Notas iniciais
- Peço desculpas pelos erros ortográficos que eu possa vir a cometer.

Chegamos a casa de Felipe uma hora e meia atrasados. Inventemos uma desculpa de ultima hora e eles acreditaram. Quando entramos Laura veio ate nos com uma cara de espanto.

– Eu estava pensando que tinha acontecido alguma coisa com você. – diz ela me abraçando.

– Não foi dessa vez que se livravam e mim. – digo me aproximando da varanda que dava para piscina onde estavam os demais colegas de grupo estavam, mas pra minha surpresa – ou não. – ninguém estava estudando.

Tinha algumas meninas deitas em umas cadeiras perto da piscina e uns garotos do lado da grama brincando de vôlei. A casa do Felipe era conhecida nas férias como uma espécie de “Colônia De Férias” por que: 1) os pais dele são podres de rico 2) a casa dele é uma das maiores casas da cidade 3) os pais dele trabalhavam mais ainda nas férias e a casa ficava livre para ele fazer o que quisesse 4) ele não é dos caras populares da escola, mas nas férias se tornava algo do tipo.

– Não era pra ter um monte de gente sentado e ESTUDANDO silenciosamente aqui? – digo para Felipe.

– Era, mas vocês demoraram tanto que arrumamos outra coisa pra fazer. – responde ele.

– Então chegamos, já podemos começar. – digo.

– Vai com calma colega. – diz ele se aproximando de mim e batendo nos meus ombros. – você não quer aproveitar um pouco? Olha o sol que está fazendo lá fora.

E era verdade, o sol estava mais perfeito possível – coisa que não se ver por aqui durante o ano. – estava na medida certa de calor pra um dia de domingo à tarde com família na praia, mas, não. Não estávamos na paria, não era domingo e muito menos tinha algum adulto ali.

– Onde estão seus pais?

– Eles tiveram uma emergência e vão passar a tarde toda fora. – disse ele animado.

De fato, o Sr. e Sra. Garcia são médicos e sempre estão saindo do nada de casa.

– Você precisa relaxar. – diz ele tentando me convencer.

– Eu topo. – diz Marvin colocando a mochila e o casaco que ele usava.

– Vem. – disse Laura. – vamos abrir uns pacotes Doritos pra levar para a pessoal.

– E você. – disse Felipe indo em direção a Marvin. – Preciso que você faça uma coisinha pra mim.

– Isso tem haver com coisas ilegais que ninguém aqui tem idade pra comprar? – digo voltando.

– Via com calma Papa Francisco. Não é nada de mais, nos já voltamos.

Marvin colocou o casaco de volta e pegou as chaves do carro que tinha colocado na bolsa de volta e seguiu Felipe que estava na porta esperando por ele.

– Cuidem bem da minha casa. – disse ele antes de fechar a porta e ir.

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Eu e Laura estávamos na cozinha abrindo vários pacotes de Doritos e derramando em varias vasilhas em cima da mesa.

Da cozinha dava para escutar os gritos de algumas meninas e a musica mega alta que vinha de lá.

– Então – iniciou Laura. – Onde vocês foram que demoraram tanto?

– Serio?

– o que? – disse ela. – Eu só estava preocupada.

Eu conhecia aquele olhar seguido de um sorriso disfarço que ela faz quando quer falar de algum garoto.

– Ele precisou passar em uma espécie de hospital ou casa de repouso antes.

– O que ele foi fazer lá? – perguntou enquanto lambia os dedos sujos de Doritos.

– Foi ver uma mulher. Não perguntei quem era porque ele saiu um pouco emotivo de lá.

– Ele estava chorando?

– Não. – respondo abrindo outro pacote. – Mas ele pareceu sair bem abalado. Ele me disse por que foi transferido. – digo mudando de assunto.

– Qual? – diz ela quase saltando do outro lado da mesa que estava.

– Ele dormiu com um professor. – respondo.

– Professor? Tipo homem?

– Sim. – digo.

