Harry e Gina: um começo após o fim
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Durante o almoço naquele dia, Harry não tirava da cabeça a conversa que tivera com Gina e não olhar para ela foi uma tarefa muito difícil. Aparentemente Hermione, perceptiva como só ela é, estava se divertindo com isso e o provocou:
— Como foi a manhã, Harry? Você me parece meio distraído. Aconteceu alguma coisa?
Todos olharam para ele esperando uma resposta. Desde o fim da batalha todos o olham com cautela e preocupação, como se o menino pudesse explodir a qualquer momento.
— A manhã foi agradável, Hermione, e me deixou um pouco esperançoso – respondeu, lançando um olhar breve para Gina.
— Esperançoso sobre o quê? – questionou Rony.
— Estava conversando com Gina e relembrando algumas das coisas que aconteceram nos últimos tempos. Estou esperançoso sobre o futuro. Um futuro diferente, melhor – respondeu, enigmático, torcendo para que a menina entendesse a indireta. Hermione certamente entendera e já não conseguia esconder o sorriso.
— Isso é ótimo, Harry! É esse o pensamento que devemos ter a partir de agora, e que ele reflita em nossas ações. Vamos honrar aqueles que queriam um futuro melhor e deram suas vidas para isso – disse o Sr. Weasley, emocionado.
— Um brinde ao futuro! – Falou a Sra. Weasley, erguendo seu copo de suco de abóbora.
— Um brinde a Fred, Tonks, Lupin e todos os outros! – foi a vez de Jorge falar, surpreendendo a todos, pois era o que mais andava calado.
E assim a refeição transcorreu: um pouco mais animada que as anteriores, as pessoas voltando aos poucos a falar mais, e até surgiram alguns sorrisos. Ao fim dessa, Harry se lembrou do que tinha de fazer e anunciou a todos:
— Pessoal, eu preciso resolver umas coisas, mas acredito que estarei de volta até o jantar.
— Para onde vai, Harry? – perguntou Rony, preocupado.
— Vou devolver a Varinha das varinhas e depois passar no Largo Grimmauld, para ver como está Monstro e a casa.
— Devolver? Mas ela não é sua? – perguntou Gina.
— Ela já causou problemas demais, não a quero comigo, já tive problemas para uma vida inteira. Além do mais, consertei minha antiga varinha, gosto mais dela! – disse, sorrindo.
— Harry, você é a pessoa de coração mais puro que eu conheço – disse o Sr. Weasley, incrédulo.
— Mas você não vai sozinho, não é, querido? Pode ser perigoso.
Hermione se adiantou, antes que alguém se oferecesse para ir junto, e disse:
— Você devia ir com ele, Gina. Não saiu de casa uma única vez, pode ser bom para você.
Gina lançou um olhar mortal para Hermione e se virou para a mãe e o pai em seguida.
— Posso ir?
— Por mim, tudo bem. Quem melhor para garantir sua segurança se não o próprio Harry Potter?! – riu-se o pai da menina.
— Na verdade, ela já se sai muito bem com isso sozinha. É provável que eu seja quem vai precisar de proteção! – falou Harry.
— Sempre modesto! Pode ir, filha, concordo com seu pai e com Hermione– respondeu a mãe.
— Vou subir e pegar algumas coisas, Gina – disse Harry.
— Vou com você, assim já aparatamos de lá – respondeu.
Todos foram retirar a mesa, enquanto os dois subiam silenciosamente ao quarto que Rony e Harry dividiam. Ao chegar lá, ele disse:
— Tem certeza de que quer ir comigo?
— E por que não iria? Vai me atacar, por acaso? – disse ela, rindo.
— Acho que não – respondeu, com um sorriso enigmático – Bem, já peguei a varinha e a capa, por via das dúvidas. Então, vamos lá!
Estendeu sua mão e Gina a segurou. Algo como um choque elétrico pequeno passou pelos dois nesse momento, embora nenhum tenha comentado ou demonstrado algo. Harry fechou os olhos e disse mentalmente: “Hogwarts, túmulo de Dumbledore”. Pisou em algo macio como grama baixa e, ao abrir os olhos, viu o túmulo a sua frente. Foi instantâneo. Seu coração começou a dar saltos e ele apertou a mão de Gina com mais força. Não queria se aproximar, mas teria de fazê-lo. Gina percebeu que Harry estava ficando pálido e falou, tentando demonstrar firmeza na voz, apesar da dor que também sentia por estar ali:
— Harry, você está bem? Posso te ajudar a coloca-la lá para terminarmos mais rápido e irmos logo embora daqui se quiser.
— Obrigado. E desculpe pelo aperto, não tinha percebido que a estava machucando.
— Está tudo bem, não me machucou.
Apontaram suas varinhas e abriram o túmulo. O corpo de Dumbledore estava começando a ficar irreconhecível. Não fosse as vestes e os óculos característicos do diretor, aquele poderia ser qualquer outro homem.
