Heart Of Courage
9 Charge a response.
Notas iniciais
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Sooo.... *sai correndo das pedradas* NÃO ME MATEM, PLEASE! D:
Mother of God, eu demorei dois meses pra postar um novo capítulo! DOIS MESES!!! Não vou nem perguntar se vocês têm noção de quanto tempo é isso, porque caso pergunte, admito que merecerei tijoladas e machadadas *se esconde*
Alguém ficou sabendo que meu computador deu problema no começo de janeiro e só voltou no fim do mês? >.
-cri cri cri-
Ok, já parei de enrolar o-o"
Sorry, people. Really, sorry.
Gostaria de dedicar esse capítulo à todos que lêem (os que comentam, e os fantasminhas), mas em especial à três pessoinhas lindas: Liesel Vargas (Ethan, seu lindo! Não acredito que recomendou a fic! *se joga de cabeça no rio* #dying #happy), Palkiana (sua linda, fiquei muito feliz em saber que gosta tanto assim da fic, viu? ♥) e Waldorf SaN (porque você é muito fofa lktfyuhliykuftyivjukbjlhuyjgu #ataque.fangirl).
Espero que apreciem a leitura! *O*
New York — New York
Downtown Brooklyn
25 de Setembro, 2012 – 07h40min a.m.
O clima em New York não poderia estar melhor. Eram quase oito horas da manhã, e o Sol já dera as caras por ali, mas nada muito exagerado. Uma leve brisa de outono levantava as folhas caídas das árvores mais próximas, tornando o ambiente cada vez mais agradável. E se não tivesse acabado de receber uma ligação da gerente da clínica psiquiátrica onde seu filho mais velho estava internado, John Winchester realmente poderia se sentir confortável ali.
Dean fugira. Como? Ele não sabia, e no momento isso não importava. Dean estava solto no mundo. Aquele garoto que passara tanto tempo na clínica, e provavelmente não sabia nem se orientar sozinho para andar na rua. Dean, à mercê de pessoas cruéis e dos perigos que as cidades poderiam oferecer. À mercê de ladrões, de assassinos, e de tantos outros tipos que John não gostava nem de imaginar.
Mas, afinal, devia ser tudo culpa sua. Quem mandou não ir visitar o garoto? Quem mandou deixá-lo sozinho? Ele agora havia fugido, e John não se sentia nem mesmo no direito de julgá-lo por isso. E mesmo que sentisse, sabia que não o faria.
A cada dia que passava, Dean se parecia mais e mais com Mary. Fosse pelo sorriso, pelo olhar doce, pelas maneiras de agir. Como quem diz “Não preciso”, mesmo que no fundo, no fundo, precise, sim, de um carinho. Que droga de pai ele era, pra ver em seu primogênito a imagem de sua esposa morta?
Sam o odiaria por ser tão covarde. Por ser tão fraco, por querer se afastar. Porque, afinal, desde quando não passava de um garotinho fofo e birrento, o moreno nunca se pareceu com Dean. Dean era o soldadinho, era o bom garoto. Aceitava o que lhe dissessem e fazia o que lhe pedissem sem complicações. Não perguntava. Não questionava.
Sammy era um pouco diferente. Mais extrovertido, observador, e curioso. Tudo tinha que ter um motivo, uma razão, uma explicação. Os "porque's" da vida. Costumava ser engraçado, porque ele era um toquinho de pessoa, mas inteligente como o diabo!
John sorriu com a vaga lembrança, mas foi por poucos instantes. Ele sabia também que Sam era, provavelmente, a pessoa que Dean mais amava no mundo. Seu primogênito era uma das pessoas mais carinhosas que conhecia. Tinha um jeito um tanto tímido, que podia parecer arrogante, mas verdadeiramente se importava com os outros. Fossem amigos, conhecidos, ou mesmo estranhos. E com o irmão caçula... Ah, Dean cuidava dele como se Sam pudesse quebrar ao mero toque. Era muito pequeno ainda para entender bem as coisas quando o moreno nasceu — tinha apenas dois anos —, e olhando para o passado, John não saberia dizer o momento em que ele pareceu tomar para si a responsabilidade de cuidar do membro caçula da família. Era assim desde... Bom, desde sempre.
E isso também significava, embora Winchester não gostasse de pensar nas coisas dessa forma, que Sam era a maior das fraquezas de Dean. Que desesperado e confuso, o irmão mais novo era a única pessoa a quem ele recorreria. John? Ele sabia que não merecia essa consideração toda, não depois do que fez. Era, provavelmente, a última pessoa em quem Dean confiaria. Se ele não tinha Sam, não tinha nada. E se não tinha nada... Então nada mais importava também. Ele sumiria no mundo, e aqueles que se intitulavam "Winchester" nunca mais ouviriam falar dele.
