Heart Of Courage

7 Oh, God, it feels like forever.


Notas iniciais
"Oh, Deus, parece uma eternidade."
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O atraso é todo e inteiramente culpa da minha mãe, que não me deixou mexer na internet pelo computador ontem -qq
Gostaria de oferecer esse capítulo à todos vocês, mas em especial à Me-chan, dope e Liesel Vargas. Eu tenho os melhores leitores do mundo ♥

Bowling Green – Ohio

Apartamento de Sam Winchester e Tom Hanniger

25 de Setembro, 2012 – 07h35min a.m.

Um sorriso tímido desenhou-se em seu rosto, brincando em seus lábios. Observou o irmão durante alguns instantes, prestando atenção, procurando nele algo que lhe fosse familiar. Os lábios finos, os olhos verdes iguais aos seus. O cabelo castanho, o queixo anguloso. Fazia tanto tempo! Alguns podiam lhe perguntar como o reconhecia, depois de não tê-lo visto por longos anos. E, bem, ele não saberia responder. Algo em seu coração lhe dizia, e por isso ele acreditava.

Caminhando a passos largos, o mais velho findou a distância entre eles com um abraço apertado. Ainda sorrindo, Dean percebeu como era estranho que fosse o irmão menor agora. Ele se lembrava de quando o caçula corria para ele no meio da noite; cabelos bagunçados, Bloo* em braços, chamando seu nome com aquela voz ligeiramente aguda que crianças costumam ter. Era esse Sam Winchester a pessoa de quem Dean se lembrava. Aquele baixinho fofinho, que sabia ser birrento e mimado quando queria, mas que ainda assim nunca deixou de amá-lo.

No começo, assim que foi para a clínica, Dean tinha medo de que essas coisas se perdessem. Tinha medo de que suas memórias fossem desaparecendo, que começasse a esquecer suas mais doces lembranças; por isso, ele se obrigava a pensar no irmão. Pensar, e questionar. Qual era a cor exata dos olhos dele? E o cabelo? Sam tinha sardas? Cada resposta era importante, e nenhum detalhe podia ser deixado de lado.

Bem, isso não importava no momento. Ele não esqueceria a dor e a mágoa que sentiu quando percebeu que as pessoas que amava não iriam mais visitá-lo, e, sinceramente, duvidava que pudesse fazê-lo. Mas Dean sabia que não era ao todo inocente, por não ter dado o braço a torcer e não atender as ligações eles haviam perdido completamente todo e qualquer contato. Ele sabia disso. E agora, apenas queria aproveitar a sensação que era estar novamente com o irmão em seus braços — ou seria o contrário?

Sam havia mudado. E muito. Não só fisicamente, mas todo ele havia mudado, e Dean podia sentir isso. Buscava mostrar naquele abraço, todo o carinho que ainda tinha pelo irmão, todo o amor que superara suas dúvidas quando decidiu que iria atrás dele. No final, não lhe importaria se estava quebrado ou magoado, se estava com raiva ou com saudade. Sam continuaria sendo sempre seu Sammy. E isso não significava que não tinha suas dúvidas bem guardadas lá no fundo do coração; ele as tinha, e eram perguntas demais para que ele as mantivesse escondidas por tempo demais. Ele apenas não permitiria que isso tomasse conta dele, como tantas vezes antes aconteceu. Porque era seu irmão caçula ali, á sua frente. Depois de tanto tempo, Dean podia simplesmente passar os braços ao redor dele, e esconder a cabeça em seu peito. Podia sentir um pouquinho daquela pequena ilusão que mantivera consigo durante todos aqueles anos: que eles ainda eram uma família, mesmo que não houvesse mais intimidade ou qualquer tipo de contato. Podia se permitir sentir amado e querido pelo garoto que o idolatrava quando Mary ainda estava viva.

E no fundo, isso sempre foi a única coisa que ele quis.

Para Sam, ter o irmão mais velho à sua frente depois de tanto tempo era uma sensação no mínimo esquisita. Abraçá-lo, então? Definitivamente estranho. Um pouco desconfortável, talvez, mas o Winchester mais novo não estava reclamando. Com gentileza, afastou Dean um pouco de si, para, logo em seguida, segurar o rosto dele entre as mãos, observando-o meticulosamente.

Havia algo ali, que não havia se perdido com o tempo; algo que ele reconhecia e que, de certa forma, reconfortava-o. Apesar de a aparência do irmão ter mudado um pouco nos últimos anos, não se conformava com o fato de não tê-lo reconhecido assim que o viu. Os lábios de Dean continuavam no mesmo formato do qual ele se lembrava. Os fios de seu cabelo louro haviam perdido parte de seu brilho dourado, parecendo-lhe agora um tanto quanto cinzentos — platinados? Mas, ainda assim, o irmão não lhe parecia tão diferente daquele Dean do qual se lembrava. E como tal, ele ainda podia ver as emoções correndo por seus olhos, como num livro aberto.

Confusão. Saudade. Tristeza. Carinho. Mágoa. E... Medo?

Sam piscou, e no instante seguinte Dean abraçava-o novamente. Desesperado, quase assustado. Como se precisasse desse simples contato para poder respirar.

— Eu... Eu... Vou deixar vocês a sós. — ouviu a voz de Tom, surpreso ao constar que havia esquecido completamente a presença do amigo, e logo após o som da porta batendo, os passos do amigo se distanciando da sala.

Agradeceu internamente por isso ao perceber a cortina de lágrimas que embaçava sua visão; elas começaram a escorrer por seu rosto antes que pudesse se impedir de chorar. E ter as mãos de Dean agarrando-se a ele como se pudesse desaparecer a qualquer instante realmente não estava ajudando.

Sam também tinha suas perguntas, suas dúvidas. Como raios Dean fora parar ali? Ele havia encontrado seu endereço por meio da carta que mandara? Viera a pé, arrumara uma carona? E, principalmente, que diabos estava fazendo fora da clínica? John tirara-o de lá? Se sim, por que não avisara? Se não... O mais novo não queria pensar nessa possibilidade agora.

Ele sabia exatamente o que causava tanto medo no irmão mais velho. Era a sombra de suas ações passadas, de suas decisões antes tomadas. Era como se Sam pudesse, a qualquer instante, simplesmente decidir que não queria mais ver o outro Winchester, decidir que aquele pequeno contato fora o suficiente. O moreno não faria isso, até porque a possibilidade de separar-se de Dean agora, com ele tão próximo, doía em seu peito. Enquanto ele o mantivesse em seus braços, sabia que o irmão estaria bem, e era a única coisa que ele faria no momento. Era o que importava pra ele, era o que contava.

— E-Eu pensei que... S-Sammy, eu pensei que...

— Shh... Tá tudo bem, Dean... Tudo bem...

Haveria ainda tempo para resolverem suas desavenças — se é que elas ainda existiam — depois.

Notas finais
Reviews?
Previsão de atualização: se conseguir terminar de digitar, sexta à noite já teremos um novo capítulo! :D