Harry Potter e o Mundo Perdido

1 Capítulo 1 - O Prelúdio do Mago.


Notas iniciais
Olá a todos! Essa é a primeira vez que nos encontramos nesse maravilhoso site, e ao mesmo tempo essa é a primeira 'fanfic' que escrevo e posto. Como descrito no meu perfil passei mais de 10 anos lendos 'fics' e livros, e agora criei coragem de dar a cara a tapa e escrever algo de "autoria própria". Talvez alguns erros ortagráficos estejam presentes, de antemão peço desculpa pela existência deles, mas acredito que não seja nada grave, as vezes algumas coisas passam. Enfim, esperem encontrar uma boa dose de aventura, mistério, exploração e romance. Não defini totalmente os casais ainda, mas não esperem algo clichê ou comum vindo de minha parte. Estou trazendo um tipo de história que vi poquissimas vezes, a ponto de contar nos dedos, em qualquer meio de 'fic', o que espero que surpreenda a todos vocês. Essa história englobora muitos temas, locais, teorias e personagens diferentes, mas existente nos livros (em parte), e esperem que a 'fic' se torne mais 'dark' ao passar dos capitulos. Esse Harry que irão ver definitivamente não sera um fracote, chorão de coração leve. Mas vocês entenderam. Desejo a todos uma ótima leitura e lembre-se COMENTÁRIOS são extremamente bem-vindos e agraciados, é um dos unicos meios de eu saber o que vocês estão achando da história e um excelente motivador.

Uma capela do mais puro dos mármores se encontrava no pico da mais alta colina, o luar contrastava com a estrutura localizada em um lugar esquecido por Deus e pelo Diabo. Dentro daquela branca construção grega, um homem, de olhos tão verdes quanto se poderia ser possível, se encontrava a cantar e tocar uma melodia que mais lembrava uma orquestra de um réquiem.

Meus dedos acertavam de forma rítmica as gélidas teclas do elegante piano a minha frente, eu estava a horas tocando, talvez até mesmo a dias – ou seria semanas? Sinceramente não me lembro, e não faço questão de lembrar. O tempo a muito havia deixado de ser algo que me acercava ou atingia, afinal, eu o continha na ponta do meu dedo, o mesmo dedo que afundava as teclas suave e velozmente.

Leve minha alma pela noite.

Que as estrelas guiem meu caminho.

Eu me glorio com a visão.

Enquanto a escuridão leva o dia.

In Noctem

A antiga canção escapava suavemente pelos meus lábios, tenho certeza que em algum lugar do estrelado céu, os anjos me ouviam em toda a cidade de prata, alguns caçoando com escarnio de mim — por ser odiado pela grande parte do aglomerado angelical, e outros, caindo aos prantos de amores e lágrimas pela minha suave voz que os atingia.

Parei de forma brusca a cantoria, deixando um ruir desafinado se estender por alguns segundos. Não faz sentido eu deixar você me observando por todo o sempre, apesar de ele ser curto, a tocar um piano melancolicamente, vamos, sente-se.

Irei lhe contar uma história, a minha história, ou se preferir a história da humanidade, do mundo mágico e muitas coisas além do que imaginaria. Recomendo pegar uma grande jarra de água, que preferencialmente seja vodka, e se preparar para embarcar em uma epopeia de mais alto grau.

“Huuum... Por onde começar?”

É claro! Do início, e das primeiras palavras que marquei em todo meu ser durante a eternidade que caminhou a meu lado, as palavras que andaram de mãos dadas comigo até o fim.

----------------------------------------------------------------------------

Avada Kedavra.”

A voz sombria e sem qualquer tonalidade de misericórdia entoou a maldição da morte. Um lampejo verde esmeralda saiu, como um raio, da branca varinha de teixo, e acertou sem misericórdia o peito do atual Lord da família Potter, cortando para sempre a ligação de sua alma com o mundo humano e transformando seu corpo em uma casca vazia. Um baque surdo se seguiu após James Potter cair, sem vida, contra o chão da cozinha, sua varinha rolou no chão e seu óculos se espatifou em meio a queda .

“Tolo.” – O ser encoberto por um negro manto desprezou o bruxo morto aos seus pés, enquanto passava, pisando em cima do cadáver, e seguia rumo as escadas aonde seu objetivo se encontrava.

James sempre foi reconhecido por suas incríveis habilidades em DCAT, tanto que havia se tornado um Auror após se formar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, mas, mesmo com tanto talento, ele não havia durado sequer mais de um minuto contra o invasor. Havia sido um duelo unilateral.

No quarto do segundo andar uma mãe colocava o pequeno Harry Potter no berço de madeira, lagrimas escorriam de seus verdes olhos desenfreadamente, manchando o seu rosto e a pequena manta que cercava seu bebê.

