Hardball
5 Capítulo 05
Capitulo 05 – \"O problema não conquista-las, é manter interessadas.\"Como era de costume, acordei morrendo de sono, mas hoje seria a festa de abertura do campeonato, então eu precisava estar completamente disposto.Rolei pela cama, me esbarrando em uma coisa pequena ao meu lado. Franzi o cenho quando percebi de quem se tratava.Em silêncio, me sentei na beirada da cama e calcei meus chinelos. Ainda, na ponta dos pés fui até o banheiro. Ao tocar a porta para abri-la, levei um susto que meu coração foi parar na boca.- Aonde você pensa que vai, Danny?Olhei para a cama e dei de cara com Gabi-cara-amassada olhando pra mim com um sorriso extremamente fofo, que nos meus piores momentos gays, eu já teria apertado a bochecha dela.
- Treinar. E você, não vai?- Vou. Infelizmente.Gabi se revirou na cama, ficando de costas pra mim. Então, aproveitei a ignorada e entrei no banheiro.Fiz todas as minhas necessidades, inclusive lavar o cabelo com shampoo e saí. Já devidamente uniformizada, e agora amarrando as famosas e limpas chuteiras, Gabi estava sentada à beira da cama. Ao me ver, apressou-se e correu para o banheiro. Onde não demorou muito, e já saiu com os cabelos presos, lente de contato nos olhos e perfumada.Passou por mim feito um tiro, quando aquele maldito perfume empregnou meu nariz.- Perfume você passou. Será que passou um desodorante também, dona Gabi? – Ela me encarou rindo, ergueu os braços e confirmou com a cabeça. – Acho bom. Agora vamos que os dois estão atrasados.Gabi pegou sua mochila e garrafinha d’água que estavam em cima da mesa, eu fiz o mesmo e então descemos.No elevador, encontramos algumas pessoas do time de natação, e entre eles, estava aquela menina, a amiga da Gabi que ficou me encarando no dia da palestra.O elevador então parou no térreo, deixei que todos descessem e sai por último. Os meninos do meu time estavam ali por perto, então joguei um tchau pra Gabi e fui pra perto dos meus amigos.Fomos pra quadra treinar, como de costume. Algumas cheelearders gostosinhas animavam a torcida, que eram basicamente as equipes técnicas dos times. Que roubada. Treino de quarenta e cinco minutos e dois gols. Nada mal.Sai da quadra para beber água, então tirei um pouco minhas chuteiras e meias. O dia estava relativamente quente, então, fiquei fazendo hora por ali.Olhando para o lado esquerdo da quadra, um grupo de meninas se aproxima. Como já era de se esperar, o time de Gabriela.Ver aquelas dez menininhas se aproximando parecia a visão do paraíso. Gabi, com aquele shorts curto me fez pensar besteira da noite anterior. Sua camisa estava um pouco erguida, deixando uma parte do umbigo à mostra. O meião estava devidamente colocado por cima da caneleira, e ia até perto do joelho. O toquinho de cabelo preso, com alguns fiozinhos soltos. O vento batendo na nuca descoberta dela.Fiquei ali, parado, só observando.Ela se encostou na grade que separava quadra – arquibancada e se abaixou, num gesto muito indelicado e tirou de dentro da meia um gloss labial. Ela lambuzou os lábios com aquele negócio que meleca tudo e novamente abaixou, cheia de graça, e colocou o acessório novamente na meia. Uma coisa eu digo: Se alguém visse, ela estava encrencada.Ela olhou em volta enquanto ria do papo das amigas e parou os olhos em mim. Não disse nada, apenas deu um sorrisinho e novamente se virou para a atenção das amigas. Até não demorar muito, e todas olharem juntas em minha direção, com suas caras sapequinhas. E Gabi, ela só ria da situação. Até me jogou um tchauzinho, o qual, retribui com um beijo. Ah se Tom descobre essas malandragens, sou um cara morto.Ela cochichou algo com as meninas e se aproximou de mim com aquela cara de deboche. Encostou na grade e ficou me olhando.- Tem companhia pra festa de hoje, Danny? – Agora ela me olhava séria, e juro, eu tinha medo de quando ela fazia isso.- Não tenho nem roupa, quanto mais companhia, Gabi. Por que? – Me levantei, pegando minhas chuteiras no chão e jogando-as sobre o ombro.- Porque eu também não. – Ela soltou uma risadinha sem graça. – Será que você pode me esperar? Pelo menos até a entrada.- Claro que sim, Gabi. — Sorri sincero pra ela. – Agora eu vou tomar um banho, depois tenho mais treino. A noite a gente se fala, e fica pronta.Dei um beijo na bochecha da pequena e fui em direção à porta, não antes de dar mais uma olhada e ver que ela já tinha ido para o meio da quadra e se preparava para o aquecimento.A cena me chamou a atenção. Eu sempre havia visto ela jogando, mas contra o meu time. Nunca reparei se ela era ou não era realmente a melhor jogadora do time dela.Me sentei novamente na arquibancada e fiquei esperando a boa vontade do técnico, de parar de sacrificar as meninas e começar logo a partida.Ele separou os times, entregou as camisas coloridas e então apitou. A bola começou a rodar e Gabi avançou nela como se fosse um doce. Em pouco tempo, tomou cartão amarelo, recebeu duas faltas e marcou dois gols. Naquele momento eu revi meus conceitos e tirei a prova de que o que aquela garota tem de pequena e marrenta, ela tem de boa jogadora. E meu voto, como melhor jogadora na festa de encerramento, vai pra ela.
