Haven't we met?
17 Capítulo 17
“Antes” e “depois” são comparações comumente feitas por todas as pessoas, pois mudanças significativas se tornam verdadeiros marcos na vida de cada um.
Darcy considerava que em sua vida houveram poucos acontecimentos que transformaram-no profundamente. E embora estas ocasiões fossem opostas em sua essência, tinham uma característica em comum: o amor.
O primeiro tipo de inflexão que ocorreu para Darcy foi o falecimento de sua mãe, que envolvia o primeiro tipo de amor que ele conheceu: o maternal. Apesar sempre ter sido reservado e considerado um homem de poucas palavras — um traço que herdou de seu pai —, quando Darcy era criança, havia uma única pessoa com quem ele se sentia completamente confortável para conversar ou ficar em silêncio. Uma pessoa que ensinou-lhe sobre as coisas mais importantes, como respeito, amor e honradez. Uma pessoa que mostrou-lhe como a vida poderia ser bela.
Esta pessoa era sua mãe.
E então ela faleceu e, a partir deste dia, a vida de Darcy foi outra.
Não foi um acontecimento totalmente inesperado, pois Lady Williamson esteve doente por um tempo. No entanto, isso não foi o suficiente para Darcy se preparar, afinal ele estava no fim da infância e ainda não entendia completamente o que significava a morte e a intensidade com que o falecimento de sua mãe o atingiria.
Pela primeira vez, Darcy sentiu sobre si todo o peso do mundo e precisou encará-lo sozinho. Não que seu pai não estivesse a seu lado, pois eles se amavam muito e Lorde Williamson se fez sempre se presente em todos os momentos, sejam nos mais alegres ou nos mais difíceis. Inclusive, o laço entre os dois se fortaleceu na necessidade de conforto mútuo durante o período de luto.
Entretanto, isso não suavizou a dor de Darcy, que apenas crescia. Ele sentia que parte de si também havia morrido. Lady Williamson tinha sido durante muito tempo sua única e melhor amiga. Sua ausência era devastadora, pois sua mãe era uma luz na vida de todas as pessoas que a tinham por perto. Portanto, Darcy teve que ser forte por si mesmo e principalmente por Charlotte.
Assim, ele redescobriu mais uma vez o amor fraternal. Por sua própria experiência, Darcy sempre soube que família era um presente divino e, por isso, desde o dia que seus pais contaram que ele teria um irmão ou uma irmã, ele teve a certeza de que ele ou ela seria uma das pessoas mais especiais. E foi exatamente assim.
Charlotte perdeu a mãe quando era apenas uma garotinha de quatro anos, e Darcy se empenhou em representar para ela o que Lady Williamson havia sido para ele. Não que tentasse desmerecer o papel de seu pai — pelo contrário, eles apenas se complementavam. O lorde era o tipo de pessoa que se comunicava mais com o olhar que com palavras. Quando estas se faziam necessárias, era Darcy quem se prontificava a proferi-las a Charlotte.
Já que ela não teria a chance de receber afeto maternal, Darcy prometeu a si mesmo que ao menos seria um irmão de verdade, e que ela conheceria o significado de uma família unida e amorosa.
Desse modo, à medida que Charlotte crescia, Darcy nunca permitiu que a irmã se sentisse solitária. Nas noites em que ela não conseguia dormir por medo ou por causa da saudade que apertava em seu peito, ele contava histórias de aventura para que ela não precisasse enfrentar a noite sozinha.
Quando Darcy estava de férias do colégio, ele ia para Pemberley para ensiná-la a andar a cavalo. Ele deu-lhe de presente o piano que ela tanto desejava e juntos eles treinavam duetos quase todas as vezes que se viam. Ele a levou para conhecer as principais cidades da Europa e incentivou-lhe a estudar o que tivesse vontade.
Além disso, Darcy também sentiu necessidade de protegê-la. Ele admitia que em certas ocasiões exagerava na tarefa, impedindo que Charlotte descobrisse o mundo e suas diversas facetas por si mesma, mas ele apenas não queria vê-la sofrer.
Uma outra mudança significativa que ocorreu nele desde o falecimento de sua mãe foi a maneira como enxergava o mundo. Darcy aprendeu a lidar com a dor e com as perdas, mas, por outro lado, passou a realmente valorizar a vida, principalmente os momentos ao lado das pessoas que amava.
