Head up in the Clouds
6 The Night Still Young
Cheguei à escola por volta das sete e quarenta – dez minutos atrasados. -, mas parece que ninguém tinha percebido.
Entrei na classe e fui para o meu lugar de costume ao lado do Felipe que já estava lá e conversando com Marcela.
Sentei na minha carteira e tentei o máximo possível não dormir, eu estava exausto da noite passada. Marvin me levou para casa por volta das duas da manha e para minha felicidade meu pai estava dormindo e não percebeu que eu tinha chegado.
– Você esta acabado. –disse Laura aparecendo magicamente na carteira da minha frente. – O que aconteceu?
– Dormi tarde ontem. Estou exausto.
– Eu não já te falei que ficar estudando de madrugada em vez de ajudar só vai piorar. – disse ela com um tom autoritário.
– Eu não estava dormindo. – falei tentando não fechar os olhos.
– O que você estava fazendo de madrugada? – Eu nem preciso explicar o que ela estava pensando naquele momento.
– Não é nada disso eu você esta pensando. – cortei logo seus pensamentos pervertidos. – Eu e o Marvin saímos ontem e voltamos um pouco tarde.
– EU SABIA! — ela gritou fazendo todos da sala olharem para ela. – Eu sabia, eu sabia... — continuou ela agora mais baixo. – O que vocês fizeram?
– Nada demais. — disse cortando as asinhas dela, mas era bom saber que pelo menos alguém ficava feliz pelas coisas pequenas que aconteciam comigo. – Nos fomos pra um lugar que ele costumava ir quando era mais novo e passamos a noite lá.
– Só isso? – disse ela com um ar de desapontamento.
– Nos beijamos. –disse baixo.
– EU SABIA! – ela gritou de novo e dessa vez ninguém se importou.
– O que está acontecendo aqui? – disse o Felipe se aproximando.
– O Allan beijou o Marvin. – disse Laura animada.
– O Marvin que me beijou. – corrigi.
– Quem beijou quem? – Disse Marcela entrando na conversa.
– O Allan beijou o Marvin. – repetiu o Felipe.
– O Marvin que me beijou. – disse mais uma vez só que saiu mais alto do que eu esperava. Olhei para a classe inteira, mas por sorte só tínhamos nos quatro e mais uma menina sentada na primeira carteira da primeira fileira.
– Que legal. – disse Marcela.
– Você não esta surpresa? – Perguntou Laura.
– Não. – disse ela. – Todo mundo já desconfiava que você pudesse ser.
– Legal. – respondi sem pensar.
– Mas então, vocês estão namorando ou algo assim? – perguntou Felipe.
– Claro que não. – respondi. – Não passou de um beijo. Só isso.
O sinal tocou, Marcela e Laura foram para seus lugares e os outros começaram a entrar. Na medida em que eles entravam eu procurava o Marvin, mas ele não pareceu.
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Na hora do almoço Marcela se juntou a nos a mesa. Eu e Luana estranhamos, mas já tínhamos percebido que ela e Felipe estavam bem amiguinhos desde a festa na casa dele.
– Nem sinal do seu amor? – perguntou Laura.
– Não. – respondi e na mesma hora recebi uma mensagem. Era dele.
“Me encontre hoje as 20hrs em ponto na frente a igreja principal. Vamos começar sua intervenção hoje.”
– Quem é? – perguntou Laura curiosa e depois pegou o celular da minha mão e repetiu tudo que estava escrito.
– Parece que vocês terão uma grande noite hoje. – disse Melissa.
– Não é nada demais. – disse. – Nos fizemos um trato. Eu vou ajudar ele com as notas e ele vai me tornar mais problemático. – completei.
– Porque não pediu pra mim? Eu sou um legitimo Kick-Ass. – disse Felipe.
– Felipe, não promete. – disse Laura fazendo Marcela gargalha.
– Você não são amigos de verdade. – disse ele saindo da mesa.
– Serio Felipe? – disse Marcela se levantando e o seguindo.
Passei o resto da tarde pensando onde o Marvin poderia esta e o que ele estava preparando pra nos essa noite. E claro, eu estava contando as horas para poder encontra-lo outra vez.
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Às oito horas em ponto eu estava na gente da igreja principal da cidade, mas ele ainda não tinha chegado. Claro que eu já estava com o pensamento a mil e imaginando o porquê dele não ter chegado ainda.
