Hangover Is On
2 Where you wake up this morning
Notas iniciais
Sherlock ouviu a porta de entrada sendo aberta e voltou à sala na esperança que fosse John, mas deu de cara com Molly de bochechas vermelhas, então aquele realmente era o apartamento de Tom. Esperou que ela começasse a falar:
— O que você faz aqui? Cadê Tom? – ele apenas apontou para o chão onde Tom ainda dormia no tapete, ela olhou na direção que ele indicou nem reparando nas exatas condições em que o noivo estava, voltou seus olhos para o detetive. Ele estava indecentemente sexy daquela maneira: descalço, sem camisa, com os cabelos bagunçados. "Molly, controle-se", repreendeu-se mentalmente. Seu noivo estava a menos de cinco metros e ela ali, admirando o físico de Sherlock Holmes.
"Então Molly ainda sente-se atraída por mim, bom" Sherlock pensou ao observá-la. Iria dizer algo, mas soaria rude e precisaria que ela lhe ajudasse dali em diante. Sentia a cabeça pesar, precisava ingerir algo.
— Sherlock, o que você faz aqui? – Molly repetiu a pergunta.
— Sinceramente? Não sei. Eu adoraria um café, se não for incômodo, e aposto que Lestrade e seu noivo também vão gostar quando acordarem.
— Lestrade também está aqui? – Molly não conseguiu esconder a surpresa em sua voz, o que diabos estava acontecendo?
— Dormindo, na banheira.
— Enquanto eu faço você vai me explicar exatamente o que está acontecendo – ela disse séria, se encaminhou para a cozinha com Holmes em seu encalço.
Sabia que cada movimento seu estava sendo observado. Concentrou-se para não se atrapalhar e esbarrar em nada, colocou água para ferver no bule, separou o pó, o açúcar, e algumas xícaras, tomaria um pouco também. Terminou de fazer o café, serviu em duas xícaras, levou-as até a bancada e sentou-se de frente pra ele:
— Aqui está seu café, Sherlock, pode começar a falar agora.
— Bem... – ele deu gole na bebida e respirou fundo antes de começar – Como você sabe ontem fizemos a despedida de solteiro de John. Não me recordo claramente de nada da noite passada. Acordei essa manhã na cama de seu noivo e quando fui procurar os outros encontrei Lestrade na banheira e Tom na sala. Não vi John em nenhum lugar do apartamento, achei que ele estava com Mary até receber sua mensagem... A única coisa que sei é que ele pode estar em qualquer lugar de Londres! – bagunçou os cabelos, exasperado, então Molly começou a rir. Deu outro gole na bebida enquanto pensava no porque ela estava rindo do ele havia dito.
"Sherlock Holmes acordou na cama em que eu e Tom transamos? O Universo devia estar fora dos eixos" Molly pensou antes de começar a rir, viu que ele permanecia sério. O que tinha feito mesmo depois que acordou? Ah sim, foi procurar os outros e John, o médico não estava com eles e poderia estar em qualquer lugar.
— Quer dizer que John desapareceu?
— Seu paradeiro é desconhecido, mas se prefere colocar dessa maneira...
— E você espera que eu faça o quê? – Tinha certeza absoluta que ele lhe pediria algo.
— Se você tiver agulha e seringa aqui, seria um ótimo começo, preciso que avalie as substâncias presentes no meu sangue... Talvez possa ser útil. E me ajude até que eu encontre John. Mary não pode saber sobre isso.
— Sherlock, Mary é esperta, não vai engolir qualquer coisa.
— Diga a ela que surgiu um caso de extrema importância e preciso de John comigo. Enquanto isso vá com ela a manicure, comprar roupas, sei lá, só me ajude, por favor – ele descarregou toda a potência do seu olhar em cima da legista.
— Está bem. Acho que têm agulha e seringa na bolsa de primeiros socorros – ela se levantou e foi até o quarto, voltou uns minutos depois com os itens em uma das mãos, na outra estava sua camisa roxa, ela a atirou em sua direção e ele a apanhou por reflexo – Creio que isto lhe pertença, e me explique porque a maioria das roupas do Tom agora são pedaços de retalhos.
