Head up in the Clouds
9 A Place to Our Hearts
Notas iniciais
Meu sábado – de aniversario. – começou mais movimentando que qualquer dia da semana, às seis horas da manha eu já estava de pé esperando o Marvin vir me buscar para comprarmos algumas coisinhas que faltavam.
Meu pai como de costume já estava acordado e arrumando a casa. Eu nunca parei para pensar, mas ele sempre fez tudo em casa sem nunca ter pedido a ajuda de alguém que realmente saiba como cuidar de uma casa.
Antigamente minha tia Elena costumava vir para fazer as coisas que minha mãe era acostumada a fazer, mas acabou tendo que se mudar da cidade e meu pai nunca mais quis saber de alguém para ajudar em casa.
– Ei, o que você esta fazendo acordado há essa hora? – ele estava próximo e eu não tinha percebido. – É seu grande dia, pensei que iria dormir ate tarde.
– Eu bem que queria, mas a Laura me ligou dizendo que precisa resolver algumas coisas antes da festa e quer a minha ajuda. – respondi bocejando e parando em frente ao espelho. Percebi que ainda estava de pijama.
– Festa? – ele parou de varrer.
– Droga – disse me lembrando de que esqueci de mencionar sobre a “grande festa”. – O Marvin me convenceu de fazer uma festa para alguns colegas da escola na casa dele.
– O pai dele concordou? – ele perguntou com um tom de desconfiança na voz.
– Na verdade o pai dele não sabe que vamos fazer. – eu disse mais logo tratei de corrigir. – Mas não iremos fazer nada demais. Só vamos ficar na piscina a tarde inteira.
– Tudo bem. – ele disse não parecendo se preocupar muito com isso.
Fui ate a cozinha para preparar um café na esperança dele me fazer acordar mais rápido.
Virei-me para a mesa e percebi que tinha um grande embrulho ao lado do sofá. Ele tinha uma forma idêntica da um quadro.
– Pai? – perguntei indo em direção a ele. – O que é isso?
– É o seu presente. — ele respondeu sem ao menos saber se era sobre isso que eu estava falando.
– Desde quando eu passei a gostar de quadro?
– Eu sei que não é a primeira coisa que um pai pensa em dar para um filho quando completa dezoito anos, mas não é só um quadro. – ele já estava na sala quando terminou de falar. – Quem esse quadro foi uma pessoa muito especial.
– Peguei o embrulho, coloquei sobre o sofá e comecei a rasga-lo.
– ainda bem que o embrulho não é o presente. – ele brincou sobre o modo que eu o tirava.
Quando terminei de tirar todo pude ver que realmente se tratava de um quadro.
Não possuía nada mais do que apenas uma nuvem pintada de um azul claro.
– Nos já temos dois desses. – falei apontando para a para ao lado onde tinha dois quadros pintados do mesmo jeito.
– Eu sei. – ele disse se dirigindo ate ela. – E é por isso que eu guardei essa.
– Eu não estou entendendo nada. – falei realmente confuso.
– Bem. – ele pegou o quadro e levou em direção à parede. – Esses quadros foram pintados pela sua mãe quando ela estava gravida. Ela adorava pintar das mais diferentes coisas possíveis, mas depois que ela descobriu sobre a gravidez começou a pintar apenas uma coisa em especial.
– Nuvens? – perguntei mais confuso que antes. – Por que nuvens?
– Nem eu sabia o certo, mas na noite em que ele me disse que estava esperando você nós estávamos em um jantar de cinco anos de casados ela começou a falar o quanto as nuvens eram bonitas e misteriosas. – ele parou pro um tempo observando como quadro ficava junto com os outros. – Ela pintou esses quadros na noite em que você nasceu. Ela os apelidou de “As Três Nuvens de Alice”. Essa nuvem maior e mais escura me representa, essa media e mais clara representa ela e essa menor e mais clara...
– Me deixa a adivinhar. – falei o interrompendo.
Não precisei falar para ele saber que se tratava de mim.