Ouvi vozes vindo em minha direção e quando virei era a Laura e a Marcela.
– O que vocês estão fazendo aqui? – perguntei rezando pra que isso só tivesse sido uma conhecidencia, mas lembrei que vindo da Laura nada é uma conhecidencia.
– Calma esquentadinho. – disse ela se aproximando e bagunçando meu cabelo. – Seu grande amor me chamou também.
– Do que você esta falando?
– Ele me mandou uma mensagem alguns minutos depois que você saiu da mesa. – ela disse mexendo no celular e me mostrando a mensagem.
– Serio que esta todo mundo aqui? – disse Felipe se aproximando. – Ele chamou vocês também?
– Eu não. – Disse Marcela levantando a mão.
– Eu que a chamei. – disse Laura.
– Porque nenhum de vocês me avisou?
– Porque você com certeza perderia as esperanças e desistiria de vir. – disse ela.
Antes que eu pudesse responder Marvin parou o carro em gente a nos e disse para entrarmos.
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– Aonde vamos? –perguntou Laura já entediada.
– Eu não vou estragar a surpresa. – disse Marvin sorrindo.
– Pode dar pelo menos uma pista? –pediu Marcela.
– Não. – respondeu ele firme.
– Pode pelo menos ligar o som? – implorou Felipe.
Marvin não respondeu, mas pegou o celular que estava no para-brisa e conectou no som. Passamos quase dez minutos cantarolando repetidamente Miles Away do The Maine, uma das únicas musicas que todos conheciam que ele tinha no celular.
Estávamos perto de repeti-la pela sexta vez quando ele avisou que nos tínhamos chegado.
– Finalmente. – disse Laura saindo rapidamente do carro. — Não brinca! – exclamou ela.
Todos nos saímos e nos espantamos com o que vimos.
– Você nos trouxe para a praia? – perguntou Felipe com um ar de desapontamento na voz. – Pensei que fossemos fazer uma coisa mais errada.
– E vamos. – disse ele. – Sigam-me.
E nos seguimos ele por uma pequena estrada de areia pouco iluminada. As meninas param para tirar os saltos.
– Serio que vocês vieram de salto alto? – disse Marvin ironicamente.
– Eu pensei que nos iriamos para um lugar mais “a nossa altura”. – retrucou Mariana.
– E quem você pensa que é, rainha America? – disse Felipe parando para ajuda-las.
Aproveitei que teríamos alguns segundos livres e corri ate Marvin.
– Serio que você planejou me trazer aqui? – perguntei me aproximando.
– Não. – exclamou ele. – Eu tinha outro lugar em mente, mas pensei melhor e acho que nos podemos nos divertir aqui.
– E o que eu vou fazer de errado aqui? – perguntei enquanto ele passava a minha frente sem responder minha pergunta.
– Vamos invadir. – disse ele apontando para uma grade com uma placa um pouco suja, mas que dava claramente para ler o que estava escrito: ENTRADA AUTORIZADA APENAS PARA MORADORES DO CONDOMIO NOVA LUA.
– Vamos invadir um condomínio? – perguntou Felipe se aproximando.
– Parte dele. – disse Marvin tirando os sapatos e se preparando para subir na grade. – Eu vou pular primeiro e depois vocês ajudam as meninas a pular e depois vocês.
– Sim senhor. — disse Felipe levando aquela brincadeira a serio demais.
Marvin pulou e fez sinal para que Marina pular, Felipe fez questão de ajuda-la. Depois foi a vez de Laura que não fazia questão de soltar seus saltos das mãos.
– Eles foram caros demais pra serem deixados aqui sozinho. – exclamou ela enquanto atravessava a cerca.
Minha vez de pular, Felipe me pegou pela cintura e me ajudou a manter o ritmo da subida. Quando já estava prestes a descer do outro lado fiquei com a calça presa a uma parte solta da grade.
– Espera. –disse Marvin voltando para perto da grade. – Eu te ajudo.
Ele puxou a parte da calça que estava presa fazendo-a rasgar uma parte. – que depois eu teria que inventar uma ótima desculpa para o meu pai. – Ele me pegou no colo e me colocou no chão.
Nos encaramos por um tempo ate o Felipe nos interromper.
– Da pra vocês fazerem isso mais tarde? — disse ele cortando todo o clima. – Eu preciso de uma ajuda aqui.
– Pronto. – disse Marvin ajudando ele a descer.