— Obrigado.
Ele vestiu a peça, dobrou as mangas até o cotovelo deixando o último botão aberto e estendeu o braço para que ela tirasse o sangue. Não sabia a resposta para a pergunta dela, talvez alguns dos outros dois soubesse de algo. Nem percebeu quando Molly tirou a agulha de seu braço, ouviram passos e Lestrade apareceu na cozinha, estampado em sua cara que ele estava de ressaca, a gravata no pescoço:
— Bom dia, Sherlock, Molly...
— Bom dia, Lestrade – ela respondeu-o, o detetive só acenou com a cabeça.
— Diga pelo amor de Deus que esse cheiro é de café – e se sentou num banco ao lado de Sherlock
— É sim, eu pego uma xícara pra você.
— Onde estamos? – O inspetor quis saber.
— No apartamento do noivo de Molly. E antes que me pergunte, John não está aqui, não sei onde ele está, e não, não me recordo da noite passada – Molly voltou com uma xícara para Lestrade, que parecia se esforçar para associar tudo que ouvia – Molly porque não tenta acordar seu noivo?
— Sherlock, minha cabeça está latejando, vá com calma – O inspetor deu um grande gole no seu café, a legista foi até a sala.
— Pelo amor de Deus! Thomas, porque você está com a cabeça raspada? – ouviram a legista gritar com o noivo que sonolento se levantava.
— Querida, não grite! – Ele respondeu com a voz embargada.
— Não me faça te colocar debaixo da água gelada do chuveiro. – A noiva rebateu, ele levantou-se ao tom de voz dela.
Tom foi até o quarto e voltou de calça jeans e uma camiseta. Sentou-se do outro lado da bancada, ao lado de Molly, de frente para Lestrade. Serviu-se de café e ninguém falou nada por um tempo. Lestrade imerso em sua ressaca, Sherlock tentando descobrir algo em seu Palácio Mental. A legista segurou-se para não rir da situação toda. O detetive quebrou o silencio:
— Lestrade, preciso que me diga qual a última coisa que se lembra da noite passada.
— Bom... lembro que fomos a uma bar que tinha um moinho na fachada, e... – Ele massageou as têmporas, depois enfiou a mão no bolso da calça, tirou seu celular e mais alguns papéis de dentro, deixou tudo em cima da bancada. Molly começou a mexer nos papéis – desculpe, Sherlock, minha cabeça não para de latejar.
— Um recibo de um estúdio de tatuagem ás 01:50 da manhã? O que foi que vocês aprontaram? – O detetive voltou à bancada e tirou o papel das mãos de Molly, depois começou a examinar cada um dos papéis que estavam no bolso de Lestrade, procurou nos seus e tirou mais alguns.
— Acho que temos um começo, vamos ordenar os recibos que existirem por hora.
Em pouco tempo os quatro organizaram cada papel encontrado. Iriam voltar a todos esses lugares e ver se talvez quem sabe John não havia ficado em um deles, Molly mandaria uma mensagem para Sherlock assim que tivesse os resultados, Tom e Lestrade iriam com ele a cada lugar. Começariam voltando ao Moulin Rouge. Saíram do apartamento e lá fora não viram o carro negro estacionado, onde estava o carro?
— Vocês poderiam tentar fazer uma cara de não ressaca? – Sherlock comentou enquanto olhava para os lados.
— Sinto muito se meu organismo não está habituado a certas substâncias igual ao de alguém, Sherlock. – Lestrade respondeu mal humorado. Tom permanecia calado e o detetive preferia que continuasse assim, não teria paciência para ouvir asneiras da boca do noivo de Molly.
— Pelo menos o meu está melhor que o de vocês dois.
— Aquele ali não é o carro do seu irmão, Sherlock? – Tom apontou para um Rolls Royce pintado igual ao Yellow Submarine.
— Merda! – O detetive sibilou antes de seu celular começar a tocar, pegou o aparelho, olhou o nome no visor e atendeu – Mycroft...
— Sherlock...
O detetive expirou o ar, com certeza seu irmão queria saber sobre o carro.
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