Hate Everything About You

4 Oscilações - Parte II - Destruição


Notas iniciais
Há situações em que, seja nossa vontade de seguir em frente, sejam nossas convicções, se encontram frágeis como um castelo de areia. Situações em que uma onda não precisa ser muito forte para destruir tudo.
Ainda assim, sempre é possível reconstruir esse castelo ou tentar, de forma ingênua, impedir a água do mar de atingi-lo... ou não?

Seguindo as instruções de Nádia, Amaess acabou entrando em uma sala cheia de garotas, o que o fez ficar sem saber como reagir.

Garoto, essa área é apenas para funcionárias.– Disse uma jovem. Amaess tentou dizer algo, mas logo uma das empregadas se dirigiu a ele.

– O que está fazendo aqui?– Perguntou Belinda.

– Nádia... me mandou...– Disse, no fim. Não demorou para a mulher reconhecê-lo , apesar de Amaess não se lembrar dela. Belinda logo imaginou como se aproveitar da situação — estava diante de um garoto que, se fosse humano, teria a metade de sua idade, mas sabia que os anos passavam de forma diferente para os elfos e para os humanos. Gostava de garotos assim — bonitos e inocentes — gostava de corrompê-los com sua luxúria até que não fosse possível imaginar que tais garotos haviam sido puros e inocentes algum dia.

– Ah, Nádia... por que não disse antes? – Falou, dando um sorriso falso, o que fez as outras garotas hesitarem entre alertar o elfo sobre a personalidade de mulher ou apenas aguardarem o resultado. – Você é amigo dela?

– N-não exatamente...– Respondeu, enquanto Belinda o devorava com os olhos. – Ela e Alvina... estão me ajudando a sair de uma situação difícil...– Disse o jovem. O sino de um quarto tocou — o sino do quarto 25. Amaess sentiu um calafrio percorrer sua espinha.

– Belinda, pode atender o quarto 25?– Disse uma das garotas. Belinda disfarçou a irritação e foi até o quarto, onde Quarfein esperava sem muita pressa — mesmo que escapasse da estalagem, o elfo estaria sem ter para onde fugir naquele subúrbio onde jamais se deveria andar sozinho. Uma garota foi até Amaess.

– Tome cuidado com essa mulher garoto... Belinda... ela é um poço de luxúria e traição, se há uma pessoa em quem você nunca deve confiar essa pessoa é ela. Ela faria tudo por dinheiro e diversão, inclusive matar a própria família, se tivesse alguma. — Falou uma das serventes antes de sair. Já no quarto, Belinda se postava diante da porta.

– Em que posso ajudar?– Perguntou.

– Acho que a minha chave caiu do lado de fora... teria como abrir a porta?– Mentiu Quarfein. Belinda olhou para o chão e não viu sinal da chave, mas, assim como todas as empregadas, ela tinha acesso a cópias das chaves de todos os quartos no horário de serviço. Destrancou a porta, se deparando com o drow.

– Não imaginei alguém como você nessa situação...– Disse.

– Acontece... qualquer um está sujeito a isso de vez em quando... você viu um elfo com uma garotinha pequena por aí?– Falou. Belinda logo ligou os pontos.

"Então, essa é sua situação difícil... " Pensou .

– Não sei... posso lhe passar a informação que tenho por... dez moedas de prata? Um preço justo pelo paradeiro de um garoto como o que tenho em mente não a– Antes que pudesse completar a frase, a mulher se viu com um saco de moedas em mãos. – Ele está na sala de empregados.– Disse , embolsando o dinheiro.

A passos calmos, Quarfein foi em direção na sala onde o garoto se encontrava — sabia que o elfo sequer suspeitava de sua aproximação. Amaess se espantou ao ver a figura do outro parada na porta, e antes que pudesse fazer algo, o drow puxou Claitae contra si e pressionou a faca contra o pescoço da garota.

– Volte para o quarto. Se valoriza a vida dela. – Ameaçou. Amaess pensou em pedir ajuda, mas as pessoas presentes apenas se afastaram com um olhar que praticamente dizia "me desculpe" — tinham famílias que dependiam de seus empregos, e seus empregos dependiam daquela omissão. Sem contar que o garoto temia que, se tentasse pedir por qualquer tipo de auxílio, o drow matasse sua irmã.

Se viu sem outra alternativa, se não a de segui-lo até o quarto, onde Quarfein empurrou a irmã do garoto para o banheiro, trancando-a dentro do pequeno espaço. Os olhos de Amaess se arregalaram.

– Não acha que me deve algo? – Indagou, indo na direção do garoto.

– Do que está falando?! – Exclamou o elfo, indignado. – Depois-

– Eu disse que se você fugisse eu mataria a pirralha. – Falou, empurrando Amaess contra a cama com violência, fazendo com que a cabeça do garoto se chocasse com a cabeceira do móvel. – Ainda assim, ela está viva. Mostre um mínimo de gratidão.

