Heart Challenges
27 Ele está morrendo
Notas iniciais
TONY
Ajeito o Tampinha no meu colo enquanto continuo andando atrás de Bucky. Não é fácil carregar ele usando só um braço. Ao menos espero que seja realmente Bucky, mas tenho que confiar. É minha única opção.
Minhas pernas doem, e meu braços também. Já deve fazer uma hora que estou andando atrás dele. Até que ele para, e eu paro também.
Então ele se vira para mim. Sua barba cobre parte de seu rosto, e seus olhos parecem cansados, cheios de olheiras.
Caminho até ele e sorrio.
— Por onde andou?— Pergunto, feliz em vê-lo.
— Tentando me manter vivo.
—O que está acontecendo?— Pergunto.
— Agora não, Tony. Logo vou explicar tudo o que sei.
— Cadê o Steve?
Ele me dá as costas e começa a andar novamente. Acelero o posso e seguro em seu braço.
— Vem comigo.—É a única coisa que ele diz antes de se soltar de mim e continuar a caminhar.
Faço o que ele diz, até que paramos na porta de uma casa velha, caindo aos pedaços e que parece abandonada. Eu estava prestes a ir embora quando o grito alto de Steve invade meus ouvindo.
Tanto eu quanto Bucky corremos para dentro da casa, e quando chegamos lá, Steve está no chão enquanto uma mulher de cabelos castanhos faz algo com seu braço. Ele está muito machucado, mas o que mais me chama a atenção é o braço inchado e da cor roxo azulado.
— Ainda bem que você voltou. Só tá piorando. Eu já não sei mais o que fazer.
A expressão de Steve é de pura dor. Seu rosto está cheio de cortes, e ele está tremendo muito, mesmo estando sob três grossos cobertores.
— Qual o problema?— Bucky pergunta se ajoelhando ao lado dele.
Vou até Steve e me sento ao seu lado, com o Tampinha no meu colo.
Toda a dor que eu estava sentindo nas pernas e no braços
parece ter desaparecido.
Passo minha mão pelo rosto de Steve e vejo o quanto ele está quente.
— Onde arrumou esses cobertores?— Bucky pergunta.
— Roubei, junto com os analgésicos. Essa coisa tá feia. Ele precisa de um hospital, ou ele vai parar em uma cova.— A garota diz e então olho assustado de Bucky para Steve.
— Amélia, ninguém aqui vai morrer.— Bucky diz de forma severa e ela assente.
— Bucky, ele precisa de um hospital.— Ela diz.
— Não.
— Bucky...
— NÃO, AMÉLIA. É PERIGOSO DEMAIS.
— Eu estou disposto a correr o risco.— Digo, olhando para Steve.
A garota está certa. Se ficarmos aqui, ele vai morrer, e eu não estou pronto para perder ele. Jamais estarei.
— Tony, você não está entendendo a gravidade da situação.
— Olha para ele, Bucky. Ele vai morrer se ficarmos aqui.— Digo olhando para Steve, que parece piorar mais a cada segundo.
— Se acharem ele, vão mata-lo.— Ele diz sério.
— Quem?— Pergunto.
— Eu não sei. Só sei que querem todos nós mortos. E...
—E...?
—Alguma coisa sobre "o projeto de Júpiter"
— Por que?
— Eu não sei.
— Isso não faz sentido.
— Você não tem escolha. Tem que confiar em mim.
— Não vou deixar o Steve morrer.
— Vão matar vocês assim que tiverem chance, e se forem encontrados, não duvide de que eles terão.
— ELE ESTÁ MORRENDO, BUCKY.
— Meia hora. Me dá meia hora.
— Se ele não apresentar melhoras em meia hora, nós vamos para o hospital.— Digo, colocando o Tampinha deitado no colchão velho em que Steve está e me levanto.
— Okay.— Ele responde.
Sinto meu celular tocar outra vez. Já é a sétima ou oitava fez que Natasha me liga. Eu ignorei ela para não ter que dizer que estava com Bucky, mas vou ter que atender.
Caminho até os fundos e então atendo o telefone.
— "Cadê você? Estou ligando a horas. Por que não me atende?"— Ela diz, parecendo nervosa.
— Eu achei ele.
—"O que? Como ele está? Estou indo para aí."
— Não estamos no hospital.
—E onde estão?
Fico em silêncio. Será que é uma boa ideia falar? Melhor não. Vou dar o tempo que Bucky pediu. Eu preciso confiar nele.
Encerro a ligação sem dizer nada e em seguida desligo o telefone.
———
BUCKY
Tony está certo. Steve pode morrer se continuar aqui. Mas também sei que eles irão correr risco demais indo para o hospital daqui. Não. Steve tem que apresentar melhoras, em seguida iremos levá-lo para um hospital mais afastado, e com mais segurança. Isso. É isso que devemos fazer.
— Amélia, tem antibiótico?— Pergunto tirando a faixa do braço dele.
Está muito inchado, e o buraco onde o ferro fincou está infeccionado, o que justifica a febre.
— Tem.— Ela pega um comprimido e me entrega.
Coloco ele na boca de Steve e peço para que ele o engula, e ele o faz com um pouco de dificuldade.