“Shiii...” – Ela engoliu em seco. “Tudo vai ficar bem, Harry.” – A linda mulher de cabelos ruivos acariciava as bochechas gordinhas do seu filho, em uma vã tentativa de trazer conforto para ele.

O jovem Harry a encarou, sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo. Aqueles olhos esmeralda brilhavam de curiosidade e apreensão, gravando para toda a eternidade o horror que acontecia em Godric’s Hollows naquela noite.

Os passos se aproximavam lentamente da porta, cada segundo vazia com que o coração de Lilian batesse cada vez mais forte, pulando de sua garganta. Os nós de seus dedos estavam brancos de tanta força que ela fazia ao segurar sua varinha, a tensão era palpável em seus olhos e o suor frio escorria entre as mechas ruivas grudadas em sua testa.

“Eu te amo, Harry, eu te amo.” – A voz quebrada saiu como um sussurro, tentando segurar o choro travado, e transmitir com todo seu coração o quanto ela sentia pelo seu filho, somente uma mãe seria capaz de dizer tais palavras com tanta intensidade. Aproveitando os últimos segundos ela beijou ternamente a testa do jovem garoto, o que seria o ultimo contato que ela teria com ele.

“Me perdoe, James. Me perdoe, Harry.”

Pediu clemência pelo que ela faria a seguir, esperando que qualquer Deus ouvisse seus pensamentos e permitisse que, algum dia, ela seja perdoada pelos seus atos e pelo terrível segredo que ela guardou durante anos de todos que conhecia e amava.

Pela ultima vez, olhos esmeraldas de mãe e filho encontraram um a o outro.

‘Animea Tempussss Infitae’— Palavras velhas, tão velhas quanto o povo hebreu e mesopotâmico, foram ditas em um sibilar similar a de uma cobra pela mulher ruiva, uma língua considerada “mal” passou pelos seus lábios.

Ela havia entonado algo já perdido pelas vastas terras do tempo, escondidas pelos primeiros povos, e trancafiada na mente de poucos magos e magas que já não andavam entre o plano térreo a muitas eras.

Seus olhos brilharam em cento e uma cores, em duzentos e dois tons. Algo a muito esquecido passou pelo seu corpo. Magia, pura magia, percorreu pelo seu braço e atingiu sua varinha, a madeira se partia em lascas e vapor saia de suas frestas, enquanto o poder bruto passava por todo seu comprimento até chegar à ponta e sair uma pequena névoa branca, tão branca quanto a alma, que agora circundava o pequeno humano a sua frente.

Aquilo, aquela magia, flutuava lentamente observando o garoto, como se tivesse vida própria, o julgando, testando, olhando sua alma. As pequenas e frágeis mãos tentavam agarrar fracassadamente aquela fumaça de um branco divino, deixando apenas rastros que se juntavam novamente.

Um estrondo seguido pelo estilhaçar de madeiras, assustou o garoto. A porta do quarto fora arrancada com uma explosão, quase desintegrando qualquer pedaço de madeira. Lascas e detritos voaram sem direção pelo quarto, como um tiro de espingarda.

O ser de manto negro adentrou o quarto, sem qualquer cerimônia, olhando diretamente para os dois integrantes do cômodo.

“Afaste-se mulher.” – O autor da explosão apontou a varinha de osso para mulher que o encarava com uma fúria silenciosa. “Deixe o garoto e mostrarei misericórdia.”

A mulher colocou seu corpo em frente ao berço, em uma demonstração de proteção. Ela precisava ganhar tempo, mesmo que fosse apenas alguns segundos, a magia ainda não estava completa – ela precisava proteger seu filho.

Encarando os temíveis olhos vermelhos a sua frente e rosto escamoso – parecendo de uma cobra, ela deu um pequeno suspiro.

“Lord Voldemort.” – A voz saiu com mais calma e respeitosa do que o bruxo das trevas a sua frente esperava, na verdade, ele não esperava uma reação dessas. A surpresa foi tanta que até mesmo uma pequena sobrancelha se arqueou naquele rosto quase inexpressivo e coberto pelo capuz.

“Saia da frente do berço, sangue-ruim, não vim por você.” – A paciência não era uma das virtudes de Tom Riddle mesmo quando adolescente, agora com a alma fragmentada não havia quase lasca alguma dessa virtude dentro dele.

Se ao menos Riddle soubesse a linhagem verdadeira daquela mulher, se ele soubesse o poder mágico que corria naquelas veias, talvez, somente talvez, ele pensaria duas vezes antes de cometer o erro que marcaria para sempre essa noite e toda sua eternidade.

“Por favor, ele é apenas um bebê.” – A mulher clamava ainda.

“Somente mais alguns segundos, alguns segundos.”— Ela rogou a qualquer Deus que a quisesse ouvir. Mal sabia ela que, não seria um simples Deus que a atenderia, não, algo mais antigo fora acordado quando as palavras proibidas foram ditas, e, esse algo, estava observando toda o desenrolar dessa cena.

