Hate to see your heart break
1 Capítulo 1
Mick estacionou na frente da minha casa e desligou o carro.
— Não foi tão ruim... – ele comentou olhando para mim sorridente.
— ... Mick... por favor... – eu respondi com sinceridade.
— Ok. Foi uma droga – ele disse soltando os ombros, derrotado. – Mais ainda assim, foi melhor do que semana passada.
Mick usava uma camisa social azul, que destacava seus olhos azuis-claros. Seu cabelo escuro estava todo arrumado, partido de lado, fazendo com que parecesse que ele tinha 12 anos.
— Obrigado Olly. Por fazer isso. Você é a melhor – ele respondeu dando um beijo no meu rosto.
Mick tinha me pedido para usar um vestido verde para destacar meus olhos, mas tudo o que eu queria era entrar em casa e colocar meu pijama. Meu cabelo ruivo, estava preso em rabo de cavalo e Mick adorava ficar arrumando minha franja toda hora.
— Teve um lado bom em tudo isso pelo menos – eu disse para Mick. – Pelo menos, eu tinha uma desculpa plausível para não sair com Layla hoje.
— Layla e Oscar, você quer dizer. – Mick me corrigiu
— Tanto faz – eu disse pegando minha bolsa. – Te vejo amanhã no trabalho?
— Sim, claro – ele respondeu sorrindo.
Sai do carro, atravessei a calçada e peguei minha chave para abrir a porta de casa. Mick só deu partida no carro depois que me viu entrar em casa. Era final de tarde, e já estava escurecendo.
Entro na sala de estar e vejo Hector sentado no sofá com um pote de sorvete no colo. Ele esta usando uma camisa preta, com uma calça jeans escura e tênis novos. É assim que sei que ele vai sair. Pelos sapatos. Ele nunca usaria tênis novos para ficar de bobeira na minha casa jogando vídeo game com meu irmão.
Hector é o melhor amigo de Klaus, meu irmão mais velho, desde que eles tinham 9 anos de idade. E Hector sempre estava na minha casa. Sempre.
— Ei – eu digo me jogando no sofá ao seu lado.
— Ei – ele responde sem tirar os olhos da televisão. – Como vai minha Weasley favorita? – ele pergunta pegando uma mecha do meu cabelo.
Quando éramos crianças, Hector dizia que eu era adotada porque eu parecia um elfo, por ter cabelo ruivo e olhos verdes. Então ele começou a ler Harry Potter, e veio com a ideia de que eu era uma Weasley perdida.
— Vocês vão sair hoje? – mesmo sabendo a resposta, pergunto do mesmo jeito.
— Tem uma festa perto da faculdade hoje – Hector respondeu. – Klaus está tomando banho.
Klaus e Hector estavam no segundo ano de engenharia mecânica.
— Hum.. – eu disse tirando o pote de sorvete de seu colo e a colher de sua mão.
Eu conheço Hector desde que eu tinha 7 anos, então já passei da fase de ter nojo de usar a mesma colher que ele.
- Como anda seu golpe? – ele pergunta se virando para mim.
Seus olhos castanhos estão brilhando e ele está rindo.
— Não é um golpe – eu murmuro voltando minha atenção para o sorvete.
- De onde eu venho, o que você está fazendo, é sim chamado de golpe – Hector disse puxando o pote de sorvete de volta.
— Você é estudante de engenharia ou direito? – eu rebati.
— Calma Olly, não estou te julgando. – Hector bagunçou minha franja e voltou a ver televisão. – Só para recapitular, quais são seus argumentos, quer dizer, o que você tem a dizer em sua defesa que comprove que o que você está fazendo com Mick, não é um golpe.
Respirei fundo e pensei.
— Eu não posso comprovar que não é golpe – eu disse enfim. Mas antes Do sorriso de Hector começar a crescer, eu voltei a falar: — Mas eu posso justificar.
— Oh... você tem uma justificativa?
— Sim.
— E qual seria?
— É uma causa nobre – eu disse.
— Causa nobre?
— A mais nobre possível.
— Você não pode estar falando sério.