John conhecia Dean o suficiente para saber disso. E foi com esse pensamento infeliz, que decidiu ligar para o filho caçula — mesmo com a probabilidade de este vociferar contra sua pessoa no telefone antes de desligar na sua cara —, para avisar-lhe que passaria o próximo final de semana com ele.
Era melhor não contar as "novidades". Era melhor não arriscar.
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Bowling Green – Ohio
Apartamento de Sam Winchester e Tom Hanniger
25 de Setembro, 2012 – 07h40min a.m.
Quando ouviu a voz do pai do outro lado da linha responder a pergunta de Sam com um animado "Bom dia, filho!", Dean pensou que poderia morrer. Seu estômago revirou, enquanto encarava o irmão com um misto de mágoa, medo, e raiva.
Porque, sim, ele estava com raiva. Muita raiva. Raiva de Sam, por ser tão idiota tantas vezes, por fazê-lo sentir como se seus sentimentos não valessem a pena. Raiva de seu pai, por tê-lo abandonado e agora tratar Sam como se Dean Winchester nunca tivesse existido — como se fosse um passado ruim e distante, um pesadelo. Estava com raiva da vida, por ser realmente uma droga. E, acima de tudo, raiva de si mesmo, por ser um fraco.
Queria pegar o telefone da mão do irmão e desligar sem lhe dar a chance de dizer uma palavra. Queria juntar seus pedaços espalhados pelo chão daquela sala, e ir embora para nunca mais voltar. Queria poder virar as costas para Sam, e realmente não se importar com isso.
Mas, afinal, tudo em que ele acreditava era uma mentira. John era uma mentira. Sam era uma mentira. Os sentimentos que eles diziam ter, eram todos uma mentira. A palavra "família" era uma mentira também. Talvez, de tudo, apenas Mary não fosse uma mentira. Mas ela podia desvanecer a qualquer momento, como se fosse apenas uma lembrança de um sonho bom. Os abraços que a mãe lhe dava. O cheiro de shampoo no cabelo dela. Os dedos macios brincando com os fios de seus cabelos. Seu sorriso. Dean agarrava-se à essas pequenas coisas exatamente como fizera com Sam, com medo de que um dia pudesse fechar os olhos, e não poder lembrar a cor exata dos olhos da mãe. Não saber dizer como ela era, ou o que fazia. Tinha medo de tentar pensar nela, e apenas sentir aquele vazio, misturado a uma vaga sensação de conforto.
O que ele era para Samuel e John Winchester, além de um estorvo? O que ele era, além de uma vergonha? Como irmão, como filho, não importava. Ele não era nada, e provavelmente não significava nada para nenhum deles.
E quem estava tentando enganar com essa conversa? Ele podia não passar de algo desprezível e descartável para Sam, mas nunca o deixaria sozinho. Não completamente. Porque Sam era o garotinho que ele protegia, e sempre protegeria, dos monstros a noite. Era carne da sua carne, sangue do seu sangue. Era seu irmão, deveria ter sido seu companheiro, seu amigo, seu confidente. Não importava o que acontecesse, ele nunca poderia realmente deixá-lo; e já era tarde demais para tentar se desapegar.
John... Bem, com John era um pouco diferente. Mas em casos extremos, Dean realmente duvidava de sua capacidade para ignorar qualquer coisa que o pai lhe pedisse. Ele pagaria o preço que fosse, somente para poder ser feliz com eles. Ser uma família outra vez.
— Eu... Mas... Pai!... — a exclamação de Sam chamou sua atenção, e Dean voltou o olhar para o moreno, entre curioso e apreensivo. Pensou em questionar o que a exaltação do caçula significava, mas este colocou um dedo sobre os lábios, pedindo que não falasse, e voltou para a conversa com John. — Ok, ok... Sim, senhor. Tudo bem. Até mais. Tchau. — o mais alto desligou o telefone com um suspiro.
Virou-se para Dean com uma expressão cansada, e meio envergonhada.
— Eu... Desculpa pelas coisas que disse.
— O que ele queria? — o louro perguntou, deliberadamente ignorando as palavras do irmão.
Recebeu apenas outro suspiro como resposta.
— Sam. O que ele queria?
— Ele... Vem passar o final de semana comigo.
A resposta tirou todo e qualquer fôlego que Dean pudesse ter. Rapidamente, calculou que faltavam mais ou menos três dias antes que John estivesse chegando em Ohio.
John Winchester.
