Hate Everything About You

5 Oscilações - Parte III - Extenuação


Notas iniciais
1- Dama de ferro: Espécie de sarcófago com espinhos metálicos na face interna das portas. Estes espinhos não atingiam os órgãos vitais da vítima, mas feriam gravemente. Mesmo sendo um método de tortura, era comum que as vítimas fossem deixadas lá por vários dias, até que morressem.

Em meio as ruas estreitas, escuras mesmo durante a tarde, Quarfein arrastava o elfo para dentro de diversas lojas, fazendo-o estremecer com cada item que comprava — o garoto sabia que, cedo ou tarde, aqueles itens seriam usados como instrumentos de tortura — não apenas tortura física, uma vez que até mesmo imaginar o que o drow faria com eles já era uma enorme tortura psicológica. Só retornaram para a estalagem de noite, quando todos já estavam dormindo. Quarfein foi pegar a chave na recepção, e achou o bilhete de Nádia destinado a Amaess, informando que durante a tarde, a garota havia encontrado Claitae trancada no quarto e levado-a para um lugar seguro. Informava também sobre a preocupação da pequena e o quanto ela queria que o irmão fugisse.

"Eu não sou um brinquedo..." Pensou o elfo. "Eu não devo obedecê-lo... deixá-lo me humilhar dessa forma... ele irá me ferir... não importa o que eu faça... eu preciso lutar... lutar para voltar a ser livre..." Disse para si mesmo, tentando reunir suas forças emocionais para tentar encontrar alguma esperança e resistir. "Eu não posso desistir... não posso deixar que ele me destrua dessa forma... não posso deixar que ele me transforme em um brinquedo..." Tentava dizer a si mesmo, tentando agarrar-se a qualquer pensamento que lhe impedisse de desmoronar.

Quarfein pôde ver que o garoto conseguira ler o bilhete, mesmo com a pouca luminosidade — uma expressão melancólica se fazia presente em seu rosto. A mesma expressão que fizera quando entraram na carroça.

– Se arrependeu da proposta que me fez? – Perguntou o drow, com um sorriso cruel. – Se não a tivesse feito, poderia ter tido uma morte limpa e não estaria passando por isso- O drow foi interrompido.

– Minha irmã estaria morta. E nada lhe impediria de fazer o que quisesse antes de me matar. Você só teria menos tempo para fazer isso. – Falou o garoto, sem esconder a dor que sentia na voz. Estava exausto, sentindo dores pelo corpo todo devido ao que o outro lhe fizera antes de fazê-lo rodar toda aquela periferia decadente, e ainda por cima sabia que talvez o outro não fosse lhe deixar descansar de noite também. Mas pelo menos uma coisa boa acontecera — pelo menos Claitae estava a salvo agora.

– Será? – Disse Quarfein, fazendo o elfo recuar até que estivesse com as costas contra a parede. – É, bem que você tem razão... mas o que eu já lhe disse sobre tentar fugir? – As mãos do rapaz envolveram o pescoço de Amaess. – Você se lembra, não lembra?

– Que eu saiba isso dizia respeito a mim. – Falou o garoto, com raiva. – Então, pare de querer controlar também a vida da minha irmã!

O drow deu um sorriso de escárnio, subitamente erguendo o jovem pelo pescoço. Amaess fora pego de surpresa e, assustado, tentou afastar as mãos do outro de sua garganta.

– Minha nossa... você ficou corajoso de repente! – Ironizou, ao que o garoto desferia chutes as cegas e tentava, de forma desesperada e vã, afastar as mãos do outro de seu pescoço. – Em momento algum eu disse que deixaria sua irmã ir. Eu apenas disse que não a feriria ou mataria, e até então tenho feito minha parte. – Disse Quarfein, ignorando as tentativas do outro de se soltar. – Diferentemente de você, que não aprende nunca. – Falou, observando os movimentos de Amaess ficarem cada vez mais torpes e fracos, à medida que o ar começava a faltar aos pulmões do mesmo. – Devo te lembrar que desde aquele dia você passou a ser meu e eu posso fazer o que quiser com sua vida? – Falou, observando enquanto, em uma última tentativa de se soltar, Amaess levava as mãos até as do drow, apenas para que estas caíssem ao lado de seu corpo quando seus olhos estavam prestes a revirarem.

"Ele vai... me matar..." Foi o último pensamento do garoto, enquanto sua visão enegrecia. Porém Quarfein o soltou, observando-o tossir. Amaess arfava em busca de ar, quando o drow o ergueu pela gola da blusa.

