Heart Challenges
11 Festa de aniversário - Parte 2
Notas iniciais
TONY
Eu havia feito a lição de casa. Não havia descoberto muito, mas o suficiente sobre Bucky. Eu faria questão de usar cada informação que consegui, contra ele.
— Sargento? Você é sargento?— Meu pai pergunta parecendo interessado.
Steve parecia surpreso, e Bucky... Tentando socar minha cara. Ótimo, seria bem interessante ver do que ele é capaz.
Não foi nada fácil descobrir o porquê do Cara-que-brigou-com-o-cabelereiro ter sido expulso do exército, mas então eu me lembrei de alguns contatos que provavelmente saberiam me dizer, ou descobrir. Não importa qual dos dois.
— Ele foi sargento.— Digo antes que Barnes consiga formular algo, o que faz ficar ainda mais engraçado vê-lo ali, de boca aberta, sem saber o que dizer.
— Isso não importa agora. Passado é passado.— Steve diz, visivelmente torcendo para esse assunto não entrar em detalhes agora.
Eu poderia apostar que ele não sabia de nada, mas agora eu estava em dúvida. Steve sempre gostou da verdade, e parecia muito curioso para saber o que eu tenho a dizer, mas ainda assim tenta me impedir. Ele deve saber, ou suspeitar, que não é boa coisa. O que me leva ao ponto: Steve sabe que Bucky não é um livro aberto com um passado limpo.
Se Steve sabe que Bucky tem algo grande e sujo a esconder, então por que está com ele? É, aquela menina que foi afim de mim na quarta série tinha razão. Steve provavelmente tem cocó de rinoceronte no lugar do cérebro.
— Todos temos passado. Qual o problema de falarmos sobre a razão de Barnes ter sido expulso? Opss.— Digo a última palavra em um tom irônico, e coloco o dedo na boca como se tivesse cometido um erro.
— Qual o seu problema?— Steve pergunta, aparentemente se estressando.
— Você sabe muito bem qual é o meu problema. — Digo calmamente.
Essa era uma das maiores diferenças entre nós. Steve se estressa fácil, e perde a calma e a compostura mais fácil ainda. Eu já sou mais calmo. Não tem por que eu ficar surtando, e isso o fazia surtar ainda mais.
— Você não está interessado no passado do seu namoradinho?
— Se eu estiver, eu pergunto para ele. Não preciso de você xeretando na vida dele e usando isso contra ele.
— Meninos, aqui não é hora e nem lugar para discussões.— Meu pai fala, e essa é uma das raras ocasiões em que eu o ignoro.
— O que você sabe sobre ele? Você só sabe da vida dele a partir do momento em que se conheceram. Começou a namorar um cara dois dias depois de conhece-lo. Você não sabe praticamente nada sobre ele. Onde você acha que isso vai dar? Como vai acabar? Você sabe que isso não vai durar. Não tem como durar. A vida não é um conto de fadas, Steve. Isso que vocês chamam de relacionamento não tem estrutura para durar. Mas saiba que quando você cair do seu cavalinho branco perfeito, o idiota aqui vai estar a disposição para te consolar.— Digo, dando as costas e saio.
Meus olhos estão marejados, eu sei. Estou sentindo. Assim como também estou sentindo vários olhares em mim. Eu tenho três escolhas: a) Subir para meu quarto e ficar lá até me acalmar. b) Ir embora e amanhã passar o dia com meu pai para compensar. c) Encher a cara com aquele cientista estranho da nossa empresa que é amigo do meu pai e que está com o armário particular do meu pai do lado, conversando.
Dim-dim-dim-dim. Acho que temos uma vencedora.
—Oi.— Digo comprimentando eles e pegando uma bebida.
A viro em um só gole antes mesmo que eles respondam.
— Boa noite, Sr. Stark.— Eles falam junto.
— Tony. Meu nome é Tony. Prazer. Ótimo. É o seguinte: esqueçam que meu sobrenome é Stark. Esqueceram? Ótimo.— Pego outra bebida e viro.
— Está tudo bem?—O cientista pergunta.
— Não. Qual o seu nome?
— Bruce Banner.— Ele responde para dentro.
— Ótimo. E o seu?
— Senhor, está tudo bem?—O armário pergunta.
— Senhor é o caralho. Esquece quem eu sou. Sou só Tony. Esquece. Esquece. Esquece...— Fico repetindo a palavra enquanto faço movimentos com a mão, perto de seu rosto, como se o hipnotizasse.