O elfo tentou se levantar, mas o outro agarrou-o pelos cabelos e bateu sua cabeça contra o móvel novamente, deixando sua raiva transparecer de forma tangível. O garoto emitiu um gemido de dor, tentando se erguer novamente. Conseguiu se levantar, mas a pancada havia sido muito forte, de forma que o elfo não conseguiu manter o equilíbrio e caiu no chão.

– Minha nossa... você tem mesmo algum problema de aprendizado. - Disse o drow, rindo ao ver o olhar de raiva no rosto do outro. — Por que está olhando desse jeito? Vai me matar?– Ódio e medo disputavam espaço dentro de Amaess, quando Quarfein o atingiu com um chute no peito. – Você mal consegue ficar de pé.– Disse, desferindo um chute contra o ombro do garoto. Não satisfeito, ergueu-o pelos cabelos e jogou-o na cama.

A realidade de que não tinha a menor chance de escapar era esmagadora, e fazia Amaess sentir raiva de si mesmo. O ódio que sentia por si próprio só não era maior do que o ódio que sentia pelo drow. Se agarrava a determinação que tinha, mas esta havia sido tão abalada pelas ações do drow que agora se encontrava frágil como um castelo de areia.

– Você é fraco. Não há nada que possa fazer. É ainda mais patético quando tenta resistir. – Disse Quarfein. – Deveria se conformar com o seu lugar e mostrar um mínimo de gratidão por eu ter poupado a vida da sua irmã. Não se esqueça de que vocês dois só estão vivos porque eu permiti.

Aquelas palavras silenciaram Amaess temporariamente. Mal pudera se recuperar do choque de em apenas um instante ter perdido quase todas as pessoas que amava, e ainda assim já havia sido repetidamente alvo da violência do outro e arrastado para um lugar que desconhecia. Aquela realidade era demasiadamente dolorosa, e por mais que o garoto tentasse, era impossível não fraquejar.

"Se eu não fosse tão fraco... se eu não fosse tão fraco, poderia ter tentado salvar Erdan... poderia ter lutado ao lado dos meus pais... ou ao menos não estar preso à essa situação degradante..." Pensou, sem reagir enquanto Quarfein o despia lentamente, propositalmente dando tempo para o garoto afundar em seus pensamentos. O elfo estava tão absorto na raiva que sentia de si mesmo que só voltou sua mente ao que acontecia ao seu redor quando Quarfein amarrou-lhe os braços na cabeceira da cama. Por outro lado, pelo que lutar? Pelo que viver? Sua irmã estava viva, era fato, mas em compensação, sua liberdade estava irremediavelmente perdida — e, mesmo que não estivesse, sua mente e seu corpo estavam irremediavelmente marcados... marcados com cicatrizes que o garoto não pretendia, em hipótese alguma, carregar pelo resto de sua vida.E Claitae... não queria aquela vida para a irmã — uma vida de medo, privada de liberdade — não era aquilo que queria para ela quando se submetera às ações cruéis do drow para que a pequena não fosse morta.

Quarfein apenas se permitiu observar o garoto por alguns instantes — e por que não, pensar no que faria a seguir? O elfo o olhou de volta, reprimindo um soluço e tentando manter a calma — a princípio: pensava que o rapaz não tardaria a fazer o que bem entendesse, não apenas observá-lo. Tentou se manter calmo e não imaginar o que se passava na mente do outro, ao mesmo tempo em que procurava não se desencorajar e pensar em uma forma de se livrar daquela situação degradante... mas não havia como.

"Isso... se torture pensando no que eu vou fazer... por que não aproveita e chora? É desesperador não é?" Pensou o drow, se lembrando de quantas vezes não estivera em situações parecidas — não exatamente de ser subjugado como um brinquedo, mas de ser degradado ao nível igual ou até mesmo inferior ao de um objeto por suas irmãs. "Se não fosse por seres como você... " Não como se Amaess tivesse, de fato, qualquer culpa pelas milhares de coisas ruins que haviam acontecido na vida do drow — ainda assim, Quarfein não pensara nisso: desde sua infância, havia sido a doutrinado a acreditar que tudo o que dava errado em sua vida — a violência e as humilhações impostas pelas irmãs, a impossibilidade de confiar em alguém, a banalização da morte — era devido a existência dos povos da superfície. Especialmente a elfos — aqueles malditos elfos da superfície, como Amaess.

Quarfein removeu o punhal de sua bainha, fazendo com que o garoto estremecesse. Uma lágrima escapou dos olhos azuis do elfo. "O que ele vai fazer? " Pensou, ao que a superfície gélida da lâmina deslizou por seu tronco. Amaess não compreendia, e tampouco tinha a menor idéia de onde vinha tanta crueldade e tanto ódio — por mais que sentisse raiva do outro, não conseguia ficar sem se perguntar o porque daquelas ações tão desumanas e bárbaras. Não conseguia se perguntar o porque do drow maltratá-lo tanto, sendo que nunca havia lhe feito nada. "Por que?" — era o que já havia se perguntado várias vezes, mas nunca arriscara perguntar ao seu algoz. Seus lábios tremeram, querendo dar voz ao questionamento, mas o garoto se reprimiu — de que adiantaria? O outro nunca o responderia... jamais diria algo que não fosse para humilhá-lo ou degradá-lo... era melhor ficar quieto, e apenas rezar para que aquilo acabasse logo.

