Hazy
2 O Retorno do Arcanjo Rafael
Notas iniciais
Estava escuro ainda quando Evellyn levantou, pois era horário de inverno, então somente as 8 da manhã que começaria a clarear. Despertou exatamente as 7:00:00s naquele domingo. Assim que despertou, o sino da igreja tocou, as luzes das ruas piscaram loucamente, e um vento forte balançou todas as folhas das arvores existente no bairro em que morava. Era um sinal do céu. Tais efeitos aconteceram naquele momento porque a profecia tinha se concretizado. Deus escolheu ela para cumprir uma das mais importantes missões impostas por ele. Muita coisa começou a mudar desde então. Porém, ela ainda não tinha ciência disto.
— Filha!! Acorda! Já são 7:30 (batidas na porta).
— Mãe? Estou bem aqui atrás de você.
— Ah bom, não tinha visto você levantar. Vamos rápido que estamos um pouco atrasadas para o casamento da sua tia.
Saindo de casa, indo em direção ao carro de sua mãe, entrou, sentou do lado do passageiro, fechou a porta e passou os olhos rapidamente pelo retrovisor e viu alguém, olhando em direção a ela. Sem pensar duas vezes, no mesmo momento, abriu a porta abruptamente, virou-se para trás para ver a pessoa que estava a observando, mas a pessoa já não estava mais lá.
— Ué filha, está doida? O que foi?
— Você viu alguém ali?
— Eu não! Você deve estar com sono.
Quando sua mãe ligou o carro, logo teve que desligá-lo pois havia esquecido seu celular em cima da mesa. Sozinha no carro, Evellyn ficou pensativa, tirou o amuleto de dentro da blusa, ficou-o observando e pensando. Seus pensamentos eram confusos, não sabia o que pensar. Não sabia se estava ficando louca por ver coisas que ninguém via. Não sabia se o que aconteceu naquele sábado foi real, se foi um sonho. Sua mãe voltou para o carro correndo, e fez uma rápida oração em pensamento, “Obrigada, senhor, por abençoar minha família, e por ter essa filha maravilhosa. Obrigada por tudo.” Assim que terminou de fazê-la, Evellyn “espontaneamente” disse em voz alta “Amém”. Meio estupefata por ter ouvido aquilo sendo que não estava fazendo a oração em voz. Evellyn não sabia o que dizer ou pensar. Sua mãe perguntou como sabia que ela estava orando, e rapidamente respondeu que não sabia, disse que o “Amém” era para a oração que ela “estava” fazendo. As duas ficaram em silêncio. Só se ouvia o barulho do vento entrando pela pequena fresta do vidro aberto do lado do passageiro, onde Evellyn estava. Evellyn então dormiu até o destino. Depois de 2 horas e meia de viagem, chegaram em Middleton, em Wisconsin. MIddleton era uma cidade calma, simples, tinha uma boa vizinhança. Chegaram lá 10 da manhã. Pararam na entrada da cidade. E por incrível que pareça, ainda estava noite. Evellyn acordou e logo perguntou “Nossa, mãe, ainda não chegamos?” “Por que ainda está escuro?”.
— Já chegamos. Chegamos agora. Eu não sei por que está noite. Já deveria estar de dia!
As duas se assustaram com o locutor da rádio local quando o rádio do carro simplesmente ligou do nada.
— Ninguém consegue entender o que está acontecendo!! Astrólogos e meteorologistas estão se sentindo humilhados por não saber explicar! (O rádio troca de estação)
— É um sinal de Deus, irmãos. Deus está com raiva! Devemos nos preparar para o pior. Vamos orar! (O rádio troca de estação)
— Será hoje o fim do mundo? Vamos todos morrer? (O rádio cria uma interferência insuportável, um barulho estridente e agudo).
As duas taparam seus ouvidos por ser insuportável o barulho vindo do rádio e de repente ele desliga-se sozinho. As duas ficam em choque até que de repente, dois rapazes, que estavam andando pela rua, para recepcionar e avisar e os visitantes abordam elas pela janela do motorista para dizer que algumas áreas estão sem eletricidade.
— Bom dia!
— (gritos) (gritos).
— Hey!!! Calma!! Só vim avisar que parte da cidade está sem luz. Aconteceu até antes um temporal forte, uma ventania que levantou telhados e carros. Peço que desçam do carro e continuem a pé.
– Ah bom, obrigada. – Disse a mãe de Evellyn um pouco apavorada.
