Heartbreaker
4 Confident - Parte I
Notas iniciais
Ponto de vista de Gustavo
Sexta-feira estava uma loucura. No trabalho, José Henrique novamente reclamou sobre e-mails não respondidos, mas seguindo o conselho de Daiane deixei estar. O cara era um imbecil. Chegava de terno e gravata e queria mandar e desmandar na empresa toda. Bem que meu professor de DHS (Desenvolvimento Humano e Social) dizia “nada é pior que um bom estrategista de marketing” e nada é pior mesmo.
Ele até conseguia bons clientes e ótimas vendas, mas sinceramente, qual o motivo dele tentar me prejudicar em tudo? Minha falecida mãe que me perdoe, mas que filho de uma puta.
Era 16h o que era equivalente a 60 minutos a mais do que meu horário, sem contar que fiz menos de vinte minutos de almoço, quando finalmente sai da minha mesa. Imprimi dois e-mails importantíssimos e fui ao setor jurídico da empresa. Fui direto à mesa da Carina, uma loira assistente do principal advogado de lá e entreguei a ela os e-mails e pedi que fizesse os contratos e mandasse para José Henrique. Falar o nome dele enchia minha boca de ódio. Tentei esconder isso.
— Pode deixar. — ela respondeu batendo as folhas juntas na mesa para alinhá-las e as prendeu juntas com um clip. Virei-me para ir embora. — Gustavo? — Parei onde estava e a olhei. Ela usava uma camisa social de manga longa que deveria estar com mais botões abotoados, mas a visão era boa, muito boa, então não desviei o olhar por uns bons três ou quatro segundos. — O que você vai fazer hoje à noite? — perguntou-me.
— Vou a uma festa. Por quê? — seu rosto murchou um pouco.
— Ah... Não, nada de mais. — disse e sorriu novamente, sem mostrar os dentes. Pisquei para ela antes de sair.
No elevador digitei uma mensagem para a Daiane dizendo aonde a gente iria se encontrar e o horário. Ela respondeu:
Você é tão seco por mensagem. Não poderia usar mais palavras como “por favor” “obg” e etc??
Sorri e rapidamente digitei uma resposta que sabia que iria irritá-la.
Não.
Enfiei o celular no bolso e fui para casa.
Depois de adiantar alguns trabalhos mais simples, tomei banho e coloquei uma roupa mais decente para ir para a festa. Uma calça que tem o pano parecido com jeans preto, uma camiseta branca e minha jaqueta preta. Forcei o alargador na orelha, que por motivos óbvios tirava para trabalhar e baguncei o cabelo com os dedos.
Chaves, carteira, maldito Bilhete Único e não a chave de um carro e passei perfume, me despedi do meu pai e do meu irmão e sai de casa com a sensação de estar esquecendo alguma coisa. Provavelmente tinha deixado toalha na cama, mas a namorada do meu pai tiraria.
Cheguei onde marquei de encontrar com ela, vi que ela não estava por perto e mandei uma mensagem perguntando onde ela estava.
Chegando!!
Era 20h45, 15 minutos mais tarde do combinado quando recebi uma mensagem dela.
Estou chegando!!
Não estou te vendo.
To te vendo.
Com que roupa eu estou?
Admito, estou a um quarteirão.
Mais uns dois minutos até que ela finalmente apareceu na esquina. Deve ter sido um enorme quarteirão, nunca vi demorar tanto. Quanto mais ela se aproximava, mais dava para analisar.
Salto alto azul com uns enfeites estranhos dourados, pernas longas e coxas torneadas que não sei onde ela conseguiu uma saia preta colada na metade de sua coxa e uma camiseta folgada branca e quase transparente. O cabelo dela era castanho claro, quase loiro e estava cacheado. Ela parou na minha frente e juntou as duas mãos numa bolsa pequena demais e parecia uma carteira.
Ela abriu um sorriso e seus olhos brilharam. Os olhos estavam escurecidos com maquiagem e não pude evitar compará-la com uma atriz pornô. Ela era boa. Não era uma beldade nem nada, mas era muito boa.
Puta que me pariu, ela cresceu demais desde quando nos conhecemos anos atrás.
Controlei meus hormônios e a cumprimentei.
— E ai? — disse sorrindo, ela apertou os lábios juntos e hesitou antes de jogar os braços em volta do meu pescoço e me abraçar.
Enfiei a cabeça em seu pescoço e a abracei de volta, assim que senti seu perfume não controlei e desci as mãos para sua cintura muito discretamente por sua cintura e parei no seu quadril, não ousei em descer mais. Quando a soltei, ela sorria de volta.
