Head up in the Clouds
8 She Knows
Notas iniciais
– Eu queria poder matar vocês nesse exato momento. – disse Laura se aproximando de nós.
Felipe, Marcela, Marvin e eu estávamos na biblioteca preparando um material para um trabalho que teríamos que apresentar na próxima semana.
Laura era a única de nos que teve que encarar as consequências de chegar em casa as sete horas da manha e ter que explicar isso para os pais.
– O quanto ruim foi? – Marcela perguntou sem tirar os olhos do livro que estava lendo atentamente.
– Eles tiraram meu computador, meu celular e minha Netflix ate eu me formar. – ela se sentou na única cadeira vazia da mesa. – Como os pais de vocês não se importaram? Os meus só faltam me mandarem pra uma escola de freiras. – ela completou.
– Meus pais já estão acostumados comigo chegando tarde em casa. – disse Marcela ainda folheando o livro.
– Meus pais disseram que ligaram para o senhor Martins e ele disse que eu dormiria lá. — disse ele apontando com os olhos para mim. – E por falar nisso, como foi com o seu pai?
– Foi tranquilo. – respondi.
– Tranquilo como? – Laura perguntou. – Ele não reclamou ou te colocou de castigo nem nada?
– Nos tivemos uma pequena discursão...
– E ainda bem que eu não entrei. – disse Marvin me interrompendo.
–...Mas depois nos resolvemos. – completei.
Marvin estava me olhando e falando com os olhos para sairmos dela e logo respondi do mesmo jeito.
– Eu vou pegar outro livro. – disse me levantando.
– Eu também. – Marvin disse logo pulando da cadeira e indo na minha frente.
– Arrumem um quarto, por favor. – Gritou Laura da mesa nós fazendo olhar para ela na mesma hora que a bibliotecária lançava um olhar de desagrado para ela.
– O que houve?- perguntei parando no ultimo corredor de livros.
– Nada. – ele logo respondeu. – Eu só queria ir embora daqui com você.
Nós encaramos por um tempo sem falar e sem pensar em nada.
– Vamos pra minha casa? – ele perguntou me surpreendendo.
– Você já quer que eu conheça seu pai? – perguntei num tom de brincadeira.
– Não, a menos que você queira. – ele me olhou com os olhos brilhando esperando pela resposta que eu ainda não estava preparado para dar.
– Não. Ainda não. – respondi.
– Então, ele e a Sonia estão viajando e só voltarão no domingo. – ele pegou minhas mãos. – Que tal passarmos o resto da tarde em casa?
Hesitei por um tempo e ele percebeu.
Eu sempre me congelava quando se tratava de ficar sozinho com algum garoto em qualquer lugar, principalmente sozinho na casa dele.
– Claro. – respondi finalmente.
– Você tem certeza? – ele perguntou com um pouco de seriedade na voz, fazendo-me arrepender de ter pensado que ele teria em mente segundas intenções.
– Sim. – respondi agora com mais confiança na voz e em nele.
Deixamos nossos materiais na mesa e saímos pela porta de emergência sem avisar a ninguém.
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Paramos em frente a sua casa. – casa do pai dele, como ele gosta de chamar. – Era uma casa enorme. – se eu pudesse chutar tamanho diria que da umas quinze casas da minha juntas. – O jardim e a casa eram idênticos às outras residências vizinhas.
– Bem exagerado, não? – ele perguntou fechando a porta do carro. – Eu disse ao meu pai que isso era demais pra gente, mas como sempre ele não me ouve.
– É linda. – respondo. – É uma daquelas casas que você só vê em filmes ou quando sonha.
– Você não aguentaria morar aqui por um dia. – disse ele pegando minha mão e me levando ate a porta.
Não vou negar, aqui parecia sim que estava acontecendo mais alguma coisa, mas eu preferi não falar.
Não tivemos um momento só nosso ainda desde que ele voltou do funeral da mãe. E eu não estava nem um pouco a fim de apressar as coisas.
– Quando os meus pais se separam eu costumava vir aqui aos finais de semana, obrigado pela minha mãe, e corria para aquela casa da arvore. – ele disse apontando para uma arvore enorme que estava próximo a uma área que certamente era onde aconteciam festas.
– Você e seus nunca se deram bem?
– Sempre foi um relacionamento complicado. – ele continuava caminhando em direção à cozinha. – Só nos distanciamos mais quando eles se separaram.
Dava para perceber que ele nãos e importava com aquilo pelo jeito que ele falava.
– Eles terminaram, meu pai entrou na justiça pela minha guarda e ele ganhou. – ele parou por um tempo. – E fim da historia. – completou.
Já tínhamos chegada a enorme cozinha — enorme como tudo naquela casa. – permaneci peto a mesa enquanto ele foi ate o armário e pegou dois pratos e duas facas da primeira gaveta.
– Eu não o culpo por ter me tirado da minha mãe. – ele continua enquanto vai ate a geladeira e pega varias vasilhas e coloca sobre a mesa. – Na condição que ela estava era impossível poder cuidar de mais algum além dela mesmo.
Ele parou novamente, só que dessa vez estava com as mãos sobre a mesa e com a cabeça baixa, certamente se sentindo culpado pelo que aconteceu com sua mãe.
Me aproximei dele, coloquei minha mão sobre seu ombro e o acariciei.
– Não foi sua culpa. – disse perto do seu ouvido.
– Eu sei. – ele sussurrou também. – Mas às vezes eu penso que poderia ter feito mais. – ele tira as mãos da mesa e as leva a cintura.
– Ninguém poderia adivinhar oque ira acontecer com ela. – afirmei agora acariciando eu braços. – Você fez tudo que podia, eu tenho certeza que ela estava muito orgulhosa do filho que teve.
Ele sorriu. Seu sorriso estava diferente de todos os outros dele que eu já tinha visto, estava mais cheio de vida, como se agora ele tivesse a certeza que poderia sorri de verdade.
Me aproximei o fazendo tirar seus braços da cintura e levando-os ate a minha. Nos beijamos, talvez pela milésima vez desde que estava juntos, mas esse estava vai quente e mais cheio de vida como seu sorriso.
Então. – ele disse ainda com seus braços sobre minha cintura. – O que vamos fazer para o seu aniversario?
Eu me afastei dele e o encarei com um cara de negação.
– O que foi? Eu disse a você que iriamos fazer alguma coisa. – ele disse rindo.
– Eu não gosto de festas.
– Que tipo de ser humano estranho é você? – disse ele me beijando novamente, mas dessa vez eu não estava esperando. – Você precisa fazer alguma coisa. É dezoito anos Allan!
– Eu sei, eu sei, mas o que eu vou fazer? Quem eu vou convidar?
– A casa estará livre no final de semana inteiro. – ele disse me lançando um olhar. – Podemos fazer uma festa nessa enorme piscina e chamar a nossa turma, já que são as pessoas mais próximas de “amigos” que você tem.
– Tudo bem. – disse querendo soltar fumaça pelo nariz. – Você venceu.
– Eu sempre venço. – ele disse sussurrando em meu ouvido e me fazendo arrepiar.
Voltou para a mesa e começou a mexer em todas as vasilhas que ele tinha pego da geladeira e fez uma espécie de sanduiche nada nutritivo para nós dois.
Passamos o resto da tarde assistindo um filme e comendo pipoca. Mais tarde ele tinha chamado Felipe, Marcela e Laura para discutimos o que iriamos fazer para o meu aniversario.
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