Hans
2 Keeping Up with the Westergärdashians!
Notas iniciais
Headcanon — Os Treze príncipes das Ilhas do Sul.
Século XXI
Um navio de exploração arqueológica, "a Odisseia", avança pelas águas escuras do mar da Noruega.
Sua missão: Vasculhar as profundezas em busca dos tesouros perdidos de eras passadas e de seus segredos esquecidos.
A Odisseia realiza mais uma varredura nas profundezas. A bordo, a tripulação de cientistas, arqueólogos, engenheiros e exploradores procura os vestígios do lendário submarino nuclear K-278 Komsomolets,*1.
– Quanto tempo?
Perguntou o comandante da embarcação em sua cabina de comando.
–3 horas ou menos...
Respondeu o oficial navegador.
–Estamos ficando sem tempo, Phil, você tem certeza que quer continuar?
Voltava-se para o Jovem alto, de olhos azuis e cabelos vermelhos, que não tirava os olhos da tela de seu Notebook. Ele observava os gráficos tridimensionais surgindo como belos fractais pela tela.
– Vamos prosseguir enquanto tivermos luz solar. Essas águas escuras têm recebido naufrágios desde a era dos vikings, e não somos os únicos nessas aguas caçando tesouros! O “KLEIN”*2 tem captado interferências nas frequências do radar, provavelmente algum concorrente espalhou pontos com “Jammers”*3 em áreas de naufrágio pra tentar nos retardar.
O comandante acenou positivamente. Sabia que não seria uma tarefa fácil. As previsões do satélite meteorológico não eram as melhores, afinal.
Mas eles eram os melhores! A Odisseia era o melhor navio caça-tesouros no ramo de arqueologia subaquática. E ele era seu comandante.
Uma oficial de comunicações afasta os fones e retira um telefone de um dos painéis da cabine.
– Sr.Stabbington, telefonema via satélite!
O ruivo levantou-se contrariado.
–Maldição Pipa! Essas ligações nos custam 2 euros o minuto! – resmungou.
– Olá Philip! Sorte brincando de caça ao tesouro? Hu hu! Não diga que descobriu o segredo do abismo?
A voz debochada do outro lado era Philipa ou simplesmente “Pipa” sua irmã.
– Directo ao assunto Pipa! Sabe quanto nos custa essa ligação?
–Ai! Sempre um avarento! Escuta, eu tenho uma notícia boa e uma ruim!
–Tomara que seja importante dessa vez...
–A ruim é que eu estive vendo os microfilmes daqueles manifestos do século XIX e... Sinto muito, consta que um prisioneiro apenas foi encaminhado às autoridades dinamarquesas na data que você me pediu pra procurar, mas não citam nada a respeito dele, nem nome nem o crime que cometeu, só sei que o navio veio de uma tal de cidade “do vale de Aren“ no condado de Aust-Agder em Sørlandet.
–E o que mais? Não acredito que você está ligando só pra dizer que não achou nada!
–Espera, eu guardei o melhor pro final! Se lembra daquele rapaz charmoso que eu conheci naquele evento da Chapions League ano passado? O que estava investigando sobre um escandalo envolvendo uma camareira e um jogador do Chelsea?
–Pipa eu vou desligar!
–Ai! Tá bom! Escuta! Ele me mandou tweet com o link de uma reportagem da BBC sobre uma carta numa garrafa de 176 anos que uma menina achou na américa do sul.
– E o que tem isso? Eu vivo de achar essas tranqueira no mar!
– E se eu te disser que nessa carta havia o nome do nosso querido príncipe encantado escrito?
O homem piscou os olhos incrédulo.
–Isso mesmo que você ouviu maninho, Hans das ilhas do Sul reapareceu dos mortos...
–Conte-me mais, irmã querida...
Verão. 1840
Local: Alfandega de Københavni, capital de Sydlige Øer, As Ilhas do Sul.
O príncipe Hans, ainda sob custódia do dignitário francês, aguarda a chegada de Seus irmãos que desejam vê-lo pessoalmente depois do “incidente diplomático” em que o pequeno príncipe esteve envolvido.
–Calma garoto, calma!
Hans acalmava Sitron acariciando sua testa e descendo a palma de sua luva até o nariz do animal. Ele ficara amarrado sozinho no Compartimento de cargas-vivas* e isso o deixara agitado durante a viagem.
Sitron era um cavalo de guerra das ilhas do sul, treinado para suportar longas viagens de navio, mas não ficar muito tempo longe de seu mestre. Hans, por outro lado conhecia bem o animal e sabia como “comprar sua tranquilidade”, ele puxou uma maçã do bolso.
–Veja o que eu trouxe pra você, rapaz! Peguei na cozinha, está bem madura e docinha!
O animal balançou a cabeça e abocanhou a fruta, chacoalhando a calda cabeluda contra as ancas.