Ele começou a reparar que poucas coisas eram mais bonitas que um sorriso sincero advindo de quem quer que fosse. Ele descobriu que ninguém nesse mundo é uma coisa só. Ele percebeu que cada pessoa um tem uma história e trajetória diferente, e por isso interpreta, a partir da própria perspectiva, os acontecimentos de maneira diferente dos demais. Ele entendia que cada um é resultado do próprio mundo.
E para Darcy, toda essa diversidade era o que tornava a vida bela.
Ele se interessava em observar tudo a sua volta — as pessoas, as paisagens, os acontecimentos. E o lado ruim disso era que, de certa forma, ele se tornou um espectador. Sua personalidade taciturna fora apenas reforçada com o tempo, fazendo com que muitas vezes ele se sentisse deslocado no meio das festas e das multidões.
Assim, apesar de sempre encontrar uma maneira se divertir em eventos sociais, ele se acostumou ao fato de que a própria vida era tranquila e serena, sem a agitação que parecia ser tão comum aos seus amigos e sem picos de extrema felicidade ou tristeza.
Não que Darcy fosse infeliz, pois nunca foi. Ele sempre teve uma existência agradável e satisfatória, e realmente se sentia bem desta maneira. Desempenhava nas empresas de sua família funções das quais gostava, e no seu pequeno círculo familiar e de amizade haviam apenas pessoas que ele admirava e amava.
Darcy simplesmente não pensava que sua vida seria mais que isso.
Entretanto, ele estava equivocado.
Completamente equivocado.
Pois há pouco mais de dois meses, em uma manhã de verão de São Paulo, ele descobriu que a felicidade, em sua forma mais plena, era possível para ele.
E foi então que ocorreu outro ponto de inflexão na sua vida.
Elisabeta Benedito.
Com ela, Darcy teve certeza que sua vida poderia ser (e já estava sendo) muito mais do que ele jamais sonhou.
Diferentemente da primeira situação, desta vez ele descobriu que não precisava ser forte sozinho — aliás, a palavra só nem mesmo parecia existir desde que conhecera Elisabeta. De uma forma ou de outra, ela preenchia cada canto de seu coração. Com seu sorriso, com seu olhar, com seu toque, com seu cheiro, com seus pensamentos em voz alta ou até mesmo com seu silêncio.
Elisabeta era o mundo que Darcy queria habitar.
Ele nunca havia conhecido alguém por quem sentisse algo tão profundo e especial como o que sentia por ela. Elisabeta era a primeira primeira pessoa em quem ele pensava ao acordar e a última antes de adormecer.
E, quando eles dormiam lado a lado — o que vinha acontecendo com cada vez mais frequência desde que voltaram do Vale do Café, há cerca de duas semanas —, Darcy era inundado de contentamento simplesmente por tê-la a seu lado. Mesmo que precisasse conter o intenso desejo que sentia, afinal um relacionamento e suas implicações eram novidade para Elisabeta, ele não se importava. Darcy queria aproveitar ao máximo cada passo que davam juntos em direção ao futuro. Estavam oficialmente juntos há pouco tempo, e teriam ainda o resto de seus dias para se descobrirem.
Não que não houvessem avançado no que se referia à intimidade de um casal. Quando se beijavam, inevitavelmente aconteciam carícias mais intensas. Porém, antes de dar mais o último passo, Darcy diminuía o ritmo. Ele queria que Elisabeta estivesse totalmente pronta para sua primeira vez. E se isso ia acontecer em um dia ou em um ano… bom, ele não sabia, mas também não se preocupava, pois de qualquer maneira eles estavam juntos.
Juntos. Esta devia ser uma das palavras mais bonitas do dicionário.
Darcy e Elisabeta. O que diria a razão sobre eles? Darcy não conseguia pensar em outra resposta que não esta: eles eram perfeitos um para o outro.
E se as últimas semanas serviam como um indicativo de como seria a vida deles, então Darcy já podia afirmar que já eram, e sempre seriam, o casal mais feliz do mundo.
Embora Elisabeta morasse no cortiço, eles se viam todos os dias. No jornal, eles ainda não haviam revelado aos colegas — com exceção de Charlotte — que estavam juntos, pois Elisabeta ainda estava começando na função e no ambiente de trabalho ela preferia separar sua vida profissional da pessoal. Isso não impedia, é claro, de um ir à sala do outro nos dias em que Darcy estava trabalhando no mesmo ambiente que ela.