— Ele vai fica sem o blaço?—O garotinho que Tony trouxe, e que está sentado no colchão ao lado de Steve, pergunta.
— Farei de tudo para que não. Qual o seu nome?— Pergunto.
—Isaac.— Ele diz, um pouco tímido.
— Como fez isso?— Tony pergunta, aparecendo do nada.
— Fiz o que?— Pergunto sem entender enquanto limpo o ferimento no braço de Steve mais uma vez.
— Eu passei duas horas tentando descobrir o nome do Tampinha, ou que ele se quer diga algo. Aí em menos de um minuto ele diz mais para você do que ele me disse em duas horas.— Ele fala indignado e sorrio.
—É que você é muito chato.— Digo e ele faz uma careta para mim.
[...]
A febre de Steve abaixou, e seu braço parece menos inchado. Já é noite, e por mais que eu esteja cansado, alguém tem que ficar de vigia.
Tony está dormindo sobre um papelão, e com um dos três cobertores que Amélia trouxe para Steve. O colchão de Steve era pequeno, então só Steve e Isaac estão nele, dividindo um mesmo cobertor.
Amélia está em uma poltrona velha, com o outro cobertor. E eu? Estou sentado no chão, tremendo tanto quanto Tony.
Tínhamos mais papelões, no entanto decidimos colocar eles por baixo do colchão de Steve. Ele era nossa prioridade ali.
Não dá. Assim vou acabar morrendo congelando, e não só eu. Tony já está com os lábios roxos. Ele deu boa parte de suas roupas quentinhas para Steve e Isaac.
Vou até onde ele está deitado e tremendo. Me deito ao seu lado e o abraço.
— O-o q-que vo-cê t-tá f-fa-zendo?— Ele pergunta com dificuldade.
— E-evitando que a-ambos morram... congelados.— Repondo, com um pouco de dificuldade também.
Ele se abraça a mim, e afunda seu rosto na curva do meu pescoço. Ficamos um tempo em silêncio, só absorvendo o calor do corpo um do outro, até que ele quebra o silêncio.
— Por que querem nos matar?
— Eu não sei.— Respondo.
De forma automática começo a fazer carinho em suas costas.
— Você sabe quem é?
— Não. Eu tentei descobrir, mas tudo o que consegui foi achar a Amélia.— Respondo e ele fica um tempo em silêncio.
— Eu vi como ela te olha. Vocês estão juntos? Por que estavam com ela?
— Por que ela é a minha irmã.— Digo com naturalidade.
Ele levanta a cabeça e me olha nos olhos, visivelmente surpreso.
— Irmã?— Ele pergunta chocado.
—É. Eu não à via a anos. Eles a pegaram para ter uma arma contra mim.
—E o que querem? Você tem que saber de alguma coisa.
— Eu ouvi algo sobre um projeto. As chaves de um projeto.
— Que raio de projeto é esse?
— Não sei. Mas sei que tem haver com as indústrias Stark.
Ele me olha por um tempo, e teríamos nos beijado, se um barulho não tivesse me chamado a atenção. Havia alguém se aproximando.
—Tira os dois daqui.— Sussurro para Tony.
—O que?
Algo cai ao nosso lado, e posso ver clareamento o que é. A chuto para longe e cubro a mim e a Tony a tempo de não sermos atingidos pela granada incendiária.
—Tira eles daqui. AGORA.
—E você?— Ele pergunta, preocupado.
— Eu te alcanço. Tem um alçapão no armário embaixo da escada que dá no esgoto. Vai.
Ele ajuda Steve a se levantar, e Isaac começa a segui-los.
De repente os tiros começam. Vindos de toda a parte. Talvez se Tony tivesse segurado a mão Isaac. Talvez se eu tivesse os levado até lá. Ou talvez se ele tivesse olhado para trás antes de entrar no alçapão. Talvez se eu tivesse imaginado...
Corro até o corpo do pequeno, caído no chão, tudo ensanguentado. Havia tanto sangue que é impossível saber quantas balas o atingiu. Balas que não eram para ele, e sim para os herdeiros Stark, e para mim e Ámelia.
Pego Isaac em meus braços. Ele me olha, com seus olhinhos cheios de lágrimas. Não há nada a se fazer. É tarde demais.
Sinto as lágrimas rolarem pelo meu rosto enquanto o olho. Enquanto vejo a vida se esvair de seu corpo de forma tão prematura.
Ele mexe no bolso do casaco com dificuldade e me entrega algo. É um pendrive, cheio de sangue..
Ele fala alguma coisa, e tudo o que consigo entender é "vermelho como fogo... mau".
Isaac fecha os olhos, e então o abraço forte, chorando. Isso não deveria ter acontecido. Ele era tão pequeno. Tão indefeso. Não tinha culpa de nada.
De repente ele é arrancado de meus braços. Em seguida sinto alguém segurar os mesmos com força, e algo gelado e afiado é posto contra minha garganta. E então vejo, surgindo entre a fumaça, e caminhando até mim. Toda a sua elegância. De cabeça erguida e um olhar frio e mortal entre as chamas. Como não suspeitei de nada? Como eu não vi a maldade atrás desses olhos verdes?
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