Harry olhou para a Varinha das varinhas uma última vez e a colocou entre as mãos de seu antigo dono. Se virou para Gina e disse:
— Não acho saudável a gente ficar por muito tempo.
— Concordo. Vamos?
— Quer ir ao castelo?
— Eu adoraria!
Deram as mãos mais uma vez e aparataram no castelo. Foram parar à porta. Dino, que era a pessoa mais próxima, os olhou de forma estranha, sobretudo quando viu as suas mãos juntas. Harry soltou sua mão para acenar para o rapaz e não achou apropriado pegar a de Gina novamente. Escondendo o desapontamento, Gina entrou ao lado de Harry no castelo, imaginando quantas pessoas correriam parar cima dele agora. Chegou à conclusão de que seriam muitas, sobretudo meninas, pensou um pouco desgostosa.
— Harry, meu rapaz, que bom te ver! – exclamou o professor Slughorn, ao longe. E foi o suficiente para que todos no salão o olhassem de uma única vez. Ouviu vários “Harry! ”, sem distinguir de onde viam.
— Harry! Gina! Como estão? – Neville veio apertar sua mão.
— Olá, Harry! Olá, Gina! Que bom ver vocês! – disse Luna, calmamente.
Após falar com algumas pessoas e acenar para outras, Harry finalmente avistou a professora McGonagall. Era ela a pessoa com quem ele queria falar.
— Potter! Que alegria o ver! Você também, Srta. Weasley! A que devo a visita? – perguntou Minerva.
— Professora, preciso que me ajude com algo, e só confio na senhora para pedir ajuda – disse Harry, não deixando de notar a expressão de importância que a mulher assumira.
— Me sinto honrada, meu caro rapaz! Em que posso ajudar?
— Eu devolvi algo ao túmulo do professor Dumbledore. Algo que Voldemort roubou de lá. Imagino que a senhora saiba do que se trata. Não sou bom com feitiços de proteção e queria pedir para que a senhora protegesse o túmulo. Eu e Gina acabamos de abri-lo, ou seja, qualquer um pode fazer o mesmo, o que pode ser perigoso, caso alguém descubra que o objeto está lá. A senhora poderia fazer isso?
— Imagino que possa restringir a abertura do túmulo a apenas algumas pessoas de extrema confiança – disse, pensativa –. Pois bem, o farei assim que possível. Estou um pouco ocupada com a restauração. Ah, em breve vocês receberão cartas com algumas notificações! Avisem ao Sr. Weasley e a Srta. Granger para que também fiquem cientes.
— Sobre o quê são as cartas? – Gina questionou, intrigada.
— Vocês vão ver! – respondeu McGonagall, sorridente.
— Nós temos que ir agora, professora. Até mais! – disse Harry.
— Até, meninos!
Ao caminhar em direção à porta, Gina notou irritada que as meninas não paravam de lançar olhares para Harry, cochichar umas com as outras em meio a risinhos irritantes. Não imaginava que podia ser ciumenta a ponto de odiar, mesmo que por alguns instantes, alguém que estava apenas o olhando. Se repreendeu mentalmente, até o momento em que viu Cho vindo em direção a ele com um enorme sorriso.
— Harry! – disse repentinamente, assustando o rapaz e o fazendo virar-se para ela – Será que podemos ir no Salão comunal da Grifinória? Queria ver uma coisa. É rápido!
— Hum... Tudo bem.
Subiram as escadas e foram até a torre da Grifinória. A Mulher Gorda não estava lá e a porta estava aberta. Ao entrar, Harry percebeu o quanto sentia falta daquele lugar. Foi até o dormitório dos meninos, enquanto Gina foi ao das meninas, chegou àquela que havia sido sua cama desde que chegara a Hogwarts, com 11 anos, deitou-se e fechou os olhos. Teve flashes de vários momentos que viveu durante seus anos na escola; os jogos de xadrez de bruxo com Rony, as conversas em trio, Hermione chegando com um livro pesado para mostrar alguma descoberta nova que havia feito lendo o livro, os momentos com Gina. Sorriu, lembrando do primeiro beijo dos dois.
— No que você está pensando? – perguntou Gina, que entrara sem Harry perceber.
— Em alguns momentos bons que vivi aqui – respondeu, abrindo os olhos para olhar para ela.
— Bem, acho que podemos ir agora. Podemos aparatar daqui mesmo, se não quiser descer. Você aparenta estar cansado – ele realmente parecia cansado, e a menina usou isso como desculpa para ele não ter que descer e esbarrar com a Cho.
— Tudo bem. Vamos? Ah, você me guia agora – disse, estendendo a mão.
Sentiu sua mão na dela por apenas alguns segundos, depois já não sentia mais nada; se sentia sem peso, sem forma, não sabia onde eu corpo começava ou terminava. Ainda não havia se acostumando a aparatar.
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