Heart Challenges
28 Luto e Descobertas.
Notas iniciais
Amar.
Confiar.
Sentimentos perigosos.
A dor da perda.
A dor da traição.
A decepção nunca vem de um inimigo.
Somente daqueles que amamos e confiamos.
—Tony
TONY
"Foi oficialmente confirmado que os corpos achados no incêndio são de James Buchanan Barnes e Amélia Buchanan Barnes, ambos eram procurados pelo um roubo das indústrias Stark, e pelo atentado no hotel Trumper, que matou mais de sessenta pessoas..."
"James Buchanan Barnes e Amélia Buchanan Barnes eram acusados por crimes em três países diferentes..."
"Os herdeiros das Indústrias Stark, Anthony Stark e Steve Rogers continuam mantendo-se em silêncio..."
Desligo a televisão.
Esses ratos perseguidores só querem fuçar em nossas feridas, sem se importar com nossa dor.
— Sr. Stark. O carro está pronto.— Meu motorista fala, de pé na porta da sala.
— Claro. Vou ver se Steve já está pronto.— Digo e me levanto do sofá, com um pouco de dificuldade por causa da grande quantidade de álcool que já consumi nas últimas horas.
Subo as escadas e entro no quarto de Steve. Ele está de pé em frente ao espelho. Suas mãos trêmulas tentam inutilmente dar o nó em sua gravata.
Vou até ele e faço para ele o que ele está incapaz de fazer nesse momento.
— Como tá o braço?— Pergunto, fingindo estar bem.
— Melhor. Já estou conseguindo mexer.— Ele dá um fraco e triste sorriso para mim.
Steve está horrível. Seus olhos estão vermelhos e inchados. Ele está ainda mais magro. E eu? Eu só sei que estou mal, e que todo esse álcool não me fará bem. Mas que se foda. As coisas deixaram de estar bem a muito tempo.
[...]
Não é fácil estar aqui. Não é fácil estarmos só nós dois nessa sala grande. Os três caixões, fechados, com os corpos queimados e irreconhecíveis.
Eu jamais odiei o Bucky de verdade. Jamais quis que isso acontecesse. Mas agora ele está morto. A garota está morta. Isaac está morto. Meus deuses. Ele era só uma criança inocente. Não tinha culpa de nada. Mas agora ele está morto. Por nossa causa. Todos eles estão.
Olho para Steve. Ele não disse uma só palavra desde que recebemos a notícia no hospital.
————
DOIS DIAS ATRÁS
Eu não consigo mais andar. Está muito frio. Steve está muito pesado, e sem falar que eu não percebi que Isaac havia ficado para trás. Quando percebi, já estávamos longe, e voltar seria suicídio. Mas tenho certeza que Bucky irá cuidar dele.
Agora tenho que me concentrar em Steve. Temos que achar um médico para ele, e rápido. Precisamos de resgate, mas estamos no meio de uma maldita montanha cheia de neve.
Caio na neve e Steve cai junto. Não temos chances. Não vamos conseguir sair dessa. Estamos perdidos, e vamos morrer congelados.
Então faço tudo o que pode ser feito, abraço Steve. Um abraço apertando e quente. Bom, ao menos esquentou mais do que estávamos.
Então ouço um barulho ao longe, pouco antes de desmaiar.
Quando acordo, estou no hospital, com minha mãe ao meu lado, mas não vejo Steve, e com isso logo entro em pânico.
— Steve.— Falo em um sussurro e minha mãe me olha.
— Ele está bem. Está no quarto ao lado. Loki está com ele.— Ela me diz.
— Loki está aqui?— Pergunto surpreso.
Pelo que parece, ainda estamos na Alemanha. Meu primo veio de New York até aqui por nós?
— Ele já havia vindo antes.— Ela diz, parecendo ler meus pensamentos.
— Loki já estava aqui?
—É. Ele havia vindo para resolver uns negócios que ele tinha. Não entendi direito.
— Bucky. Onde está Bucky? Mãe, ele é inocente. Temos que dizer para a polícia, temos que...
— Bucky está morto.— Ela diz, me interrompendo. A olho, atónito.
Não. Isso não poderia ser verdade. Bucky não poderia estar morto. A olho, esperando ela dizer que só estava brincando, contudo minha mãe nunca foi de brincadeiras.
— Isaac?
—A criança?— Ela pergunta e concordo com a cabeça.— Sinto muito, querido.
Tento controlar as lágrimas, mas isso se torna impossível. QUE MERDA.
