Um dos maiores defeitos que eu tenho é ser pessimista. Sempre que alguma coisa de bom acontece na minha vida eu arrumo um jeito de sempre pensar que tudo vai dar errado.

Uma vez na viagem da sexta série a classe toda foi para um passeio no zoológico e adivinha quem ficou em casa porque achava que um leão selvagem ira atacar você e arrancar seu braço? Isso mesmo, eu aqui.

Meu pai diz que essa parte do medo eu herdei da minha mãe que tinha praticamente medo de tudo e de todos. Quando algum estranho chegava em casa ele logo deduzia que era algum bandido ou coisa pior.

Agora depois de oito anos depois da morte dela quem tem medo de tudo e de todos sou eu. Principalmente quando se trata da escola e seus vários tipos de espécies. As patricinhas e os atletas que dominam a escola inteira porque acham que são os donos de tudo, os nerds que se acham os donos do mundo e tem Allan, Fê e Laura.

Laura uma das poucas garotas bonitas e “riquinhas” que não se interessam nem um pouco em andar com outras garotas bonitas e “riquinhas”. Felipe ou como nos chamamos “Fê” é um meio nerd meio idiota que eu sou amigo desde o jardim da infância e Allan, um cara sossegado que gosta de passar o tempo livre lendo algum livro de romancezinho jovem e que assiste Queer As Folk quando o pai não esta em casa.

Sim, esse sou eu mesmo. Eu sou a definição da palavra: TEDIO. Não saio com os amigos nos fins de semana, não ando com os caras descolados na hora do almoço e me imagino em um mundo que eu inventei na minha cabeça e criei minhas próprias aventuras e problemas nele. Bem, pelo menos, até outra pessoa entrar nesse mundo e revirar tudo de cabeça para baixo.

***

Meu dia começou exatamente como o de costume: o despertador tocou às seis e meia da manhã, mas só me levantei às sete. Tentei arrumar forças para ir até o banheiro lavar o rosto, tomar um banho, escolher uma roupa e ir tomar café da manhã. Mas ainda enrolei por alguns minutos até ouvir o despertador tocar pela milésima vez.

Para minha sorte meu pai ainda estava em casa preparando o almoço. Nosso relacionamento é ótimo, mas de uns meses pra cá ele tem ficado mais pegajoso quando o assunto é faculdade do que o normal.

— Bom dia.

— Bom dia, pai. – Disse indo em direção mesa e pegando uma maça.

— Você não vai tomar café? De novo? – Disse ele me fazendo dar meia volta e encarar seu rosto de julgamento.

— Eu comi uma pizza inteira ontem à noite, lembra? Eu não estou com fome. – Respondi indo em direção à porta, mas voltei novamente quando lembrei que tinha alguma coisa para dizer.

— Pai, vou estudar na casa do Fê hoje a tarde, tudo bem pra você?

— Claro, só me avise quando sir da escola pra eu saber se você esta bem.

— O.K. – Falei dessa vez realmente saindo de casa.

###

Quando cheguei à escola – meia hora atrasado como de costume. – Laura e Felipe ocupavam nossa mesa no refeitório. Aquela mesa que fica diretamente ao lado da lixeira.

Quando me aproximei consegui ouvir que eles estavam falando dos alunos da sala ao lado da nossa que tinham sidos pegos usando drogas na escola.

— Allan – Gritou Laura a três centímetros de mim. – Você soube o Lucas e sua ganguezinha foram pegos ontem?

— Sim, o Felipe me ligou as duas da manha pra me dizer. – Falei olhando diretamente pra ele.

— O que foi? – Respondeu ele ao meu olhar. – Vai dizer que você não esta feliz que depois de quase cinco anos nos infernizando você não esta feliz que eles se deram mal?

E realmente eu esta muito feliz. Nos estudávamos juntos desde o oitavo ano e Lucas e seus comparsas faziam de tudo para infernizar nossos dias. Será que é pecado ficar feliz com alguém que te fez mal se dando mal?

— Eu ouvi dizer que eles não vão poder se formar. –disse Laura.

— Isso é horrível. – Disse. – te mesmo pra eles.

— Eu acho que deveria ser pior. – reclamou Felipe. – Quero dizer, se você vai usar drogas, então que saiba usar.

— Mudando pra um assunto mais agradável – interrompe Laura. – vocês já decidiram pra onde vamos nessas férias?

— Eu não sei. – diz Felipe. – Tudo que eu quero é que seja um lugar fora do país. Talvez Sant Monica.

— Eu concordo totalmente. – diz Laura. E você Allan?

— Tanto faz. — Respondi.

Eu não me considero uma pessoa antissocial, mas prefiro ficar em casa lendo algum bom livro, escutando uma boa musa e assistindo um ótimo filme/serie.

— Eu pretendo passar minhas férias fazendo maratona de Game of Thrones. — O que eu realmente pretendia fazer.

— CLARO QUE NÃO! – gritou Laura novamente, mas antes que ela começasse falar o sinal do primeiro horário tocou. – Salvo pela aula de Física. Depois a gente conversa.

###

As aulas na ETEC são s mais longas e cansativas que você pode imaginar. Tudo piora quando o professor tenta proibir você de respirar.

— Ei, Allan. – sussurrava Felipe. – Você já viu o carinha novo que chegou?

— Quem? – sussurrei de volta.

— O da carteira na frente da Luana que esta vazia. – Ele aponta fazendo meus olhos segurem fixamente sua mão em direção a primeira carteira da fila em que a Luana estava.

— Não. – respondi sussurrando. – Eu pensei que fosse de alguém que tivesse faltado.

— Não. – sussurrou Felipe de volta. – É de um cara que entr... – Antes que pudesse terminar de falar Felipe se calou e visou com os olhos que alguém vinha em nossa direção, mas para nossa sorte era o professor.

— Desculpem-me, mas minha explicação esta atrapalhando a conversa dos senhores? – disse o professor Rubens – mais conhecido como o mostro da física. – fazendo com que toda sala olhassem fixamente para nós dois.

— Na verdade... – disse Felipe sendo interrompido – novamente. – pelo auto falante dessa vez.

— Senhor Allan Martins comparecer a sala da diretoria agora.

E assim eu era salvo de uma encrenca e acabava de entrar em outra.

Notas finais
- Relembrando que os capítulos não terão dia exato para serem postados podendo ter um ou dois capítulos na semana. — Lembrem-se: Um comentário sempre ajuda a manter uma boa historia interessante :D