“Eu posso fugir com ele, nunca o ensinar magia, por favor...” – A voz tentava desesperadamente chegar ao bruxo das trevas, ela já não sabia se o feitiço havia sido concluído ou não, e nunca saberia.

O olhar que ela recebeu foi de nojo e desgosto, como se sentisse repulsa por ela ainda querer, por um segundo, mudar a ideia do Lorde das Trevas. Os olhos vermelhos brilharam com nada além de desprezo, e a varinha branca subiu mais rápido do que seu corpo poderia acompanhar.

Avada Kedavra.”

E pela segunda vez naquela fatídica noite, de 31 de outubro, a maldição da morte ceifou uma alma da família Potter. O corpo feminino caiu sem qualquer resistência contra o chão de madeira, Lilian não fora permitida nem morrer de olhos fechados.

“Um desperdício.” – A mulher era bonita, magicamente habilidosa, ele entendia agora o porquê Severus havia caído em amor pela mulher de Potter.

“Definitivamente um desperdício.” – Reafirmou, ela podia ser uma sangue-ruim, mas ainda era sangue mágico, e sangue mágico não deveria ser desperdiçado de tal forma. Se ao menos ela pudesse se desapegar de sua cria, sua morte não seria necessária.

Saindo de seu devaneio seus olhos pousaram na pequena criança em sua frente que o encarava, sem qualquer resquício de medo, era quase... desafiador.

Como algo tão pequeno e frágil estava destinado a derruba-lo nem mesmo o Lord das Trevas entendia, mas ele havia ouvido a profecia, e nunca levaria de animo leve algo dito por uma vidente – isso seria algo tolo de ser fazer, e Voldemort não era tolo.

A ameaça deveria ser neutralizada, agora a cria dos Potters era inofensiva, mas no futuro poderia ser tornar uma ameaça. Ele podia sentir isso, a magia irradiava pela pele do garoto, saltando em pequenas ondas por seus poros, ele iria se tornar forte se tivesse um futuro.

Pela terceira vez na noite a varinha de teixo foi apontado para alguém da linhagem dos Potters – ao menos era o que se parecia.

E sem ninguém naquele quarto ver, a névoa branca começou a entrar lentamente pela nuca da criança, arrepiando os pequenos fios de cabelo, completando a magia e se infiltrando em toda sua carne, sangue e músculos. Mudando completamente todo o núcleo mágico que nem havia começado a se desenvolver direito no amago da alma. Aquilo iria mutar completamente o funcionamento do Potter, para algo que não havia sido visto a milênios, desde a primeira civilização desaparecer em uma única noite.

Olhos verde esmeralda e olhos vermelho sangue se encararam pela primeira vez na história, marcando o inicio de um conto que seria contado a muito e muito tempo depois que ambos estivessem partido do mundo térreo.

Avada Kedavra.”

O lampejo disparou da madeira branca e velozmente atingiu a testa do jovem Harry Potter.

Naquele instante, uma variedade de coisas impossíveis acontecerem ao mesmo tempo.

Primeiro: A maldição da morte se misturou a magia antiga que adentrava ao corpo do garoto, fazendo com que parte da maldição esverdeada entrasse junto com a névoa branca, passando por uma passagem que não deveria existir, e no processo criando algo totalmente novo e nunca antes visto na existência, algo perigoso, muito perigoso.

Segundo: A outra parte do Avada Kedavra ricocheteou de uma forma inexplicável na testa do garoto abrindo uma cicatriz, fazendo o pequeno corpo do menino voar para o outro lado do berço e se voltar contra seu próprio lançador.

Voldemort observou congelado quando algo até então impossível se desdobrou em frente a seus olhos, e, sua maldição o atingia no peito com mais força do que fora lançada, rasgando um grande pedaço da sua alma – um enorme pedaço.

O corpo do Lorde das Trevas foi arremessado violentamente contra o teto da casa, abrindo um buraco no mesmo, e depois caiu já sem vida e alma, contra o chão.

...

Agora apenas o gotejar da chuva, e o badalar do sino, se era ouvido na pacata vila de Godric’s Hollow. Ninguém havia escutado o terror que se passou naquela noite de 1981.

O silêncio que reinava, sobre o quarto destruído, somente era quebrado pelo horrendo som que vinha da forma negra espectral se debatendo contra as paredes, buscando algo para se ligar, para fugir.

Aquilo que mais parecia uma fumaça suja, com um rosto dentro, procurava desesperadamente pelo quarto uma forma de sair daquilo que a estava puxando em direção ao corpo do menino.

Era uma resistência fútil, Voldemort havia criado algo sem nem mesmo perceber, algo que não era escrito como possível, o pedaço da alma que tinha sido rasgada estava lentamente indo para seu navio: Harry Potter.

