Hans
1 Capítulo 1 - Porto Seguro.
Notas iniciais
( A quem interessar saber como é a melodia dos marinheiros: Beirute — Port of Call )
Século XXI
Em uma Praia ensolarada, crianças brincam na areia sob o som de gaivotas e o quebrar das ondas.
E pequenas mãos femininas pegam uma velha garrafa de vinho branco coberta de corais e com uma folha de papel dobrado dentro.
Dentro da garrafa, uma velha página arrancada de um livro, e cursivas borradas de uma outra época. Um nome, porém, permanecia legível.
Hänsel Westergärd
Verão, 1840.
Sua figura é uma sombra dourada na vermelhidão poente. Uma Nau avança pelo entardecer.
Seu destino: København, Ilhas do Sul. Sua carga: O Príncipe desgraçado Hans das Ilhas do sul. Enviado como emissário e recebido como traidor.
O dignatário francês responsável por escoltar o príncipe desce até a cabina onde Hans estava encarcerado.
–Estamos quase chegando, Monsieur Hans. O capitão me assegurou que em breve poderemos avistar as luzes da Capital.
Hans estava em pé de costas.
–E então caro dignitário. Pensou no assunto?
–Solta-lo? Non merci!
Hans se virou, seu rosto era jovial e amigável.
–Digníssimo. Já nos afastamos de Isen! O único risco que corre é que eu pule no mar e vá nadando pra casa. O que aliás facilitaria o seu trabalho. Comprenez-vous?
Lançou um olhar desconfiado para o príncipe, antes de dar de ombros.
–très bien! Mas lembre-se que Le Seigneur est mon prisonnier!
–Eu sei, eu sei. Vou me comportar. Prometo.
Ele puxou um molho de chaves e abriu a fechadura da cela, bem como as algemas de ferro do príncipe. Hans massageou os pulsos.
–Ah! Assim é bem melhor! Como está o tempo la fora?
Eles subiram ao Deck principal, onde alguns marinheiros soltavam as Adriças enquanto outros recolhiam os cabos de cânhamo Preparando o navio para o Aportamento. Hans enchia os pulmões com o ar fresco da Maresia.
–Arrependido?
Perguntou o dignitário francês.
Hans olhava fixo para o horizonte, o vermelho de seus cabelos se confundia com os tons dos últimos raios de sol. Os homens eram silhuetas a balançar por sobre o deck. Pelo incessante sobe-e-desce do mar.
–Sei bem o que fiz.
Observou o mar calmo da noite que se apresentava com seu negro véu.
–E se me fosse concedida a chance...
Virou-se para o Diplomata. Seus olhos esmeralda brilhantes na efemeridade do ocaso.
–Eu faria tudo de novo.
Sorria. Enquanto as sombras da noite cobriam o mar. E o cantarolar dos marinheiros se fundia ao som do vento.
And I (E eu)
I called through the air that night (Eu chamei pelos ares naquela noite)
A calm sea voiced with a lie (Um mar calmo se expressou com uma mentira)
I could only smile (Eu podia apenas sorrir)
I've been alone some time (Eu estive sozinho por algum tempo)
And all in all (E apesar de tudo)
It's been fun (Tem sido divertido)
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