Hardball
4 Capítulo 04
Capitulo 04 – \"A verdade, é que a verdade dói. Por isso as garotas mentem.\"Acordei às pressas, quase vinte minutos atrasado e eu ainda precisava tomar banho. Corri para o banheiro, tropeçando em tudo, nem fechei a porta.Tomei o conhecido banho de gato, nem shampoo passei nos cabelos. Sai com a toalha somente enrolada na cintura e fui buscar alguma roupa no armário. Separei uma bermuda e uma camisa qualquer. Calcei o tênis e baguncei meus cabelos. Peguei a mala no canto do quarto e desci as escadas correndo. Novamente eu estava sozinho, novamente eu teria que recorrer ao exercício físico caso eu não quisesse perder o ônibus.Saindo do portão, avisto uma Gabriela parada no portão da casa dela. Nenhum pouco preocupada com o atraso.
Ela estava parada em frente ao portão, encostada na mureta. Estava vestindo uma calça skinny preta, com uma regata branca. Os cabelos estavam soltos, apenas com algumas presilhas prendendo a franja. O All Star vermelho surrado nos pés e um óculos de sol no rosto. Olhei novamente no relógio e fui em direção à casa dos Fletcher´s.- Sabia que estamos bem atrasados?Gabi me olhou e me lançou um sorriso bem sapeca.- Sabia. Por que? Ela continuava me olhando com aquele sorriso.- Porque nós estamos atrasados. – Cruzei meus braços no meu peito e continuei a encarando.- Se quiser uma carona, espera mais cinco minutos. Meu pai vai me levar.Ela ajeitou a blusinha que subia um pouco, deixando sua barriga um pouco a mostra. Não demorando muito, seu pai saiu com o carro da garagem.Nos cumprimentamos, então Gabi deu passagem para que eu entrasse primeiro, e ela logo em seguida, se sentando ao meu lado.Sr. Fletcher foi cantando as músicas antigas que tocavam no rádio até a porta do colégio. Gabi olhava pra mim e gargalhava escandalosamente, colocando as mãos na boca para que o pai não percebesse.Chegamos então, e o ônibus da excursão já estava parado na porta.Gabi desceu, e eu a acompanhei. Ela deu a volta pelo carro, parando perto do pai, este, que a repreendeu por te-lô zoado o seu show durante o caminho. Ele desejou boa sorte à filha e então seguimos para o ônibus.Será que era algo tão fora do normal nos ver juntos? Todo mundo parou o que fazia quando entramos no ônibus e nos sentamos juntos.- Nem liga pra eles. – Gabi sussurrou, puxando seu I-Pod laranja metálico da mochila.- Eu não ligo. – Dei com os ombros, e puxei o meu Iphone, ligando numa rádio qualquer.O caminho seria longo, e tanto eu, quanto Gabi, fomos ouvindo músicas, e hora ou outra tirando um cochilo. O ônibus então parou em um posto no meio do caminho, para que a turma pudesse ir ao banheiro, ou comer algo.Gabi estava acordada, assim como eu. E também como eu, estava totalmente sem vontade de descer do ônibus, embora tenha reclamado de fome uma boa parte do tempo.Tiramos um par ou ímpar para decidir quem iria descer e comprar comida para os dois, e eu, com a minha sorte do cão, perdi.Bufei e amaldiçoei a vigésima geração da Gabi, coloquei meu Iphone no banco e desci.Passei pelas prateleiras de salgados, depois para as de doces. É agora que aquela magrela se entope de porcaria e explode de uma vez. Sorri sarcástico saindo do caixa e voltando de volta ao ônibus.Entrei correndo, passando pelo corredor e chegando aos nossos acentos. Gabi estava mexendo no meu celular, sim, no MEU celular. Se tem uma coisa que me compromete, e que eu odeio que mexam.Parei em frente ao banco e lancei um olhar mortal à Gabi, que logo percebeu a minha furiazinha e soltou o meu aparelho. Ouvi ela balbuciar um pedido de desculpas baixinho, e não pude evitar sorrir, fazendo com que ela sorrisse junto.Ela avançou nas sacolas da minha mão e foi direto na caixa de Amanditas e na lata de Coca-Cola. Essa menina não engorda de ruim.Depois de ter comido tudo o que tinha direito, colocou os fones no ouvido, puxou o seu edredom para si e dormiu. Fiquei observando-a por um bom tempo. E ela era uma graça dormindo.Sem que eu desse por mim, ela estava com o corpo pra cima do meu. Sua cabeça deitada no meu peito e sua respiração calma. Seu corpo fazia um movimento de ‘sobe e desce’ que me fazia sentir um sono absurdo.Peguei meu travesseiro na mochila, encostei minha cabeça e me deixei ser levado pelo sono.Acordei com cotucões na barriga. Aquilo estava me encomodando. Endireitei meu corpo no banco do ônibus e me despreguicei. Olhei para cima e vi Gabi parada com cara de cu. Mãos na cintura e os pés batendo no chão. Típica madame.- Você pretende dormir aqui no ônibus a noite inteira, Jones? – Ela cuspiu as palavras em cima de mim. – Você já viu que horas são seu idiota?Esfreguei meus olhos e olhei no relógio e para ela logo em seguida.- Faz tempo que chegamos?- Não sei. Acabei de acordar.Encarei aquela encrenca que ria sem parar, mas me ajudava a tirar a bagunça de cima de mim para que eu me levantasse.Sem demoras, ouvimos um barulho chato, era uma bronca do professor Teddy. Certeza.
