Harry e...plantas
2 Irmãos
Notas iniciais
– Pronto, agora que acabaram eu posso comer, levem os pratos para a pia para que depois eu possa lavá-los – a mulher sentou-se na mesa e começou a comer, Lucas e Clara já haviam colocado os pratos na pia e Harry fora o último – Harry, por favor, plante as sementes para mim, estou ocupada.
– Tudo bem mãe – disse ele entediado, ele gostava muito de sua mãe, mas pelas palavras que saíram da boca dela antes de ir comer na mesa, estava decepcionado com a única família que tinha.
– Não, não precisa ir ao seu quarto, eu trouxe elas, já estão lá no jardim – Harry deu meia volta e arrastou o vidro, ele andou um pouco e lá estava o jardim.
– Raiva – disse ele a si mesmo, estava pegando o saco com as sementes, ele o sacudiu e as sementes caíram no solo, no momento em que ia pegá-las, elas afundaram, foram sugadas pelo solo – O que? – ele ousou cavar, mas não as encontrou.
Ele levantou-se e olhou para o solo, estava assustado. Nunca vira algo como isso antes. Nunca viu tal coisa acontecer. Ele afastou-se, com medo do que ocorrera e entrara novamente em sua casa, quase caindo.
– O que houve? – Vívia pegou seu prato e o levou a pia, já havia começado a lavar todos os talheres.
– Oi? Aah, nada, nada não, apenas uma minhoca na terra.
– Uma minhoca, querido? – ela sorriu e o olhou desconfiada.
– Sim, sim, beem grande, mas-mas não se preocupe, eu consegui plantar as sementes.
– Aguou elas?
– S-Sim, aguei.
– Ótimo, pode ir – a mulher virou-se de costas e continuou o que estava fazendo, Harry suspirou, estava aliviado, e logo após entrou no corredor e foi ao seu quarto, Lucas e Clara estavam procurando por algo.
– Achei! – disse Lucas com uma revista nas mãos.
– O que? – perguntou Clara, levantando-se da cama e indo até Lucas olhar.
– Nada, não é nada, apenas uma revista com todos os pokemons que apareceram até agora – Harry tomou a revista e a jogou debaixo da cama.
– Ooo, eu queria ver, tem uns tão fofinhos – disse Clara, colocando as mãos na cama e novamente levantando-a.
– Não, não, não, é algo raro, ninguém pode segurar – Harry abaixou a cama e bateu em Lucas logo em seguida – Vamos, peguem logo os livros, vieram estudar, não é?
– Estudar? Há-há-há, eu, estudar? – disse Lucas – Por favor, me diga alguma outra pessoa lá da escola com o qual você fala.
– Uh, uh, Jéssica.
– Clara, eu perguntei ao Harry.
– E-Eu? Deixa eu ver, Raquel e Gabriela da nossa sala, e Nando do terceiro ano.
– Apenas doi, Harry.
– Então... Gabriela e Nando.
– Ótimo, sua vez Clara.
– Jéssica, ee... Jéssica?
– Outro, Clara.
– Espera... huuum, acho que já sei.
– Pois diga.
– Jéssica – Lucas deu um tapa na garota e voltou a falar com Harry.
– Aaain, tá doendo, doendo! Por que fez isso? IDIOTA!
– Eu queria fazer umas brincadeirinhas.
– De que? – perguntou Harry.
– Verdade ou desafio, o jogo da garrafa, entre outros.
– Espera, espera – interrompeu Clara – Você queria que eu participasse de jogos assim? Com vocês? Apenas se matem, por favor, nunca na minha vida que eu jogaria esses jogos de gente vagabunda.
– Do que você me chamou?
– Lucas, você está apenas se chamando de vagabundo – Harry sorria – Clara, cadê seu irmão? Nunca mais vi ele.
– Ele já está trabalhando, algo normal para alguém com 24 anos, mas minha mãe me disse que ele foi demitido do último emprego por dar em cima da própria chefe. Nesses dias ele vem andando muito lá em casa, ele está namorando e deseja se casar, minha mãe e pai já estão o ajudando com preparativos.