– Sabe, eu poderia até te matar... mas essa ideia não me soa agradável... ­ -Disse Quarfein, virando o garoto de costas para si e prensando-o contra a parede. O medo se alastrou pelo corpo do elfo, mas ainda assim, Amaess tentou não fraquejar. "Não! Eu mal me recuperei das últimas vezes! Por favor não!" Pensou, ainda que se recusasse a voltar atrás — mesmo porque sabia que era tarde demais para fazê-lo.

– O que foi? Você parece um pouco assustado... – Zombou o drow, mordendo a orelha do garoto. – Eu já disse que a ideia de lhe matar não me agrada, não disse?– Um brilho de malícia cruzou seu olhar, ao que uma ideia cruel se formou em sua mente. – Aliás, talvez eu até deixe você ir... – Disse. Amaess duvidou, sem esboçar reação. – O que me diz? – Insistiu Quarfein, virando o garoto de frente para si, mas ainda assim mantendo-o contra a parede. Apesar de toda a desconfiança, Amaess não pôde deixar de erguer o rosto. – Lógico, tudo tem um preço... – Falou, segurando o queixo do garoto de forma a manter o rosto do mesmo de frente para o seu. O elfo apenas o encarou em silêncio, agora temendo-o muito menos do que antes — agora sua irmã estava a salvo, com Nádia. Agora não precisava mais temer que Quarfein fizesse algo a ela — ou pelo menos era nisso que acreditava. – Eu poderia deixar você ir... caso você matasse sua irmã. – Mentiu o drow. Ainda assim, o som de um tapa se fez ouvir na recepção onde estavam apenas uma funcionária e um grupo de prostitutas. Quarfein levou a mão até a parte que o elfo tinha atingido — não esperava que ele tivesse tanta força, principalmente depois de tudo.

Vendo que o outro fora pego de surpresa, Amaess decidiu não recuar e tentou empurrá-lo, porém, em um movimento rápido e preciso, Quarfein agarrou um dos braços do garoto, pressionando o braço do elfo contra as costas do mesmo.

Bem, você é menos fraco do que eu pensei... – Disse, forçando ainda mais o braço do garoto. –Nesse caso, devo cumprir o que disse que faria com a pirralha? Não vai ser difícil, já que a maioria das pessoas está dormindo a essa hora. Falou, fazendo o elfo temer pela segurança da irmã — de fato, não haveria nada que alguém pudesse fazer quando todos estavam dormindo. Além do que, Claitae podia não estar longe o bastante.

– Não! Não toque nela! — Disse o garoto, tentando se soltar apesar da sensação de fraqueza. Conseguiu se desvencilhar e tentou atingir o drow no estômago, mas Quarfein foi mais rápido e o atingiu com um soco no peito. O ar faltou aos pulmões do elfo, que caiu no chão, deixando escapar um grito de dor.

– O que pensa que está fazendo? — Disse, pegando a adaga que trazia consigo. Os olhos de Amaess se arregalaram — o elfo preferia morrer a saber que a vida de sua irmã havia sido tirada. – Recolha-se à sua insignificância. – Falou o drow, se afastando a passos lentos enquanto Amaess tentava se levantar.

– Então mate-me.– Falou o garoto, se esforçando para ficar de pé. – Se for tirar a vida da minha irmã... ao menos tire a minha antes.

Quarfein se voltou na direção de Amaess, gostando do que ouvira. O elfo vira o outro se aproximando, mas o drow nada disse ao não ver medo algum naqueles olhos — achara aquilo estranho.

"O que é isso? Você não teme a morte? Por que?" Pensou. Até chegou a erguer a adaga, mas se deteve ao não ver nenhuma reação, a não ser o par de olhos cor de safira se fechando de forma serena, como se o jovem estivesse se preparando para dormir e não para morrer. Se virou, e ao ouvir os passos do outro voltando a se afastar os olhos do elfo se abriram de forma súbita.

– Ou não o faça e apenas mate-a... nesse caso eu mesmo me encarrego de me tirar essa vida, já que você só consegue matar crianças. – Falou. Não havia medo naquela voz e sim raiva, o que fez o drow secretamente dar um sorriso sarcástico — até gostava de quando o garoto se atrevia a desafiá-lo, e isso tinha de admitir — gostava de fazê-lo engolir aquela coragem, ou aquele orgulho. Gostava de feri-lo a ponto de deixá-lo apavorado, para então vê-lo se comportar de forma submissa, implorando por clemência e suplicando para que tivesse piedade. Gostava de sufocar a parte de Amaess que tanto compelia o elfo a proteger sua irmã, deixando apenas um garoto indefeso e perdido, completamente submetido a sua vontade.

Foi até o elfo, puxando-lhe os cabelos longos e dourados para trás, deixando a ponta da lâmina tocar a pele macia do pescoço do mesmo. Nenhum tremor, nenhum par de olhos se arregalando — apenas um suspiro. O drow deixou a lâmina deslizar pelo pescoço do jovem, mas não obteve reação diferente. Ou melhor, obteve uma reação diferente sim — mas bem diferente do que esperava.