– Então ele é gay. – diz ele quase animada.

– Acho que sim. Porque da animação?

– Você que deveria estar animado. – diz ela falando baixo.

– você sabe que isso é complicado. – respondo baixo também.

Uma das poucas coisas que eu escondia do meu pai era que eu sou gay. O.K. Que isso hoje em dia pode parecer ate infantilidade, mas pra mim contar isso o meu pai é um dos maiores desafios que vou enfrentar. Não faço ideia de como ele pode reagir já que em casa nunca falamos sobre esse assunto.

Descobri sobre minha condição sexual por volta dos meus dez anos de idade e desde sempre venho mês escondendo e fugindo de qualquer conversa sobre o tema.

Não é que eu tenha vergonha ou tento não ser gay – ao contrario, tenho total conhecimento de quem eu sou e me orgulho muito disso. – mas quando se trata de um assunto que ate hoje é tratado como uma doença perante a sociedade é prefiro não falar sobre nada.

As únicas pessoas com quem falei sobre isso foi a Laura – que ficou super feliz por ter pelo menos um amigo gay na vida, já que a família dela é totalmente religiosa e leve esse assunto ao pessoal demais. – e o Felipe que mesmo sendo hetero nunca teve problema desde que contei sobre.

Nunca tive um relacionamento serio e muito menos ficou com vários garotos na mesma noite – muita pelo contrario, ate hoje eu fiquei apenas com dois garotos. – Então, quando algum garoto do meio aparece a Laura fica muito feliz por mim.

– Eu só estou dizendo para você dar uma chance dessa vez. — disse ele me encarrando. – quantas vezes você vai deixar que opinião das outras pessoas impeça que você seja feliz. Eu estou dizendo isso como sua amiga. –diz ela sorrindo. – E se alguém tiver algum problema com isso nos vamos resolver isso, juntos. – concluiu ela.

– você é bem diferente dos seus pais. – disse.

– Nem me fala. Às vezes eu acho que foi adotada. — rimos juntos.

Depois de abrirmos todos os pacotes fomos levar as vasilhas para umas mesas onde estavam uns colegas de sala que eu nem sabia que o Filipe tinha contato.

– Vocês não vai aproveitar a piscina? – disse Marcela, uma das princesinhas da nossa turma que pela primeira vez no ano falou comigo.

– Eu com certeza vou. – disse Laura colocando as vasilhas na mesa e tirando a roupa que estava usando e dando lugar a um biquíni alaranjado perfeitamente justado ao seu corpo.

Rapidamente quase todos os garotos que estavam próximos olharam para ela, o que era impossível de não fazer já que ate fiquei admirando como ela tem um corpo totalmente diferente da personalidade de “menininha calma” que ela tem.

– E você Allan – disse Marcela. – não vai entrar?

– Não. – respondo. – não tenho nenhuma roupa de banho.

– Isso não é problema. — diz Felipe chegando perto de nos com as mãos ocupadas de caixas de cerveja. – você pode pegar umas das minhas sungas lá em cima.

– Certo. – disse. – Onde esta o Marvin?

– Ele foi ao banheiro. – respondeu ele brindo as caixas e distribuindo de mão em mão uma lata de cerveja para cada um.

Sai imediatamente, o Felipe tem uma mania de sempre me convencer a fazer alguma coisa que eu vou me arrepender, então, resolvi sair antes que ele aprontasse comigo.

Subi e fui procurar uma sunga.

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Quando cheguei ao segundo andar onde fica o quarto dele esbarei com Marvin no corredor.

– Pensei que estivesse no banheiro. – disse.

– Eu já estava descendo, mas acabei me distraindo com essa biblioteca.

– Nem me fala. – digo indo em direção ela. – às vezes eu venho visitar o Felipe só para poder ler alguma coisa escondia.

Ele da uma risada e entra na sala também.

– Eu não sabia que se interessava por livros.

