Head up in the Clouds
3 A Ride, A Story
Notas iniciais
Uma coisa que precisam saber sobre o meu pai: ele às vezes pode ser protetor demais.
Eu contei a ele sobre o Marvin – o garoto novato. – e ele simplesmente explodiu.
– Você não poder andar com esse tipo de pessoa. Eles não querem ter um futuro e muito menos estarem na escola. Só arrumam confusão e fazem coisas erradas. – Palavras do meu pai.
Meu pai se preocupa demais com que tipo de pessoa eu ando. Deve ser por isso que eu só tenho dois amigos.
– Vou pegar o carro e espero vocês na frente da escola – diz Felipe passando por mim e pela Laura.
– Eu vou com você. – diz Laura.
– Vão me deixar? – digo.
– Você não vai ficar sozinho. – diz Laura apontando para Marvin que estava vindo em minha direção. – Boa sorte.
Esse é o tipo de amigos que eu tenho: os que te deixam sozinho com alguém que você não gosta.
– Parece que alguém já falou de mim pros seus amigos. – diz ele se aproximando. – E não disse coisa boa.
– Eles foram pegar o carro. – digo indo em direção à entrada/saída da escola.
– Então a gente se vê lá. – diz ele passando em minha frente.
– Você sabe onde o Felipe mora? – pergunto.
– Não. Mas eu não estou a fim de passar minha tarde estudando. – diz ele virando para mim. – Tenho coisa melhor pra fazer.
– tipo, passar a tarde atrás de uma arvore fumando e acabando com sua vida?
– Você tem uma ótima imaginação. – diz ele. – Mas eu tenho outra coisa pra fazer.
– Você não pode faltar no grupo de estudos. – digo tentando acompanhar os passos dele. – As notas também valem pela nota final, e pelo que eu sei suas notas não são as melhores.
– E pelo que eu ouvi dizer as suas também não estão. – diz ele.
– O.K. Pode ir acabar com sua vida. Nem sei por que eu me preocupo.
Ele vai em direção a um carro esportivo vermelho do tipo que se vê em um comercial de carro gravado em Londres e que você nunca vai poder comprar ate os quarenta anos de idade.
Ele para em frente à porta e olha pra mim.
– Quer saber. – grita ele de perto do carro me chamando a atenção. – Entra.
– O que? – digo indo em direção a ele.
– Eu tenho que fazer uma coisa antes de ir pra esse grupo de estudos. – diz ele abrindo a porta do carro. – Você me mostra onde é a casa dele.
– Mas eles estão me esperando.
– Você não é um nerd? Não sabe usar um celular? – diz ele entrando. — Vem ou não?
E eu fui.
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Liguei para Felipe e disse que Marvin precisava resolver um problema e não poderia ir com a gente, então, eu vim com ele para mostrar o caminho depois.
Depois de uns minutos tentando me ajustar ao carro comecei me sentir mais confortável. Quase quinze minutos que tínhamos saído e o silencio também tinha pegado carona.
– Porque você foi transferido? – finalmente falo quebrando o silêncio.
– Você quer realmente saber? – pergunta ele.
– Melhor do que não dizer nada. – digo. – Odeio ficar calado.
– Percebi. – diz ele dando uma risada disfarçada. – Bom, digamos que foi por causa de uma besteira.
– Vindo de você eu não duvido que tenha incendiado a escola. – digo.
– Não sou tão mal desse jeito. — diz ele virando à esquerda. – Eu dormi na escola.
– Só isso? – pergunto.
– Eu dormi com um professor na escola.
– O QUE? – digo gritando. — Você transou com seu professor? Que nojento.
– Não quando ele é gostoso. – diz ele. – Mas infelizmente a diretora estava na escola naquela noite e nos pegou em um momento não muito apropriado.
– E o professor? – pergunto.
– Ele foi demitido e saiu da cidade.
– E você transferido?
– Quem me transferiu foram meus pais, que segundo eles, é uma vergonha para família que eles vão ter que levar para sempre. E você? – pergunta ele. – Nunca fez nada de errado?
– Não. – respondo.
– Serio? Duvido.
– Eu nunca fiz nada de errado. – digo amis firme dessa vez.
– O.K. – diz ele se inclinado para frente e estacionando o carro. – Chegamos.
Olho pela janela e vejo que ele estacionou em frente a um prédio um pouco antigo e com uma cor amarela queimada pelo sol quente. Em frente tinha uns bancos também com aspectos de velho. – inclusive, tudo lá tinha aspecto de ser velho.
Descemos do carro e ele trancou as portas. Por não saber onde estávamos indo deixei que ele fosse à minha frente.
Entremos por uma porta de madeira com um cheiro forte de porta recém-pintada que por um momento me deu um leve enjoo.
– Onde estamos? – pergunto.
– Vamos visitar uma pessoa. – diz ele de um jeito tão calmo que não parece ser o mesmo ignorante de um dia trás. – E se puder nada de perguntas.
Concordo com a cabeça e passamos por uma mulher vestindo um traje típico de enfermeiro e na minha cabeça começo a deduzir milhares de coisas.
Passamos por um corredor largo e cheio de quartos – Que nesse momento eu já tenho certeza que estou em um tipo de hospital. – com algumas portas abertas e outros com ate as janelas fechadas.
Ele para em frente a uma porta com o numero “23” pendurado por cima da porta.
– Você pode esperar aqui? – diz ele novamente com a voz calma.
– Claro. – respondo imediatamente.
Depois que ele entrou, eu só pude ver – E não escutar. — pela janela. Uma mulher estava deitada em uma cama e ele sentou-se ao lado dela e ficou um tempo parado apenas olhando.
Eu só conseguia prestar atenção em: 1) depois de um tempo ele começou a falar alguma coisa 2) ela se virou para o lado da cama em que Marvin estava 3) deu para perceber que era uma mulher mais velha 4) que com certeza era alguém da sua família 5) ela se levantou e se sentou na cama fazendo Marvin também se levantar 6) ela o abraçou por uns minutos 7) depois eles acabaram com o abraço e o Marvin estava com uma cara não muito agradável 8) ele voltou a falar alguma coisa e depois olhou para mim me fazendo sair de perto da janela.
Depois disso demorou mais alguns minutos e ele saiu.
Caminhamos pelo corredor, pela recepção e chegamos ate o carro e entramos ambos calados.
Ele liga o carro.
– Tudo bem se pararmos no Starbucks antes? – perguntou ele.
– Claro. – respondo.
Fomos o caminho todo em silêncio penas observando a paisagem e eu pensando em todas as perguntas que eu tinha em mente para pergunta-lo.
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