– E agora? –perguntou Laura examinando todo o local.
– E agora vamos entrar. – disse Marvin se indo em direção à praia.
– Eu não trouxe roupa de banho e também não estou com sutiã. – disse Marcela fazendo Felipe soltar um sorriso.
– E essa é a intenção. – disse Marvin tirando toda a roupa e entrando no mar.
– Mais alguém vai fazer isso? – perguntou Marcela.
– Com certeza. – disse Felipe também correndo ate a praia e jogando a roupa pela a areia.
Marcela tomou coragem e tirou apenas a blusa e entrou na agua.
– Vocês não vêm? – gritou Felipe.
– Nem morta. – disse Laura se afastando do mar e se sentando na areia enquanto checava o celular.
Sentei perto da agua e fiquei observando Marvin, Felipe e Marcela brincando feito crianças num domingo a tarde de feriado. Aquele momento me faz esquecer completamente de todos os problemas.
– Ei criança. – disse Marvin saindo do mar e cobrindo as partes intimas da frente. – Pensei que queria se arriscar mais.
– Eu não sou muito fã de praia, piscina, mar, oceano e afins. – falei dando e ombros.
Ele se sentou ao meu lado.
– Eu adoro praia. Desde criança minha mãe me trazia aqui pra aprender a nadar, mas eu nunca consegui. – disse ele rindo. – O máximo que eu faço é ficar boiando na agua. – rimos.
– Você vinha aqui quando era mais novo? – perguntei.
– Eu moro aqui. – disse ele se ajeitando na areia. – Meu pai na verdade, mas eu não posso sair de casa ainda.
– Seu pai morra? – falei um pouco surpreso. – Ele é rico ou alguma coisa assim?
– Basicamente, sim.
– Isso explica o carro. – disse.
– De onde você acha que eu tinha tirado esse carro? – ele perguntou me encarando.
– É melhor você não saber. – disse dando uma risada. Ele também.
– Minha mãe morreu. – disse de repente.
Ficamos alguns segundos nos encarando enquanto ouvíamos as gargalhadas de Felipe e Marcela na praia e as risadas sem fim de Laura no celular.
Tomei corregem e falei.
– Como? – foram as únicas palavras que consegui dizer.
Ele permaneceu cala por um tempo como se não tivesse me ouvido o não quisesse responder. – Mas não tiro sua razão, eu já passei por isso e foi um dos piores momentos da minha vida.
– Eu recebi a noticia hoje pela manha. – ele tomou folego e iniciou. – Hoje faria quatro anos que ela estava internada. Recebi a ligação do medico dela pela manha dizendo que precisava falar comigo, quando cheguei lá ele me deu a noticia.
– E porque você fez isso? – perguntei. – Você poderia ter me dito nos teríamos cancelado.
– Foi por isso eu quis vir. – disse ele virando-se para mim. – Nós sempre vínhamos aqui nessa data, essa praia é uma das poucas lembranças que ela ainda tinha. – ele parou e deu a entender que estava tentando não chorar. – Então invés de passar o dia todo preso no mesmo lugar que o meu pai eu decidi vir aqui.
– E porque você nos chamou? – perguntei.
– Porque eu não tenho mais ninguém pra proteger. – disse ele derramando uma lagrima. – Minha mãe era a única pessoa com quem eu era realmente eu, mas então há cinco dias eu conheci você. – ele parou e me encarou por um tempo. – E quando eu pensei que não existia mais ninguém que me entende-se você apareceu.
Só essas palavras foram capazes de me acorrentar uma chuva de lagrimas. Chorei como criança enquanto ele ria de mim.
– Desculpa. – disse ele. – Tudo que eu não queria era alguém chorando hoje.
– Desculpa também. — eu disse enxugando as lagrimas e sorrindo. – Mas porque chamou os outros?
– Porque eles são importantes pra você. – ele disse. – talvez alguns vocês possa só estar descobrindo agora. – disse ele apontando para Marcela.
– O.K. – eu disse me levantando. – Você me convenceu. Sem choro e sem roupas. – eu disse tirando a minha.
Fomos em direção a Laura que estava dando gargalhadas em gente ao celular. Peguei o celular da sua mão e joguei no chão enquanto Marvin a puxava pelos braços em direção ao mar.
– Não. – ela gritava. – Eu vou matar vocês.
A Jogamos no mar e fomos juntos, deixando nossos problemas para trás, junto com nossas roupas.
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