Heart Challenges

26 Nos manter a salvo


Notas iniciais
Me desculpem. Sério. Eu estive muito ocupada, e não está dando pra escrever direito. Mas aqui está o capítulo.Atrasado, mas aqui.

BUCKY

— Quase. Quase. Quase. FOI.
— Grita mais alto.— Amélia diz, claramente brava por eu ter feito barulho demais.— Anda logo.
Jogo as algemas, que acabei de destrancar no chão e vou até a cadeira em que ela está, e começo a tentar abrir suas algemas com o mesmo palito de dente que abri a minha.
— Pronto. Agora precisamos dar o fora daqui.— Digo ao conseguir destrancar as algemas dela.
— Por que diabos estamos em um hotel alemão?— Ela pergunta vestindo uma roupa mais discreta.
—Não faço ideia. Vamos dar o fora daqui logo.— Digo pegando um casaco e vestindo.
— Espera. Vamos precisar de dinheiro. Talvez dentro de uma dessas malas tenha.— Ela diz abrindo as malas e olhando uma por uma, até que para, estática.
—O que foi?
— Uma bomba. Temos que sair daqui. Agora.— Ela diz se afastando da mala e indo até a porta, contudo está está trancada.
Olho para a mala e vejo o cronômetro da bomba marcando 00:02:34.
Droga. Pego um garfo sobre o balcão e entorno sua ponta. Vou até a porta e começo a passar o dente dobrado na fresta onde se passa o cartão de segurança do quarto, até que consigo abrir.
Eu e Amélia corremos pelo corredor e descemos as escadas correndo, indo para o segundo andar quando ouvimos um barulho alto e o prédio todo tremeu. Descemos correndo ainda mais rápido, mas antes de chegarmos no segundo andar ouvimos um barulho, o concreto começou a rachar, e não só o chão, como o teto também.
Amélia segurou meu braço, me puxando e enviando que um pedaço de concreto caísse em minha cabeça. Voltamos a correr escada abaixo. Tentamos abrir a porta no primeiro andar, mas havia algo bloqueando, então voltamos para o segundo. Não havia sobrado quase nada.
Havia pedaços do terceiro andar. Pessoas gritando e chorando. E poeira. Muita poeira.
Quando a poeira começa a abaixar vejo que grande parte o segundo andar desabou.
— Isso era pra gente. Puta que pariu. Era pra gente estar morto.— Amélia diz.— Temos que sair daqui. Agora.
— Como? Se virem a gente vamos pra cadeia ou para o necrotério.— Respondo e então ela pensa por dois segundos.
— Vamos atravessar o que sobrou do segundo andar, e então vamos pular de uma das janelas do outro lado. Tem um lago lá.
— Isso é loucura.
—É o nosso melhor plano.
Olho para o que restou do segundo andar. Ela tem razão, é nosso melhor plano, mesmo sendo muito perigoso.
Quando vamos dar o primeiro passo, ouvimos outra explosão, e então vários pedaços do andar caem, o que só irá dificultar nosso trabalho.
Começamos a pular buracos e desviar de escombros, até que escuto um gemido baixo de dor, e um sussurro, pedindo ajuda. Conheço essa voz.
Olho para baixo e meu coração falha uma batida quando vejo Steve, pendurado, cheio de cortes pelo seu lindo rosto. Seu cabelo loiro está escuro e molhado pelo sangue, e a única coisa que o sustenta ali é um pedaço de concreto sobre seu braço. Ele está completamente nu, e seu corpo está muito machucado.
— Bucky, temos que sair daqui. Agora. O socorro já está vindo, vão ajudar ele. Vamos.
— Não posso.— Digo me abaixando com cuidado e tentando puxar seu corpo para cima, no entanto ele dá um urro de dor, mesmo meio inconsciente, o que me faz parar.
Tenho que liberar o braço dele primeiro, mas não vou conseguir soltar o braço ele e o segurar ao mesmo tempo.
—O que? Ficou maluco?
— Ele não devia estar aqui. Isso explica o porquê de não terem explodido só o nosso quarto. Queriam matar ele também.
— Bucky, isso é loucura. Temos de sair daqui.
— Ele é o cara, Amélia. Ele é o cara que te falei.
Ela me olha por alguns segundos e então se abaixa ao meu lado.
— Segura ele.— Ela diz e antes que eu possa perguntar ela começa a levantar o pedaço de concreto até o segura.
Me deito no chão e abraço o corpo de Steve por debaixo de seus braços. Quando ela liberta seu braço, o puxo para cima com cuidado e ele grita de dor.
— Steve. Hey. Consegue me ouvir?— Pergunto com ele em meu colo e ele balança a cabeça que sim.— Consegue se segurar em mim para podermos sair daqui?
Mais uma vez ele assente, então o pego no colo. Com um braço ele faz o máximo para se formar em meu ombro, e contorna suas pernas pela minha cintura.
[...]
Steve grita de dor enquanto limpo os ferimentos pelo seu corpo, e tiro alguns pedaços de vidro.
Ele está muito machucado, e isso me parte o coração. Mas o que está pior é seu braço. Ele não foi só esmagado, também foi perfurado por um pedaço de ferro que estava no concreto.
Estamos em uma casa abandonada. Está muito frio aqui. Eu tinha um sobretudo, no entanto Steve precisa dele mais do que eu, já que o encontro.
Ele deveria estar seguro. O que diabos ele está fazendo aqui?
— Tony.— Ele sussurra.
—O que tem o Tony?— Pergunto.
— E-ele estava no hotel.
Droga.
Paro o que estou fazendo. Se Tony estava lá... Tenho que achar ele.
— Amélia, cuida dele pra mim.— Digo colocando um óculos escuro e um boné.
— Onde você vai?
— Salvar um velho amigo.
— Quantos velhos amigos você tem? Puta que pariu. Assim vamos acabar mortos.— Ela pergunta, mas a ignoro e saio do nosso "abrigo".
[...]
— Não fala o meu nome. Não deixa ninguém perceber que você está falando comigo. Ok?
— "Okay".— Tony responde. Posso perceber que ele está um pouco inseguro.
— Natasha te liga no espaço de tempo de cerca de vinte minutos aproximadamente. Faz dezoito minutos desde a última ligação, então os dois homens três bancos atrás de você, QUE VOCÊ NÃO IRÁ OLHAR, não vão suspeitar. Nem o suposto enfermeiro que passa na sua frente de onze em onze minutos e não faz nada além disso. Nem a mulher ferida escorada na parede à sua esquerda.
Vejo ele dar olhadas disfarçadas para cada um daqueles que falei. Estou sentado em uma cadeira no meio de uma família de mexicanos. Muitos mexicanos. Estou literalmente no meio deles. E como consegui?

