Heart Of Courage
8 Memories and ghosts... After all, what's right?
Notas iniciais
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Genteeeeeeee, mil desculpas pela demora! D: me enrolei aqui com uns negócios da escola, e acabei atrasando tudo... Não pretendo demorar muito mais, já que agora estou de férias ~comemora~ :D
Mas, ok, se ainda assim quiserem me matar, podem matar TuT quando eu demorar demais, podem me cobrar! D:
Queria me desculpar também pela demora em responder os revies :( se der, respondo todos ainda hoje, mas se não der, respondo eles amanhã! >.
Agora vou para de enrolar vocês! Espero que gostem do capítulo ^^
Bowling Green – Ohio
Apartamento de Sam Winchester e Tom Hanniger
25 de Setembro, 2012 – 07h40min a.m.
Sam ainda não conseguia acreditar. Novamente de modo gentil, afastou-se alguns centímetros de Dean, sem, no entanto, tirar os braços dos ombros do irmão.
— Eu... Como foi que... — suspirou profundamente, sem poder conter um sorriso. Guiou o irmão até o sofá, fazendo-o sentar-se e sentando-se ao seu lado logo em seguida. — Aqui... Está com fome? Com sede? Quer alguma coisa pra comer? — não sabia o que devia dizer, então, preferiu começar a conversa com o básico.
Dean encarava-o fixamente, e sem dizer uma palavra, fez um sinal negativo com a cabeça. Parecia um pouco perdido, e cansado, mas, fora isso, estava melhor do que Sam imaginava que estaria.
— Eu... — o mais velho começou, rouco, e logo em seguida pigarreou para recuperar a voz. — Comi alguma coisa no caminho. — murmurou por fim, agradecendo que sua voz não tivesse falhado.
Encantado, o louro encarava o irmão, temendo que ele pudesse desaparecer misteriosamente a qualquer instante. Sua vontade era de abraçá-lo novamente, e falar pra que parasse com os questionamentos por enquanto. Haveria tempo para eles depois, não? Mas ele entendia que Sam precisava disso agora, que precisava superar a surpresa inicial e entender o motivo pelo qual Dean estava ali.
— Como... Como foi que você chegou aqui, Dean? Quer dizer... Você saiu da clínica? Quando você saiu? Por que não me contou?
O mais velho estava esperando por isso. Esperando que o mais novo questionasse não os motivos pelos quais ele estava ali, e sim como chegar ali. Afinal, até onde o moreno sabia, Dean continuava em Benton Harbor, na clínica. Então, de uma hora para outra ele simplesmente estava ali? Era pra confundir qualquer um.
O louro suspirou.
— É uma longa história.
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Benton Harbor – Michigan
Clínica Psiquiátrica de Benton Harbor
24 de Setembro, 2012 – 10h00min p.m.
Os guardas haviam acabado de sair de seus lugares. Próximo à porta desde o momento em que se encontrou sozinho no quarto, ele ouviu a movimentação lá fora, quando eles partiram. Agora era a hora. Em silêncio, e cautelosamente, ele abriu a porta, passando pelo batente. Estava escuro, e os corredores pareciam todos vazios, mas isso não o incomodava — não mais. Mordendo o lábio inferior, caminhou de modo rápido e um tanto quanto inseguro, seguindo o caminho que ele sabia resultar na saída.
Ele não ia sair por lá, não era tão idiota assim. Seria visto antes que pudesse passar pelos portões, e isso era algo que tinha de evitar a todo custo. Com o coração batendo de modo desenfreado no peito, percebeu o som ligeiramente apressado de passos vindo em sua direção e olhou para os lados, procurando um lugar no qual pudesse se esconder. Havia uma porta sem identificação naquele corredor, alguns metros à sua frente. Podia ser sua perdição, caso alguém estivesse lá dentro. Ou podia ser sua única chance de não ser visto.
Decidido, Dean cruzou a distância a passos largos, encostando a porta suavemente no instante em que o som se tornou mais alto. Suas mãos estavam geladas. Quando os passos se tornaram distantes novamente, ainda esperou um pouco, ansioso e assustado, para enfim virar-se e observar cuidadosamente onde estava.
E naquela noite, foi a primeira vez que um sorriso singelo surgiu em seu rosto.
O louro nem havia notado os dizeres “Vestuário” na porta atrás da qual se escondera.