Ele gostava de estar ao lado de Elisabeta enquanto ela escrevia sua coluna. E ela gostava de pedir a ele sua opinião sobre suas ideias. E os dois gostavam ainda mais quando surgiam oportunidades de roubarem beijos escondidos. Afinal, eles simplesmente não conseguiam evitar. A vontade de estarem juntos era mais forte.
Após o trabalho, quando Darcy buscava Elisabeta no jornal para levá-la para o cortiço, eles passavam a noite conversando sobre tudo ou sobre nada. Depois do jantar, eles evitavam terminar a noite, pois a despedida seria dolorosa demais. Assim, de repente percebiam o quanto estava tarde, e quando Darcy dizia que ia embora, Elisabeta não concordava, alegando que seria perigoso sair pela cidade naquele horário. Então ele tinha que ficar. E eles tinham que dormir abraçadinhos.
O mesmo acontecia quando era Elisabeta quem estava na casa de Darcy. Naquele pequeno intervalo de tempo, eles já tinham peças de roupas e escovas de dente na casa do outro.
Aos finais de semana, eles quase não paravam em casa, pois haviam decidido explorar todos os cantos de São Paulo. Eles iam ao teatro, ao cinema, aos museus, aos parques e a diversos restaurantes.
Mas hoje, embora fosse sábado, o tempo estava nublado e eles preferiram ficar na casa de Darcy. Charlotte havia saído com as amigas e, quando a noite ainda estava se iniciando, Darcy e Elisabeta resolveram jogar xadrez. No entanto, ele quase não conseguia prestar atenção no que fazia, pois havia algo diferente em Elisabeta. Ela estava muito mais linda.
Era verdade que ele pensava isso toda vez que a via, mas naquele momento ela parecia reluzir. Será que o motivo disso era que...
— Xeque-mate.
— Já!? — Darcy olhou para seu relógio.
Lá estava o motivo do brilho de Elisabeta: um xeque-mate.
Pela quinta vez.
Elisabeta deu de ombros e sorriu.
— Não reclame. Eu acho que perder pode ser vantajoso para você. — ela provocou e se levantou.
— Ah, é? Como? — Darcy perguntou e Elisabeta ofereceu sua mão para que ele se levantasse também.
Quando ele já estava em pé, Elisabeta pegou a gravata dele e começou a alisá-la.
— Eu acho que quem perde de um lado, deve ganhar de outro.
Estas palavras impactaram todo o corpo de Darcy, pois era como se ele pudesse senti-las fisicamente. O que Elisabeta tinha em mente? Ele não sabia, mas ele conseguia pensar em muitas coisas.
— Se é assim, então vamos jogar mais um milhão de vezes. Prometo nem me esforçar pra ganhar. — Darcy disse.
Elisabeta sorriu e deu um selinho nele.
— Então vou fazer minha proposta.
Darcy assentiu e envolveu-a pela cintura, começando a depositar vários beijos em seu rosto.
— Por favor, diga.
— O que você acha… — Elisabeta colocou uma mão no ombro e a outra no pescoço dele, impedindo que ele se afastasse. — ...de nós dois… — ela estremeceu quando ele beijou sua clavícula. — ...ou melhor, de eu te ensinar algo?
Darcy ofegou.
— Qualquer coisa. — ele disse.
Ela arqueou as sobrancelhas.
— Qualquer coisa? Hmmm… muito bem, então. — Ela deu uma pausa antes de dizer: — Você gostaria que eu te ensinasse a… cozinhar?
— Eu vou adoraria se você me ensinasse a…
Espera, o quê!?
Darcy paralisou. Elisabeta estava sugerindo que eles cozinhassem? Ele franziu as sobrancelhas. Ele havia imaginado centenas de propostas diferentes, e nenhuma delas envolvia cozinhar. Envolviam outras coisas — e todas, absolutamente todas, apenas casais faziam.
Darcy engoliu em seco.
— Cozinhar? — ele não conseguiu evitar a decepção em sua voz.
Elisabeta riu alto.
Engraçadinha. Ela havia feito de propósito.
— Sim. Eu acho que será divertido.
Aquilo não era o que ele estava esperando. Definitivamente não era. Mas… porque não?
Por isso, ele assentiu.
— Eu adoraria, meu amor. Vou falar pra cozinheira que ela não precisa preparar o jantar de hoje. — Darcy disse.
Antes que ele desse um passo, no entanto, Elisabeta segurou seu braço.
