Notas iniciais
Espero que gostem! Tentarei escrever e postar o próximo o mais rápido possível

Estava tudo escuro no largo Grimmauld, Nº 12, quando eles chegaram. Não havia mais feitiços de proteção contra quem quer que fosse. Provavelmente alguém do Ministério se livrara de todos eles e revirara a casa, logo que conseguiram entrar no esconderijo, quando Hermione tentou aparatar ali.

— O que houve com a casa? E com as proteções que Moody colocou? – perguntou Gina, intrigada.

— É uma longa história. – respondeu Harry e, vendo que a menina não ficou convencida, continuou – Nós escapamos por pouco do Ministério, quando fomos lá para tentar pegar o medalhão. Um comensal nos seguiu e segurou Rony quando estávamos vindo para cá por aquelas lareiras. Por sorte, Hermione conseguiu desviar e deixar o comensal para trás. O problema foi que essa casa foi comprometida e tivemos que ir para outro lugar, no meio de uma floresta.

— Um dia você terá de me contar toda essa história!

— E vou, quando você quiser! Mas agora temos que procurar Monstro, estou preocupado, o vi lutando na batalha, espero que esteja bem. Sei que ele fez coisas ruins, que traiu Sirius, mas qualquer um comete erros. E eu estaria cometendo um se continuasse a guardar rancor. Os tempos ruins já passaram e espero que nunca mais voltem. Pensei em oferecer-lhe liberdade, quem sabe assim ele deixa de ser tão amargurado e infeliz.

— Acho que você deve ter ouvido muito a Hermione falando sobre a injustiça com os elfos! Mas você está certo, é uma coisa boa a se fazer– falou Gina, sorrindo.

Harry apenas a olhou e sorriu de volta, estava achando aquele clima descontraído algo maravilhoso. Mal se falavam ou se olhavam, e agora as coisas estavam começando a entrar em sintonia.

Começaram a chamar por Monstro e, após longos minutos, ele apareceu, assustado e ferido. Olhou para os dois e falou, com o mesmo tom azedo característico:

— Meu senhor procura por Monstro?

— Monstro! O que aconteceu? Quem fez isso com você? – perguntou Harry, horrorizado.

— Comensais, senhor. Fugitivos. Eu os coloquei para fora, mas um deles me atingiu.

— Merlin! Há algum remédio na casa? Consegue lembrar de algum que cure ferimentos? – perguntou Gina.

— Accio Essência de Ditamno! – disse Harry, e um frasquinho veio voando até a sua mão – venha, Monstro, deixe-me ver se isso vai funcionar. Me diga onde está ferido.

Harry e Gina sentaram no chão para ficar na altura do elfo. Monstro se aproximou, estendeu o braço e levantou um pouco o trapo que vestia para mostrar a perna. Harry colocou algumas gotas do remédio nas feridas e estas começaram a se fechar imediatamente. Monstro estava abismado, olhava para a ferida se fechando, para o frasco e para seu mestre. Sentia uma gratidão enorme pelo seu senhor, afinal ele fora bondoso e o tirara da dor. Pegou a mão de Harry com as duas mãos, apertou e agradeceu ferozmente.

— Obrigado, meu senhor! Muito obrigado! Vou recompensar o que fez! Vou deixar essa casa novinha para quando senhor vier para cá!

Ficaram boquiabertos com a nova postura do elfo.

— Você devia descansar, Monstro — disse Gina.

— Muita bondade sua, senhora. Mas devo começar imediatamente!

— Não, Monstro, ela tem razão. Descanse, coma alguma coisa. Leve o tempo que achar necessário.

— Obrigado, meu senhor! Se precisar de mim é só chamar – dizendo isso, desapareceu bem ali na frente deles.

— Acho que, depois disso, ele vai achar um insulto se eu lhe propor a liberdade.

— Posso servir de testemunha das suas tentativas, se quiser.

E riram. Mas um silêncio constrangedor começou a tomar conta do local, então Harry se levantou e disse que iria dar uma olhada na casa. Gina apenas concordou, ela sabia exatamente qual parte da casa ele queria olhar, e achava que ele devia ter esse momento.

Após alguns minutos, ela subiu e foi ao encontro de Harry. Não queria mais adiar. Precisava acabar com esse clima entre os dois de uma vez por todas. Abriu a porta do quarto de Sirius e se deparou com Harry de costas para ela, parado de frente a uma mesinha de cabeceira, com um pedaço de pergaminho na mão.

— Harry.

Ele não respondeu imediatamente. Se virou lentamente e perguntou, olhando-a diretamente nos olhos:

— Gina, nós estamos bem?

— Não, Harry, nós não estamos bem – disse, simplesmente, devolvendo o olhar.

— Eu nunca desisti de você e não vou fazer isso agora. Me deixe te explicar, te contar tudo. Me diga o que preciso fazer para que você me perdoe!