EU DEVERIA TER CUIDADO DELE. PROTEGIDO ELE. EU... EU O DEIXEI MORRER. DEIXEI TODOS ELES MORREREM. A CULPA É MINHA.
— Senhora Stark, preciso da sua assinatura.— Um médico diz, entrando no quarto.
— Para que?— Minha mãe pergunta.
—O senhor Rogers terá de entrar em outra cirurgia, o braço não está melhorando.
— Mas já foram quatro.— Ela diz preocupada.
— Senhora... Se essa não funcionar, não haverá mais nada que possamos fazer além de amputar o braço.
Olho para o médico assustado.
Por que tudo isso está acontecendo? Eu só queria voltar para alguns meses atrás. Para aqueles dias em Moscow. Para o dia em que Steve estava sorridente, e eu e Bucky estávamos bem. Onde o céu ainda era azul, e as flores ainda estavam vivas e radiantes.
————
—"Sr. Stark, por favor..."
—"Sr. Rogers..."
— "James Barnes era um criminoso..."
— "Vocês sabiam do envolvimento do Sr. Barnes com a famosa quadrilha de mercenários chamada Hydra?"
— "Por que fazer um velório para o responsável por atentados contra vocês?"
Meus seguranças fazem o possível para tentar manter os reportes longe de nós.
Eu e Steve nos abraçamos, andando sempre de cabeça baixa. Só precisamos chegar até o carro, depois vamos direito para casa. Decidimos por cremar o corpo deles. Dos três. Seria o melhor, já que o que havia restado deles eram só os ossos carbonizados.
Descobri que os pais de Isaac haviam morrido na explosão, e não havia família além deles.
Entro no carro com Steve e o abraço. Seu cabelo está crescendo, mais do que costuma usar.
E nesse momento. Com Steve em meus braços, como sempre tive. Percebo. Eu o amo, como sempre amei, mas não só ele. Não mais. Mas acabou. Bucky está morto, e agora somos só nós dois.
Projeto Júpiter. Bucky falou que estão atrás disso, mas eu nunca...
Espera. Projeto. Os anéis. PUTA QUE PARIU.
Quando o carro para na porta de casa, pego a mão boa de Steve e corro com ele até o meu escritório.
—O que está acontecendo? De vagar, Tony. Ainda não estou cem porcento.
Ignoro ele e continuo. Sei quais são os limites do Steve. E ele ainda não chegou neles. Sua debilitação é mais por tristeza do que física em si.
Tranco a porta quando entramos, abro a terceira gaveta e pego um alicate de tirar cutícula. O que? Eu não gosto das minhas cutículas.
—O que está fazendo? ANTHONY. RESPONDE.
— Estão atrás do projeto Júpiter.
—O que é projeto Júpiter?
—É o que vamos descobrir.— Ligo o computador e entro no sistema privado do meu pai na empresa.
Ele sempre usou siglas de trás para frente para seus projetos, então começo a procurar a pasta, até que acho.
PJ
Clico nela e a tela fica preta, com uma única frase em branco:
INSIRA AS CHAVES.
É o que eu imaginava.
Pego o alicate e começo a dobrar as pequenas pontinhas de prata que seguram a pedra.
— Tony...?
Ignoro Steve e continuo até que consigo soltar o rubi. Como eu esperava, embaixo dele há um microchip.
Steve me olha surpreso. E então se aproxima.
— Toma. Tira o seu.— Entrego o alicate para ele.
Steve faz o mesmo procedimento que eu, revelando um microchip por baixo de sua safira.
Pego os dois chips e coloco na entrada própria para eles no computador.
CHAVE INCOMPLETA
**...
—O que? Como assim?— Pergunto sem entender.
— Acho que isso significa que tem mais uma chave.— Steve diz.
— Isso eu percebi. Mas onde essa chave estaria?
— Dentro de um anel, embaixo de uma pedra preta, rodeada por diamantes.
— Mas como? Meu pai só falou com nós dois naquele dia, e com... Bucky.— Concluo.
— Bem que achei estranho Bucky comprar um anel daqueles para ele. Ele nunca foi de gostar de jóias.
— Meu pai não seria idiota de colocar a chave em um lugar que pudesse ser destruído. Sem falar que o anel era uma jóia. O fogo não destruiria assim.
— Deveria ter vindo junto com as coisas de Bucky.— Digo, com raiva.
— Mas não veio. Não veio nada de Bucky, nem da Amélia.— Steve diz e então o olho.
— Por que eu tô começando a achar que gastei dinheiro cremando dois desconhecidos?
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