O som de murmúrios e rogações de um inglês distorcido saiu pela última vez alma antes que aquela coisa entrasse e se acomodasse dentro da única coisa viva naquele recinto.

Dentro do corpo do garoto, três coisas estavam alojadas, e elas alterariam nos próximos anos todo o funcionamento magico e físico dele – criando algo que não se era visto desde o tempo dos originais.

—----------------------------------------------------------

Albus Dumbledore considerava as noites chuvosas particularmente confortáveis, principalmente quando ele se encontrava livre das tarefas, quase infinitas, que alguém esqueceu de o avisar que vinham junto ao cargo de Diretor de uma das maiores escolas para bruxos existentes – e junto as outras dúzias de títulos que continha.

Ele se encontrava aproveitando da sorte com os feijõezinhos de todos os sabores, e que sorte ele diria, em mais de duas dúzias ele não havia pegado um sabor que o amargasse o paladar.

O crepitar da lareira junto ao cantar de sua adorável Fênix traziam uma melodia suave que o permitia ter esses raros momentos de descanso e relaxar as pesadas pálpebras dos olhos, algo que seria interrompido drasticamente nos próximos segundos.

Assim que o velho bruxo estava prestes a abraçar o mundo de sonhos, e relaxar os ossos tensos de seu corpo, a águia de pedra, que guardava a passagem de seus aposentos, se moveu em frente à entrada do escritório.

“Diretor.” – A águia moveu o bico, trazendo o ranger de pedras, e uma voz monótona sem emoção.

“A vice-diretora requisita a entrada para o escritório, de forma urgente.”

As sobrancelhas de Albus subiram com uma leve surpresa, o que em nome de Merlim seria tão urgente para chama-lo durante essa madruga?

Por alguns instantes uma leve sensação ruim se afundou no seu estomago e gelou seu sangue, Minerva não o chamaria para dar boas notícias a essa hora da noite, e se teve algo que ele aprendeu durante esses mais de cem anos de vida é que essas sensações nunca estavam erradas.

Com um estalo e velocidade que não condiziam com sua idade ele ajeitou sua postura na cadeira e, com um leve acenar de mão, permitiu que a águia liberasse a passagem.

Poucos segundos se passaram até que sua antiga aprendiz e amiga de trabalho surgisse das escadas. Era nesses momentos que Alvo odiava ter um “sexto sentido” tão aguçado, a expressão de desespero e urgência no rosto de sua professora de transfiguração o asseguravam que não seriam boas noticias a serem dadas essa noite.

“Albus.” – A mulher de chapéu pontiagudo o chamou em meio a falta de ar, enquanto se apoiava nos tijolos marrons das paredes, parecia que ela havia corrido muito para chegar ao seu escritório, e suas veste amassadas entregavam que ela havia aparatado a não muito tempo.

“O que houve, Minerva?” – A preocupação na voz do diretor era visível agora, a sensação de algo ruim crescia cada vez mais, e isso não era algo que ele gostava.

“Sente-se um pouco, tome alg-“

“São os Potters.” – A mulher cortou a frase antes que pudesse ser completa, não havia tempo para isso.

A expressão de Dumbledore se transformava rapidamente de preocupação leve a uma preocupação extremamente pesada, as rugas e marcas em seu rosto se tornaram fortemente presentes em uma questão de segundos.

Ele encarou firmemente sua vice-diretora, seus olhos azuis brilhando e irradiando magia através dos óculos meia-lua.

“Ele os encontrou.” — Puxando mais um pouco de ar Minerva começou a explicar o que havia ouvido a poucos minutos atrás.

“Sirius traiu eles, Albus.”

O coração do velho diretor se apertou fortemente, não era possível, o jovem Black não faria isso, ele tinha certeza, conhecia o menino. Não o teria recomendado como Fiel do Segredo caso não estivesse cem por cento convencido da lealdade e amizade que os Potters e ele tinham.

Ele tornou a olhar sua vice-diretora. Havia mais nessa história, algo estava terrivelmente errado.

“Você tem certeza do que diz, Minerva?” – Era uma pergunta tola, ele sabia que a mulher em sua frente nunca brincaria com algo desse gênero, nem eu seus piores sonhos.

“Voldemort matou James e Lily.” – A bomba foi solta na sala, naquele instante o silencio se tornou absoluto a tal ponto que até mesmo Fawkes havia parado sua melodia.

O peso da idade parecia ter abatido o diretor naquele momento, seu velho coração se apertou um pouco mais, e um pequeno nó se formou na garganta.

“E... Harry?” – O antigo diretor forçou a voz para falar, o medo da resposta o assombrava nesse minuto.