— Ei, espera. — ela envolveu-o num abraço em que os dois ainda podiam se olhar. — Ainda está cedo. Podemos aproveitar esse tempinho pra outra coisa. — Elisabeta disse e beijou-o.
E Darcy colocou naquele beijo toda a urgência que sentia.
Sua mão começou a percorrer todo o corpo de Elisabeta: seus braços, suas costas, suas coxas e, por fim, seus seios. Ele não estava pensando muito bem e apenas percebeu o que estava fazendo quando Elisabeta se afastou um pouco, com sua respiração entrecortada. Darcy pensou que ela iria pará-lo, mas, em vez disso, ela pegou sua mão e levou-o em direção às escadas.
Eles foram até o quarto e quando entraram, ele notou que os olhos de Elisabeta estavam mais verdes, pois havia neles uma intensidade que Darcy identificou como paixão.
— Tranque a porta. — Ela disse.
Darcy sentiu um arrepio percorrê-lo quando ele se deu conta do que iria acontecer.
Ele fez o que ela pediu, mas ainda assim perguntou, ao caminhar lentamente em direção a ela:
— Elisabeta Benedito… você tem certeza?
Ela assentiu, sorrindo.
— Eu nunca estive tão certa antes. Eu amo você, Darcy. E sei que você me ama também. Então eu quero que esta seja nossa primeira noite juntos. Apenas a primeira de muitas.
Assim, os dois correram para os braços um do outro, pois aquela distância de minutos havia parecido uma eternidade. Eles precisavam daquele contato, e por isso retomaram tudo o que estavam fazendo antes.
Sem se soltarem, eles caminharam até a cama, onde Elisabeta praticamente caiu deitada com Darcy sobre ela, pois nenhum dos dois tinham total controle sobre seus movimentos ou vontade de prestar atenção em qualquer coisa que não fosse aquele momento.
Darcy não conseguia parar de tocá-la. Mas, desta vez, ele queria sua pele. Por isso, puxou a barra do vestido de Elisabeta para cima e acariciou toda a extensão de sua perna, começando por seu joelho — era onde ele podia tocar com as mãos sem que precisasse deixar de beijar os lábios dela. Ele seguiu para suas coxas e, por fim, seu quadril.
Cada vez que Elisabeta gemia, a necessidade de Darcy aumentava.
Cada vez que ela o puxava para mais perto, a pulsação dele se acelerava.
Darcy a amava intensamente com sua alma, e agora a amaria com seu corpo também.
E foi isso que aconteceu. Ele retirou, uma a uma, as peças de roupa dela. Quando começou a se despir, Elisabeta o impediu e se encarregou da tarefa. Aos poucos, os dois se entregaram um ao outro. Se conheceram por completo, sem restrições ou receios.
Quando se uniram…
O que fizeram foi amor — diferente de qualquer coisa que já haviam feito antes.
Foi também paixão — em sua forma mais intensa e completa.
Ao terminarem, a explosão que sentiram não foi apenas carnal: foi um prazer e uma felicidade que chegaram também a seus corações.
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Uma hora depois, Elisabeta ainda estava aninhada no abraço de Darcy. Ela simplesmente não queria sair dali, pois aquele havia se tornado seu lugar favorito no mundo.
Se pudesse, ela pararia o relógio para que aquele instante não acabasse. Se dependesse dela, o mundo lá fora deixaria de existir.
No entanto, como Elisabeta era realista e sabia que isso era impossível, ela começou a criar planos mais plausíveis.
Tais como como levar Darcy para uma ilha deserta com ela. E nunca mais deixá-lo sair de lá.
No entanto, como isto também seria algo difícil (ou que demandaria um planejamento demorado), Elisabeta decidiu enfrentar a vida real. Suspirando, ela se levantou parcialmente para encarar Darcy.
— Vamos? — Elisabeta perguntou.
Ele sorriu, feliz.
— Mais uma vez? Sim, vamos. — Darcy a puxou por um beijo.
Elisabeta não resistiu e cedeu ao contato, mas logo depois deu um leve tapa no ombro dele, rindo.
— Eu me referia a preparar o jantar, seu bobo.
Após muita dificuldade para deixarem a cama, eles se vestiram e desceram para a cozinha. Lá, Darcy reuniu todos os empregados da casa e deu-lhes a noite de folga. Quando estes se foram, Elisabeta sugeriu um cardápio inglês e Darcy concordou prontamente, pois às vezes sentia saudade da culinária de seu país. O prato escolhido foi Sunday roast. Entretanto, eles não encontraram muitos dos ingredientes que queriam e por isso precisaram fazer uma adaptação.