— E ai. — ela respondeu. — Estamos atrasados?
— Um pouco. — disse e nos colocamos a andar. O sapato dela fazendo aquele barulho engraçado no chão. Era extremamente sexy.
— Desculpe sério. Eu juro que tentei me arrumar rápido, mas minhas amigas me ligaram e ficaram tipo “Ai Daia, por favor, vamos naquela outra festa” e blablabla. Mas elas sabiam que eu ia sair com você. Eu disse para elas. — ela disse rapidamente. Às vezes ela enrolava algumas palavras e eu me segurava para não rir.
— Elas têm que saber que sou mais importante mesmo. — disse e ela me olhou com aqueles olhos enormes arregalados e abriu a boca, indignada.
— Você não é mais importante que as minhas amigas!
— Então... você está aqui comigo e não com elas. — ela me olhou com aquela cara por mais um tempo, parecia estar processando a frase e depois finalmente grunhiu, bateu o pé com força no chão e saiu andando na frente. Parecia uma criança mimada.
Não pude evitar rir. Fui atrás dela, juntei meu braço esquerdo no direito dela, mas ela se afastou e não olhou para mim.
— Vai ficar assim mesmo? — perguntei e enchi minha voz de indignação.
— Sim.
— A festa toda?
— A festa toda. — imitou. Parei de andar e ela parou alguns passos à frente e olhou para trás.
— Sendo assim acho melhor eu ir embora. — disse e me virei na direção contrária. Fiquei esperando ouvir o barulho de seus sapatos atrás de mim, mas eles não se aproximaram. Pelo contrário, ouvi eles se afastarem. Com um giro a vi continuar andando e ri sem acreditar no que estava vendo. A filha da puta iria sem mim.
Corri para seu lado, ela tentou apertar o passo, mas acho que deve ser difícil por causa do sapato. Ela estava de cara fechada. Paramos na calçada esperando o farol de pedestres abrir, Daiane cruzou os braços em cima da barriga e deixou o peso apoiado em uma só perna, o nariz estava empinado e me ignorava abertamente. Dei risada. Ela me olhou com desprezo com uma expressão “você é louco”. Segurei ela pelos ombros e a girei de frente para mim, ela virou o rosto e eu também segurei seu maxilar com a mão, obrigando-a a me olhar.
— Não fica assim comigo. — tentei e ela revirou os olhos. Deveria mudar de estratégia. — Ok olhe, desculpe tudo bem? Desculpe. — ela pareceu ponderar um momento e finalmente sorriu.
— Só porque eu sou de Deus. — disse e atravessou a rua, quase sendo atropelada.
ﻱ
Antes mesmo de entrar no local da festa dava-se para ouvir a música alta que tocava. Algum tipo de remix de uma música pop. Depois de passar pelo segurança corpulento segurei a mão de Daiane e a guiei para dentro. Fomos até o bar e depois de achar dois lugares vagos pedimos bebidas. Eu pedi uma dose de tequila, afinal era a noite da tequila e ela limitou-se a pedir uma Lagoa Azul. Muito mulherzinha mesmo.
Ela rodou em seu banco e olhou ao redor, as luzes deixavam seu cabelo claro colorido. O barman voltou com nossas bebidas e virei minha dose de tequila de uma vez, ela me olhou espantada e eu sorri.
— Sem limão? — gritou perto do meu ouvido, acima da musica. Concordei com a cabeça e ela pegou sua bebida azul cheia de gelo e provavelmente com pouco álcool. Um roubo. Ela usou o canudo vermelho para mexer a bebida através do gelo, girou o canudo entre o polegar e o indicador e levou até os lábios. Deu um gole e fez careta. Não consegui acreditar.
— Está forte? — perguntei. Ela empurrou o copo na minha mão, ponderei um momento e tomei um gole em seu canudo mesmo. Estava doce e aguado, mal se dava para sentir o gosto da Vodka. — Quer que eu termine? — ofereci, ela pareceu ficar envergonhada e deu de ombros. Ia jogar o canudo pelo ombro quando a vi ficar espantada. Segui seu olhar para a pista de dança, mas não entendi o que estava a preocupando.
Ela olhou-me nos olhos, os seus mais arregalados que nunca.
— Essa festa é a Tequilada? — não entendi o motivo da pergunta, mas respondi que sim. — Ai meu Deus. — ela ficou de pé em um pulo e percebi que um grupo de pessoas vinha em nossa direção. Ela tomou o copo da minha mão e bebeu vários goles de uma só vez e depois bateu o copo quase vazio no balcão.
O grupo parou em nossa frente e percebi de quem se tratava. Um velho conhecido meu.
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