Ele olhou de uma forma quase implorativa para Minerva, esperando que ela respondesse o que ele queria ouvir, seria demais se a resposta fosse tão negativa quanto todas essas notícias.

“Ele vive, Albus.” – A resposta gentil o tirou um peso dos ossos que ele nem sabia que estava lá. Um suspiro pesado saiu da sua garganta.

“Graças a Morgana.” – Ele agradeceu mentalmente, o jovem Harry não deveria ser pego nesse fogo cruzado, ele não tinha culpa, simplesmente não tinha.

E havia a profecia também.”— Sua mente conversou com ele.

Em meio a toda essa confusão esse pedaço de informação o havia escapado da memória. A profecia, Harry não poderia morrer, jamais, se assim como Albus temesse acontecesse, o destino de todo o mundo mágico residia nas mãos daquela criança.

Com uma pequena parcela de sua fé renovada ele se levantou da cadeira enquanto encarava a mulher que agora se encontrava menos ofegante a alguns metros dele.

A velha varinha anciã repousou confortavelmente em sua mão, e em um simples girar da ponta da madeira, seu pijama se transformou no manto azul que ele usava como diretor.

“Acredito que os Aurores estarão em poucos minutos em Godric’s Hollow, mas eu temo que precisamos investigar isso antes.” – Ele falou enquanto se diria próximo a vice-diretora que apenas deu um fraco acenar de cabeça. A noticia havia a atingido fatalmente, era apenas os anos de experiencia e maturidade que a impediam de cair aos choros, pelo menos por agora.

“Fawkes.” – Dumbledore chamou sua antiga companheira enquanto descansava a mão nos ombros da professora.

A fênix apenas deu um piar, como se entendesse misteriosamente o que seu companheiro de longa data queria.

“Por favor.”

Com aqueles simples pedidos a fênix bateu as asas fortemente, deixando um rastro de fogo para trás, e planou em direção ao dois.

Em um estalar de segundos, todos os três foram engolidos por um tornado de fogo e desapareceram, deixando o escritório novamente somente acompanhado pelo crepitar das chamas na lareira.

—----------------------------------------------------------

A chuva torrencial agora agredia o par de bruxos que surgiram em um alastrar de fogo em meio a vila, uma visão incomum para qualquer trouxa, e até mesmo bruxo, de ser ver em meio a um local tão pacato quanto a aquele. A chuva não necessariamente era um problema para aqueles que carregavam magia em seus corpos, mas a obvia falta de visão que acompanhava aquela noite não era algo facilmente resolvível.

“Expecto Patronum.” – A forte voz do bruxo mais velho entoou o feitiço do patrono. Um forte pulsar azul esbranquiçado percorreu todo o objeto de madeira, e de um “fogo branco” uma fênix surgiu da magia procurando freneticamente algum dementador que poderia estar próximo.

“Não há nada aqui minha querida.” – O dono do Patrono disse a fênix que agora o olhava com curiosidade. “Eu preciso que você vá até Hogwarts e transmita a seguinte mensagem ao guarda-caças: Hagrid, eu preciso de sua ajuda, venha até Godric’s Hollow o menos tardar possível.”

Com a mensagem transmitida o patrono corpóreo abriu voo deixando um rastro de névoa azul no ar e desaparecendo velozmente em meio a escuridão.

Os velhos bruxos caminharam apressadamente para a casa que se encontrava estranhamente mais silenciosa que o comum, com um ar pesado cravado em toda a madeira que compunha a antiga construção.

À primeira vista que os atingiu aos olhos depois de adentrar na residência dos falecidos Potters foi o corpo de James Potter estirado no chão da cozinha.

“James...” – Minerva engasgou com as palavras, o sinal de choro e tristeza era presente na voz cansada dela. Aquele era um ex-aluno dela, um garoto que havia se tornado um homem e um amigo, construído uma família incrível e adquirido amigos extraordinários, e agora ele estava morto, bem em sua frente.

As lágrimas encherem aos poucos suas pálpebras, as mãos tremiam levemente, tentando buscar qualquer saída para aquela dor que estava sentido agora.

A sensação de miséria a atingiu por poucos segundos antes de uma mão firme ser colocada novamente em seus ombros, seus olhos buscaram rapidamente o dono daquela mão e se depararam com forte azul que se escondia atrás dos óculos do diretor. A tristeza e amargura era tão visível quando o dela no rosto de seu amigo.

Nada precisava ser dito, o leve apertar em seu ombro a fez seguir o velho mago escadas a cima.

A cena em suas frentes agora, poderia ser precisamente descrita como a de um filme de terror, era simplesmente pior do que a do andar debaixo. O corpo de Lilian Potter estava jogado em frente ao berço, seus olhos abertos sem vida encaravam o nada de uma forma inquietante. Um cadáver, ou o que restou dele, totalmente deformado e encoberto por um manto negro estava jogado ao chão, poucos metros do corpo da mulher.