Olhei no relógio por pura teimosia e quase me ferrei, estava na hora do meu treino e eu nem ao menos tinha almoçado.Lá estava eu parecendo um mendigo, morto de cansaço, voltando pro alojamento quando uma voz muito agradável e sapeca me acompanha.- Danny? – A menina me chamou pelo nome. - Oi. Tudo bem? – Tentei parecer o mais simpático possível, afinal, conhecia aquela pessoa e talvez sabia de suas intenções.- Tudo bem. – Ela parou um pouco, jogou os cabelos louros para frente e para trás em seguida, prendendo-os num rabo de cavalo enorme. – Então, você tem companhia para a festa de hoje?Pensei algumas vezes tentando me recordar se tinha ou não companhia, e acho que não tinha. Não que eu me lembrasse, então respondi com um não, e logo, recebi um convite para ir com ela. Ela é uma menina muito bonitinha, então, não recusei. Combinei que passaria no apartamento delas às 22h para irmos juntos para o salão.Subi correndo para meu apartamento, separei uma roupa mais ou menos adequada, afinal, eu não tinha mesmo levado nada social demais. Então, entrei no banho.Fiz a barba, novamente lavei meus cabelos com shampoo. Não demorei mais que eu me permitia. Sai rápido, vestindo a roupa, e agora, dando uma ajeitada no cabelo. Acertei a camisa xadrez com a bermuda social, passei meu perfume e sai. Gabi ainda não tinha chegado. Tadinha, iria se atrasar para a festa.Desci correndo para o prédio da minha companheira de festa, eu nem sabia seu nome. Talvez nem ficasse sabendo. Sorri involuntariamente.Cheguei à entrada do prédio e ela estava ali, me esperando.Estava com um vestido verde clarinho, que ia até a altura dos joelhos. Um salto que a deixava quase do meu tamanho. Os cabelos louros estavam levemente enrolados nas pontas e ela tinha um cheiro incrível.Cumprimentei-a com um beijo no rosto, recebendo um como agradecimento. Peguei em suas mãos e fomos até o salão, que não ficava muito longe dali.Durante o caminho, fomos conversando assuntos eleatórios. Sabe quando você vê a pessoa todos os dias, mas não se dá conta?O nome dela é Olívia, e está um período abaixo do meu. De mãos dadas chegamos ao salão principal. Luzes fortes, música alta e pessoas extremamente animadas. A confederação dos esportes estaria por ali, então, certas bebidas estariam totalmente proibidas. Mesmo com os jogos oficiais começassem somente daqui a dois dias.Entramos e tivemos olhares atraídos sobre nós dois. Qual o problema do capitão do futebol masculino ir para a festa com uma das meninas do time feminino? Acho que nenhum.Chegamos perto do bar, onde ficamos conversando assuntos diversos, agora, possuíamos bebidas em nossas mãos, e o assunto começava a ficar mais espontâneo. Ela havia terminado o namoro há pouco com um dos meninos do meu período, mas nem prestei muita atenção de quem ela falava. Admito, ali tinham garotas até então muito mais atraentes.Rodei meus olhos pelo local, até sentir a gola da minha camisa ser puxada, e meus lábios serem covardemente mordidos por uma boca inteiramente melecada daquela porcaria chamada gloss.Eu não poderia reclamar. Não tinha motivos para isso.Me virei de frente à Olívia, segurando-a pela cintura, puxei seu corpo para mais perto do meu. As suas unhas cumpridas começaram a arranhar a minha nuca e meus ombros. Ela passou a língua por entre meus lábios, dando uma mordida no canto da minha boca. Sorri safado. Subindo minhas mãos por suas costas descobertas, enrolei meus dedos nos seus cabelos da nuca. Olívia começou aumentar o ritmo do beijo. Não um ritmo bom, mas violento. Me senti sufocado, perdendo a vontade e o ritmo.Minha respiração começou então a falhar, e devagar, fui cortando o beijo e separando nossos rostos, inventei alguma desculpa de ir pegar bebida e me enfiei no meio do salão. Avistei meus amigos sentados em uma mesa, conversando animadamente, e essa eu não poderia perder. Me juntei à ‘gangue’.