– Ela disse que daria a você quando completasse seus dezoito anos.
– Isso é meio bizarro. – falei dando uma risada.
– É mesmo. – ele também riu. – Sua mãe às vezes era bem estranha nas cosias que ela fazia.
Estávamos tão focados em observar os quadros que levei um susto quando ouvi uma buzina vinda da frente de casa.
– Eu preciso ir. – eu disse me apressando par ir ao quarto trocar de roupa.
Antes de chegar perto das escadas parei e olhei para trás e ele ainda estava admirando os quadros.
Sem pensar corri de volta ate ele e o abracei. Ele me devolveu com um abraço que não dávamos há anos.
Ouvi a buzina mais uma vez e antes de solta-lo eu disse:
– Nos te amamos.
– Eu sei. – ele disse me abraçando mais forte. – Eu sei.
– Diga a ele que eu já vou descer. – disse me referindo ao Marvin que já deveria estar impaciente.
Ele riu e sinalizou com a cabeça para que eu subisse.
Fui ate o meu quarto, tomei um banho rápido, coloquei a primeira roupa que eu vi e desci.
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– Quando vamos chegar? – falei me inclinando para perguntar ao Marvin. – Estamos nesse carro há quase meia hora.
– Vamos chegar logo. – disse Laura me empurrando de volta para trás.
Fomos todos juntos, exceto Marcela, para comprar algumas coisas que faltavam.
– Aproveitando que a Marcela não esta aqui. – disse Laura arrumando o retrovisor para poder ver Felipe e eu no banco de trás. – O que está rolando entre vocês?
– Nada. – ele respondeu deixando uma duvida no ar.
– Você é um péssimo mentiroso. – eu disse lhe lançando um olhar não muito agradável.
– Qual é Felipe, não vamos sair espalhando por ai nada. – disse Laura. – Não queremos manchar a reputação dela.
– Nós não somos nada serie. – ele disse finalmente. – Somos como o Allan e o Marvin. – ele completou devolvendo um olhar nada agradável para mim.
Olhei para Marvin, mas parecia que ele não se importava.
– O que você quer dizer com isso? – perguntei.
– Você sabe. – ele disse se perdendo nas palavras. – Vocês não são realmente namorados, mas também não são só amigos.
Ficamos calados ate Marvin dizer que tínhamos chegado.
Fui o primeiro a sair do carro. – quase tendo uma convulsão por poder respirar direito novamente. – Agora eu realmente tinha entendi o porquê da demora de chegarmos era uma loja que eu nunca tinha visto e que não era perto da cidade.
– Onde estamos? – perguntei quando Laura saiu.
– É uma longa incrível que os meus pais costumam vir quando vamos fazer festas. – ela disse empolgada.
– Isso é enorme. – falei boquiaberto.
– Eu sei. – disse Laura. – Esse lugar é basicamente o céu na terra. Tem de tudo que você imaginar.
– Por onde começamos? – perguntou Felipe.
– Você e o Allan vão por esse caminho – disse ela apontando para a nossa direita. – e eu e o Marvin vamos por aqui.
– Mas...
– Sem Mas. – ela disse me cortando imediatamente. – Faltam duas horas pra festa e precisamos agir logo.
Concordei com a cabeça e olhei para Marvin, ele estava totalmente calado desde a hora que passou em casa para me buscar e eu estava louca para poder chegar logo na loja para poder falar com ele, mas acabou que isso não aconteceu.
– Você ficou com raiva do que eu disse no carro? – Felipe perguntou me fazendo sair daquele pensamento de correr atrás do Marvin.
– O que?
– Que nos éramos como vocês. – ele disse me fazendo lembrar o que conversamos no carro.
– Claro que não. – respondi de imediato. – Nem nós mesmos sabemos o que somos. – falei dando de ombros.
– Você não acha que ele medo de acabar se apegando demais a você? – ele perguntou.
– Se esse for o caso já é tarde demais. – falei revirando os olhos e colocando alguns sacos de salgadinho em nosso carrinho. – Uma vez eu perguntei a ele sobre nossa situação e ele disse que “nós somos nós.”. Tipo, o que isso quer dizer?