“Lilian.” – Dessa vez foi o diretor que falava seu nome, a culpa cada vez mais se agarrava a seu corpo, como se passasse pela carne e o atingisse profundamente na alma. Parte disso era culpa dele, ele havia indicado Sirius para ser o Fiel do Segredo, ele que confiou cegamente que eles estariam seguros através do feitiço do Fidelius, ele havia sido tolo e subestimado Tom, e agora James e Lily haviam pagado o preço disso.

Seus olhos desviaram do corpo de sua ex-aluna, fugindo da crescente sensação de culpa, e procuraram freneticamente pelo berço, apenas para se deparar com um bebê dormindo enrolado em meio ao manto branco.

Ignorando por enquanto o cadáver mutilado que ele tinha uma vaga ideia a quem pertencia, se a Magia Negra palpável no ar o dizia alguma coisa, ele se dirigiu ao jovem Potter.

Pegando o bebê com mais cuidado do que ele já tivera com algo em sua vida, Albus o segurou contra seu manto. Ele estava vivo, conseguia sentir o coração batendo lentamente, seu peito descia em uma frequência tranquila indicando que ele respirava.

“Ele está bem? Harry está bem, Albus?” – A velha bruxa perguntou com preocupação estampada enquanto se dirigia aos dois. O brilho de felicidade presente nos olhos azuis, e o leve acenar de cabeça trouxeram o conforto na alma que ela tanto necessitava nesse momento.

A cicatriz em uma forma distorcida de um raio enfeitava a testa do jovem Harry, um pequeno filete de sangue seco destacava um pouco mais o formato dela.

Albus olhou com preocupação para aquilo, a quantidade de magia negra que circundava a cicatriz era sufocante, a presença era sentivel em sua pele e trazia um arrepio desconfortavelmente ruim. Lá estava o seu “sexto sentido” novamente, e dessa vez aquilo estava gritando para que ele se afastasse daquela presença, mas dessa vez ele iria ignorar totalmente seus avisos interiores.

“É muito ruim essa cicatriz?” – A mulher perguntou enquanto traçava seu dedo pelo formato que as cascas formavam na testa do menino, trazendo um arrepio igualmente desconfortável pela sua mão.

“Creio que não, Minerva, mas temo o que isso possa significar para o jovem Potter.”

A voz rouca do diretor e o toque da vice-diretora fizeram o menino se mexer confortavelmente por alguns instantes antes de abrir os olhos. E naquele instante o ar saiu do pulmão dos dois bruxos mais velhos. Não era os olhos castanhos de James nem os olhos verde esmeralda de Lilian que os encarava agora, não, não era, invés disso os olhos de Harry Potter eram exatamente da tonalidade da maldição da morte, olhos Avada Kedavra os escaravam intensamente, de tal forma, que por alguns instantes, eles temeram que fossem morrer.

“Eles são exatamente da cor...” – Minerva travou a frase no meio do caminho, deixando entendível no ar o que ela iria se referir, o aceno do homem que segura o menino confirmou que ele pensava o mesmo, a cor era idêntica, exatamente igual.

A mente de Albus Dumbledore corria a milhares de quilômetros por hora em pensamentos. Havia muitas peças faltando, muitas perguntas e uma falta notável de resposta para tudo isso.

Entregando o jovem garoto para a vice-diretora ele se dirigiu ao cadáver deformado, não seria bom para o menino ver isso, mesmo que não se lembrasse – mal sabia o velho bruxo que Harry Potter se lembraria exatamente cada detalhe de sua vida a partir daquela noite.

Suas suspeitas anteriores se solidavam cada vez mais agora, ele reconhecia aquela presença mágica que sumia lentamente do cadáver, na verdade muito bruxos a reconheceriam, afinal, ela pertencia a um dos Lordes das Trevas mais mortíferos e que assombrava a anos o povo mágico da Inglaterra: Voldemort.

Retirando a varia anciã de seu coldre, Albus á movimentou com acenares leves em cima do corpo de Tom Riddle, ou o que restava dele, deixando sua forte magia percorrer a madeira de Sabugueiro e se alastrar pelo ar. Ele franziu as sobrancelhas ao notar que por alguns instantes sua velha varinha havia rejeitado parte de sua magia, estranhamente.

Riddle havia sido atingido pela maldição da morte, a magia que ele acabara de usar o informava disso, a presença da maldição era presente no corpo estilhaçado no chão.

“A cicatriz, os olhos e a maldição.”— Tudo isso indicava a somente uma coisa em sua mente: O menino que olhava para a vice-diretora com curiosidade havia acabado de ter sobrevivido a algo que foi criado com um único intuito: matar, e não tinha falhado uma única vez até então, afinal, era impossível sobreviver a ela. E junto a isso era inegável que a mesma maldição que atingiu o Potter atingiu Riddle, a questão era, como?

