Head up in the Clouds
2 That Boy is Trouble
Notas iniciais
Ficar sentando em uma das cadeiras de espera da diretoria só me faz lembrar o quanto esquisito eu sou. Essa é a primeira, repetindo: PRIMEIRA vez que eu sou chamado sozinho.
A ultima vez que estive em uma foi há nove anos, quando meu pai veio me avisar que a mamãe estava morta. Não guardo boas lembranças daqui.
Nesses cinco minutos de espera me veio mil e um problemas pelo qual eu poderia estar sendo chamado, mas no fim eu não fiz nada do que eu pensei.
– Allan. – Chama a diretora Martinez.
Entro e fecho a porta.
– Por favor, sente-se. – diz ela apontando para a cadeira que estava em frente ao seu birô. – Imagino que você deve esta se perguntando por que lhe chamei aqui.
– Claro que não. Já estou acostuma a fazer visita a senhora todos os dias.
Claro que não respondi. – Mas queria.
– Bem, seus professores estão muito preocupados com você e eu também estou. — Diz ela se inclinado e forçando seus braços dobrados na mesa. – Nesses últimos meses suas notas têm de caído drasticamente. Alguma coisa esta te incomodando?
– Não. Esta tudo bem comigo.
– Então, qual o problema pra essas notas tão baixas?
– Haa... – Pensa em alguma coisa para dizer. – Acho que a culpa é da internet. – Enfim respondo. – Eu tenho me distraído um pouco esses meses e acho que isso pode esta afetando meus estudos. Eu prometo que vou me dedicar mais. – completo.
– Ótimo. – diz ela se levantando da cadeira. – Tudo que eu quero é que você de comprometa mais com os estudos principalmente agora que são ultimas semanas de aula.
– Pode deixar. – respondo também me levantando. – Não vou lhe decepcionar.
Ela faz um gesto com a cabeça indicando que sim com um pode sair seguido.
Saio da sala e olho para o relógio, faltam dez minutos para o fim da aula, então decido ir para a praça terminar de ler um livro que vai ser o tema da prova final de literatura.
Uma ótima desculpa para faltar aula.
###
Quando chego à praça esta vazia e silenciosa. Só quando ela esta desse jeito você pode perceber o quanto linda e natural que ela é. Os pássaros voam de árvore em árvore.
Coisas que só da para perceber quando os animais – Mais conhecidos como alunos. – Estão presos em suas jaulas. – Mais conhecidas como salas de aula.
Sentei e comecei a folhear o livro, mas um barulho vindo de tiras de um dos bancos começa a me incomodar e claro que eu vou ver o que é. – Porque não basta eu ser medroso, eu também sou curioso.
– O QUE VOCE ESTA FAZENDO AQUI? – digo tão auto que ate eu mesmo me assusto.
– Que susto. – diz ele.
– VOCÊ ESTAVA FUMANDO? – digo outra vez quase gritando.
– Da pra você falar mais auto? – diz ele se levantando do chão. – Parece que nunca viu ninguém fumando antes.
– Claro que já vi, mas não em um lugar que é proibido. – digo apontando para uma placa escrita: Proibido fumar.
– Serio? – diz ele colocando outro cigarro na boca. – E de que mundo você é que as pessoas obedecem às placas?
– Um mundo que não têm idiotas como você. – figo tirando o cigarro da boca dele e jogando o mais longo possível. – Você é o aluno novato do terceiro ano?
– Como você tem certeza? – diz ele sentando no banco.
– É só olhar pra você. Cabelo comprido, barba mal feita e se comporta como um bad boy. Típico de um novato.
– E você seria o que? – diz ele se virando para mim. – Já sei. Você é um dos queridinhos dos professores, é o melhor da sala, só tira notas boas, tem um nerd como melhor amigo e nunca fez nada de errado. Acertei?
– Você não me conhece.
– Acredite. Eu costumava bater em pessoas como você.
– E porque parou? – digo.
– E porque você é tão nerd assim? Não tem nenhum calculo de matemática pra fazer?
– Você é um idiota. – Digo quando o sinal toca. – Nem a acredito vou ter que dividir o mesmo espaço da sala de aula com você. – termino saindo e indo de volta para a sala.
– Espera, espera. – diz ele me fazendo parar e olhar de volta para ele. – Por favor, não me diz que você é o Felipe Garcia.
– Não, eu não sou.
– Ótimo. – diz ele aliviado.
– Mas ele é meu melhor amigo. – continuo. – O que tem ele?
– Nada. – ele diz se levantando do banco e vai em direção ao banheiro me deixando novamente sozinho, mas dessa vez com os animais de volta a floresta.
###
De volta à sala me sento na mesma carteira da primeira aula de física. Laura se senta atrás de mim e Felipe no mesmo lugar.
– Então. – diz Felipe se virando para mim. – Você está encrencado?
– Não. – respondo. – Ela só queria falar sobre minhas notas que estão baixas.
– O que você disse? – pergunta Laura.
– Culpei a internet como o Felipe mandou.
– Isso sempre funciona. — diz ele – Os professores sempre perdoam os alunos redimidos.
Falando em alunos redimidos o nova entra na sala e senta-se no lugar que estava desocupado na primeira aula.
– O que vocês sabem sobre esse cara novo que chegou? – pergunto me virando para os dois.
– O nome dele é Marvin e ele foi transferido essa semana. – diz Laura.
– Porque foi transferido?
– Eu ainda não sei. – diz ela. – Mas ainda vou descobrir.
– Porque do interesse nele? – pergunta Felipe.
– Eu estava na praça nesse ultimo horário e ele estava lá. – digo virando a cabeça pra ver se ele estava no mesmo lugar. – Ele me perguntou sobre você.
– Sobre mim? – Felipe falou um pouco auto demais, mas parece que ele não escutou. – O que exatamente?
– Ele só perguntou se eu era Felipe Garcia e eu disse que não. E também não vale a pena fazer amizade com ele, é um idiota.
– Então eu acho bom você começar a gostar dele. – diz ele folheando o caderno.
– Por quê? — pergunto.
– Ele esta em nossa turma de estudo. – responde ele. – parece que vocês vão se ver todos os dias.
Fale com o autor