– O que foi? – Indagou Quarfein, apenas girando o punhal em suas mãos diante dos olhos cheios de medo do elfo. – Você quer dizer algo, meu brinquedinho?

"Pare..." Pensou Amaess — aquelas palavras, aquela violência psicológica... doía tão mais do que a violência física de quando o outro o cortava ou lhe batia. "Por favor... pare com isso e apenas faça logo o que está pensando em fazer..." Suplicou em pensamento — nada o fazia sofrer mais do que ser exposto ao fato de que, para Quarfein, não passava de um brinquedo. Ou melhor — havia apenas uma única coisa pior do que aquilo — aquelas agressões verbais, tão cruéis que o faziam querer morrer — quando o outro lhe violentava.

Sem dúvida, aquilo era tão pior — era de uma violência não apenas física, mas também psicológica, que não o faziam querer morrer — o faziam desejar nunca ter nascido.

– Ou talvez não tenha nada a dizer... – Provocou o drow, colocando o punhal sobre o pescoço do garoto, subindo até o queixo do mesmo sem fazer sem nenhum corte — apenas intimidando-o com o roçar da gélida lâmina de metal. – Já que você de fato não passa de um objeto. Você não é nada, a não ser um brinquedo... não tem vontade própria ou qualquer direito... não-

– Pare! – Exclamou Amaess, com a voz trêmula, sem conseguir conter as lágrimas. – Pare! Por que você faz isso? Por que você é tão cruel?! – Quarfein deu um sorriso de escárnio, ao que o elfo soluçava. – Por que?

– Pobrezinho... – Zombou, abaixando-se e deixando suas mãos deslizarem pelas coxas de Amaess. – Por que eu não deveria ser? Você não pode sequer se defender... deveria ser grato por eu lhe deixar vivo. – Disse, pressionando as nádegas do garoto. O elfo fechou os olhos, soluçando. – Eu poderia lhe abrir e arrancar seus órgãos enquanto você agonizasse se eu quisesse. – Falou, deixando a faca deslizar pelo tronco do garoto em uma linha do peito até o umbigo, de forma superficial demais para ser grave, mas profunda o bastante para que Amaess gemesse de dor.

Então faça isso! – Disse o elfo, soluçando. – Se você me odeia tanto ao menos me mate de uma vez!

– Te matar? Isso seria muito rápido, não acha? – Falou Quarfein, lambendo o corte que havia feito. De dentro do banheiro, Claitae tentava abrir a porta, em vão.

"Mae... por que?" Pensou a garota. "Tudo isso... por minha causa? Por que? Dói muito saber que você está passando por isso... me faz querer não ter nascido... por que? Eu não quero ser um fardo para você... não quero... " Pensou, soluçando enquanto ouvia as vozes vindas do quarto. Ouvira o drow dizer alguns impropérios, e Amaess respondendo-o de forma impulsiva. E então as coisas pioraram. A garota podia ouvir os gemidos de seu irmão, e tentava não imaginar que atrocidades que o drow poderia estar fazendo com ele. Eram gemidos de dor. Ouviu um estalo — semelhante ao som que o chicote que os humanos usavam em animais de montaria produziam. Se encolheu, soluçando. "Eu não quero... eu preciso fazer algo..." Pensou, cerrando os punhos.

– É realmente uma pena... – Disse Quarfein, atingindo o tronco do elfo novamente. – Por um instante, eu cheguei a acreditar que você tivesse compreendido seu lugar.

Amaess abriu a boca para dizer algo, mas então ouviu as batidas na porta do banheiro.

– Pare! Seu monstro! Demônio! Deixe meu irmão em paz! – Gritou Claitae, esmurrando a porta do banheiro. O drow suspirou.

– Pelo visto, sua irmã também não aprende nunca. – Quarfein se levantou, fazendo com que os olhos de Amaess se arregalassem.

– Não! O que vai fazer?! – Exclamou, tentando se soltar. O drow posicionou a chave na porta do banheiro.

– Eu irei fazê-la calar a boca, nem que para isso eu tenha que arrancar as cordas vocais dela. – Respondeu, começando a destrancar a porta.

– Ela é só uma criança! – Exclamou Amaess, em uma mistura de pavor e indignação — havia se submetido a vontade do outro, a toda a sua perversidade, apenas para proteger sua irmã — apenas porque o outro dissera que não iria machucá-la caso o fizesse. Agora, a despeito de tudo, Quarfein simplesmente ameaçava descumprir com sua palavra. – Seu desgraçado, você disse que não ia machucá-la!

– E você jurou que não iria mais fugir, lembra? – Retrucou o drow, referindo-se ao que acontecera no dia anterior. – Ainda assim, você não parece disposto a perder o seu atrevimento...

