Notas iniciais
Este capitulo vai apresentar um lado desconhecido de Daiane (mas que suas melhores amigas conhecem muito que bem) e um pouco mais sobre o Gustavo (finalmente!). O título do capitulo é o nome da musica da Marina And The Diamonds.

Rebeca e Giovana eram minhas amigas mais próximas, mas na escola ficávamos em um grupo maior, com acréscimo de Tainara, Ana Laura e Rafaela. Todas sabiam do meu pequeno problema com Rafaela, nossos gênios não se batiam, mesmo ela sendo carismática e divertida, algo nela não me deixava à vontade e desde a briga que tive no primeiro ano por causa do meu ex-namorado eu nunca cheguei a verdadeiramente confiar nela de novo.

Estávamos nós seis, no intervalo, sentadas perto da escada, na coluna azul quando ninguém mais que Victor Benatti passou por nós com seus outros amigos bonitos. Ele era o sonho de consumo de qualquer menina do colégio, desde as que estavam na quinta serie até as que já haviam ido embora.

Ele tinha aquele jeito de playboy filhinho da mamãe com carisma e sorriso gentil, mas que todas sabiam que iria destruir seus corações mais tarde.

Bem que eu sabia que Rebeca já tinha ficado com ele uma vez numa festa no ano passado e todas as outras sentiam inveja. Até eu senti um pouco, aquele cabelo loiro dele e o piercing de argola no nariz deixava qualquer menina encantada.

Eles pararam em nossa frente, Victor se ajoelhou ao meu lado na rodinha, eu descansava a cabeça no colo da Rebeca e meus pés estavam cruzados. Ele olhou para mim e sorriu de leve.

— Olá meninas.

Todas responderam em variações de oi, olá, hey e "ai meu deus".

— Nós vamos a uma festa na sexta-feira e queríamos saber se vocês querem ir. — ele deu sua famosa jogada de cabelo para o lado. Sabemos que o Justin Bieber já tinha cortado o cabelo, mas tinha se tornado uma das características marcantes em Victor.

— Claro, onde vai ser? — Rafaela perguntou com aquela voz de gazela sofredora.

— Vamos à Tequilada, acho que mandei o convite no Facebook. Vocês vão?

Todas perguntaram umas as outras se iam e assim que Ana Laura perguntou se eu iria, respondi:

—Tenho outros planos, desculpe.

— Quais planos? Vamos à festa Daia, vai ser boa! — ela tentou convencer.

— Vou sair com Gustavo. — disse. Victor ao meu lado ergueu uma sobrancelha.

— Poxa Daia vamos, suas amigas querem que você vá. — sua voz estava mais leve, quase melosa e eu não sabia se era proposital. Tinha combinado de sair com o Gustavo e iria cumprir a promessa.

— Desculpe, mas eu realmente não irei. — ele pareceu desapontado, no entanto logo voltou a conversar com as meninas e depois de um tempo levantou-se e foi embora.

As meninas ficaram meio bravas comigo, sempre quisemos "juntar" algumas do nosso grupinho com o dele, tinha o mesmo numero dos dois lados e eu faria alguém ficar sozinho, palavras de Tainara, mas respondi algo como "você pode ficar com dois se quiser". Não lembro se foi bem nessas palavras.

Na penúltima aula Gustavo perguntou se poderia me ligar, disse que poderia na hora que eu saísse do colégio. Assim que deu 12h32 ele me ligou.

— Oi? — atendi. Ele suspirou.

— Podemos pular a parte do oi tudo bem? Preciso conversar. — sua voz estava irritada.

— Ok... Estou ouvindo.

— Tem um cara aqui no trabalho que sempre tenta me ferrar. Hoje ele começou a falar que eu não respondia e-mail, que por minha causa tinha perdido clientes e tal. Encheu a cabeça da minha supervisora e ela veio conversar comigo. Eu expliquei que ele não tinha me enviado nenhum e-mail e nem nada, mas ela quis verificar... Eu deixei né, ela viu que não tinha nada e foi falar com o idiota.

— Então está tudo bem agora? — arrisquei. Ele riu sem vontade.

— Quem dera. Ele veio tirar satisfação comigo como se eu tivesse falado dele. Muito cara de pau. Acho que vou estourar ele. — ele estava com muita raiva. Não sabia bem da historia dos dois, nem o que vinha acontecendo exatamente, mas sabia que ele perderia o emprego por isso.

— Você gosta do seu emprego?

— Obvio. — ele respondeu automaticamente.

— Então não faça nada que você possa se arrepender depois.

— Você não entende as coisas que ele fez! — gritou nervoso.

— Não, mas tenho certeza que ele não vale a pena. — a linha ficou muda de repente — Gustavo?

— Oi, estou aqui. — ele suspirou — você está certa. Enfim vou almoçar, a gente se fala depois?

— Sempre que você precisar.

— Você é muito fofa. — ele disse e comecei a rir, sem graça e com bochechas coradas demais, em minha opinião.

Assim que cheguei em casa meu celular apitou com uma nova mensagem dele.

Dscp por tomar seu tempo com bobagens. N tinha ninguém para falar.