Olhei para Gabi, que rapidamente olhou pra mim e segurou a risada. E não demorou muito para que nossa dedução se confirmasse.Logo após a bronca, nos ajeitamos, pegamos nossas bolsas e descemos do ônibus, indo direto para o nosso alojamento.Passamos pela portaria, aonde pegariamos as chaves dos nossos apartamentos e as credenciais. Passamos nossos crachás do colégio e recebemos uma única chave.Olhei pra Gabi, que me encarava receosa. O professor já estava longe, então tentei tirar as dúvidas com o próprio porteiro.Apoiei meus braços na guarita, pigarreei e então o senhor de bigode branco veio me atender novamente.- Senhor. Nós estamos em dois. Por que recebemos apenas uma chave?- Porque vocês são os últimos. Vão ficar no mesmo apartamento.Confuso, olhei para Gabi que balançava a cabeça e sussurrava algo como ‘sou mulher’, ‘não vou ficar com você, Jones’.- Mas senhor, não podemos dividir alojamento. Sou homem, e ela garota.- Aqui podemos dividir alojamentos, menino. Desde que sejam da mesma escola.Encarei novamente a Gabi e ela me olhava com os olhos cerrados, tentava dizer alguma coisa em vão.Dei com os ombros, puxei-a e fomos para nosso apartamento.Eu não iria me importar em dividir o apartamento com ela. A não ser que ela fosse do tipo reclamona. Daquelas que não gosta que deixemos roupas jogadas, malas bagunçadas. Não sou do tipo organizado e ela deveria bem saber disso. Andamos bem uns quarenta minutos da recepção até o prédio. Fizemos o caminho falando algumas besteiras e zoando as outras equipes. Gabi reclamou que eu ronco quando durmo, e quando mostrei minha camisa, ela não acreditou que era baba dela. Subimos de elevador até o sexto andar do prédio azul no fim do mundo. Eu não quero imaginar a zona que não deve ta rolando por aí. Realmente, não quero nem pensar.Quando chegamos ao hall, tirei a chave do meu bolso e abri a porta.Achei bonitinho o que vi. Um quarto, com uma única cama de casal, e um sofázinho no canto da porta.Olhei pra Gabi que observava o local espantada.- Como é que eles ainda permitem que alunos de sexo opostos dividam um quarto?- É que esse quarto é da equipe técnica pra só uma pessoa, sua chata. – Olhei para Gabriela que me encarava com os olhos arregalados, e a boca levemente torta.Eu já havia participado desses torneios, óbvio. E esse não era quarto de alunos. E eu acho que eu fui o único sortudo, ou azarado, que ta dividindo o quarto com uma garota.Vou aprender a me atrasar sempre pra descer do ônibus nas próximas vezes.- Eu durmo na cama, Danny. – Ela entrou rapidamente, jogando as coisas dela em cima da cama.- Não senhora. – Apertei meus passos e me aproximei da cama. – A gente vai dividir.- Dividir, Danny? Como dividir? Eu não quero dormir com você.- Então dorme no chão, Gabriela, ou no sofá. – Aumentei o tom da minha voz e apontei para o cômodo ao lado da porta.Ela bufou uma, duas, três vezes. Bateu os pés uma, duas, três vezes. Acabou cedendo, vendo que não haveria outra escolha. E ela é esperta, sabe que não vai acontecer nada. Não da minha parte, pelo menos.Depois de entrarmos no acordo de dividirmos a cama, tivemos que entrar no acordo de manter tudo organizado. Fodeu! Pro meu lado. Mas eu ia fazer isso pelo bem da boa companhia. Acho que todos os problemas foram resolvidos, então fomos tomar banho para dormir. Afinal, um dia inteiro dentro de um ônibus, cansa mais do que deveria.Deixei ela ir primeiro, assim, teria tempo para arrumar minhas coisas, ligar para minha mãe e avisar que chegamos. Coisas inúteis.Fiz o que tinha que fazer, me sentei no sofázinho na beira da janela e fiquei olhando o alojamento. Gabi demorava mais que podia no banho.Fui até a porta do banheiro e bati até ouvir um ‘já to saindo, danny’. Bufei e me sentei na cama. Bocejei algumas vezes até ver a porta do banheiro de abrir.Fiquei parado quando vi Gabi saindo. Aquela garota estava tendo intenções nada boas, só pode. Ela estava vestindo um pijama minúsculo. O shorts era mais curto do que ela usava nos jogos. Sua blusa de alça, também minúscula quase deixava a sua barriga de fora.Se ela fosse minha irmã, não deixaria ela usar esse tipo de roupa. Não deixava mesmo.- O que você ta olhando, Jones? – Ela parou na porta do banheiro, com a toalha enxugando os cabelos.- Eu estava pensando que se eu fosse seu irmão, você não usaria uma roupa minúscula dessas.Ela continuava me encarando, agora, fechou a cara. Imagino que eu vá levar uma boa surra.- Por que? Tem medo de cometer um incesto, Jones?Arregalei os meus olhos e fiquei em pé, na frente de Gabi.Devassa, ela jogou a toalha no chão e bagunçou os cabelos curtos com as mãos. Fez uma cara sapeca e se aproximou de mim com uma carinha perversa.Aproximou a cabeça da minha, me olhou nos olhos. Ergueu o dedo indicador na altura do meu queixo e sussurrou com os lábios próximos aos meus: - Danny Jones. Tire os olhos, senão Tom Fletcher vai comer seus rins no café da manhã.Fiquei parado com cara de paisagem enquanto ela se afastava de mim gargalhando e se jogava na cama.Balancei a minha cabeça, olhei para trás e a encarei. Ela ainda continuava rindo.Não sei se essa menina é um poço de inocência, ou um poço de indecência.- Não seja besta, Gabi.Peguei minha toalha na mochila e fui para o banheiro, ainda ouvindo uma risadinha baixa da garota, que agora já estava jogada embaixo dos cobertores.
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