– Eu me lembro de brincar com ele quando eu tinha 6 anos – disse Lucas – Você se lembra, Harry?
– Claro, idio – Harry desviou seu olhar para a janela e ali ficara, em silêncio, como se algo o estivesse chamando-o a atenção.
– Harry? – perguntou Clara, passando a mão por sua cara, para ver se seu olhar desviava – Harry?
– O que houve? – perguntou Lucas.
– Não sei, ele está assim desde hoje de manhã – disse Clara – Espere – ela percebeu algo, algo nos olhos do amigo – Tem algo nos olhos dele – ela se aproximou para olhar melhor, e em seus olhos podia ver um pequeno ponto verde, que se dilatava e se permitia a aumentar, tomando toda a cor dos olhos do garoto, ela afastou-se com o susto e logo após Harry voltara.
– Cara, acabamos de descobrir que você é um E.T.
– O que houve?
– Você voou de novo, e seus olhos ficaram verdes por poucos segundos.
– Sério?
– Sério – disse Lucas – Cuida, sua cabeça pode explodir.
– Prefiro ignorar tais acontecimentos – disse Harry fechando os olhos.
– E sobre a punheta com Lucas, prefere ignorar? Huhuhuhu – disse Clara – Sei que o negócio dos seus olhos é estranho, e com certeza eu recomendo você ir para um médico, mas eu preciso escutar mais sobre.
– Só que não vai escutar Clara – disse Lucas indo até sua mochila, o assunto, dessa vez, não o agradou – Vamos estudar.
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– Madeleine! Quem diria que você estaria aqui no mercado – Vívia estava com um carrinho de compras, nele havia apenas um bolo.
– E você, o que veio fazer aqui – a mulher tirou o cabelo preto, já com alguns fios brancos do rosto, e voltou a falar – Veio comprar o bolo pro aniversário do seu filho, não é?
– O bolo no carrinho entrega-me a todos que conheço. Sim, eu vim comprar as coisas do aniversário.
– Quantos anos ele está fazendo mesmo?
– 17 anos.
– Já é quase um adulto. Ele já tem alguma namorada? – ao Madeleine perguntar tal coisa, Vívia lembrou-se de Lucas e Harry, não queria que aquele garoto fosse um namorado para seu filho.
– Não, ainda não – disse Vívia, sorrindo falsamente.
– Se quiser que ele conheça alguém, eu ofereço minha filha, ela possui a mesma idade que a dele.
– Oh, muito obrigada mesmo Madeleine, se quiser pode leva-la amanhã na minha casa.
– Tudo bem – as duas continuaram andando, Vívia pegou alguns pacotes de brigadeiro e outro bolo e prosseguiu até o caixa, ainda junto de Madeleine.
– Seu filho ainda anda com aquele garoto? – a mulher acabara de entrar em um assunto que Vívia não queria entrar.
– Qual? – fingiu Vívia.
– Aquele com o qual ele sempre andava quando era criança, Lucas é o nome dele, certo?
– Aah, sim, Lucas, sim, ele ainda anda com ele, por que?
– Oh, nada, nada, mas acho que não preciso levar minha filha a sua casa.
– Não, não, pode leva-la, com certeza ele gostará da visita dela, ultimamente ele anda muito sozinho.
– O que houve? Ele está com saudades do outro irmão? – Vívia acabara de passar suas coisas no caixa.
– Me desculpe Madeleine, amanhã nós conversamos, e não se esqueça, 18:00 horas entendeu, até mais – Vívia pegara sua sacola e andou até a saída do supermercado.
– Puta intrometida – falou a si mesma.
Ela abriu a porta de trás de seu carro e colocou ali, suas compras. Estava no estacionamento. Ela abriu a porta da frente e sentou-se no banco, ela pegou as chaves e ligou o carro, mas um homem aparecera na janela e a impedira de prosseguir. Ele possuía barba, seus olhos eram pretos, sem vida, o cabelo estava despenteado, mas suas roupas, suas roupas eram elegantes, como de alguém rico.
– O que quer Tássio? Eu já disse que não, não vou deixar você levá-lo – a mulher segurava lágrimas.
