Heartbeats

6 Are you all right baby, you need a Doctor?


Ao chegarmos no hospital estacionei o carro no lugar mais escuro possível, tomei meu tempo para criar coragem, acordar Jane e fazer o que eu devia fazer.

A expliquei que não deveria sair do carro em circunstância nenhuma e que não devia se preocupar porque eu não tinha a pretensão de matar ninguém.

- Pretensão? — Ela me perguntou rindo.

- Nós nunca sabemos o que pode acontecer.

Ela concordou comigo e enfim eu sai entrando no meu caminho para o hospital quando Jane buzinou e tirou a cabeça para fora e me disse "Sinto muito" à distância, acho que ela finalmente pôde entender o meu lado da situação, um lado que nem eu compreendia tão bem.

Entrei no hospital pelas portas do fundo, esse é o grande problema das cidades pequenas, as pessoas confiam demais que é impossível entrar um cara maluco e pegar um jaleco de enfermeiro para ir interrogar uma paciente da UTI.

O hospital estava parado, era um daqueles lugares mórbidos e totalmente brancos onde parecem meio adormecidos ou de saco cheio de estar ali, o que foi na ocasião a meu trunfo já que ninguém reparou que eu não era exatamente um funcionário.

Andei por vários minutos feito uma barata tonta no prédio procurando a direção da UTI, me recusava à entregar o disfarce de um jeito tão idiota quanto perguntar para outro funcionário onde ficava uma das principais alas do hospital. Felizmente, pude ouvir uma médica e uma enfermeira conversando sobre o caso da moça queimada, aparentemente ninguém explicou a origem de suas queimaduras ou de onde e quem ela era.

Procurei mais um pouco pelo hospital até encontrei a entrada para a UTI, havia uma outra enfermeira sentada em uma cadeira que, creio eu, deveria estar com os olhos vivos nos poucos pacientes internados só que dormia ao invés de vigiar. Coloquei uma daquelas roupas especiais como a que a enfermeira usava e de uma vez entrei na UTI, não demorou muito para encontrar o leito onde Jenny estava.

Ela dormia tranquilamente, li seu prontuário como todo bom enfermeiro, ela havia sido vitima de várias queimaduras nas pernas e nos braços a mais grave estava na perna direita mas não era nada a que ela não pudesse sobreviver.

Me sentei ao lado dela e depois de chama-la várias vezes ela abriu os olhos aterrorizada com a minha presença, coloquei o dedo indicador como sinal de silêncio na boca dela.

- Eu não vim te fazer mal, eu vim te fazer perguntas.

Depois de algum tempo fazendo esforço para parar de chorar e me responder e pode dizer:

- O-o-o que você-ê-ê quer?

Não sabia por onde começar, optei pelo obvio.

- Por que você me trancou?

Ela buscou mais força antes de responder.

- Eu não queria que ela te matasse.

-Me respondeu sem gaguejar, por que você ajudou ela?

- Não... ajudei.

- Me desculpe, por que você ajudou e fugiu com ela?

-Não.Ajudei.

- Explique.

- Nós somos iguais, eu não fiz nada, não existem .... provas.

- Você não fez nada? Qual é o seu problema?

-Minha irmã, ela é minha irmã.

- Ela matou todas aquelas pessoas.

- Ela é minha irmã.

-Isso não é desculpa, você poderia ter falado comigo.

- Não ... podia.

- Por que?

- Samanta.

- Ela te ameaçou?

- Não.

- Então por que Jennifer?

- Você.

- Ela ameaçou me matar ?

- S-s-s-sim.

As vezes parecia que lhe faltava o ar ou que a qualquer segundo ela iria morrer, mesmo me contando tais coisas tão emocionada não conseguia acreditar em uma só palavra.

- Falei que ia contar tudo, ela achou sua família, ela tentou...

Cada palavra aumentava o nojo que eu sentia por ela.

-Fazia parte de manter você com ela?

- S-sim.

Não suportava mais, não podia continuar fazendo ela se esforçar daquela forma depois de tudo, mas agora havia recuperado as forças e continuava:

- Eu queria explicar lá no apartamento, eu queria, eu gostava de vo...

Me levantei, não deixaria as coisas tomarem esse rumo, não aguentava ouvir mais uma palavra vinda dela.

- Eu também gostava de você, admiro o que você fez, vou te deixar descansar.

Comecei meu caminho até sair da UTI só que ela começou a me chamar, me virei um pouco antes de chegar perto da porta e voltei para perto dela.

- Você me perdoa?

Ela me perguntou com lágrimas nos olhos.

- Não posso te perdoar Jenny, sinto muito, não conte a ninguém que eu estive aqui, volto pra te ver e conversar melhor.

Por impulso dei um beijo na testa dela como fazia com Jane hora ou outra, caminhei de volta do hospital mais uma vez sem ser notado, quando cheguei ao carro Jane estava mais nervosa do que eu quando saí:

- Como foi?

- Foi horrível.

Ela me olhou preocupada.

- Como assim Dan?

- Ela disse que não fez nada porque a Sam ameaçou a mim e a minha família, ela disse que não matou ninguém e um monte de merda.

Comecei a chorar como uma criança, não conseguia controlar, em todos esses anos a única vez que eu chorei foi na noite em que me tiraram do elevador.

-Não consegui Jane, não pude acreditar em uma palavra.

- Vamos trocar de lugar, eu vou dirigir.

Descemos do carro para que ela assumisse a direção, quando entramos novamente ela pegou a direção e me disse:

- Dan, pode ser que ... pode ser...

- Pode ser o que Jane?

- Que ela não esteja mentindo.

Eu a olhei sem poder acreditar que ela estava sugerindo aquilo.

- Isso não é uma opção.