— O avô de Mick é rico. Quer dizer, rico de verdade. Mas também é um babaca. Ele nunca, jamais, aceitaria que Mick é gay. E por isso Mick tem que ficar dentro do armário. A mãe de Mick tem depressão e não consegue trabalhar, e todo dinheiro que eles têm, vem da mesada que Mick recebe do avô mais o salario que ele ganha trabalhando comigo. Detalhe: o avô de Mick detesta a mãe dele. E Mick precisa de mais dinheiro para pagar o tratamento e medicamentos da mãe, mas seu avô nunca daria dinheiro para isso. Então estou fingindo que sou namorada de Mick para que ele consiga mais dinheiro do avô. Você está certo, é um golpe. Mas Mick precisa do dinheiro.
— Ok, podemos considerar isso um motivo nobre – Hector disse por fim. – Legal da sua parte fazer isso.
— Ele é meu melhor amigo – eu respondi.
— Desculpe? Pensei que EU era seu melhor amigo.
- Você é o melhor amigo do meu irmão. – eu respondi.
— Eu te ensinei a andar de bicicleta! Eu te ajudei a estudar matemática! Eu te... ensinei a dirigir!
— Opa! Meu pai e Klaus e me ensinaram a dirigir, você só estava dentro do carro porque queria uma carona.
— Eu te dei apoio moral quando você estava aprendendo a dirigir.
- Você estava rezando em espanhol no banco de trás do carro.
— Eu sou uma pessoa religiosa!
— Será que vocês conseguem ficar no mesmo ambiente sem começarem a gritar um com o outro? – disse Klaus entrando na sala. Ele usava uma camisa branca com um jeans azul. Ele tinha tentado fazer alguma coisa com seu cabelo loiro, mas não deu muito certo. Acabou ficando meio bagunçado de qualquer jeito.
— Ele/Ela começou – falamos ao mesmo tempo.
— Tanto faz. Vamos? – Klaus perguntou para Hector.
— Yep. – Hector levantou-se do sofá e me entregou o pote de sorvete.
— Vou voltar tarde e acho que o pai vai dormir na casa da namorada hoje – Klaus disse pegando a carteira. – Compra uma pizza para você comer – ele me entregou o dinheiro.
— Por que você está dinheiro para ela? Ela trabalha.
— Cala a boca Hector! – eu disse jogando uma almofada na sua direção.
— Anda logo Hector – disse Klaus empurrando Hector para a porta da frente.
— Ok, ok... que família mais agressiva – disse Hector passando pela porta.
-Qualquer coisa, me liga – disse Klaus fechando a porta ao sair.
Cinco segundos depois, Hector abriu a porta e correu para a sala.
— Que foi? – perguntei.
— Esqueci minha jaqueta – ele disse apontando para o sofá onde sua jaqueta estava jogada.
Peguei a jaqueta e joguei em sua direção.
— Ah! Mais uma coisa – ele se afastando lentamente – Eu te dei seu primeiro beijo.
E antes que eu pudesse pegar a outra almofada ao meu lado, ele já tinha passado pela porta gritando “Meu guarda uma fatia de pizza”
Eu tinha certeza que Kluas já deveria estar na calçada o esperando, porque Hector nunca diria esse tipo de coisa com Klaus perto.
Quando eu tinha 13 anos e Hector 15 nós tivemos... uma coisa. Não relacionamento. Foi uma paixonite. Boba. Que durou pouco. Não era nada sério, mas mesmo Klaus jamais poderia saber. Porque não importa o quão amigos eles sejam, Klaus ainda mataria Hector se soubesse que já ficamos.
Hector e eu chegamos a conclusão de que não devíamos ficar juntos porque não importa o quanto gostássemos um do outro, nós dois gostávamos de Klaus muito mais e não queríamos magoa-lo. Percebemos isso no dia do aniversario de 15 de Klaus, quando na hora do discurso, Klaus disse que Hector e eu eramos seus melhores amigos e as pessoas que ele mais confiava no mundo.
Levantei do sofá e fui para meu quarto. Tirei o vestido, tomei um banho e coloquei meu pijama. Uma calça de flanela azul com estrelas brancas, e uma camisa amarela do Pikachu. Sim, eu estou prestes a completar 18 anos, e ainda uso roupas com meu pokemons favoritos, algum problema?
Pedi uma pizza e comecei a mexer na internet. Mai especificamente, comecei a stalkear Oscar.
Oh Deus... Como eu sou patética.
Lá estou eu, fuçando o facebook do namorado da minha amiga. Por que eu sempre fazia isso? Não tinha nenhum foto novo, e ainda assim, eu não cansava de olha-las.
Desliguei o computador na esperança de salvar o que me restava de dignidade e fui para a sala ver televisão.
Oscar.