Quarfein voltou a ir na direção do elfo, debruçando-se sobre ele. Observou o torso do garoto — certamente, Amaess não tinha ideia do quão prazerosos a visão de seu corpo coberto de sangue e o sons de seus gritos eram para o drow.

– Eu vou lhe dar uma chance. – Disse Quarfein, deixando suas mãos percorrerem o corpo do elfo de forma repleta de luxúria. Pôde sentir um tremor vindo do outro, e sabia que, apesar de todas as suas tentativas de parecer firme, ele estava apavorado. – Uma chance de fazer com que eu deixe a pirralha em paz.- O medo dentro de Amaess não diminuiu com aquilo: está bem, o drow deixaria sua irmã em paz, mas... por outro lado, o que faria com ele?

Estava disposto a tudo para proteger sua irmã, e não temia a dor ou as humilhações impostas pelo outro... mas isso não significava que elas não lhe causassem dor. Não significava que estava imune ao sofrimento e que podia suportá-lo sem desmoronar.

– O que você quer...? – Indagou, tentando parecer menos vulnerável do que estava — cometendo o mesmo erro que cometera no dia anterior. Ainda assim, sua fragilidade transpareceu em sua voz. – O que quer de mim?

Quarfein deu um sorriso cruel, arranhando o tronco do garoto. – Muito melhor. Se continuar assim, talvez eu até lhe recompense um pouco... depois, é claro, de você terminar de pagar por sua desobediência... – Disse, ignorando os gritos da irmã do jovem.

Raiva, medo, desespero... tudo isso fez com que Amaess não conseguisse conter as lágrimas. O drow o desamarrou, e o garoto cruzou os braços sobre o peito. Podia sentir eu coração batendo de forma acelerada, junto com a sua respiração ofegante. Seu corpo o preparava para uma fuga, sem saber que o garoto não poderia executá-la.

– Que obediente... — Disse Quarfein, lambendo uma das várias lágrimas que escorriam dos olhos do elfo antes de empurrá-lo para fora da cama. – Parece que você consegue aprender rápido quando é do seu interesse... então, devo dizer o que você deve fazer agora?

Amaess hesitou, soluçando. Quarfein se levantou, observando-o de cima a baixo.

– P-por favor... – Suplicou o elfo.

– Pare de choramingar e faça. – Ordenou o drow. Sem saber o que fazer, Amaess se aproximou, com medo. Agarrando o garoto pelos ombros, Quarfein o obrigou a ficar de joelhos. – Vamos, você já fez isso uma vez.

Com dedos trêmulos, o elfo abriu o zíper da calça do outro. Lágrimas escorriam de seus olhos, e o jovem questionava mentalmente se deveria ou não fazer aquilo.

"Por favor... por favor algum milagre..." Pensou, desesperado. "Não precisa ser um milagre enorme... apenas um pequeno milagre para tirar Claitae daqui, para que eu não tenha de fazer isso."

Infelizmente, um milagre não aconteceu. Quarfein agarrou os fios dourados do garoto, puxando-os para trás.

– O que está esperando? – Falou. Tremendo, Amaess terminou de descer as calças do drow. Não queria fazer aquilo, mas ao mesmo tempo, temia que Quarfein pudesse descontar qualquer frustração em Claitae. A contra gosto, começou a fazer o que o drow esperava que fizesse.

Quarfein sentia a língua macia e inexperiente do outro deslizando de forma tímida e contrariada por seu órgão, enquanto o elfo tentava conter os soluços — o refluxo já era ruim o bastante e, quando soluçava, ficava ainda pior. Se concentrava em tentar acabar com aquilo, mas era difícil demais tentar ignorar a dor psicológica que sentia.

O drow deixou suas mãos deslizarem pelos fios do garoto, agarrando-os e forçando-o a fazer movimentos de vai e vem com o rosto. Amaess engasgou quando Quarfein forçou um pouco mais a profundidade, e se desesperou ao sentir o órgão do outro no fundo de sua garganta. Tentou puxar um pouco de ar pelo nariz, mas o pânico não permitia.

– Não se debata, se não você realmente não irá conseguir respirar direito. – Disse o drow, forçando-o ainda mais. Amaess emitiu um gemido sufocado de agonia, e percebeu que a respiração do drow estava aumentando de ritmo — sentiu um pequeno alívio — aquilo indicava que seu suplício estava perto do fim, de forma que continuou. – Você é realmente bom nisso quando está tentando. – Zombou Quarfein, acariciando os cabelos do garoto como alguém acariciaria a cabeça de um cãozinho de estimação. O drow puxou os cabelos de Amaess, fazendo o garoto afastar o rosto. – Tem certeza de que não tem nenhuma prática?

Amaess ia responder, mas sentiu o líquido quente caindo sobre seu rosto.

Raiva, dor, vergonha... por mais que o garoto sentisse alívio por aquilo ter acabado, esse alívio era insignificante perto da agonia que sentia.