Sorri e antes de responder li novamente. Como assim “não tinha ninguém”? Pensei em várias maneiras de dizer que é claro que ele tinha com quem falar: comigo!

Digitei algo como “adorei ser chamada de niguém” e uma carinha de feliz, minha marca registrada de sorriso-ironico-de-Blair-Woldorf. Mas me limitei a enviar “Sem problema” porque pensei melhor e percebi que ele estava tentando ser legal e dizer que não tinha ninguém que ele falasse atualmente que poderia ajuda-lo, somente eu.

Senti o sorriso voltar para o meu rosto. Estava sendo ridícula e infantil, ele querendo dizer que sou especial e eu quase arruinei tudo. Graças a Deus que não enviei a primeira versão da mensagem.

Pelo resto do dia fiz meus deveres em casa e adiantei um trabalho antes de me afundar no Facebook e entrar no perfil de várias pessoas conhecidas aleatoriamente.

As vezes fico chocada com a quantidade de gente que comentam em fotos de pessoas que estão tendo algum relacionamento. Por exemplo, uma menina da minha sala namora a um ou dois meses e todas as fotos do namorado dela tem várias meninas comentando algo como “Lindoo ;)” “Ai se eu te pego kkk” “Josué como vc cresceu, avisa pra sua mãe que a vovó ta melhor da coluna bj tia Rita” “Maravilhoso” “Saudadess demais besty”... Quer dizer, quem hoje em dia escreve besty?

E o pior de tudo? A namorada dele não ligava, simplesmente deixava várias meninas desconhecidas falarem essas coisas para o namorado dela. Se fosse eu em seu lugar o mandaria apagar todos os comentários ou, no mínimo, responder algo como “estou namorando”. Fico com pena só de imaginar com quantas ele já deve ter traído ela, mas ninguém me ouve!

Voltei para o inicio e vi uma atualização de Gustavo que dizia “Nunca desista dos seus sonhos”. Tão incentivador, não pude deixar de clicar em seu perfil e descer pelas postagens recentes. Ele é bem do tipo que coloca frases aleatórias, mas sem nunca revelar muito sobre a intimidade. Droga. Pensei que descobriria algum segredo crucial sobre ele. Contentei-me em olhar todas as suas fotos de novo, só por desencargo de consciência.

Arrependi-me no mesmo segundo. Todas as suas fotos tinham centenas de curtidas e comentários com piadas internas de seus amigos e amigas que eu jamais iria entender. Tantos elogios de meninas lindas que fiquei melancólica. Seja lá qual for a minha esperança em relação a ele, provavelmente não vai dar certo. Se ele colocar na balança, o que seria melhor? Uma estudante do ensino médio de dezessete anos que tem aracnofobia e é míope (de olhos muito castanhos e comuns) ou uma loira maravilhosa estudante de direito que tem trabalho fixo e olhos verdes? É como comparar a Chiquinha de Chaves com a Ana Hickman, impossível e completamente injusto.

Boa sorte Daiane, olha onde você se meteu. Pensei mais para baixo que subterrâneo quando Rebeca me ligou. Não deixei nem ela falar o que queria e contei tudo o que tinha acabado de ver. Tudo. Até mesmo as curtidas e sobre a Ana Hickman conceitual. Ela ouviu até os meus “ughs” em silencio e depois suspirou.

— Daiane Leal — repreendeu-me, mais severa do que eu esperava. — Pare agora seja o que for que você supõe sentir por ele. — eu ia protestar, ela sabia disso e me impediu com um som estranho que ela faz, parece um “xiu”, só que travado — Vocês não tem nada. Ele era sua paixão de infância, vocês se viram e estão trocando mensagens, ponto. Quanto mais você fuçar nas redes sociais mais triste vai ficar. Então em primeiro lugar pare de ler tudo o que rola no Facebook dele e segundo, pare de se convencer que já sente algo por ele. Vocês voltaram a se falar a uma semana! — terminou exclamando. Assenti e fiquei calada por uns minutos. Ela não entendia. Eu não estava me enchendo de esperanças e nem me convencendo a sentir algo por ele, isto estava acontecendo sem minha permissão.

— Você está totalmente enganada! Eu não estou me convencendo de nada, ok? Eu só olhei o perfil dele rapidinho, nem estava pensando em olhar nada, não sou desse tipo. — me expliquei.

— Não, não. Você é exatamente desse tipo. — ela enfatizou e eu abri a boca em espanto. O que ela estava querendo dizer?

— Eu não estou tentando gostar dele! Você não sabe o que está falando! — gritei.

— Não? Quer saber? É sua vida, você sabe o que faz. Só não venha chorar depois e dizer que ele te iludiu porque quem está criando expectativas é você.

— É a minha vida mesmo, que bom que você sabe. — disse com todo o veneno que consegui juntar em minha voz. A linha ficou muda e por um momento pensei em perguntar se ela ainda estava lá.

— Só não venha chorar depois. — repetiu.

— Não vou mesmo. — disse e desliguei, jogando o celular em qualquer canto na minha cama.

Notas finais
E ai? Gostou? Também posto ela no SociaSpirit então se quiser o link é só pedir. Beijão!