Hate to see your heart break
2 Capítulo 2
Acordei antes mesmo do meu despertador tocar. Fico na cama por alguns minuto.
Meu nome é Olly. Eu tenho 17 anos. Eu gosto de assistir desenhos, eu não gosto de filmes de terror. Eu não sou como a minha mãe, eu não vou terminar como a minha mãe.
Levanto da cama e vou para o banheiro. Ao passar pela sala, vejo Hector deitado no sofá dormindo. Sinto vontade de mexer com ele, mas desisto, sigo para o banheiro. Lavo o rosto e escovo os dentes.
Enquanto estou escovando os dentes olhos pela janelinha do banheiro e vejo Klaus no jardim do fundos.
– Bom dia – eu disse ao me aproximar dele. – Como se sente?
Ele está sentado em uma cadeira reclinável fumando um cigarro. Seu olho não está mais inchado, mas escuro ao redor.
– Bem... – ele respondeu. – Quer dizer... com ressaca, mas bem.
– E seu olho? – perguntei. Estou descalça e posso sentir a grama úmida nos meu pés.
– Ainda dói um pouco.
– O que você vai falar para o pai quando ele ver isso?
– Eu não sei... na hora eu invento alguma coisa... Mas provavelmente vou acabar dizendo a verdade.
Eu sabia que meu pai não ia gostar de ouvir a verdade.
– Ok... Eu vou me arrumar para ir para a escola – eu disse me afastando. – Dá um jeito em Hector, ele está desmaiado no sofá.
– Pode deixar. – Klaus acenou com a cabeça. – Olly... – ele me chamou.
– Quê? – eu me virei pensando que ele me pedir alguma coisa.
– Me desculpe por ontem. – ele disse. – Eu não devia fazer essas coisas. Quer dizer, não mais...
– Tudo bem...já passou. Não tem problema.
– Eu só não quero que você me veja fazendo essas coisas idiotas e pense que é... normal. Ou certo.
– Você é um bom irmão, sabe disso certo? Mas além disso, você só tem 20 anos... Tudo bem você fazer uma besteira de vez em quando... – entrei em casa e fui para o meu quarto.
O uniforme da minha escola consistia em uma saia preta com uma camisa social branca junto com uma gravata verde-escuro com linhas amarelas, além de um suéter verde escuro com o emblema da escola. Como estava um pouco frio, coloque uma meia-calça preta.
Eu tinha certeza que a minha escola devia ser a única da cidade a obrigar os alunos a usarem uniforme.
Prendi meu cabelo em um rabo-de-cavalo baixo e sai do meu quarto.
Klaus agora estava na cozinha. Ele me empurrou uma tigela cheia de cereal e leite. Me sentei na mesa ao seu lado.
– Quer que eu te leve para a escola hoje? – ele perguntou enquanto bebia café.
– Não precisa. Vou de bicicleta – eu respondi enquanto comia.
– Tem certeza?
– Sim.
– Você ainda está brava comigo?
– Não – eu respondi. E não estava mesmo. Eu não sei muito bem dar um nome ao que eu sentia.
Não era raiva. Eu também não estava magoada. Nem triste. Era quase uma melancolia... crescente...
– Bom dia família! – disse Hector entrando na cozinha e me abraçando.
– Eca Hector! Sai de mim! – Hector cheirava a perfume masculino, suor e tequila. Definitivamente, não é meu aroma favorito pela manhã.
Ele me apertou mais um pouco e me soltou. Então pegou minha tigela de cereal e começou a comer.
– Hector, eu estava comendo isso! – eu disse.
– Certo. Estava. Verbo no passado.
– Espero que você tenha diarreia por causa disso – eu disse encarando ele.
– Nossa Olly, como você é vingativa – Hector disse com um falso tom de ofendido. Mas continuou comendo.
Fui até meu quarto, peguei minha mochila e fui para a porta da frente.
– Klaus? – eu o chamei antes de sair.
– Quê? – ele gritou da cozinha.
– Tenta dar um jeito na casa antes de você sair, ok?
– Ok.
– Tchau.
– Tchau.
– Tchau Olly – gritou Hector.
– Vai a merda Hector – eu gritei e volta e sai de casa. Passei pela janela da cozinha no caminho da garagem e vi Hector e Klaus rindo.