– Ponha suas mãos na parede. – Ordenou o drow. Os olhos de Amaess se arregalaram — estava exausto. Quarfein se abaixou. – Você acha que eu acabei? Você pagou apenas pela sua fuga. Se quiser que eu deixe sua irmã em paz, terá de fazer muito mais do que isso.

Lágrimas escorreram pelos olhos arregalados de medo de Amaess — o fôlego do outro não acabava? E como ele podia ser tão sem compaixão? O garoto se ergueu, ofegando, e colocou suas mãos na parede, encostando o rosto na mesma.

De certa forma, desejava que ela o engolisse, mas sabia que isso não aconteceria... pelo menos não em um quarto de hotel. Sentiu as mãos de Quarfein deslizando por suas nádegas, e cerrou os punhos, tremendo de medo e raiva. As mãos do drow deslizaram por seu tronco, subindo até seu pescoço, e os dedos dele entraram dentro de sua boca. Não era apenas um desejo de atormentar o garoto até que ele suplicasse para morrer, ou a necessidade de descontar anos e anos sendo constantemente atormentado por suas irmãs, muito menos a frustração de saber que nunca tivera e quase certamente nunca teria alguém que se importasse com ele da mesma forma que Amaess e Claitae se importavam um com um outro — era a sensação de poder, de ter alguém subjugado às suas vontades... era a urgência que tinha de fazer com que não sobrasse nada para o outro, a não ser submissão.

– Lamba. – Ordenou. Amaess apenas deslizou a língua pelos dedos de seu algoz, que logo deixaram seus lábios, permitindo que um pouco de saliva escorresse. Logo, porém, os dedos do drow invadiam sua outra extremidade, movimentando-se por alguns instantes dentro de seu corpo. – Você está muito tenso.

"Por que eu não estaria?" Pensou o elfo, chorando. Quarfein removeu os dedos de seu interior e, sem nenhum aviso, o penetrou. Amaess se encolheu contra a parede, emitindo um grito de dor. "Não se mova... por favor não se..."

– Ahh! P-para... – Gemeu Amaess, quando o drow começou a se mover em seu interior. Sentia-se como se o outro fosse rasgá-lo por dentro, principalmente devido a forma como Quarfein forçava a profundidade. – Hahh... por favor... ao menos...

– Poupe seu fôlego. – Disse o drow, silenciando o garoto ao inserir dois dedos dentro de sua boca.

"Como é, hã? Como é ter sua vida transformada em um inferno por alguém que você nem conhece?!" Pensou Quarfein. Amaess gemia de dor, sentindo-se como se seus órgãos fossem ser tirados do lugar quando o drow aumentou a velocidade. "Sofra. Por tudo que sua existência causou a mim, ainda que de forma indireta."

No banheiro, Claitae mantinha o ouvido pressionado contra a porta, preocupada. Sentia culpa devido ao fato de que o irmão se submetera aquilo apenas para protegê-la. Por que ele não a perguntara se ela queria ser protegida? Por que ele se achava na obrigação de protegê-la só por ser mais velho? Por que ele sofria em silêncio, se sacrificando daquela forma apenas para mantê-la viva?

"Por que ele não pensa na dor que conviver com isso provoca dentro de mim?" Pensou. "Não é porque eu sou uma criança... que ele precisa sofrer tanto para tentar me salvar... toror'... eu não queria que você me protegesse se isso significasse sofrer desse jeito ou até mesmo morrer... eu não queria..."

A garota se encolheu, chorando.

~*~

Alvina tentava manter Nádia calma, mas a garota estava desesperada.

– Nádia, se acalme! – Exclamou, forçando a amiga a se sentar em uma cadeira, e então se voltando para uma das empregadas. – Túlia, pode repetir o que aconteceu?

– Eu já disse, Vina. – Falou a servente. – Ele chegou aqui com a irmã, apavorado... disse que Nádia tinha dito para ele vir para cá... esperar você... então o sino do quarto 25 tocou e Belinda foi até ele... um tempo depois esse drow entrou aqui, e... eu ia fazer algo... eu queria... mas ele pressionou uma faca contra a garganta da garota! Eu fiquei com medo de que ele a matasse...

– Belinda, certo? – Disse Alvina, ao que Nádia se remoia de raiva.

– Droga... aquela... aquela desgraçada! – Exclamou Nádia. – Eu devia ter pensado nisso! Devia ter pensado essa possibilidade! Se eu tivesse mandado ele para um lugar mais seguro... eu...

– Nádia, não foi culpa sua! Se acalme, está bem?!

~*~

As pernas de Amaess bambeavam. O garoto teria colapsado se o drow não estivesse pressionando-o contra a parede, e Quarfein sabia disso. Suas mãos deslizaram pelas coxas do elfo, subindo para as nádegas, e então deslizando para a virilha, onde pressionaram a parte mais intima do corpo do jovem, causando-lhe uma dor indescritível.

