Heart Of Courage
4 So I know that when it's time to sink or swim…
Notas iniciais
Dedico esse capítulo à todos os leitores lindos que têm comentado e acompanhado: Constantin Rousseau, Laura Senatore, Waldorf SaN, Peu wincest e Me-chan *-* vocês fazem meu dia mais feliz! ♥
Espero que tenham uma boa leitura! ^^
Benton Harbor – Michigan
Clínica Psiquiátrica de Benton Harbor
22 de Setembro, 2012 – 05h30min p.m.
Dean,
Faz realmente muito tempo que não nos falamos, e acho que grande parte da culpa por isso é minha. Quando papai te internou, e nós nos mudamos, eu mal passava de uma criança. Você não era muito mais velho que eu, mas você era meu porto-seguro, você era o melhor irmão que alguém poderia querer. Quando você se perdeu, de alguma forma... De alguma forma, acho que eu me perdi também. Eu sentia sua falta todos os dias; desde o momento em que acordava de manhã, até a hora em que papai me colocava pra dormir.
Eu sei que estou te confundindo, e que isso torna tudo ainda mais difícil. Eu agi errado, eu cometi muitos erros, eu fiz muitas besteiras. Acima de qualquer outra coisa, eu falhei com você, irmão. Nós não deveríamos ter nos afastado. Que direito eu tinha de te julgar? Que direito eu tinha de dizer que você estava ficando louco? Que direito eu tinha de te abandonar, que direito eu tinha de ir embora?
Todas as vezes que precisei de você, você estava lá pra mim. E quando você mais precisou de mim... Eu te deixei de lado. Você enfrentou meus medos por mim, você lutou contra minhas dores. Você me protegia do escuro quando eu chorava, lembra? Você deitava ao meu lado, e dizia que os monstros não podiam me pegar, porque você estava ali comigo, porque estava ali por mim. Você andava sempre ao meu lado, pra não me deixar cair se eu tropeçasse. E se eu caísse, você me ajudava a levantar.
Talvez eu tenha perdido o direito de todas essas memórias. Talvez eu tenha perdido o direito de todo o carinho que você sempre me deu. Talvez eu não tenha nem o direito de pedir perdão pelo que fiz. E eu não sei se algum dia nós poderemos ser o que éramos antes. O que passou, passou, e não vai voltar. O passado já era, mas os erros permanecem aqui; os ecos deles continuam assombrando nós dois. Eu queria superar, Dean...
A questão é: eu posso superar? Eu mereço superar? Sozinho, não... Eu preciso de você, Dean. E eu não estou falando de favores. Eu preciso ver você, eu preciso me redimir com você. Eu preciso recuperar o direito de ser seu irmão outra vez.
Faz muito tempo desde a última vez que conversamos. E eu sei que eu deveria ter ligado, ter mantido contato, ter demonstrado que me importava. Estou tentando consertar isso agora. Eu não vou impedir nada, se você não me quiser mais por perto, é só fingir que isso nunca aconteceu. Que essa carta nunca chegou, e que você nunca leu nenhuma dessas palavras.
E... Bem... Se você sente tanta saudade quanto eu, é só responder. Uma carta, Dean, e eu vou atrás de você. Não posso te prometer que vou te tirar daí; eu realmente não sei como fazer isso. Mas posso ao menos prometer que vou ouvir tudo que você tiver a dizer. Independentemente do que for.
Sammy.
Segurando o papel da carta, as mãos de Dean tremiam. Em seu rosto pálido, os olhos brilhavam, refletindo tudo aquilo que ele sentia: medo, confusão, saudade. Mágoa. E por mais que o louro tentasse enganar a si próprio, nascia dentro dele um pequeno fio de esperança. Como um raio de luz para um cego, após tanto tempo vivendo na escuridão.
Umedecendo os lábios, observou a carta novamente. E aos poucos, seus olhos foram embaçando, até que as palavras se tornassem ilegíveis e as lágrimas começassem a rolar por seu rosto; libertando todos aqueles sentimentos que ele vinha reprimindo por tanto tempo. Parte dele queria recusar que aquilo acontecera, esconder aquela carta em um lugar onde nunca mais procuraria, e voltar para seu cantinho seguro, seus sorrisos enigmáticos. Parte dele queria nunca mais sair daquele lugar, pra não correr o risco de passar por tudo aquilo novamente, pra não correr o risco de ser abandonado.
E a outra parte — a parte que agora o fazia chorar — queria correr desesperadamente atrás do irmão, até que ele o aceitasse. Queria fazê-lo encarar a verdade, e provar que não era louco. Provar que o incêndio que matara Mary não havia sido apenas um acidente, que não havia fios roídos por ratos no quarto da mãe, nem lâmpadas que haviam quebrado e causado nada disso. Mas ele sabia que assim que tocasse no assunto, Sam o expulsaria de casa. Sam o trataria como um louco, como alguém perigoso. E sua parte protetora, aquela parte que sempre o fazia obedecer tudo que Sam pedia, o faria acreditar nisso. Acreditar que ele merecia estar naquela clínica psiquiátrica, sendo tratado à base de remédios e sessões de terapia.
O faria acreditar que aquela noite, quando ele foi ao quarto — já em chamas — da mãe, e viu uma sombra próxima à janela, com um isqueiro na mão e um sorriso cruel no rosto, não havia passado de um pesadelo. Um pesadelo do qual, aparentemente, ele nunca acordaria.
Dean se lembrava do rosto dele. Os cabelos castanhos, as sardas, a pele morena. Não havia muitos detalhes aos quais pudesse se prender. E todos lhe diziam que fora tudo invenção de sua mente, que era tudo falso. Foi feita toda uma busca policial sobre o caso, mas nada foi encontrado. Sem digitais, nenhum vizinho vira, nem ouvira nada, e o único testemunho que tinham era de um garoto que havia acabado de perder a mãe, e agora estava em luto.
O caso foi arquivado; e Dean, internado.
No começo, quando tentava conversar, Sam concordava em ter ouvido uma movimentação estranha; e era veementemente repreendido por John — o pai dos garotos dizia que ele estava incentivando as alucinações de Dean. E então, ele logo começou a discordar, e a fazer o mesmo que os outros: falar que fora tudo sua imaginação em busca de uma resposta justificável para a morte de Mary.
Dean não queria uma justificativa plausível. Ele apenas sabia a verdade: Mary não morrera num incêndio normal. E sua intuição ainda lhe dizia que tal homem escondido na janela já os estava observando muito antes que ele se desse conta disso; muito antes do acidente.
Secando as lágrimas do rosto com as costas das mãos, o Winchester pegou novamente o envelope da carta, e virou-o, lendo as palavras. Sam estava em Bowling Green, Ohio. Ele não sabia ao certo em que direção a cidade ficava, mas tinha certeza de que o Estado era próximo de Michigan. Em silêncio, voltou seu olhar para a janela onde — mais cedo — havia visto os pássaros voando.
Talvez fosse o momento de pegar suas asas de Ícaro, e alçar voo.
Notas finais
Previsão para próxima atualização: a partir do dia 05/11
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