Elisabeta se divertiu com a falta de experiência de Darcy na cozinha. Quando ela pedia para ele pegar algum ingrediente, ele nunca tinha certeza do que era. Quando pediu que ele cortasse os legumes, ela precisou interferir antes que ele arrancasse um de seus dedos. No entanto, Darcy era um aluno esforçado e, quando Elisabeta ensinava como fazer algo, ele aprendia rapidamente.
Pouco tempo depois, a comida estava pronta e o horário coincidiu com o momento em que Charlotte chegou em casa, e Elisabeta convidou-a para comer com eles. Sua cunhada aceitou e se ofereceu para decorar a mesa de jantar enquanto Darcy ia buscar na cozinha o que haviam preparado: carne assada e vegetais cozidos. Não se assemelhava em nada ao prato inglês, mas se ao menos estivesse saboroso, eles podiam relevar o fato.
Charlotte foi a primeira a se servir, pois, embora fosse anfitriã de Elisabeta, naquela noite era como se fosse a convidada. Darcy não conseguiu evitar um olhar ansioso, esperando a opinião da irmã.
— E então? — Ele perguntou quando ela comeu o primeiro pedaço da carne.
Charlotte abriu um sorriso que possuía mais compaixão que sinceridade.
— Bom… — Charlotte encarava o prato a sua frente. — Digamos que não está tão ruim. Tenho certeza que, se tivesse mais tempero, estaria maravilhoso. — Ela disse amavelmente.
Faltava tempero na comida? Elisabeta olhou para Darcy e os dois enrubesceram.
Ao mesmo tempo.
No momento em que iam temperar a carne, Darcy estava ocupado demais abraçando Elisabeta por trás e beijando sua nuca. E por isso eles nem prestaram atenção na tarefa.
— Pra ser sincera com vocês, eu estou com pouca fome. Vou comer apenas estes legumes, que devem estar divin… — Charlotte parou de falar quando colocou um pedaço de cenoura na boca. Ela encarou Darcy e Elisabeta com uma expressão sem graça e continuou: — Preciso visitar um dentista urgentemente. Meus dentes estão fracos.
Então os legumes estavam duros. Elisabeta engoliu em seco, se lembrando que, quando pegou um pedaço de cenoura para que Darcy conferisse se estava no ponto certo, ela aproveitou o momento em que ele abriu a boca para beijá-lo. E depois eles se beijaram de novo. E de novo. E de novo.
E se esqueceram completamente da cenoura.
Elisabeta se virou para Darcy, que já estava olhando-a com um olhar meio culpado, meio divertido. Apenas com suas expressões faciais, perguntou a ele o que fazer. Em resposta, ele deu de ombros.
Charlotte terminou de comer seus legumes e se retirou do cômodo imediatamente após agradecer pelo jantar. Elisabeta se solidarizou com a cunhada, pois suspeitava que tanta rapidez era, na realidade, medo de que Darcy revelasse que eles haviam cozinhado outros pratos além daquele e oferecesse para ela.
Após um breve silêncio, Elisabeta perguntou:
— Você acha que vale a pena experimentar? — Ela disse e apontou para a comida a sua frente.
Darcy suspirou enquanto pensava. Após diversos segundos, ele disse:
— Podemos comer, se você quiser. Posso buscar sal na cozinha para melhorar o sabor da carne. Ou então…
— Ou então o que? — Elisabeta interrompeu, esperançosa. Ela estava com muita fome, mas se havia uma alternativa que não fosse comida sem gosto e crua, ela preferiria. Sem dúvidas.
— A cozinheira sempre guarda os biscoitos que sobram do chá da tarde.
Elisabeta sorriu.
— Darcy Williamson, você é meu herói.
Sem esperar nem mais um instante, os dois se levantaram e foram para a cozinha. Após uma rápida busca, eles encontraram os biscoitos e o restante da sobremesa do almoço. Elisabeta sugeriu que eles comessem no quarto, e então Darcy pegou uma vasilha para guardar os quitutes. Para acompanhar a refeição improvisada, eles escolheram um vinho e pegaram duas taças.
E água também.
Muita água.
Pois todos os planos que Darcy e Elisabeta tinham para o restante da noite eram deliciosamente cansativos.
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