Heartbreaker
5 Confident - Parte II
Notas iniciais
Era Benatti, bem ali estendido em minha frente.
Nós fomos muito amigos na infância, ele morava na casa ao lado a minha quando minha mãe ainda estava viva.
Ele olhou-me pelo canto do olho um segundo e voltou sua atenção para Daiane. Ele a olhou da cabeça aos pés e sorriu. Ela piscava sem parar.
— Oi gente. — ela disse sem graça. Atrás de Victor estavam algumas meninas e uns caras. Eles olhavam para ela e para mim e a interrogação era palpável. — Esse é o Gustavo. Gustavo — dirigiu-se a mim — esses são meus amigos. — ela rapidamente apontou o nome de cada um deles e finalmente Victor apertou minha mão.
— Prazer. — ele disse. Porra ele não se lembrava de mim? Acho que ele era muito novo na época. Acontece.
— E ai? — fingi desinteresse.
— Não acredito que esse é o Gustavo! Por que você não disse logo que ele era maravilhoso? — gritou uma das amigas da Daiane. Ela tinha cabelo preto, bem branquela e de batom vermelho sangue. Usava um vestido cor-de-rosa curto. Tinha um puta corpo. Na verdade, todas as suas amigas eram do mesmo naipe de Daiane. A garota de rosa me cumprimentou com um abraço e marcou minha bochecha com o batom gosmento. Eu odeio esse negocio.
— Sinto que nós já nos conhecemos há anos! Daiane não para de falar de você um segundo, não é? — ela virou-se para Daiane. Ela parecia desolada, coitada. A amiga revelou o quanto ela estava interessada, mas não entendi o ódio em seu olhar. Ela sorriu, mas os olhos brilhavam enormes e perigosos.
— Claro Rafa, com toda a certeza você estava morrendo para conhecê-lo. —ouvi o desprezo em sua. Com certeza elas tinham brigado ou algo assim. De qualquer maneira, ficou silencio alguns momentos entre o grupo, a música eletrônica no fundo ficando mais alta a cada segundo.
A música mudou e varias meninas deram gritinhos. As amigas da Daiane puxaram algum cara e foram dançar. Victor olhou para ela e ergueu uma sobrancelha. Ela olhou para mim e depois para ele e ergueu os ombros desculpando-se. A tal Rafa agarrou o braço dele e o levou para pista de dança. Daiane sentou novamente na cadeira como se estivesse cansada.
— Não quer dançar? — perguntei. Ela olhou-me com expectativa.
— Você quer dançar comigo?
— Claro. — fiquei em pé e estendi a mão para ela, a sua estava gelada. Fomos até a pista de dança.
Ela começou a se mexer ao ritmo da musica, ainda tímida, mas cantava a letra em inglês com perfeição.
A girei e a trouxe para mais perto. Ela olhou em meus olhos e afundou a cabeça em meu pescoço, ela tinha um cheiro bom pra caralho. Apertei sua cintura quando ela tocou meu pescoço com os lábios. Não sei que merda aconteceu e ela virou e fez menção em ir embora, mas eu a puxei de volta pela cintura e ela grudou em mim.
O quadril dela começou a se mover contra o meu enquanto ela rebolava. Sua mão foi à procura do meu rosto e eu enrosquei meus dedos nos dela antes de acariciar seu braço e fazer o caminho de volta pra sua cintura. Ela ainda se movia com o ritmo da musica foi quando eu finalmente me convenci que ela não parecia uma atriz pornô, ela era mais que isso. E eu queria beija-la.
Ela segurou minhas mãos e enquanto se movia apoiei o queixo na curva de seu pescoço e senti seus pelos se arrepiarem com o toque, a virei de frente para mim, me inclinei sobre ela e nossas bocas ficaram a centímetros de distancia e olhava profundamente em seus olhos. Sorri de lado e ela apertou os olhos fechados e mordeu a boca.
Nesse momento a musica acabou e ela pareceu acordar de um transe. Olhou ao redor e viu que suas amigas a encaravam e se afastou de mim.
Fui atrás dela, mas ela fugiu para o banheiro feminino. Fiz menção de segui-la e algumas mulheres ficaram me encarando então voltei para o bar e pedi outra dose de tequila. Virei de uma vez sem sal e sem limão, e olhei em volta.
Benatti estava vindo em minha direção, sentou-se comigo.
— Eu te conheço de algum lugar? — perguntou. Sorri.
— Gu menor, lembra? — arrisquei. A sua expressão mudou para entendimento e ele riu.
— Puta merda, eu não acredito! Como o Marcelo está? O nome do seu irmão é Marcelo né?
— Ele está bem. Fazendo engenharia e tudo mais. — trocamos as novidades, rimos e tomamos mais doses de tequila juntos.
Duas loiras vieram conversar com a gente, Victor disse que estava acompanhado e elas me olharam estranho. Certeza que elas pensaram que somos gay.
Rimos assim que elas foram embora e ele suspirou, batendo o copo no balcão. Olhou para a pista de dança, onde as amigas de Daiane dançavam e tentavam chamar sua atenção. Patético.
Onde Daiane estaria?
— É tão obvio que todas elas querem ficar comigo. Dizem que nós, homens, que não prestamos, mas olhe aquilo — fez o gesto em direção de Rafaela que dançava como uma stripper. Não tenho nada contra strippers, fique claro, mas acho que esse tipo de coisa tão desnecessário quando você poderia pegar o cara facilmente. Ela tem um puta corpo, mas já disse isso também.
— Pois é. — respondi. Victor inclinou-se para falar perto do meu ouvido.
— Você e a Daia estão ficando ou algo assim? — perguntou.
— Não. — respondi rapidamente, mas não refleti antes. — Por que?
— Porque eu estou tentando ficar com ela. Mas já que a barra está limpa eu vou lá. — ele sorriu e jogou o cabelo de lado. Eu ia falar algo para ele, juro que ia, no entanto ele levantou-se e foi para pista de dança.
Daiane estava lá com as amigas. Como eu não a vi chegar? Ele passou a mão pelas costas dela e disse algo em seu ouvido, Daiane deu risada e colocou a mão no rosto.
Não dava para ficar olhando. Levantei e fui dar uma volta pelo lugar.
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