O dignitário francês entra por uma portinhola. Junto com ele, Andrew, o Vaidoso, 6° irmão de Hans na linha de sucessão e Alexander, o presunçoso, 5° príncipe.
–Como vai, jovem irmão- Disse Andrew com um sorriso cínico.- Fizeste boa viagem?
Hans o ignorou. Seus olhos estavam em Príncipe Alex, que lhe devolvia com um olhar tão severo que o fazia lembrar os olhos de seu pai. Alex deu um passo a frente para encara-lo, sua voz soava incrivelmente formal, quase como se estivesse a ler em voz alta.
–O quê, caro irmão, ou como, conseguiste transformar uma simples missão diplomática no maior incidente na política externa das Ilhas do Sul desde as malditas GUERRAS NAPOLEÔNICAS?
Hans começou a responder quando sentiu uma forte dor familiar queimando sua nuca.
Slapt!
–Ai!
Era o príncipe Damien, o travesso, que num rápido movimento saltou por trás do irmão.
– Damien! Por onde você entrou? – Hans se virou.
Slapt!
–Ai!
Dessa vez foi Derek, o Maroto.
Derek e Damien, também conhecidos como “Os Irmãos calamidade” são Gêmeos idênticos, exeptuando-se pelo facto de um ser a mente e o outro os punhos. Hans ficou visivelmente incomodado.
–Não acredito que você trouxe esses dois contigo Alexander. Eu... AaaaHrg!
E por fim Robert, o Agressivo, que acabara de aplicar um poderoso “ceroulão”*5 puxando as roupas intimas de Hans com força suficiente para destruir qualquer compostura (ou colhão) da parte do príncipe.
–Tem muito mais de onde veio isso Hans! Respondeu um prícipe Willian, mais jovem e de espada em punho, que vigiava a porta.
Andrew o Vaidoso, cutucou o dignitário francês, que estava boquiaberto e pasmado com a cena surreal.
–Como é bom ver a família reunida! Como nos velhos tempos heim, Hans?
De repente Hans começou a sentir uma súbita saudade da cela da prisão.
–Mas, já que estamos aqui reunidos vamos a pergunta que realmente importa, caro irmão!
Derek, Damien e Andrew se inclinavam sobre Hans que ainda estava caído e se contorcendo.
–Diga-nos, a princesa e a rainha de Isen* são tão bonitas quanto ouvimos falar?
Hans silenciou. Levantou-se e segurou nas crinas de Sitron acariciando-o com a ponta dos dedos de suas luvas.
–Bonitas, sim... A princesa, Anna, tem cabelos de morando, doces olhos azuis, um rosto de anjo e o temperamento de uma heroína de um romance nórdico!
Hans gesticulava sorridente, com sua lábia única, viu que tomava a atenção de seus irmãos.
–A Rainha Elsa. É jovem e linda como a irmã... Sim, seus cabelos são de um tom platinado como nenhuma outra mulher tem! Seu corpo é esquio e suas curvas generosas! E seu olhar é intenso como os trovões da tempestade! Pensando bem, ela não é realmente uma mulher... É uma força da Natureza!
Parou. Seus irmãos inclinavam como garotinhos. Os olhos de Willian tremiam brilhantes.
–E enquanto a outra coisa que ouvimos? – Perguntou Damien , o travesso.
– É, é verdade que ela controla as neves e as nevascas?- Disse Derek, o maroto, os olhos vidrados como uma criança que ouve uma história de contos de fadas.
–Basta! – Alexandre disse irritado- Poupe essas suas mentiras pra criadagem Hans! No momento nós viemos olhar para essa sua cara dissimulada por nós mesmos antes de te entregar ao seu algoz...
Hans riu.
– Algoz, Alexander? E quem seria? Não diga que o nosso irmão, o “bom Rei Klaus” vai me dar umas palmadas?
–Klaus não irá fazer nem dizer nada, Hans, nem para castiga-lo muito menos para ajuda-lo...
–Então vai simplesmente me ignorar? Típico! — Hans selou Sitron e foi guiando-o para fora — Bem eu vou indo, mandem lembranças a...
Willian e Robert se puseram à porta. Bloqueando-o.
–Eu não acabei, Hänsel!- Disse Alex com frieza.- Klaus ficou tão desapontado que entregou o seu destino ao juízo daquele em que ele mais confia nesse mundo...
Todos os ouvintes arregalaram os olhos (mesmo Sitron). O dignatário francês tentava entender o que estava acontecendo quando percebeu uma ponta de desespero surgir nos olhos de Hans. Alexander sorria.
–Isso mesmo caro irmão! Klaus entregou seu destino nas mãos de nosso querido irmão Viktor o beligerante! He he he... Eu não queria estar na tua pele.
E então, de repente, Hans percebeu que sua volta para casa não seria exatamente um passeio.
–Maldição Klaus...- sussurrou baixinho.
Essa noite será bem longa para o 13° príncipe.
Fale com o autor