O reconhecível forte barulho do motor de uma moto voadora, cortando o ar fora da casa, o tirou de seus pensamentos, Hagrid havia chegado tão rápido quanto ele esperava.

“Vamos, Minerva.” – Ele chamou a mulher que estava agachada segurando o menino, que enchia seus pensamentos, enquanto fechava as pálpebras da mulher caída ao lado do berço – a dando o descanso merecido. “Hagrid chegou, precisamos tirar o jovem Harry daqui e leva-lo para um local mais seguro.”

Minerva assentiu rigidamente e acompanhou o diretor para fora da casa meio destruída, desviando a todo custo seu olhar do corpo no chão da cozinha.

Esperando por eles, na rua em frente à casa, um meio gigante de mais de 3 metros de altura estava esfregando as mãos uma na outra, em uma tentativa um tanto quanto falha de extravasar a ansiedade que sentia naquele momento, Albus Dumbledore nunca chamaria alguém ao meio da madruga, com seu Patrono, se a situação não fosse preocupante, ou grave.

“Hagrid.” – Solenemente cumprimentou o dono do Patrono que o chamara. “Temo trazer-lhe más notícias essa noite meu amigo.”

As mãos do gigante se apertaram mais tensamente do que antes, seus grandes olhos negros encaram os azuis do homem que ele tinha a maior leva de respeito nesse mundo, apenas para ser encarado com uma tristeza e perda gigante que adornava as feições daquele bruxo.

Sua atenção se desviou para o pequeno pacote, não maior que sua mão, que descansava nos braços da professora McGonagall. Olhos ‘avada-kedrava’ o encararam tão intensamente quando possível, fazendo por um instante seu coração palpitar.

“Arry?” – O meio gigante chamou, fracamente, o nome do garoto, se atrapalhando na pronuncia. E na primeira vez naquela tensa noite, o jovem Harry sorriu como se achasse engraçado o modo de que fora dito seu nome.

Por uma leva de segundos aquele sorriso puro aliviou o clima e permitiu que o coração de todos presentes desacelerassem o ritmo.

“Entregue o menino para Hagrid, Minerva.” – Gentilmente pediu Dumbledore.

A mulher em questão colocou-o quase ternamente nos braços do gigante. O tamanho era tanto que o garoto quase desaparecia em meio a montanha que era o guarda caças de Hogwarts.

“Condado de Surrey, Little Whinging, Rua dos Alfeneiros — nº4, Hagrid.” – Albus Dumbledore citava a localização da residência dos Dursleys.

“Leve o jovem Harry para lá, no conforto de sua única família viva, temo que a aparatação não seja a melhor das opções e nem a mais segura para levar o menino.”

O grande homem deu um acenar de cabeça e montou na robusta moto estacionada no meio da rua.

“Minerva e eu conversaremos com os Aurores e em seguida nos encontramos a você e o jovem Harry, prometo lhe explicar tudo em um momento mais oportuno.”

Ambos diretor e vice-diretora observaram a moto acelerando em meio a rua e decolando ao céu, cortando as gotas de chuva e as nuvens cinzas, sem acordar um trouxa sequer.

“É seguro, Albus? Deixa-lo nas mãos de Hagrid?” – A incerteza era presente na voz.

“Eu confiaria a minha vida a Hagrid.” – O diretor exclamou sua absoluta confiança que o meio gigante cumpria com êxito a tarefa que havia lhe dado. “O menino está em boas mãos.”

Antes que o silêncio total caísse sobre os dois, o som de ‘pops’ de aparatares surgiam em meio a rua, sinalizando a chegada dos Aurores – aquela seria uma longa noite.

—----------------------------------------------------------

Casas umas iguais a outras decoravam toda a Rua dos Alfeneiros, casas pacatas que cuspiam o termo ‘americano’, todas com um ar tedioso sobre elas – uma rua aonde todos moravam infelizes com a própria vida, vivendo um cotidiano insuportável e tedioso.

Em frente a porta branca de uma dessas residências um cesto com um garoto era colocado no chão, sendo coberto apenas por um pequeno manto e um charme de aquecimento.

“Por favor, repense Albus, a família de Lilian são os piores tipos de trouxa, Harry não vai estar seguro aqui.” – A mulher, que outrora estava na forma de um gato, exclamou suas preocupações.

“Eu acredito, Minerva, que o ódio de Petúnia não será repassado ao jovem Harry.” – Dumbledore tinha fé que o passar dos anos e o aumento da maturidade do casal, que dormia dentro da residência, superasse o rancor antigo pelo mundo bruxo. Quão errado ele estava.

“O garoto vai ser famoso, não existira em todo o mundo um bruxo sequer que não saiba seu nome e seu feito.”