Era bom finalmente poder desabafar com alguém, principalmente com alguém que estava passando pelo mesmo problema que eu.
– O que você espera que ele faça? – ele disse com um tom um pouco alto parta minha surpresa. – vocês se conheceram a pouco menos de duas semanas, espera que ele já esteja apaixonado por você?
– Claro que não! Você esta todo irritado por que esta passando pela mesma coisa que eu. – falei percebendo na hora o que exatamente estava acontecendo ali.
– Você esta passando pela mesma coisa que eu. – repeti mais uma vez. – Você esta apaixonado pela Marcela.
– Grande novidade. – disse ele me surpreendendo pela resposta. – Sou apaixonado por ela desde a sétima serie.
– Você tem uma queda por ela desde a sétima serie. – o corrigi. – Tem uma diferença ai.
– Que seja. – ele deu de ombros. – Nos conversamos e ela disse que gostava de mim e da minha companhia, masque não queria nada serio agora.
– E você esta de boa com isso?
– O que você acha? – ele perguntou me encarando.
– Que você é um sortudo. – disse. – A garota que você passou cinco anos dando em cima finalmente acende uma luz verde pra você e a única coisa que você pensa é passar o resto da vida com ela.
– Cara...
– Não. – falei o interrompendo. – Nos vamos nos formar em uma semana! Temos uma vida longa ainda pra nos apaixonarmos e fazermos muita merda, então, pra que acabar com isso antes mesmo de começarmos?
Ele não falou nada e nem eu quis continuar.
Recebi uma mensagem da Laura mando nos encontrar no caixa da loja. Já estávamos de saída.
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– Finalmente. – Marcela nos recebeu na cozinha da casa de Marvin.
– Você já estava aqui? – perguntei colocando algumas sacolas sobre a mesa.
– O Marvin me deu a chave dele pra arrumar algumas coisas antes de vocês chegarem.
Ela começou a tirar toda a comida das sacolas e colocar sobre a mesa.
– Vocês não economizaram mesmo, em? — ela em um tom de brincadeira. – Cadê os outros?
– Estão lá fora. – falei me apoiando sobre a bancada. – Não querem que eu faça nada.
– Me lembra de convidar vocês pro meu aniversario. – rimos.
– Posso falar uma coisa com você?
Aproveitei que estávamos sozinhos para falar do problema deles e do meu.
– Claro.
– Quando você começou a perceber que gostava do Felipe?
– Não tem como saber uma data exata. – ela disse. – Eu comecei a me importar mais com o que eu sentia por ele quando estávamos no primeiro ano.
– E você nunca pensou em falar com ele?
– Não. – ela respondeu baixando a cabeça. – Eu não tinha coragem de falar com ele.
– Nossa. – falei surpreso. – E pensar que ele que tinha vergonha de falar com você.
No final das contas ela estava certa, eu não tinha como saber a hora, o dia nem o momento certo que eu me apaixonei pelo Marvin, simplesmente aconteceu.
– Você este totalmente apaixonado por ele não esta? – ela esta agora parada me encarando.
– Completamente. – finalmente desabafei. – Mas as vezes eu penso que é cedo demais pra isso, sabe?
Ele concordou com a cabeça.
– Diferente de você e o Felipe nós nos conhecemos há pouco tempo. Não acho que já tenha dado tempo de me apaixonar por ele.
– Cada briga idiota, cada vez que ele olha pra você, cada vez que você se pega pensando nele, cada vez que você tenta dizer a ele tudo que sente, mas acaba guardando pra si por medo do que ele possa pensar isso é estar apaixonado.
Ficamos calados conversando com nós mesmo naquele momento. Aquelas palavras foram tão fortes pra mim quanto pra ela.
Eu ainda não tinha parado para pensar o quanto eu estava precisando dele na minha vida. Sempre fui aquele garoto que não conseguia fazer amigos na escola porque estava preocupado demais em agradar os pais, eu nunca tive um momento realmente meu ate ele ter chegado.