Parte da cidade estava em uma escuridão total, latões foram espalhados por alguns pontos da cidade para queimar papeis para dar um pouco de claridade para a vizinhança. As duas desceram do carro, pegaram suas bolsas e foram andando. Logo a frente, havia 2 pessoas vendendo lanternas para quem passava. As duas resolveram pegar uma para cada. Pagaram 5 dólares cada uma e continuaram andando. Depois de dois quarteirões andando, Evellyn ilumina ao seu redor para ver o que tinha, e olhava para trás de vez em quando, pois tinha a sensação de estar sendo seguida... até que um rosnado meio distinto surgiu atrás delas. Porém, só Evellyn ouviu. Um pouco aflita, iluminou perto do chão, a uns 4 metros para trás dela, e viu um cachorro horroroso, de olhos vermelhos, com carne viva aparecendo, e muito raivoso, andando cautelosamente atrás delas e Evellyn se assusta e começa a gritar.
— Corre, mãe, corre!!!!! (Gritos)
— O que foi!?!?!?!
— Corre, um cachorro enorme está atrás da gente!!!
As duas correram tão desesperadas que parecia que tinha um monstro atrás delas. O cachorro latia e rosnava muito, mas Evellyn foi a única que o via e ouvia. Correram dois quarteirões tão rápido, que se exaustaram e ficaram fadigadas. Por sorte havia uma igreja no início do terceiro quarteirão. As duas correram para lá. A igreja estava iluminada por velas apenas por dentro, pois tinham muitas velas no recinto. No lado de fora, na porta da igreja, tinha uma tocha de cada lado da porta que iluminava um pouco. Lá dentro, algumas pessoas estavam orando. Tinham pessoas na porta da igreja conversando, e recebendo quem estava chegando. As duas gritando, chegaram mais próximo à igreja e Evellyn gritou “Saiam da frente!!!!”. As pessoas na porta abriram o caminho e as duas correram para dentro da igreja, e de repente, uma pessoa, que estava na porta da igreja, de vestido branco, simplesmente foi puxada para longe e seu vestido foi enchendo-se de sangue, pois sua perna estava sendo mordida e começou a gritar desesperadamente. Todos entraram correndo para a igreja. Ninguém via nada, somente Evellyn que estava apavorada e chorando. O cão deixou a moça de lado, ensanguentada, foi subindo devagar pela escada em direção a porta enquanto rosnava e mostrava suas presas afiadas, cheias de sangue. Quando estava prestes a entrar na igreja, as duas portas fecharam-se rapidamente. Eis que o cão começa a gritar e ganir desesperado. Pelas frestas de cima e de baixo da porta, todos de dentro da igreja, viam uma luz branca. Em momento de silencio, depois que o cão parou de ganir, ambas as portas abriram-se rapidamente, chocaram-se contra a parede e ficaram abertas. Foi que então a luz tomou conta da igreja, e todos lá dentro, taparam seus olhos com seus braços pois era forte demais a claridade. Um homem apareceu na porta. Algumas velas apagaram-se, outras, permaneceram acesas. As lâmpadas, por mais que sem eletricidade a igreja estava, começaram a piscar e explodir por receberem energia demais provenientes do homem. As janelas da igreja explodiram e estilhaçaram-se. Todos desmaiaram, exceto Evellyn, que ficou de pé, perplexa e calada. O homem aproximou-se devagar dela, com seu braço direito esticado com a mão aberta, apontada para o chão e empurrou com seu poder as pessoas para o lado para abrir seu caminho. Evellyn ficou no meio da igreja, sem reação, olhando aquilo. E o homem disse em voz alta enquanto chegava perto dela:
— Você precisa sair daqui! Não é seguro! Agora!!
— Quem é você!? Hey! Eu te conheço. Era você, não era? Era você que me olhava de longe? Hoje de manhã. Ontem na frente da minha casa! Então eu não estava louca!
— Meu nome é Rafael, sou um Arcanjo. Meu pai me mandou aqui.
Evellyn tentou correr, antes de chegar perto da porta, elas fecharam-se rapidamente. Ao virar-se, deparou-se de cara com Rafael, e soltou um grito com uma expressão de medo em seu rosto. Os dois encararam-se por alguns segundos e ela, por fora, tomou coragem, mesmo que por dentro, continuasse fria e com medo.
— Arcanjos, anjos, são mesmo reais? Tudo que aprendi, que ouvi falar sobre seres da bíblia, era verdade? Como posso acreditar em você?
— Você foi escolhida por Deus por ser uma devota. Crente da palavra dele, de sua religião. Meu pai me ordenou que eu viesse a Terra fazer o que fosse necessário para te manter segura. Eu não tenho tempo para dar explicações agora! Existem cães do inferno nesta cidade!