- Me tirem desse lugar. – Franzi meu cenho e falei entre os dentes.- Qual é, Danny? Você tava ali no maior amasso com a amiguinha da Fletcher, rapaz. – Lucc bateu nas minhas costas, marotamente.- Gabi! – Gritei, fechando os olhos, fazendo uma careta e colocando a mão na boca.- Velho, o que foi? Fiquei sabendo por ai que vocês estão dividindo o mesmo apartamento. Qual é a de vocês, cara? – Thomas ia começando a falar até uma sombra surgir por cima de mim, e a feição dos caras fechar.- Qual é a nossa o quê? Posso saber?Aquela voz conhecida atrás de mim, me fez pular da cadeira e me lembrar completamente da merda que eu tinha feito.- Gabi! – Me levantei rapidamente, me colocando de frente à menina.- Danny Jones. – Ela apontou o dedo indicador no meu peito. Seu rosto estava fechado, e não estava nem um pouco sarcástica. - Gabi. Me desculpa. Eu esqueci. – Ergui minhas mãos, para coloca-las em seus ombros, mas recebi um tapa certeiro.- Você fica longe de mim, Danny Jones. – Vi uma lágrima escorrer do canto esquerdo do seu olho. – Você entendeu bem, né? LONGE. – Ela fez questão de enfatizar essa última palavra. Eu havia feito merda com uma garota legal. Me redimir seria praticamente impossível.Ela de virou e saiu. O seu vestido era preto com corselete, uma saia rodada de tule vasado. Uma fita larga cor-de-rosa na cintura disfarçava os quilinhos a mais dela [link: http://www.bestpromdresses.com/shop/prodimages/thumbs/Jovani-80836165.jpg.jpg ] . Desci a visão por todas suas pernas bem torneadas devido ao esforço físico, e aquele scarpin rosa-bebê envernizado a deixava mais incrivelmente sexy. Seu cabelo estava dividido torto, preso em duas ‘chuquinhas’ que davam um ar menina à aquela menina.Passei as mãos pelos meus cabelos, escondendo o nervosismo.Os caras na mesa continuavam me olhando com cara de quem não entendia o que acontecia. Dei com os ombros e me sentei novamente, vendo Gabi sumir definitivamente do meu campo de visão.- Mas fala, cara. Qual é a sua com a Fletcher? – Alguém perguntou, confiante mesmo que eu estivesse prestando atenção. - Jones?... Jones? Eu ainda mantinha meus olhos na pista de dança. Ouvia risadas ao meu lado, mas sem me importar, me levantei rápido e segui direção ao bar. Eu não estava me sentindo bem, mas mesmo assim, não sabia que sensação estranha era essa.Pedi uma cerveja ao barman e me encostei no próprio balcão.Passei os olhos pelo lugar, e não pude notar a Fletcher se pegando com um garoto no canto do salão, próximo ao banheiro.Balancei a cabeça negativamente e tentei buscar algo mais interessante para prestar atenção, mas a minha curiosidade aos fatos, falou mais alto.Coloquei a garrafa de cerveja na boca, tomando um gole, reparei bem aos movimentos deles.Uma das mãos do garoto subia e descia pelas costas dela. A outra mão estava em seu pescoço e o acariciava com a ponta dos dedos. Logo, essa mesma mão foi para o rosto pequeno dela, aonde ele depositava leves toques carinhosos. Gabi safadinha arranhava os braços dele com uma das mãos, enquanto a outra bagunçava os cabelos claros dele. Suas unhas vermelhas faziam um desenho entre a nuca e a cintura. As suas pernas estavam muito bem unidas e totalmente presas às dele. E que se eu bem sei como é essa sensação, alguém ali poderia