– Eu não vim pelo garoto que está com você, Harry é o que menos me importa a partir de hoje. Eu vim pelo Johnny.
– Meu filho? O que tem meu filho?
– Nosso filho, você quer dizer – o homem fez uma pausa – Ele quer ir amanhã, na sua casa. Quer comemorar o aniversário do meio-irmão – Vívia ia falar, mas o homem não a deixou prosseguir – Ele irá, mas terá que continuar me pagando o que deve, entendeu?
– Eu não lhe devo nada, e você sabe muito bem disso – Vívia acelerou o carro.
– LEMBRE-SE! AMANHÃ EU IREI DEIXAR JOHNNY VISITÁ-LA – gritou Tássio para a mulher que cada vez mais se distanciava.
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– Esperem aqui enquanto eu tomo banho – Harry levantou-se e saiu de seu quarto, ele andou até o fim do corredor e abriu a porta.
Ele jogou a toalha sobre a privada, que permanecia fechada. Ele olhou-se no espelho, estava sentindo sua cabeça ser novamente tomada. Ela a balançou, tentando permanecer consciente, mas ao olhar-se no espelho novamente, seus olhos estavam verdes, e sua visão paralisada no espelho. Um líquido começou a escorrer de seus olhos, parecia-se musgo, grosso e verde, com algumas partículas marrons. O líquido pingou na pia e escorreu até descer pelo cano. Alguns segundos depois, seus olhos voltaram ao normal e o líquido já havia sido todo jorrado contra a pia. Ele passou os dedos em seus olhos.
– O que está acontecendo? – perguntou a si mesmo.
Com um suspirou, ele levantou os braços e se espreguiçou. Ele tirou sua blusa e logo após suas calças. Ele abriu o box do banheiro e jogou sua cueca samba-canção no chão. Ele ligou o chuveiro, e ao a água encontrar-se com seu corpo, sentira uma sensação estranha. Poderia estar vindo novamente? Ele sentiu algo sair de seus pés e fixar-se nos azulejos do banheiro. Não queria olhar. Estava com medo.
– Entrando – disse Lucas, abrindo a porta do banheiro.
– Lucas?
– Sim, sim, sou eu, vim dar uma mijada – o garoto andou até a privada e abriu a sua tampa, ele escorregou o zíper e abriu o botão da calça, ele abaixou sua cueca e colocou seu membro para fora – Por que?
– Não, não, eu, apenas, não sei o que está acontecendo comigo – a sensação se fora, Harry agora olhava tristemente para o chão.
– É sua mãe? – o tom de ambos havia mudado.
– Não, é eu, tem algo estranho em mim.
– Eu ouvi.
– O que?
– Eu ouvi ela conversando com você, eu sei que ela não quer mais que eu veja você.
– Lucas, é apenas minha mãe, ela não tem o direito de afastar as pessoas para longe de mim, você sabe disso.
– Não, mesmo com isso, mesmo eu podendo ver você, visita-lo, eu... – Lucas fechou os olhos, ele logo os abriu, decidira sair logo do banheiro e acabar com a conversa.
– Espera – Harry abriu a porta do box e pegara a toalha – Complete o que ia dizer – fez-se silêncio – Por favor.
– Harry, mesmo eu podendo vê-lo, mesmo eu podendo sorrir com você, falar com você, poder visita-lo, eu não aguentaria sua mãe reclamando, eu não aguentaria perceber que o que você está fazendo, o que nós dois estamos fazendo, não é do gosto de sua mãe.
– Você me faz bem – disse Harry ao garoto, impedindo que ele saísse do banheiro – É como se fosse um irmão, um irmão que nunca tive, por isso eu peço que continue comigo pelo resto da vida, mesmo sem a permissão de minha mãe, vamos fazer coisas erradas, coisas certas, brincar com a Clara.
– Acorda Harry – Lucas sorriu e abriu a porta – Diga a Clara e a sua mãe que eu já fui – Lucas pegou a mochila que estava na frente do banheiro e deixou a casa, ao sair, viu Vívia chegando.
– Até mais Lucas.
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