— Tudo bem... Tony. Por que as coisas não estão bem?— Banner pergunta, aparentemente me achando um pouco estranho. Foda-se. Eu sou estranho mesmo.
— Porque meu melhor amigo é um babaca. E está namorando outro babaca. E eu sou outro babaca, retardado, porque quando meu amigo babaca terminar seu relacionamento babaca e ficar chorando, eu vou ser o idiota que vai ficar consolando ele.— Viro mais uma taça.
— Lamento.— Banner diz, ainda com a mesma taça de quando cheguei.
— Eu também. Qual seu nome mesmo?— Pergunto para o segurança.
— Clint Barton.
— Clint. Você fica muito melhor nessa roupa do que em um terno.
— Obrigado.— Ele diz e viro mais um copo.
— Desse jeito vai acabar ficando embriagado antes do previsto. — Bruce diz e sorrio.
— Essa é a intenção.
A má notícia é que só tocava música clássica. A boa é que consegui estragar a noite do casalzinho que mais odeio nessa galáxia. Bom... Talvez eu odeie mais a minha tia gorda, Flora e o marido estranho dela.
Olho para meus tios e vejo os dois em um beijo estranho, em que mesmo eu estando a metros de distância, consigo ver a língua deles. Credo. Eca. ECA.
Me viro e vejo Bruce na mesa de comida japonesa, meio indeciso. Pela quantidade de wasabi que ele estava colocando no prato, provavelmente ele não sabia o que era. Eu poderia deixa-lo comer e ficar rindo da cara de desespero dele, ou poderia alerta-lo.
— Vem, vamos sentar ali.—O chamo, louco para ver sua cara quando comesse aquela pimenta do capeta em grande quantidade.
— Okay.— Ele diz e me acompanha e nos sentamos em uma mesa um pouco afastada.
Confesso que me intuito não era fazer ele passar vergonha. Eu só estou muito afim de ver a cara dele.
Por segurança pego duas taças de água e levo conosco.
Para minha felicidade, ele coloca uma grande quantidade sobre um sushi, e o leva à boca.
A cara que ele faz é simplesmente hilária. Ele está desesperado, e não pensa duas vezes antes de beber toda a água das taças, e ainda pega um martine com o garçom que está passando.
— Você sabia.— Ele diz, me vendo rir horrores.
— Desculpa.— Peço sem conseguir parar de rir.
— Eu quase morri.
— Não exagera. Está com raiva?
— Não. Só... Sei lá. Essa coisa fecha a respiração.
—É. — Começo a rir de novo.
— O que eu perdi?— Clint pergunta se sentando à mesa conosco.
— Banner exagerou no wasabi e quase deu um treco.— Digo com dificuldade, rindo muito, e então Clint começa a rir também.
— Hilário. — Bruce diz com um leve sorriso.
Isso é bom, a última coisa que preciso é das únicas pessoas que tenho para conversar, com raiva de mim.
Ouço meu telefone tocar. Tá legal, confesso que fiquei surpreso ao ver quem é.
— A que devo o milagre da ligação?— Pergunto ao atender.
—"Só quero dizer que haverá um evento semana que vem, aqui em Moscow."— Natasha diz, sua voz parece agitada, o que me faz crer que ela não estava atoa e resolveu me ligar.
— Por que está me dizendo isso?
—"Porque sei que Steve não iria te contar, sei que estão brigados. Estou te avisando porque te quero aqui, na segunda. Quero que você veja os gêmeos que você tanto ajudou, desfilando lindamente na passarela, quero que veja como eles cresceram, e como estão fantásticos. E também quero falar com você."
— Eu sei qual o assunto, Natasha. Não estou interessado. Bol'shoye spasibo (Muito obrigado).— Digo, com meu russo meia boca.
— Só venha, Tony. É um pedido. Se não for por mim...
— Pode apostar que não será.— Digo a interrompendo.
— Então que seja pelos gêmeos. Wanda e Piedro perguntam muito sobre você. Só... Venha.
— Vou pensar.— Digo.
Vadia. Ela havia tocado no meu ponto fraco. Os gêmeos.
— Vou dizer para eles que você virá. Poka dal'she (até segunda) — Ela diz e desliga.
Vaca ruiva sem coração. Ela era uma megera que não se importa com o sentimento alheio.
Ótimo. Maravilha. Agora tenho de dar um jeito de ir para a Rússia em dois dias. Muito obrigado, Romanoff.
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