O diretor apertou suave a campainha na parede da casa enquanto defendia suas ações.

“Ele precisa ser criado fora de toda a atenção que o vai rodear, pelo menos ele vivera em paz durante seus onze anos, aproveitando a infância antes de ser exposto a toda essa loucura que vai o atingir.”

A mulher a seu lado concordou de forma rígida, sem total confiança nas palavras do diretor – pela primeira vez em décadas ela questionou se realmente aquela decisão era a mais sábia.

O choro do gigante montado na moto os tirou da pequena conversa.

“Ele estará seguro e aquecido aqui Hagrid, logo você o vera novamente.” – Dumbledore descansou as mãos no ombro do meio-gigante, trazendo-lhe segurança em suas palavras.

“Vamos.”

Os três bruxos desapareceram em meio a fria noite, deixando o garoto que abalaria toda a estrutura do mundo, mágico e não magico, nos próximos anos, para trás.

O que eles não sabiam é que ninguém havia atendido a campainha e acolhido ao jovem Harry, e que ele havia sido encontrado por um guardinha que coincidentemente estava a fazer uma ronda no local poucos minutos depois dos bruxos partirem.

Daqui a onze anos, Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore se encontraria em frente a um local que havia visitado a cinquenta anos atrás, e somente naquele momento ele teria ciência do tamanho do erro que cometera a confiar Harry a família dos Dursleys.

—----------------------------------------------------------

Eram 4:40 da manhã quando a velha Sra. Cole havia sido acordada por um incessante bater nas portas.

Buscando o velho óculos redondo no criado-mudo empoeirado a seu lado, a mulher severa e idosa se levantou lentamente da desconfortável cama. Ela dormia pouco todos os dias, as crianças tomavam grande parte de sua energia e agora, em seus poucos momentos de lazer, ela havia sido rudemente acordada.

Se movendo em meio aos cômodos frios e, agora, solitários, ela se dirigiu até a recepção. Jogado em meio ao escuro e descuidado, balcão de madeira, sua mão pegou o molho de chaves para abrir a porta principal e atender o desesperado ser que estava a fazer barulho e interromper seu sono.

O som do ‘click’ sinalizou o abrir da pesada porta dupla do Orfanato Wool, e em sua frente um homem com vestes azuis da guarda a encarava.

“Desculpe incomoda-la a esse horário Sra. Cole.” – O homem começou se desculpando enquanto movia o jovem bebê que dormia confortavelmente em seu braço.

“O encontrei em frente a uma residência, jogado no meio da rua, com apenas um manto e uma carta a seu lado.” – Continuou a explicar o guarda.

A dona do orfanato encarou a criança de cicatriz estranha, suas mãos agarraram a carta que o guarda a estendia.

“Harry James Potter.”— Era a única coisa que enchia o pedaço amarelo de papel, nada mais, nada menos. Todo o resto do conteúdo havia sido escondido por magia, para que somente aqueles que fossem parentes de Harry pudesse ler.

Agradecendo ao velho guarda a sua frente e o deixando continuar seu serviço, a mulher de expressão severa acolheu o menino abandonado para dentro do orfanato. As portas se fecharam com um leve estrondo, e o silêncio acolheu aos dois novamente.

A mulher no dia seguinte deixaria o jovem Harry James Potter em seu quarto, número 27, mal sabendo que nos próximos anos ela estaria criando algo mais temível que o garoto que a muito tempo atrás havia ficado no mesmo local: Tom Marvolo Riddle.

O vento e o clima se tornavam cada vez mais frio e agitado fora dos muros cinzas que cercavam o Orfanto Wool, algo estava acontecendo, a magia e a natureza pareciam se atrair durante o restante da madrugada para o local aonde residia “o-menino-que-sobreviveu”.

Dentro do corpo do dito garoto, três fontes mágicas se acomodavam em cada parte do seu corpo: Uma na mente, outra em seu núcleo e a ultima em todo seu ser. Se aqueles que o resgataram tivessem prestado mais atenção, teriam notado que a cicatriz em formato de raio não era a única que marcava o corpo de Harry Potter.

Notas finais
Bom, aqui está o "prólogo" da história, sei que algumas coisas possam estar um tanto quanto confusas ainda, mas acreditem, tudo é proposital. Eu tenho uma terrivel mania de deixar pontas abertas e misterios no meio da história apenas para fecha-las nos pontos finais. Os primeiros capitulos seráo um pouco "lentos" mas tudo com o próposito de apresentar vocês a história da 'fic' e moldar a base para essa longa jornada. Tentarei manter a quantidade de palavras entre 5-11k por capitulo, para que não fique massante ou incomodo de se ler, e estejam ciente de que sera uma história com 180-200k+ de palavras. Aguardo a opinião de todos e sejam bem vindos novamente ao conto: Harry Potter e o Mundo Perdido.