A informação o desnorteou, e uma única certeza dominou sua mente: precisava ir embora. Se o pai chegasse e ele estivesse ali, com toda certeza o mandaria de volta para a clínica. O doparia, se fosse necessário, e o mandaria de volta para sua prisão. Nunca mais haveria outra chance de sair, Dean sabia. A segurança seria redobrada ao seu redor. Tudo estaria perdido.
— Eu vou embora. — murmurou, sem pensar duas vezes antes de caminhar, vacilante, em direção a porta.
Um desespero estranho começava a se apossar de seu corpo com a iminência daquele fato. John poderia ter dito aquilo apenas para que Sam não soubesse de suas reais intenções. Poderia estar entrando num avião naquele exato instante, a caminho para o apartamento do filho. Dean não podia correr o risco de se encontrar com ele.
— Não! — Sam reagiu com surpresa e medo diante aquelas palavras. — Você não... Não é porque... Quer dizer... Não precisa ir...
O moreno interrompeu-se, considerando o peso de suas palavras. Não sabia o que queria. Não sabia o que deveria fazer. Ter Dean ali, em carne e osso à sua frente, o estava desconcertando. Porque ele queria ficar perto do irmão, isso era um fato para o qual não havia questionamentos dentro dele. Apesar das coisas que disse, ele queria que Dean ficasse. Nem que fosse por alguns dias, apenas. Talvez fosse errado, e ele realmente devesse ter contado para o pai sobre o irmão. Mas anos de culpa, remorso e dor invadiram sua mente durante aquela conversa, e ele não se imaginava fazendo algo que não esconder aquilo de John. E o fato de o pai não ter comentado nada apenas o deixou mais inclinado a acreditar que não deveria dizer nada sobre Dean estar ali. John não confiava nele? Suspeitava que Sam não reagisse bem à notícia? Ou estava tentando esconder algo? Não tinha resposta para nenhuma das perguntas, e isso o incomodava demais para confiar cegamente no homem.
— Eu não posso ficar, Sam. — as palavras de Dean atingiram sua consciência; pesadas, assustadas. — Não... Se ele chegar, eu não... Ele vai querer me mandar de volta, e eu nunca... Eu não quero voltar Sam... Não quero. — o lábio inferior do louro começou a tremer. — Mas eu... Eu não posso... Não sem você. Não agora... Por favor, não me faça implorar, Sam...
O caçula permaneceu um instante em silêncio, tentando entender o significado daquelas palavras. Por fim, deu de ombros, desconfortável, envergonhado e um tanto sem-graça.
— Você não precisa ir. — murmurou, sentindo a garganta seca. — Não agora. Também não me faça implorar, Dean... Eu... Você pode ficar no meu quarto, e eu fico na sala. Só alguns dias. Só até... — a ideia ia se formando em sua cabeça, e ele ia ganhando confiança nas palavras conforme elas escapavam. — Só até sexta-feira. E de manhã cedo, eu ajudo você a arrumar uma carona para... Algum lugar. Papai não vai ficar aqui por muito mais que uma semana, ele nunca fica. E depois disso...
— Não preciso de uma carona. — Sam piscou com a interrupção, um tanto surpreso. Ao perceber sua expressão, Dean baixou os olhos. — Eu tenho... Eu tenho uma.
— Quem?
— Um amigo. — o mais velho deu de ombros, e foi sua vez de parecer desconfortável.
Sam demorou alguns instantes para processar a informação. Então, a verdade acendeu em sua cabeça, como uma lâmpada numa sala escura.
— É a mesma pessoa que te trouxe de Benton Harbor, não é?... — não recebeu resposta. — Dean?
Seu irmão suspirou.
— É, é a mesma pessoa que me trouxe de Benton Harbor. Ele vai passar alguns dias na cidade. Disse que se o que quer que eu viesse fazer aqui fosse rápido, ele poderia me levar para a próxima cidade onde vai fazer uma parada. Eu pretendia ir com ele.
— E "ele" é... — Sam piscou. A postura do louro pareceu mudar por um instante. Arriou os ombros, e trincou os dentes, erguendo o queixo.
— Não vou dizer. — respondeu simplesmente, em tom de desafio.
"Você pode cobrar de mim muitas coisas, Sam. Pode cobrar carinho. Pode cobrar atenção. Pode cobrar amor. Pode cobrar até mesmo raiva, se quiser. Mas não pode cobrar respostas."
Notas finais
Gostaram do capítulo, ou devo realmente me jogar da ponte? >.
P.S.: É provável que eu tenha esquecido de falar algo, mas ignorem, ok? Os reviews serão respondidos ainda hoje >.
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