Quarfein inseriu um par de dedos na boca do elfo, e Amaess teria mordido os dedos do drow, se não temesse as conseqüências o bastante para não fazê-lo. Sentiu as mãos de Quarfein deslizarem pela região mais intima de seu corpo, e então começou a sentir algo além de dor. Algo que não queria sentir de forma alguma naquela situação humilhante. Quarfein removeu os dedos de seus lábios, para deslizar suas mãos pelos mamilos do garoto, beliscando-os.

– Ahh! C-chega... ahh... p-por... fa..ah...vor... – Suplicou o elfo, ainda que não sentisse apenas dor. Uma pequena quantidade sangue começou a escorrer.

– Você está sangrando. – Sussurrou Quarfein, com o único propósito de aumentar ainda mais o desespero do garoto. Os olhos de Amaess se arregalaram.

"Eu não vou agüentar... não dessa vez..." Pensou. Mal conseguia se sustentar. "O que eu fiz?" Perguntou a si mesmo "O que eu fiz para passar por isso?"
Notando que o elfo não agüentaria muito mais do que aquilo, Quarfein deixou suas mãos deslizarem de forma mais suave pelo órgão do garoto, que mal tinha forças para ficar de pé. Amaess sentiu o sêmen do drow preenchendo seu interior, e sua mente ficou em branco por alguns instantes, até o elfo sentir seu próprio sêmen jorrando na parede e em seu tronco.

Então, sem nenhum cuidado, Quarfein o soltou, permitindo que seu corpo colapsasse. Já estava satisfeito, mas ainda assim, se debruçou sobre o jovem, apenas pelo desejo cruel de enchê-lo de medo.

- P-por favor... não mais... - Implorou o elfo, exausto. Seu corpo tremia, e sua consciência oscilava. Podia ouvir o choro de Claitae vindo do banheiro — a garota provavelmente havia escutado tudo.

Quarfein observou as lágrimas escorrerem pelo rosto do garoto, cujos olhos estavam levemente avermelhados de tanto chorar. Por um instante, chegou a sentir um pouco de pena, mas então, lembrou-se de tudo em que havia sido ensinado a acreditar e de tudo pelo que já passara.

Sem clemência, arrastou o corpo quase inerte até a cama, voltando a amarrá-lo, e então foi até a porta. Estava com a chave na fechadura quando voltou o olhar para o garoto — estava tão quieto que sequer parecia estar vivo. De fato, Amaess sequer tinha forças para se mexer. Quarfein não resistiu a tentação de terminar de fazer o garoto desmoronar, indo até o mesmo. Os olhos do elfo se arregalaram de medo.

– N-não... – Implorou, ao que Quarfein deixou as mãos deslizarem por suas pernas. "Que meigo..." Pensou o drow, se deliciando com o fato de que aquele garoto tão adorável estava completamente submetido a sua vontade. Ergueu os joelhos do elfo, apoiando-os em seu ombro. Segurou o rosto do garoto de frente para o seu.

– A quem você pertence, Amaess? – Perguntou, com um sorriso cruel. O elfo não respondeu, e em resposta o drow inseriu um par de dedos no interior já ferido do garoto. Um gemido de dor atravessou os lábios do jovem.

– Ahh!! A... você... – Disse, contrariado. A voz saiu baixa, quase um sussurro. Quarfein deu um sorriso de canto, deliciando-se com o fato de que o elfo não mais tinha forças para tentar resistir. Observou as lágrimas que escorriam pelo rosto do garoto, vendo o quão psicologicamente desgastado o mesmo estava. "Apenas mais um pouco..." Pensou, ao que Amaess ofegava, soluçando.

– E o que você deve fazer além de me satisfazer? – Disse, fazendo os olhos de Amaess se arregalarem. Na ausência de uma resposta, Quarfein se preparou para inserir um terceiro dedo.

– Te obedecer... – Murmurou, tentando não desmoronar diante de seu algoz. Um sorriso cruel se fez presente nos lábios do drow, que seguiu torturando o garoto psicologicamente.

– Por que você é...? – Falou, fazendo Amaess desviar o olhar. Um par de lágrimas brilhou nos olhos do garoto, que se recusou a responder — estava desolado, e já se sentia humilhado demais. Em resposta, o drow inseriu um terceiro dedo.

– Ahh! S-seu... brinquedo... – Disse, sem conter as lágrimas que escorriam de seus olhos. Quarfein deu um sorriso sádico, removendo os dedos do interior do garoto e se sentando ao seu lado. Observou o olhar entorpecido de Amaess, que mal parecia vivo — a não ser pela respiração. O drow se deteve, observando a dor presente nos olhos do garoto. Não soube dizer o porque, mas aquilo lhe levou embora toda a satisfação que havia acabado de conseguir.

"Por que? Por que eu estou me sentindo tão mal... ele é um traidor, um inimigo! Eu poderia matá-lo sem a menor culpa se quisesse... então por que?" Pensou, lembrando-se de que Nádia tinha acesso livre a todos os quartos. "Aquela rameira..." Praguejou, voltando a ir em direção a Amaess. Concentrou-se na raiva que tinha de Nádia, reprimindo então, a sensação de culpa. Desamarrou o elfo e puxou-o pelo braço — não arriscaria que o mais jovem tentasse fugir novamente.