– Droga. – Marcela disse nos tirando de nossos próprios pensamentos. — Eu estou apaixonado pelo Felipe.
Foi naquele momento que a ficha caiu tanto pra ela, tanto pra mim.
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Entrei em seu quarto – pela primeira vez. – na esperança de encontra-lo lá, mas não estava. Já havia o procurado por todo lugar, mas não esta o encontrando.
Antes de sair meus olhos encontraram um quadro de fotos perto de sua escrivaninha. Era um quadro meio cheio de fotos dele com a sua família, principalmente com sua mãe, mas uma me chamou mais atenção, uma foto nossa – no topo do quadro. –tirada quando fomos ver “as noites de papel” que ele tanto adorava.
Ao lado dela estava uma foto dele quando criança – uns seis anos de idade. – sentando na casa da arvore dele, foi então que me lembrei do único lugar onde não havia procurado.
Cheguei á área da piscina e Laura estava cuidando dos últimos preparativos para a festa.
– Eu disse pra você não vir. – ela gritou um pouco irritada.
– Eu só vou subir na casa. – falei sem nem olhar para ela.
Cheguei à escada e pus um impulso — já que ela era feita de madeira e corda. – pra poder subir.
Quando finalmente cheguei lá em cima – pensando varias vezes em não olhar para baixo. – o vi sentado atrás da casa.
– O que você esta fazendo aqui?
Ele se virou, me viu e voltou a encarar o nada. Sentei-me ao se lado e também o encarei.
– E estava pensando em viajar quando me formar. – ele disse sem olhar para mim.
– Onde você pretende ir?
– Não sei. – disse com um tom de incerteza. – Qualquer longe daqui.
– E essa viagem serie definitiva? –perguntei o fazendo virar imediatamente pra mim.
– O que? Claro que não.
– É que você esta tão distante de mim hoje. – olhei para ele agora. – Pensei que eu tivesse tido alguma coisa que não devia.
Ele continuou me olhando e deu um sorriso tímido.
– Você não fez nada. A Laura me arrastou o dia inteiro hoje pra comprar o seu presente.
Levantei a cabeça sem acreditar.
– Você pediu ajuda a Laura?
– Ela se ofereceu na verdade.
– Típico. – rimos.
– No fim das contas não encontramos algo muito especial. – ele se inclinou para pegar alguma coisa do bolso. – é um cordão que eu vi quando estávamos saindo da loja.
Abri a caixa e era realmente um cordão com um desenho um tanto quando inesperado: uma nuvem. Uma novem pela metade.
– A outra metade é esse. – ele falou abaixando a gola da camisa e mostrando um cordão igual. – meio clichê, mas me deu vontade de comprar quando vi.
– É lindo. – falei. – Você não vai acreditar, mas isso meio que mais especial do que você pode imaginar.
– Como? – ele perguntou fazendo uma cara deque não acreditaria.
– Minha mãe tinha uma coisa com nuvens quando estava gravida, meu pai me deu hoje um dos quadros que ela pintou. – olhei novamente para ele. – e era uma nuvem.
Ele riu como se isso fosse inacreditável.
– É o destino? – ele perguntou rindo.
– Seja o que for é ótimo.
Nos encaramos mais uma vez e nos beijamos. Estávamos apenas eu e ela ali e aquele era o momento certo.
Afastei meus lábios dos seus e disse em seu ouvido:
– Eu te amo.
Seu rosto se afastou do meu e ele me olhou fixamente, como se nada ao nosso redor importasse agora.
– Eu tenho medo de dizer que também te amo, e eu amo mesmo, – ele disse em meio a um sorriso. — mas todas as pessoas que eu amo acabaram me deixando. – ele disse baixo.
– Eu nunca vou lhe deixar. – disse dessa vez ignorando tudo ao meu redor, inclusive o futuro que eu tanto quebrei a cabeça para fazer dele perfeito. – Eu jamais vou lhe abandonar.
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