Peguei minha bicicleta, coloquei meus fones de ouvido e fui para a escola.
Eu não morava muito longe da escola, então eu não precisava ter pressa em chegar, eu podia pedalar com calma, aproveitando a musica e o caminho. Eu decidi pegar um caminho diferente, simplesmente para passar na minha rua favorita. Eu só gostava daquela rua porque ela é cheia de arvores altas. As copas das arvores da esquerda, se encontram com as copas das arvores da direita, e isso acaba formando um arco... não... um túnel feito de arvores e é tão lindo. ( Só para dar uma ideia: http://weheartit.com/entry/148167132/search?context_type=search&context_user=bleht&page=5&query=tree+street)
Passar por aquela rua fazia com que eu me sentisse em um filme dos anos 90, ou talvez em um clipe de alguma banda que eu gosto. Eu não sentia mais a melancolia crescendo dentro de mim, mas sim, diminuindo.
Como sempre, cheguei cedo na escola. Guardei minha bicicleta no bicicletário e fui até o pátio encontrar meus amigos.
Antes mesmo de chegar aonde eles estavam, sentados na grama aproveitando o sol, eu ouvi a risada de Layla. Ela tem uma risada alta. Mas não é irritante. É uma risada bonita ( se é que isso é possível)
– Olly! – Pan chamou ao ver eu me aproximando.
– Olá pessoas – eu disse me sentando entre Pan e Spencer.
– Como foi o domingo? – Layla perguntou. – Com Mick. – acrescentou.
Layla não gostava de Mick. E a única razão é porque Mick deu um fora nela. Mas em defesa de Mick, ele não tinha opção. O que ele pode fazer se não se sente atraído por garotas? Eu achava que estava na hora de Layla deixar o orgulho ferido de lado. Mas eu sabia que não ia acontecer.
Mick estudava em uma escola diferente. Uma escola particular. Eu tentei convencê-lo a vir para a minha escola, mas a escola onde ele estava, era a mesma que o pai dele estudou, então era um lugar importante para ele.
– Foi legal – eu respondi, lembrando-me de que nenhum dos meus amigos da escola sabia o que eu e Mick estávamos fazendo. – E o seu?
– Oscar e eu... – Layla começou a falar e parte de mim se desligou.
Essa. Frase. Me. Matava.
Toda vez que eu ouvia ela dizer “Oscar e eu...” eu desejava que ela perdesse a voz, ou que eu ficasse surda. Ou que um meteoro caísse ao nosso lado.
Sinceramente, eu acho que não existe melhor momento para Jesus voltar a Terra do que na hora que Layla começa a dizer “Oscar e eu...”
Porque toda vez que eu ouvia “Oscar e eu...” eu deseja que ela fosse seguida de um “terminamos”.
“Oscar e eu... terminamos”
“Oscar e eu... não estamos mais juntos”
“Oscar e eu... estamos dando um tempo”
Qualquer uma das alternativas acima me deixaria feliz. E isso fazia com que eu me sentisse uma droga de amiga porque Layla era uma boa amiga. Tirando essa historia com Mick, ela era ótima.
Ouvimos o primeiro sinal tocar e nos levantamos para ir para nossa primeira aula. No corredor, um grupo de alunos da sexta séria acenou para mim.
– Oi Olly – algumas delas disseram.
Eu acenei de volta e continuei andando. Eu estava no ultimo ano do Ensino Médio, e dava monitorias de algumas matérias para os alunos mais novos, como matemática ou química.
Quando eu era mais nova, eu era um desastre em matemática, mas para minha sorte Hector era uma calculadora humana e sempre me ajudou a estudar. Eu sabia como era bom ter alguém te ajudando em algo que você tem dificuldade, e era por isso que eu gostava de dar as monitorias.
– Olly – uma das garotas da sexta série me chamou.
– Oi Allison – eu disse me aproximando dela.
– Mês passado eu fui ao aquário em que você trabalha – ela disse animada.
– É mesmo? Você gostou?
– É muito bonito lá. Você vai ser uma sereia de novo esse mês?
Oh... Sereia...
Eu não era uma sereia. Eu trabalhava na área dos mamíferos marinhos.
O aquário onde eu trabalhava era famoso pelo show de sereias. Mas não era um show de verdade. Era apenas um grupo de garotas bonitas que eram boas em prender a respiração por muito tempo nadando dentro de um tanque com caudas de sereias.