Amaess não conseguiu se manter de pé, tamanha a exaustão. Um pouco de sêmen escorreu pela coxa do garoto, fazendo com que este cobrisse o rosto com a mão livre, soluçando, de joelhos. Não podia se impedir de questionar a razão pela qual o outro gostava tanto de lhe ferir, tampouco evitar o desejo de morrer.

– O que foi? – Disse o drow, puxando o corpo entorpecido de Amaess para si.O elfo sequer reagiu, estremecendo quando os braços de Quarfein o envolveram pela cintura — o drow se recusava a abaixar a guarda, e dar a chance de Nádia lhe tirar seu frágil e belo brinquedo.
Sem se importar muito, apoiou o garoto em seu ombro, puxando-o até a porta do banheiro.

– O que — Os olhos de Amaess se arregalaram. Não queria que sua irmã o visse naquele estado. Ainda assim, o drow apenas abriu a porta do banheiro, empurrando-o para dentro.

– Mae... – Soluçou Claitae, sendo expulsa do cômodo pelo drow. – Mae! – Exclamou a pequena.

– Passe uma água no corpo. Você vai vir comigo. – Disse Quarfein, antes de deixar o elfo sozinho no banheiro.

"Essa vida... não vale a pena viver... não vale..." Pensou o garoto, se encolhendo dentro da banheira vazia, a beira da inconsciência.

~*~

Belinda se sentou no banco do bar, depositando as cem moedas de prata que conseguira de Quarfein.

– Robert... – Chamou, com a voz languida. – Traga um vinho. Dos bons. Eu tenho uma novidade. – Falou, separando algumas moedas.

– Conseguiu uma garota nova? – Perguntou o homem.

– Ainda não. Mas talvez eu consiga. – Mentiu Belinda. A mulher tinha planos, e não eram para algo bom.

– Que interessante. – Disse.

– Muito... – Falou a mulher, batendo os dedos sobre a mesa, enquanto Robert lhe servia.

~*~

Amaess se encolheu quando Quarfein entrou no banheiro, com um balde de água quente em mãos. O drow pôde ver algo vermelho se misturando às mechas do garoto — algo que seu sub consciente alertou se tratar de sangue.

"E...?" Perguntou a si mesmo. "Ele não está morrendo por enquanto... não há motivos para me preocupar..."

– Por favor... deixe minha irmã ir... – Suplicou o garoto, causando estranheza no drow — como aquele elfo, que mal se mantinha consciente, se preocupava mais com sua irmã do que consigo mesmo?

"Você não pensa em si mesmo?Você realmente está disposto a se manter nessa situação por causa da sua irmã? Que patético. Apenas desista de uma vez." Pensou, tentando não se lembrar de sua infância dolorosa nas mãos de sua irmã ao ver Amaess olhá-lo com tanto medo — evitou se perguntar se era aquele o mesmo olhar com o qual, em sua infância, encarava sua irmã mais velha, Aunbryn, quando ela o açoitava com seu chicote terminado em cabeças de cobras, por motivos fúteis ou até mesmo inexistentes. Ao mesmo tempo, tentava não pensar em como o incomodava um sentimento estranho dentro de si.

Havia sido ensinado que os povos da superfície eram vis e traiçoeiros, porém por mais que tentasse se manter firme nessa convicção, não conseguia ver Amaess daquela forma.

– Não demore. – Disse Quarfein, buscando evitar uma sensação de dúvida a respeito do que acreditava. Jogou a água sobre o garoto, e então saiu do quarto, apenas para se deparar com Claitae. A pequena se encolheu, ainda chorando.

O drow revirou o olhar, evitando a visão da garota.

"Minha nossa... qual o seu problema?" Disse para si mesmo. "Pense em cada coisa pela qual você passou apenas por causa do respirar de seres como eles... por que você teria pena?"

~*~

Amaess abraçou os joelhos, tentando se acalmar. Todo seu corpo estava doendo, e seu interior ardia. Por que nunca conseguia escapar? Por que não conseguia fazer com que ao menos Claitae escapasse? Com dificuldade, terminou de se banhar e se levantou. Suas pernas bambeavam e o jovem sentia-se como se fosse desmaiar a qualquer instante. Se secou devagar, evitando se olhar no espelho — temia o que fosse ver caso o fizesse. "Eu preciso tirar Claitae daqui... preciso deixá-la a salvo... apenas isso... é tudo o que eu preciso...".

Ouviu batidas na porta, e não respondeu, pressionando a toalha contra si. Alguns segundos depois, o drow entrou no quarto.

– Pensei que tivesse morrido ai dentro. – Disse, olhando Amaess de cima abaixo. O garoto se encolheu contra a parede, sentindo seu coração batendo com força — estava completamente acuado, sem sequer ter a quem pedir ajuda. Mal conseguia se manter de pé, e temia as intenções do drow.