Oscar e Layla.
Layla e Oscar.
Nunca Oscar e Olly.
Eu adorava Layla. Do fundo do meu coração. E ter sentimentos pelo namorado dela, fazia com que eu me sentisse a pior pessoa da terra. Mas em minha defesa, eu vi Oscar primeiro.
Oscar era meu amigo. Nós dois éramos voluntários no abrigo de animais ano passado. E eu nunca tirei da minha mente que talvez, na época, ele também gostasse mim. Então Layla e o viu. E eu o perdi. Nossa, que drama. Eu não o perdi. Ele ainda é meu amigo. Mas não é a mesma coisa.
Eu só queria arrumar um jeito de tirar ele da minha cabeça.
Comi metade da pizza e fiquei na sala. Já era mais de meia-noite quando eu ouvi um barulho na porta. Ela abriu com tudo e eu viu Hector e Klaus pulando para dentro de casa.
— Mas que merda Klaus! – eu gritei assustada.
Então olhei para eles. Era claro que eles tinham bebido. Mas tinha mais. Eles tinham... brigado?
Ai meu Deus... Eles tinham brigado. Klaus estava com o olho inchado e Hector tinha um corte na sobrancelha.
— Olly! – disse Hector sorridente.
— O que aconteceu?! – eu perguntei.
— Um discussão boba aconteceu durante a festa – disse Klaus.
— Você usou suas mãos para discutir?! E vocês estão bêbados! Vocês dirigiram bêbados?!
— Calma, Max nós trouxe até – Hector disse calmo. – Ele é o motorista da noite.
— Quem porra é Max?! – eu estava irritada e preocupada.
— Eu sou Max – disse um garoto que estava parado na porta.
Ele era mais alto do que eu. Tinha o cabelo castanho claro e usava óculos. Klaus o convidou para entrar. Hector devia estar no banheiro.
— Klaus, o que aconteceu? – eu perguntei, agora mais calma.
— Ele mexeu com a namorada de um cara da engenharia civil. – Respondeu Max. Ele tinha entrada na sala e estava apoiado no batente da porta.
— Engenheiros brigam entre si? – eu perguntei. – Vocês são da mesma espécie, deveriam estar brigando com pessoas de outros cursos! – eu disse e depois me dei conta do que eu disse. – Não! Vocês não deviam brigar de jeito nenhum!
— Foi incrível Olly – disse Klaus sorrindo.
— Você é um idiota. – eu disse irritada novamente.
— Pega alguma coisa gelada para mim? – Klaus pediu.
Pisando duro, fui até a cozinha e abri a geladeira.
— Tem alguma coisa para beber? – perguntou Max.
Levei um susto. De onde ele surgiu? Eu não tinha o visto se aproximar.
— Suco, refrigerante, água e cerveja – eu disse sem olhar para ele.
Eu nem o conhecia mas também estava irritada com ele.
— Hum... Eu não posso beber cerveja, sou o motorista da noite. Pode ser refrigerante.
Peguei dois latas de refrigerante ao mesmo tempo que ouvi Hector gritar do banheiro “Olly, e a pizza?!” Entreguei uma lata para Max
— Idiota – eu murmurei, pegando um prato no armário. Me virei para Max: — Pizza?
— O que?
— Pizza? Quer pizza? – perguntei.
— Sim, por favor – ele disse sorrindo.
Enquanto eu cortava a pizza, Max se aproximou da mesa.
— Olly é apelido do que? – ele perguntou.
— Olimpia – eu disse lhe entregando um pedaço de pizza e saindo da cozinha.
Entreguei a outra lata de refrigerante para Klaus que imediatamente a levou ao olho inchado. Hector tinha saído o banheiro e estava sentado ao lado de Klaus, lhe entreguei a pizza.
Os dois estava jogados no sofá, além de bêbados, tinham apanhado.
— Patetico – eu disse olhando para eles.
— Pessoal, eu já vou – disse Max entrando na sala.
— Valeu Max! – disse Klaus.
— Max, você é o cara! – disse Hector.
Eu acompanhei Max até a porta.
— Obrigada por traze-los – eu disse abrindo a porta.
— Obrigada pelo refrigerante e pela pizza.
— De nada — eu respondi.
— Foi um prazer te conhecer Olimpia – Max disse sorrindo e saiu.
E foi assim que Max Ackerman entrou na minha vida. Esse foi o primeiro dia do fim do meu mundo.
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