— O que!? Aquilo era um cão do inferno!?!? Como pode ser possível! É muita coisa para mim!
— Demônios possuem controle sobre esses monstros. Foram enviados aqui para te matar! Daniel disse-me que você ficaria chocada e confusa.
— Daniel? Meu melhor amigo? O que tem ele? O que você fez com ele!?!?
— Ele nunca te disse, por achar que não era a hora e por querer te proteger, mas ele, é um profeta do senhor. Terás que vir comigo e abandonar tudo e todos. Agora! Sinto que demônios e mais cães estão vindos para cá!
Evellyn deixa escorrer dos seus olhos lágrimas de sentimentos confusos, sentimentos de desespero, tristeza, perda, e de medo. Foi até o meio da igreja, olhou para sua mãe, desmaiada no chão, e disse a uma voz baixa “Se cuide, mãe”. Virou-se para Rafael e perguntou se ainda poderia ver sua mãe e despedir-se dela e de seu pai. Ele concordou com a cabeça e disse logo em voz alta e raivoso “Vamos!”
— Para onde iremos? – Perguntou Evellyn tentando acompanhar o passo de Rafael.
— Para a floresta do Dean! – Respondeu ele sério e com uma voz firme.
— Está louco!? Floresta do Dean é na Inglaterra, estamos nos Estados Unidos! É do outro lado do mundo!
— Acho que você ainda não entendeu que eu sou um Arcanjo, não é?
Rafael olhou sério para ela, colocou sua mão no ombro de Evellyn, e simplesmente desapareceram. As velas apagadas da igreja reacenderam-se e ficou aquele cenário de caos na igreja, com as portas arreganhadas e pessoas desmaiadas no chão. 10 segundos depois, Rafael e Evellyn ressurgiram na floresta do Dean. Ela fechou-se, ficou pensativa, olhando ao redor de onde estavam, perto da margem de um rio. Ele esperou ela dizer algo. Até que começou a fazer muitas perguntas.
— Por que eu? Por que? Eu quero minha vida de volta.
— Você se lembra daquela informação que você leu no seu computador? Aquilo era verdade. Deus escolheria alguém neste século para salvar a Terra, e o Céu. E este alguém, é você.
— Mas o que tem a ver eu? Eu sou uma simples garota. Não tenho nada a oferecer.
— Deus não quer saber de coisas materiais. Ele quer que você seja você mesma. Como sempre foi. Simples, perspicaz, batalhadora, devota, fiel a ele. Ele foi muito generoso em te escolher. E olha que te observei muito, e vejo que você é perfeita para os planos de meu pai.
— Meus pais, minha família, meus amigos. Eu nunca mais irei vê-los?
— Sim, você irá. Porém, não agora. Tenho muito a te ensinar, a te explicar. Preciso retornar ao céu o quanto antes. Está um caos. Anjos matando anjos, uma guerra no céu. É muito perigoso retornar a sua casa agora.- Eu estou muito confusa. Ainda preciso entender muita coisa. Não sei nem o que pensar. Eu poderia ter morrido àquela hora em Middleton! Por que aquele cão estava atrás de mim!?
— Como eu te disse naquela igreja. Demônios possuem controle sobre os cães. Foram ordenados para te matar assim que chegasse lá. Por ventura, eu estava lá, eu me revelei na hora certa. Saiba que foi sorte poder ter visto ele àquela hora.
— Estou ficando cada vez mais com medo disso tudo.
— Alguns anjos, como Caliel, ordenados a cuidar da Terra, ganharam poderes de Deus para enxergar coisas além da capacidade dos anjos. Como cães do inferno. Por tal razão, O resto da Graça de Caliel no amuleto permitiu que você o visse. Mas saiba que isso é temporário. A graça vai perdendo seu poder aos poucos. Até que desapareça completamente.
— Se aquela hora eu não tivesse visto, teria morrido! Temporário? Se eu não os ver, como vou saber se estão próximos? E aquelas visões? É muita coisa!
— Se lembra da explicação do padre? Existe além de magia, restos de Graça de anjo neste amuleto em seu pescoço. Caliel foi um dos mais poderosos anjos. Quase foi escalado para a mais alta hierarquia celestial dos anjos, mas, deu sua vida para salvar muitas. Ele sempre foi o mais certo de todos os anjos. Um dos únicos capaz de prever as coisas. Por essa razão que você tem visões. Vim para te ensinar o que for necessário para que possa sobreviver.
— É tudo culpa sua!
Ele acabou irritando-se e despareceu assim que ela virou paro o outro lado. E deixou ela ali sozinha, por horas e foi para o Céu, lutar na Guerra.
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