– Por que não deixa minha irmã ir e termina de me matar de uma vez? – Perguntou o garoto, com a dor visível no olhar. O drow o pressionou contra a parede, fazendo-o desviar o olhar, com medo.

"Por que você insiste em proteger essa pirralha?!" Pensou o drow, insatisfeito por ter atingido sua meta de forma apenas parcial.

– Por que eu deveria responder? – Disse Quarfein. Para ele, não era novidade alguma que o outro preferia a morte a ser mantido como forma de entretenimento — sabia o valor que elfos davam à sua liberdade. Sabia que eles preferiam morrer livres a viver como prisioneiros. Sabia a melancolia e a dor que causava em Amaess, e isso o divertia — o fazia sentir satisfação pela suposta vingança em relação à dor de anos e anos sendo tratado quase da mesma forma por sacerdotisas de Lolth e por suas próprias irmãs. Isso o fazia querer manter o jovem vivo o máximo de tempo possível.

Quarfein afastou os cabelos do ferimento na cabeça do elfo — não era um corte fundo, e já havia parado de sangrar. Nada que lhe desse a menor razão para se preocupar.

– Ou melhor, por que eu deveria fazer isso? – Disse. Amaess se encolheu. – Você não tem uma justificativa, não é?

Silêncio. Quarfein puxou o garoto para o quarto, indicando-lhe as roupas já surradas pelo uso constante, e um pouco rasgadas.

– Por hora é o que tem. Mas vou providenciar algo que não faça você parecer um mendigo. – Falou, de forma fria, reprimindo a dúvida que crescia dentro de si.

"Será... que ele é mesmo culpado... por tudo o que eu passei?" Se perguntou, enquanto empurrava Claitae para o banheiro e fechava a porta. O elfo se vestiu com dificuldade, e então Quarfein o puxou para fora, trancando a porta atrás de si.

O garoto o seguiu até chegarem na porta, mancando um pouco. Estavam prestes a sair da estalagem quando, movido por uma ideia súbita e desesperada, o elfo tentou alcançar a arma que Quarfein carregava na bainha — o resultado foi uma chave de braço. O mais jovem estremeceu ao ter seu corpo prensado contra a parede.

– Mais uma tentativa estúpida de fuga e eu eviscero sua irmã na sua frente, para depois te vender para o primeiro mercador de escravos que aparecer. – Os olhos do garoto se arregalaram diante da ameaça. Amaess simplesmente abaixou a cabeça, ao que Quarfein forçou seu braço ainda mais. – Afinal, você não compreende o seu lugar nunca. Quem sabe assim esse seu problema de aprendizado não se resolve?- Disse o drow, fazendo com que o corpo de Amaess começasse a tremer — o elfo achava que não havia como sua situação piorar, e que não era possível a existência de um trauma pior do que aquele pelo qual estava passando, mas agora estava claro que havia como as coisas piorarem muito.

– Por favor... não Claitae... – Suplicou, soltando o punhal. – Não ela.

– Então, passe a se comportar. – Disse Quarfein.

Amaess abaixou o olhar, e o drow o soltou, dando um sorriso malicioso ao notar a expressão de medo e vergonha no rosto do outro. Voltou a segurar-lhe os pulsos, usando da diferença de força para tornar inúteis qualquer tentativa que o outro fizesse de se soltar.

~*~

Nádia respirou fundo, com a cópia da chave em mãos. Pressionou os ouvidos contra a parede, buscando ouvir alguma voz, e diante do silêncio, entrou no quarto.

Suspirou ao encontrá-lo vazio, mas então, notou a porta do banheiro com a chave do lado de fora. Estranhou — quase sempre ficava do lado de dentro. Com cuidado, girou a maçaneta da porta, e seus olhos arregalaram ao focalizarem a imagem de Claitae, sentada próxima a pia e abraçando os joelhos.

– Você... – A pequena não deixou a humana terminar.

– Você tem notícias do meu irmão? – Perguntou a elfa, quase saltando sobre Nádia. – Onde ele está?! O que aquele monstro fez com ele?! O que?!

Nádia teve de se conter para não chorar. Não sabia muita coisa, mas sabia o bastante para imaginar que Amaess queria a irmã longe de todo aquele inferno. Suspirando, a garota se abaixou, acariciando os cabelos de Claitae.

– Eu ainda não sei... mas... – Nádia olhou em volta, em alerta. – Venha comigo... vamos tirar você do alcance daquele drow primeiro, assim, provavelmente ficará mais fácil para seu irmão fugir...

– Não! – Protestou a pequena. – Eu não quero deixar meu irmão sozinho!

– É só por um tempo... – Disse Nádia. – Me contaram o que aconteceu na sala de empregados, Claitae... olha, eu irei te deixar com Alvina... ela irá cuidar de você até eu conseguir tirar seu irmão desse caos, está bem?

– Não... eu não quero abandonar meu irmão... não quero... – Choramingou a garota.

– Você não vai abandonar ele... você só vai... se afastar por um tempo... olha... eu prometo... que vocês dois vão estar juntos o quanto antes está bem?