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Quando Dean terminou de puxar o zíper do moletom escuro, a porta se abriu. Sobressaltado, Winchester encarou o rapaz que passava por ela, sentindo a boca ficar seca de repente. O moreno não parecia muito mais velho que ele, com feições um pouco infantis e olhos claros, mas trajava o mesmo uniforme que os guardas da clínica, e isso significava apenas uma coisa para ele no momento: problema.
— Oi. — o rapaz cumprimentou-o com voz cansada, andando até um dos armários, abrindo-o e separando suas roupas.
Dean não respondeu. O peito subia e descia rapidamente; o louro sabia que estava hiperventilando. Tinha medo de que caso respondesse, o outro o reconhecesse. Winchester nunca vira aquele guarda antes, mas isso não era tão surpreendente — ele evitava encará-los, porque a sensação de que o olhavam como se fosse um louco ainda lhe era estranha. Qualquer um poderia dizer que ele era um paciente da clínica, e isso não podia acontecer.
Com a ausência de resposta por sua parte, o outro lhe encarou novamente, prestando um pouco mais de atenção. E então, educadamente, sorriu.
— É novo aqui também? Hoje fiz meu primeiro turno. Meu nome é Clark.
Sabendo que se não respondesse o moreno começaria a estranhar seu comportamento, Dean tentou sorrir e parecer o mais casual possível ao falar o primeiro nome que lhe veio a cabeça:
— Jake.
Clark meneou a cabeça, assentindo, enquanto se virava de costas para Winchester, tirando o uniforme e colocando roupas que o deixavam com a aparência mais relaxada, menos séria.
— Faz muito tempo que você trabalha aqui, Jake? Ou é novato também?
“Pense, Dean, pense.”
— Ah... Novato... Hn... Fiz meu primeiro turno hoje também.
— Sério? — Clark agora trocava os sapatos. — Não vi você quando a inspetora da clínica nos reuniu para dar as boas vindas.
“Droga.”
— Eu... Ah... Estava no fundo, com os outros caras. Cheguei um pouco atrasado.
— Hum... Certo. — o outro voltou a sorrir ainda simpático, e Dean teve vontade de sair dali correndo; aquilo não parecia estar funcionando. — Desculpe por estar ocupando seu tempo com essas perguntas inúteis. Estou meio nervoso, e quando estou assim acabo falando demais... Tenho um encontro hoje. — isso conseguiu chamar a atenção de Winchester, que parou de batucar os pés no chão.
— Um encontro? — o louro questionou, verdadeiramente curioso.
— É. — Clark meneou a cabeça, terminando de amarrar os cadarços do tênis que colocara. — Minha vizinha. Nós estudamos juntos, e ela nunca prestou atenção em mim, mas éramos um pouco amigos... Convidei-a para ir ao cinema hoje, e ela aceitou. Mora aqui perto e disse que me esperaria em frente à clínica.
— Você a ama?
A pergunta tão simples, mas tão cheia de significados, feita em um tom tão doce e inocente, fez com que Clark permanecesse em silêncio durante alguns instantes, apenas encarando Dean.
— E-Eu... Não sei... Acho que... Sim. — o moreno corou e levantou-se, caminhando até a porta e saindo do vestiário.
— Isso é bom, não é? — Dean seguiu-o, caminhando pelos corredores e esquecendo completamente que não deveria ser visto por pessoas que pudessem reconhecê-lo. — Quer dizer... Se você a ama, não deveria contar a ela sobre seus sentimentos?
— É... Um pouco complicado... — Clark deu de ombros, desconfortável.
Dean queria saber por que era complicado — a única história de amor sobre a qual tinha conhecimento era a de seus pais. Queria perguntar, e o teria feito se nesse instante não tivessem passado por uma câmera de vigilância e Winchester não tivesse lembrado que não pertencia a aquela realidade. Ele e Clark provavelmente nunca mais se veriam, no que poderia ajudar se nem mesmo o conhecia direito? Deixando os ombros caírem num gesto de desistência, limitou-se a baixar os olhos e seguir o moreno até a saída.
Surpreendentemente, ninguém o barrou. Ninguém impediu que passasse pelos portões, e entrasse em contato com o mundo exterior depois de tanto tempo. Se, como Mary costumava sempre dizer na hora em que o colocava para dormir, Dean tinha mesmo um anjo da guarda — e ele duvidava que tivesse —esse anjo deveria mesmo estar querendo ajudá-lo.