– Só porque eu sou um cara que gosta de arrumar encrenca não quer dizer que eu não me interesse por alguma coisa mais calma.

– Não foi isso que eu quis dizer. – falei um pouco constrangido.

– Tudo bem. Eu também não me considero o mestre da literatura, o máximo que eu li foi Harry Potter quando era mais novo.

– Não deixa de ser literatura. – digo me aproximando de uma prateleira. — Às vezes eu gosto de vir aqui só para pensar e admirar todos esses livros que eu tenho certeza que o Sr. Garcia nunca vai ler.

– você é estranho. – diz ele me fazendo ficar calado por uns segundos. – não de um jeito ruim. Estanho engraçado.

– Como? – digo me virando para ele. Ele estava perto da janela.

– Não sei. Você é diferente dos outros nerds que eu já conheci. – diz ele olhando para algum lugar pela janela.

– Talvez seja por isso que você ainda não me jogou dentro de uma lixeira. – digo rindo. E ele também sorri.

– É talvez.

Ele sai de frente da janela e vai em direção a mesa.

– Posso te perguntar uma coisa? – pergunto.

– Claro. – diz ele.

– Porque você é desse jeito? – ele olha para mim com um olha que diz: “o que você quer dizer com isso?” E eu trato logo de explicar. – você diz que é fodão e que se dane o mundo, mas comigo você é mais “normal”.

Ele fez silencio por um minuto e seus olhos rodearam a sala inteira a ate chegar em mim novamente.

– Quando eu escolhi vim morar aqui eu disse a mim mesmo que tentaria ser diferente, ser outra pessoa que meus pais tentassem ter orgulho. Nós nos mudados de cidade em cidade quase todos os anos por conta do emprego do meu pai e eu não nunca consegui fazer amigos, então decidi que já que não tenho tempo de fazer amigos eu poderia não fazer amigos e fazer com que todos me odiassem, assim eu não passaria tanto tempo fingindo, mas com o tempo eu acabei me transformando mesmo nessa pessoa e não foi uma coisa legal. – ele par um pouco pra recuperar o ar e se senta na beirada da mesa. – Quando eu te conheci naquela hora na escola eu pensei: “mais idiota que eu vou ter que aturar”, mas com você foi diferente.

– Quer dizer que eu consegui trazer seu antigo eu de volta? – digo me aproximando dele.

– Calma. – diz ele sorrindo. – eu ainda joguei uns idiotas no lixeiro naquele dia.

– Podemos fazer um trato. – digo agora de frente a ele.

– Que tipo de trato? – diz ele se levantado e ficando de frente a gente a mim.

– Eu te ajudo a passar melhorar suas notas e a você encontrar seu antigo eu.

– São boas propostas. – diz ele me olhando fixamente. – E o que eu tenho que fazer por você.

– O que você faz de pior. – disse. – Eu percebi que cheguei a um ponto da minha vinda que eu não fiz nada de errado minha adolescência inteira e eu não quero que ela acabe antes que eu faça alguma coisa errada e que me faça ficar de castigo pelo resto da vida.

– você parece certo do que quer fazer. — disse ele.

– Mais certo do que nunca. – respondo.

– ótimo. – ele se aproxima mais pega minha mão para selar nosso trato com um aperto de mão. – Agora não tem mais volta.

– Eu estou preparado pra o que vier.

– Então, eu percebi que você tem dificuldade de se socializar, então você vai descer e conversar, rir ou ate mesmo discutir com todo mundo que estiver lá em baixo.

– Sim senhor. – digo me virando e indo em direção as escadas. Para na porta e vejo que ele permaneceu no mesmo lugar. – você não vem?

– Depois eu vou. Só preciso de um tempo.

E assim eu desço para fazer uma das coisas que eu menos tenho talento: fazer novos amigos.

Notas finais
- Relembrando que os capítulos não terão dia exato para serem postados podendo ter um ou dois capítulos na semana. - Lembrem-se: Um comentário sempre ajuda a manter uma boa historia interessante :D