estar delirando.E por mais que eu negasse, eu queria estar no lugar dele naquele momento.Virei a minha atenção novamente à pista de dança, tentando espantar aqueles pensamentos errados sobre a Fletcher, mas quando olho novamente, vejo que era Adam que estava com ela. Adam, o gostosinho espivetado do meu time de futebol. Eles que se danem. O Adam, e a Fletcher... A Fletcher...Larguei a garrafa da bebida no balcão e fui em direção aos dois. Adam percebeu que eu me aproximava, então sussurrou algo para Gabi que deu com os ombros, sem nem ao menos olhar para trás.Quando parei de frente ao mais novo casal, Gabriela encostou a cabeça no peito de Adam e nem me encarou. Adam então, abraçou a pequena, deixando-a extremamente aconchegada em seu afeto.- Fletcher. – Com uma dureza na voz, encostei meu dedo levemente em seu ombro.Num movimento brusco, ela tirou uma de suas mãos das costas de Adam, a levantou até meu dedo e tirando-o do de seu ombro.- Vem, Adam. Esse lugar está me deixando irritada. Gabriela então se virou rapidamente, puxando Adam junto com você salão afora.- Espera, Gabi. – Tentei impedi-la, mas novamente, com mais irritação ela afastou minha mão do contato de sua pele.- A Olívia está te procurando.
Suas últimas palavras foram cuspidas com uma rispidez que imaginei que Gabriela Fletcher nunca teria. Seu olhar lançado sobre mim não era um olhar qualquer, era um olhar misterioso, intrigante. Meu Deus, o que essa menina tinha que eu não consigo entender? Dei com meus ombros, apoiando uma das pernas na parede do salão fiquei observando o lugar, que já estava novamente tomado por luzes piscando, som alto e garotas lindas se perdendo no meio da pista de dança. Sorri de canto, me aproximando ao local e tentando me enturmar num grupinho de garotas lindas. Gabriela era somente Gabriela.[Gabriela POV]Em dezesseis anos, nunca pensei que Danny Jones seria tão idiota. Sabe quando você imagina que o melhor amigo do seu irmão pode ser seu príncipe encantado montado numa Caloi aro 15? Era assim que eu vi Danny a minha vida inteira.Esses últimos dias foram estranhos e nunca me senti assim. Quando chamei Danny para ir comigo ao baile, queria que fosse diferente, queria que ele me visse além da irmã pirralha do Fletcher.- Idiota! – Falei um pouco alto demais, enquanto andava de mãos dadas com Adam, não prestando atenção em nada além dos meus pensamentos, que por obséquio, estavam dentro daquele salão de onde sai a algum tempo.- Oi Gabi. Aconteceu alguma coisa? – Adam parou de andar, se colocando à minha frente e começou a me encarar com um sorriso fraco no canto da boca.- Não. Não foi nada. – Simulei um sorriso e deixei que um suspiro pesado escapasse dos meus lábios.Adam nada disse, balançou a cabeça e me abraçou. Não pensei que seria compreendida depois do que aconteceu. Adam talvez sabia do que eu sentia, mas nada disse, apenas me abraçou.Seu abraço forte, acolhedor, me trazia uma calma que nunca senti igual. Correspondi ao seu afago, abraçando-o forte também. Apoiei minha cabeça em seu peito, sugando todo o perfume maravilhoso que se instalava naquela camisa azul bebê. Suas mãos afagavam meu cabelo, que agora, já estavam mais soltos do que presos. E depositou um beijo demorado no topo da sua cabeça.Ainda me abraçando, levantou meu corpo até a altura do seu, deixando nossas cabeças próximas. Então, esfregou seu nariz no meu, e sorriu.- Você é muito linda. Antes que me beijasse, essas foram suas ultimas palavras. As quais me arrancaram um sorriso imenso.[/POV]
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