Heart Of Courage
1 Prologue
Notas iniciais
Espero que tenham uma boa leitura!
Lawrence – Kansas
02 de Novembro, 2000
A noite estava relativamente calma, como qualquer outra. No céu, a Lua brilhava majestosamente, e as estrelas formavam constelações que ele nunca vira — e algumas poucas que ele saberia nomear se lhe perguntassem. Em pé, com os braços apoiados na sacada da janela, o garoto contemplava o céu escuro com os olhos brilhantes, saboreando a suave brisa noturna que lhe acariciava o rosto.
Lentamente, virou o rosto sardento, observando o quarto. Em sua cama, encolhido e coberto, seu irmãozinho mais novo dormia abraçado ao seu bichinho de pelúcia favorito — uma réplica de algo que ele chamava de “Bloo”*. Dean não entendia a fascinação que o garoto tinha por aquele monstrinho de pelos azuis, mas não discutia. Se Sam gostava, quem era ele pra julgar?
Em silêncio absoluto, caminhou em direção à porta, abrindo-a e saindo do quarto. Com o corredor iluminado por um pequeno abajur que Mary costumava deixar ligado durante a noite, o garotinho seguiu o tão conhecido caminho em direção ao quarto da mãe. Provavelmente, já era bastante tarde, porque fazia um bom tempo desde que ela colocara a ele e a Sam para dormir, mas ele sabia que ela estaria acordada; ela sempre estava. John certamente estava lá embaixo, dormindo no sofá em frente à TV, então não havia riscos de ele levar outro sermão por ainda estar acordado.
Timidamente, Dean bateu duas vezes na porta. Ouviu uma pequena agitação dentro do quarto, e no momento seguinte Mary abria a porta. Vestida com sua camisola branca, os cabelos soltos caindo sobre os ombros, lembrou à Dean aquelas histórias sobre anjos que a mulher sempre lhe contava.
— Dean? — a mãe do menino tocou o rosto do filho com cuidado, surpresa. — Ainda acordado? Pensei que estivesse dormindo... Sammy teve outro pesadelo?
O loiro balançou a cabeça negativamente, abraçando a mulher com força, surpreendendo-a novamente.
— Querido? Está tudo bem? — preocupada, ela se abaixou, encarando o rosto sardento molhado por lágrimas. Dean a encarava com os olhos ligeiramente arregalados e brilhantes. Os lábios, repentinamente pálidos, tremiam, e ele parecia assustado. — O que houve, Dean? — delicadamente, Mary secou as lágrimas do filho.
O Winchester moveu a boca, tentando uma resposta, mas nenhum som escapou por ela. O garoto soluçou, apertando os lábios e balançando a cabeça negativamente antes de sussurrar, num fio de voz:
— Eu tenho medo de te perder, mamãe.
Mary puxou o garoto para seus braços, aninhando-o em seu peito e ouvindo seus soluços cada vez mais ininterruptos. Não entendia o medo do filho, mas nem por isso deixaria de tentar protegê-lo. Ela não gostava de ver Dean dessa forma, triste. Ele era sempre um garoto tão alegre, tão cheio de vida! Sam era o caçula, era seu mimo. Mas Dean... Dean era seu garoto especial! Ele não era mais, nem menos especial que Sam; ela nunca rotularia os filhos dessa forma. Ambos tinham um lugar em seu coração, e ela os protegeria de todo mal, de toda dor que pudesse!
— Shh... Tá tudo bem, Dean... — acariciou os cabelos do louro com cuidado, sentindo o corpinho dele tremer contra o seu. — Não precisa se preocupar, meu anjinho... Você não vai me perder, não tão cedo. É uma promessa.
Aquela era apenas a primeira de muitas promessas que viriam a ser quebradas a partir daquele instante.
Naquela noite, Dean permitiu que sua mãe o colocasse pra dormir novamente, ao lado de Sam; ele acreditou em todas as palavras que ela disse. Mary o cobriu, e beijou sua testa com suavidade antes de sair do quarto, desejando-lhe boa noite. Dean fecharia os olhos, e em pouco tempo, ele dormiria. Dormiria, e sonharia o mais belo dos sonhos.
Sem jamais saber, que ele nunca mais veria a mãe sorrindo novamente. E que aquela talvez fosse sua última noite com uma família unida e perfeita.
Notas finais
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