No mês anterior um das garotas ficou doente antes da apresentação e meu chefe me “convenceu” ( leia-se: obrigou) a substitui-la.
Eu pensei que iria odiar fazer isso, mas acabou sendo melhor do que eu esperava. Eu só tinha que ficar nadando de um lado para o outro dentro do tanque e acenar para as pessoas e ficar parada por tempo o bastante para o publico tirar uma fotografia.
No inicio foi um pouco complicado nadar com a as pernas juntas, mas depois peguei o ritmo, mas eu ainda precisava subir para respirar mais vezes que as outras garotas.
Mas isso só aconteceu uma vez. Eu não era uma sereia oficial.
– Eu acho que não Allison – eu respondi para ela.
Foi um dia normal na escola, nada de especial aconteceu e na hora da saída, Oscar estava no portão.
– Olly – ele disse ao me ver e veio na minha direção e me abraçou.
Me permiti sentir o seu perfume e aproveitar um pouco mais do calor vindo do seu corpo. Oscar era só um pouco mais alto do que eu, ele tinha o cabelo preto e os olhos cor mel.
– Ei Oscar – eu disse.
– E Layla?
– Layla? Ela foi no banheirio.
– Vamos no shopping agora – ele disse. – Você quer uma carona até o aquário?
– Não, obrigada. Vou pegar a minha bicicleta.
– Você não vai mais voltar para o abrigo de animais? – ele perguntou.
– Eu até gostaria, mas eu preciso de alguma coisa que seja remunerada. E além disso, eu vou lá nos finais de semana!
– Eu não vou mais de final de semana. Layla e eu...
Acho que “Layla e eu...” devia me matar ainda mais do que “Oscar e eu...”
– Você faz falta lá – disse Oscar.
“Você faz falta lá” era o modo de Oscar de dizer, “Sinto sua falta”?
– Vou tentar passar lá na minha próxima folga – eu disse.
– Ok – ele disse sorrindo.
– Ok – eu disse, rezando para que ele não conseguisse ouvir como meu coração estava batendo tão rápido e tão forte.
– Eu tenho que ir... Tchau – eu disse me afastando.
Peguei a minha bicicleta e sai da escola o mais rápido que conseguia. O sorriso de Oscar ficou gravado na minha mente e nem ouvir musica no volume máximo conseguia abafar o som da sua voz ecoando dentro da minha cabeça.
“Você faz falta lá”
Depois do trabalho fui direto para casa. Mick queria comer alguma coisa antes de irmos para casa, mas eu não estava a afim.
Ao chegar na minha rua, de longe eu vi Hector sentado na calçada da minha casa.
– Hector – eu o chamei, parando a bicicleta ao seu lado.
– Ei Olly – ele disse.
Olhei para minha casa e vi as luzes da sala de estar e da cozinha acessa. Também vi o carro do meu estacionado na garagem.
Senti meu coração acelerar de novo, e não de um bom jeito dessa vez.
– Olly, eles estão conversando – Hector disse ao ver minha expressão.
Ah não... Meu pai viu Klaus... Viu o rosto dele e soube que ele se meteu em confusão... ah não...
Larguei a bicicleta na rua e corri para dentro de casa. Hector tentou me segurar, mas eu fui mais rápida.
– Irresponsável! – eu ouvi meu pai gritar para Klaus.
– Como você tem coragem de dizer isso para mim?! – Klaus gritou de volta.
Os dois estavam em lados opostos da sala de estar. Meu pai parecia cansado e irritado. Muito irritado.
Comecei a sentir dificuldade para respirar e a suar frio. Meu coração batia cada vez mais rápido.
– Que exemplo você está dando para a sua irmã? Se metendo em brigas! Bêbado! – meu pai disse para Klaus.
Eu tinha certeza de que meu coração ia explodir a qualquer momento. Meu pai e meu irmão estavam brigando e eu estava tendo um inicio de ataque de pânico.
Senti algumas lagrimas caírem dos meus olhos, eu queria dizer para eles pararem, mas minha garganta estava fechada, eu não consigo falar, eu não conseguia respirar, eu não conseguia me mover.
– Droga pai! Você não entende! – disse Klaus, dando um soco na parede.
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