————
DUAS HORAS ATRÁS

Entro no hospital junto a um monte de gente. Todos desesperados. Todos correndo de um canto para outro. Até que o vejo. Ele está na recepção, com um garotinho grudado à sua calça. Credo. Esses dois gostam de adotar crianças.
Meu plano era tirar Tony dali. Contudo não vou conseguir. Não com todos eles o olhando.
O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço?
Olho para o lado e vejo uma grande família de mexicanos, todos tentando inutilmente soletrar um nome em libras para uma enfermeira que tentava sair a qualquer custo dali.
Caminho até onde eles estão.
— Maria e Carlos Menezes.— Digo os nomes que eles tanto soletraram em libras.
Quando eu fazia parte do exército americano, todos tinham de aprender libras.
Todos me olham com um sorriso esperançoso e de gratidão.
—Ah sim.—A enfermeira fala, feliz, e procura os nomes na prancheta em suas mãos.— Maria Menezes está em uma cirurgia por causa de uma ruptura no ombro esquerdo e por um estilhaço de vidro no abdômen.
Percebo que toda a família me olha, como se pedisse algo. Porra, como sou idiota. Eles não são só mudos, são surdos também.
Falo para eles em libras tudo o que a enfermeira acabou de dizer, então volto a olhar para ela, como um sinal que ela pode falar sobre o garoto.
— Carlos Menezes está em uma cirurgia neurológica. Aqui não entra em detalhes sobre o caso dele, mas vou ver o que consigo descobrir.
Repito para eles o que ela disse, em libras. Mas como eu poderia sair daqui agora? Ela vai voltar com notícias, e alguém tem de traduzir para eles. Então eu me sentei ali entre eles, onde eu poderia observar Tony, ajudar eles, e principalmente, não ser percebido.

————

—"O que está acontecendo?"— Ele pergunta, ajeitando o menino em seu colo e entro olha em volta outra vez.
—É complicado. Tem alguém tentando nos matar. E para de me procurar, vai acabar nos denunciando.
— Cadê o Steve? Você sabe cadê ele?— Ele pergunta esperançoso, e posso ver daqui o brilho em seus olhos.
— Ele está bem. Pelo menos quando o deixei, ele estava.— Começo a me preocupar. E se Tiverem achado eles?
Não que Amélia não saiba se virar sozinha. Na verdade ela se vira melhor do que eu. O que me preocupa são seus ferimentos.
— Deixou onde? Como ele está?
— Tony. Para agora. Estão te olhando.
— Cadê o Steve?— Ele sussurra.
— Acorda o garoto no seu colo e diz que vão no banheiro, vá na direção do banheiro, mas antes de chegar vá para uma saída lateral. Boné azul. Camiseta cinza. Me segue.— Desligo.

Notas finais
Bucky voltou . Podem comemorar, eu deixo. Aproveitem. Não esqueçam de comentar. Beijos.