— Eu preciso fazer duas coisas – disse, se aproximando de Harry lentamente.

E o que veio a seguir aconteceu muito rápido: Gina deu os últimos passos que os separavam e lhe deu um tapa bem forte no rosto. Harry a olhou, atordoado, com a mão no rosto, sentindo uma dor que não julgava ser capaz de ser produzida por uma mão aparentemente pequena e delicada. Abriu a boca para falar, mas foi interrompido; a menina jogou os braços ao redor do pescoço de Harry e colou sua boca na dele. Harry não mais sentia a dor do tapa, só o que sentia era o cheiro do perfume floral dos cabelos de Gina, borboletas que dançavam em sua barriga e, acima de tudo, se sentia vivo.

O torpor que o havia acometido passou e Harry enlaçou seus braços na cintura dela e retribuiu o beijo. Era um beijo sôfrego, cheio de saudade e significado. Ele a puxou para mais perto, não queria que nem um milímetro o separasse dela. Parecia que o beijo nunca ia ter fim, mas isso não os incomodava, poderiam ficar ali até o fim dos tempos.

Gina foi a primeira a “sair” do beijo, mas permaneceu no abraço de Harry e, com as testas ainda encostadas, ela disse:

— O tapa foi por ter me deixado sem nenhuma notícia durante todo aquele tempo. Espere, me deixe terminar – disse quando Harry ia começar a falar –. Eu fui um pouco egoísta, como se a nossa separação e sua ida repentina estivesse sendo ruim apenas para mim. Eu queria lutar, queria fazer algo importante ao seu lado, e não estava pensando nos danos que causaria a você se eu morresse. Você é a melhor pessoa que eu já conheci. Corajoso, leal, altruísta. E não merecia todo o sofrimento pelo qual passou.

Harry a beijou novamente. Se sentia inexplicavelmente feliz, pois tudo o que queria nesse momento era que ela o compreendesse e que voltassem a ficar juntos.

— Harry Potter, você está me desconcentrando!

— Desculpe, pode continuar – disse, sorrindo.

— Harry, eu sei que isso vai soar estúpido, mas eu realmente considerei que você só levou o Rony e a Hermione com você porque eram as pessoas com as quais você mais se importava e que havia me deixando porque eu não importava tanto assim. Sei que entendi errado. Você provavelmente não queria que nem mesmo eles o tivessem acompanhado, mas sei o quanto eles são cabeça-dura. Enfim, eu entendo suas motivações, entendo o que você fez, e queria pedir desculpas a você por ter sido egoísta, por achar que eu estava sofrendo mais que você. É sério, estou me sentido bem idiota!

Harry riu, riu com vontade. Não estava acreditando que ela pensou que ele não se importava com ela.

— Gina, você é muito boba! Claro que eu me importava com você! Eu te amo!

Gina paralisou e Harry percebeu o que acabara de dizer. Não havia planejado falar, foi algo tão natural quanto adormecer. Gina abriu o sorriso mais lindo que Harry já vira e o beijou. Era estranho sorrir e beijar ao mesmo tempo, mas ela não conseguia conter a felicidade.

— Eu também te amo, Harry – sussurrou para ele.

Não viram o tempo passar, os Weasley já deviam estar começando a ficar preocupados. E estavam certos, pois menos de um minuto depois Monstro apareceu dizendo que Rony e Hermione tinham acabado de chegar e perguntavam pelos dois. Harry ouviu o barulho na escada e se afastou da menina rapidamente.

— Acha que devíamos contar a eles? – perguntou Harry.

— Não, ainda não. Vamos deixar que Hermione continue sendo nosso cupido e nos consiga mais tempo a sós como conseguiu esse – disse, com uma expressão travessa.

— Você é incrível, sabia?!

— Quem é incrível? – disse Rony, que tinha acabado de entrar no quarto com Hermione.

— Eu – respondeu Gina, sorrindo para o irmão –. Harry estava procurando há vários minutos uma foto de Sirius que tinha visto aqui e não pensou em nenhum momento em usar um feitiço convocatório. Eu usei, e achei em segundos!

— Hum... E vocês só estavam procurando essa foto? – perguntou Hermione, desconfiada.

— Sim. Nós tratamos de Monstro e viemos procurar a foto. Já estávamos indo embora quando vocês chegaram. Então, vamos? – disse Harry, já indo em direção a porta.

Hermione mordeu a isca: ao falar do elfo, ela esqueceu completamente da sua desconfiança e perguntou o que ele quis dizer com “tratamos de Monstro”. Assim, eles voltaram para A Toca. Harry e Gina internamente felizes, pois estavam juntos novamente, Hermione horrorizada com o que eles falaram e Rony pensando, como sempre, no que teria para comer no jantar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.