estou falando nada, atende logo então.
— É sério. — Alice garantiu. Bella colocou o copo na mesa e fingiu passar um zíper na boca. Alice revirou os olhos e atendeu. — Oi Jazz.
"Oi Jazz" Bella imitou sussurrando, forçando uma voz fina e soltou suspiro apaixonado, provocando. A morena revirou os olhos.
— Oi Alice, onde você está?
— Na Starbucks com uma amiga, aconteceu alguma coisa?
— Sim. Recebemos umas coordenadas geográficas anonimamente hoje, fomos até lá e achamos mais um baço e um coração.
— Mas... É dela? Quer dizer...
— Estava em uma caixa térmica e na tampa tinha um coração desenhado com sangue. O mesmo coração. — explicou rapidamente.
Alice sentiu o estômago se comprimir. Isso significava mais uma morte. Mais uma pessoa desaparecida, assassinada, com o corpo descartado em qualquer lugar. Mais uma família desesperada, na incerteza de que se o ente querido estava morto ou não. Mais um ser humano sem nem a chance de um enterro decente. Isso a fazia doente.
— Estamos todos no Seattle Grace, Carlisle está examinando o baço e o coração agora. Edward mandou que eu ligasse, quer que você venha até aqui, precisa falar com você.
— Tudo bem. Estou na Starbucks perto do Grace, estou chegando.
— Então nos vemos daqui a pouco.
— Tudo bem. Obrigada por ter ligado, até.
— Ah, Alice?
— Sim, Jazz?
— Toma cuidado. — e desligou.
Bella colocou o copo na mesa e lambeu os lábios, enquanto Alice guardava o celular na bolsa e recolhia os papéis.
— Acharam mais um baço e um coração.
— Só o baço e o coração? — Bella perguntou surpresa e horrorizada.
— Sim. Nada de corpo, só os órgãos em uma caixa térmica. Isso me faz doente, realmente me deixa enjoada. — bufou. — Tenho que ir pro Seattle Grace, Edward quer falar comigo.
— Não fica assim, Allie. — colocou a mão sobre a da amiga e afagou, com um sorriso tranquilizador nos lábios. — Tudo vai acabar bem. Esse agente Cullen, o chefe da Equipe-Mortal, eu acho ele inteligente, óbvio que ele vai acabar pegando esse bastardo doente.
— Você acha?
— Não, eu sei. Você está com um perfil sólido, Alice. E Beleza Mortal, uma hora ou outra, vai deixar algum rastro ou vai dar as caras, é típico dos psicopatas. Por Deus, não é como se ele soubesse cada passo de vocês. — rindo, revirou os olhos. — Vocês são bons no que fazem, vão acabar o pegando.
— E com a sua ajuda, disso eu sei.
— Darei o meu melhor pra isso, pode ter certeza. — Bella sorriu.
— Quanto ficou o meu mesmo?
— Não ouse me ofender dessa maneira, é por minha conta. Pela ótima companhia e conversa.
Alice riu e revirou os olhos.
— Tudo bem, agora melhor eu ir. — Alice apertou a mão da amiga. — Obrigada, Bells, sério.
— Amiga é pra essas coisas. E se precisar de qualquer coisa ou qualquer novidade, não hesita em ligar, ein?
Alice assentiu e puxou a mão, pegou a pasta de arquivos e colocou a alça da bolsa sobre o ombro.
— Ah, sabe o que eu estive pensando? — Alice perguntou já em pé, segurando a pasta de arquivo de lado.
— O que?
— Talvez você devesse conversar com o Edward. Ele tem uma visão própria de Beleza Mortal, acho que porque ele foi o primeiro agente do caso, é bem pessoal pra ele. Talvez você converse com ele e veja algo que eu não vi, talvez ajude.
— Eu... Não sei. Não acha que ele ficaria irritado por eu saber detalhes do caso?
— Claro que não. Eu já disse a todos que tenho uma amiga psiquiatra que ajuda como uma... Consultora free lancer. A única pergunta era se você era de confiança e eu confio totalmente em você, então acho que seria bom para o caso.
— Sendo assim, claro. Passa meu telefone pro Edward e diga pra ele me ligar, aí marcamos algo. Vai ser um prazer ajudar.
— Obrigada Bells. Agora melhor eu ir. Até depois, beijinhos. — mandou beijo para amiga.
Bella acenou sorridente para Alice e a viu atravessar a rua rapidamente, olhando para os lados. Ficou mais algum tempo sentada, até que Alice estivesse fora de sua vista. Pegou a bolsa em outra cadeira vazia, tirou do bolso pequeno uma nota de vinte dólares amassada e colocou na mesa, sob o porta-guardanapo. Pegou na bolsa também a cigarreira liga de alumínio preto e rapidamente acendeu um dos seus cigarros mentolados, guardou a cigarreira na bolsa, deu um logo trago e levantou soltando a fumaça. Colocou a bolsa sobre o ombro, pegou o copo com o resto do cappuccino e foi embora na direção oposta de Alice.
Agente Edward Anthony Cullen, líder da Equipe-Mortal. Talvez encontrá-lo não fosse tão ruim. Bebeu o resto de seu cappuccino e jogou o copo no lixo, lambeu os lábios e colocou o cigarro na boca. Definitivamente não seria ruim.
Notas finais
Enfim, o que acharam? Beleza Mortal é cruel e bem fdp mesmo, e eu adoro isso né. No próximo vão entender a jogada de Beleza Mortal com o coração e o baço, que vai ser útil pra uma maldade no futuro. Alguém já tem algum palpite? Sobre o durão e furioso agente Cullen e a carismática e atraente Dr. Swan? Todas as pontas vão se juntar.
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Obrigada a todos que comentaram, obrigada mesmo, adoro saber o que estão achando e gostando! E todas que favoritaram ou estão acompanhando a fic, leram e acharam que vale a pena continuar, comentar não vai arrancar pedaço né? bubu/ Bora lá, comentem e até o próximo. bjsbjs s22
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