– Quanto tempo pretende demorar com isso? – Perguntou o garoto. Amaess sabia que estava correndo sérios riscos ao desafiar o outro daquela maneira, porém, não duvidava que Quarfein pudesse cumprir sua ameaça e matar Claitae — e talvez Nádia e Alvina também. Olhando por esse ângulo, Amaess não se importava em correr o risco que fosse para puxar para si a atenção do drow e fazer com que o mesmo se esquecesse das garotas.

Parte de Quarfein se impressionou, mas a outra logo fez questão de lembrá-lo de tudo que seus pais haviam lhe dito sobre aqueles seres de pele clara e olhos intensos, fazendo-o guardar o punhal e pegar a bolsa com os itens que havia comprado.

– Tem razão. Vamos logo esquecer sua irmãzinha insignificante. – Falou. Antes que o elfo pudesse reagir, o outro jovem lhe envolveu a cintura, de forma a impedir que tentasse escapar — não que fosse necessário — havia uma grande diferença de treinamento e experiência entre os dois, apesar da diferença de idade e tamanho ser relativamente pequena. Isso sem contar que Amaess mal havia recuperado suas forças desde o último incidente.

Imaginando o que o aguardava, o elfo começou a se debater, tentando a qualquer custo se livrar dos braços que o prendiam — tentava, em meio ao pânico, buscar uma alternativa para se livrar das garras do drow. Ouviu o barulho de uma porta sendo destrancada, e sabia o que estava por vir. Tentou gritar, mas Quarfein cobriu-lhe os lábios com uma das mãos, enquanto a porta se abria e o elfo se via empurrado para dentro do quarto.

Em meio a uma mistura de fúria e desespero, tentou sair do cômodo, mas o drow apenas lhe deteve com um chute no estômago. O garoto se esforçou para não cair no chão, mas não resistiu — ainda assim, preferiu cair deitado a se apoiar nos joelhos.

Rindo, o drow trancou a porta, se deliciando com a expressão no rosto de Amaess — uma mistura de raiva e medo. Guardou a chave no bolso, erguendo-o novamente pelo braço e virando-o de costas para si, prensando-o contra a parede a despeito de todos os gritos do mesmo para que o soltasse. Amaess teve sua voz abafada quando os dedos do drow invadiram sua boca, mas aquilo não durou muito — o garoto logo tratou de mordê-los com força e tentar escapar, o que lhe rendeu um forte soco na cabeça. Seu rosto virou para o lado, e no instante seguinte o elfo se viu atingido por um golpe na parte de trás da cabeça, fazendo com que caísse no chão.

Quarfein observou enquanto Amaess, que havia ficado atordoado, tentava se afastar. O drow se deliciou com as inúteis tentativas desesperadas de escapar do outro e, enquanto o elfo se levantava, foi até a bolsa que continha o que havia comprado e pegou um par de algemas — não um par de algemas normal, mas com várias pontas de metal afiadas na parte de dentro, baseado no famoso método de tortura da "dama de ferro"¹. Amaess estava recuperando o equilíbrio quando o drow o derrubou sobre a cama, fazendo-o estremecer ao se ver sob seu corpo. O elfo emitiu um grito de dor quando uma das extremidades da algema foi fechada em torno de seu pulso direito.

– S-seu desgra- Um tapa no rosto.

– Vamos deixar isso claro de uma vez por todas — você não é nada, a não ser um brinquedo. Seu único direito é o de me obedecer. Perceba isso de uma vez. – Falou Quarfein, fechando a outra extremidade da algema no pulso esquerdo do elfo, de forma a prendê-lo à cabeceira da cama.

Sangue escorria de onde as pontas haviam se cravado — quanto mais o garoto se debatia, mais elas o feriam — a algema era feita única e exclusivamente com o propósito de, quanto mais a vítima tentar se soltar, mais ela se ferir. O elfo se debatia, gritando inutilmente por socorro — a raiva voltando a dar lugar ao medo enquanto os espinhos no interior da algema lhe rasgavam a carne à medida que se debatia.

– Não grite tanto... vai acordar os outros hóspedes... – Disse o drow, enquanto o garoto o insultava e gritava por ajuda, se agarrando à possibilidade de que talvez alguém o ouvisse. Seus gritos foram silenciados quando o drow rasgou uma tira de sua túnica, usando-a para amordaçá-lo. – Agora... vejamos... como eu posso te punir? Há tantas opções... – Disse, deixando sua adaga deslizar pelo tronco do outro, rasgando a túnica e os curativos e fazendo um corte ainda mais profundo sobre um dos vários ferimentos feitos. Se deliciou com os gritos abafados do garoto enquanto fazia uma versão mais profunda do corte que fizera anteriormente (partindo do lado esquerdo do quadril e indo até a clavícula direita), discretamente lambendo os lábios diante da visão quase louvável que era o contraste do vermelho carmesim do sangue com a pele alva do elfo — e o que mais o fazia se deliciar com aquilo era que sabia do fato de que logo a raiva que o jovem sentia daria lugar ao medo.