Quando questionou a Clark sobre qual estrada deveria usar para chegar mais rapidamente em Ohio, e em que direção ela ficava, o moreno lhe encarou como se fosse um completo estranho, porém, com a desculpa de visitar uma prima doente que havia acabado de se mudar para um lugar que ele não conhecia, Dean conseguiu convencê-lo a lhe passar as coordenadas.
Mesmo sabendo que estava bastante adiantado em relação a quem certamente o procuraria, Dean correu. Caminhou até que estivesse distante o suficiente de Clark e sua pretendente, e correu, desaparecendo no escuro da noite.
O caminho era longo, mas cada passo que dava o deixava mais próximo à pessoa com quem mais ansiara se encontrar durante todos aqueles anos: seu irmão. E por isso, ele não ousaria reclamar.
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Bowling Green – Ohio
Apartamento de Sam Winchester e Tom Hanniger
25 de Setembro, 2012 – 07h40min a.m.
— Espera... — Sam respirou profundamente, os olhos arregalando-se enquanto tentava digerir os fatos da história que Dean acabara de lhe contar. — Dean... Você... Você fugiu?!
O mais velho encolheu-se levemente, sentado no sofá ao lado do irmão, com uma expressão que sugeria bastante sua vontade de cavar um buraco no chão e se enfiar nele.
— Eu... Fugi... Eu acho. — o louro apertou os lábios, encarando o mais novo. — Estou aqui, não estou?
Ele queria que Sam dissesse que não importava. A família era mais do que isso. Eles deveriam ficar juntos, porque sempre foi assim, e agora não era diferente. A presença dele ali deveria bastar para o irmão, não deveria?
No entanto, Sam levantou-se, agarrando os cabelos de um jeito que sugeria histeria, e Dean soube que todas suas esperanças eram vãs. Era errado. O que ele havia feito — mentir, fugir — era errado. Mas, então... Por que não conseguia se sentir culpado por isso?
— Você não pode fazer isso, Dean! Você não pode... Não pode simplesmente fugir da clínica porque quer me ver! Sabe os problemas que isso vai causar?! — Sam andou de um lado a outro do cômodo; nervoso, assustado, feliz, acuado, hesitante... Tudo ao mesmo tempo. Sem saber ao certo o que deveria fazer, puxou o celular do bolso. — Eu vou ligar para o papai.
Aquela foi a gota d’água. Dean levantou-se também, caminhando até o moreno e impedindo-o de discar os números. Sam o encarou, dividido entre a surpresa e o medo, e o mais velho devolveu o olhar, determinado.
— Se eu não tivesse feito, você realmente me visitaria? Se eu não tivesse vindo, você realmente teria ido atrás de mim?... eu não vou. Quer ligar para o pai pra dizer que eu fugi? Quer ligar pra ele, e dizer pra vir me buscar, me levar de volta para a clínica? — Dean afastou-se do irmão, dividido entre sentir-se magoado, ou irritado com as ações dele. — Vai em frente. Liga. Diz pra ele me tirar da sua vida outra vez. Não vai fazer muita diferença, vai? — o menor suspirou, baixando os olhos. — Eu já fugi uma vez, Sam. Se você quiser que eu vá embora, eu vou. Você nunca mais vai precisar me ver, ou ouvir falar de mim outra vez. Mas eu não vou voltar para a clínica e ser tratado como um louco; nem você, nem ninguém, vai me fazer voltar pra lá.
Sam queria pedir ao irmão que não fosse embora. Queria dizer que ele era, sim, importante, e que nunca mais o magoaria como fizera antes. Queria prometer que Dean nunca mais voltaria para a clínica psiquiátrica, se não quisesse. Mas todas as palavras travaram em sua garganta, sufocaram seu choro. Não queria pensar, não queria ver, não queria nada. Não queria ter que decidir entre contar sobre a fuga ao pai deles, ou permanecer com Dean ali, ao seu lado.
O celular tocou. Num ato quase reflexo, o moreno apertou “send”, e levou-o à orelha.
— Olá? Sam? Sam Winchester?
O coração batendo acelerado no peito. As mãos e os lábios tremendo. Os joelhos ameaçando falhar e levá-lo ao chão. Os olhos de Dean afogados em dor, cravados aos seus e fazendo a culpa queimar como brasa em seu peito.
A voz do outro lado do telefone, chamando-o incessantemente.
— Pai?
Notas finais
Previsão de atualização: 06/12
P.S.: A nova capa foi feita pela Constantin Rousseau! Não é linda? :D
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