Não medo de morrer — longe disso, e Quarfein sabia muito bem — sabia que o elfo preferiria a morte à dor e a agonia que iria aos poucos lhe proporcionar. Sabia que Amaess preferiria ser morto a ter novamente seu corpo tomado por ele — um drow, uma criatura considerada amaldiçoada na cultura do mais jovem, assim como em sua cultura o garoto era considerado um ser inferior. Não se importava.

"É inútil..." Pensou Amaess, desesperado. "Tudo o que eu faço é inútil... nada adianta... eu não tenho chance de defesa contra ele... por que? Por que isso está acontecendo com minha vida? Eu não quero desistir... mas... ele está me sufocando... eu não consigo..."

Quarfein se abaixou, lambendo o corte recém-aberto e sentindo o corpo abaixo do seu estremecer. Agarrou as coxas do elfo, apertando-as e deslizando a faca por uma delas. Amaess rezava mentalmente para que o drow apenas o torturasse , e desistisse de novamente tomar seu corpo, quando ouviu o som da faca sendo guardada. Quarfein se levantou, indo novamente até a bolsa. "Eu não consigo... agüentar mais..." Pensou o elfo, estremecendo quando o outro pegou um alicate e se debruçou sobre seu corpo.
"Finalmente." Pensou o drow, ao constatar que a raiva havia cedido lugar ao medo. Sorriu ao ver os olhos de Amaess se arregalarem quando abriu o alicate, encostando-o em um dos mamilos do elfo.

– Está com medo?- Disse, fechando o alicate e pressionando o pequeno botão rosado. Um gemido abafado atravessou a mordaça. Quarfein começou a fazer pequenos círculos com o alicate, fazendo com que gritos deixassem os lábios do elfo para serem abafados pela mordaça e ouvidos apenas pelo seu algoz. Amaess se debatia, em vão — tudo o que conseguia com aquilo era sentir mais dor, e um par de lágrimas escorreu quando o garoto percebeu isso — não pôde evitar sentir raiva de si mesmo ao perceber que o melhor que podia fazer para não se ferir ainda mais era permanecer quieto enquanto Quarfein o violentava. O drow se abaixou, mordendo a pele branca do pescoço de sua presa enquanto mudava o alicate de lado, movimentando o outro ponto róseo, fazendo círculos um pouco maiores. O elfo não pôde evitar o impulso de se debater devido à dor, mas as algemas rasgando a carne de seus pulsos logo o lembraram de que aquilo apenas serviria para piorar ainda mais a situação.

Quarfein riu ao notar o tom avermelhado na face do garoto — não sabia dizer se ele estava vermelho de vergonha ou de raiva, mas sabia que adorava vê-lo vulnerável daquele jeito, e aquilo bastava. – Não precisa ter medo de admitir que você gosta disso... ou que o seu corpo gosta disso... — Falou, enquanto atormentava o garoto. Por fim, deixou o alicate cair no chão e se ergueu, apreciando aquela visão — Amaess estava com os olhos fechados, tendo todo e qualquer som que tentava produzir sufocado pela mordaça improvisada. Sangue escorria de seus pulsos, sujando o travesseiro e os cabelos dourados espalhados sobre o mesmo, enquanto lágrimas cristalinas escorriam pela face enrubescida.

Quarfein deixou suas mãos deslizarem pelo tronco do elfo, parando sobre um dos mamilos do mesmo e deslizando-a por ali. O garoto apertou ainda mais os olhos, ao que outro ruído foi abafado pela mordaça. Quarfein deixou escapar um suspiro de frustração — queria ouvi-lo gritar, chorando e implorando por clemência, mas aquilo seria quebrar uma das escassas regras daquela estalagem em um mundo periférico e (quase) sem lei — não incomodar os outros hóspedes fazendo barulho à noite. Podia notar o fato de que o jovem estava tremendo e notou que o quarto estava realmente frio. Deu um sorriso de canto, pegando todos os cobertores e jogando-os no chão, com exceção de um, no qual se enrolou e deitou na cama de solteiro.

Ainda que estivesse exausto e tivesse comido apenas o almoço que Nádia lhe levara, Amaess mal conseguiu dormir devido ao frio.

Notas finais
A menos que tudo o que tenham para escrever nos comentários sejam ameaças de morte, por favor comentem!