Hangover Is On
3 One more shot another round
Notas iniciais
— Parece que finalmente realizou seu desejo infantil de dirigir o Yellow Submarine, meu caro irmão!
— O devolverei do jeito que estava, então porque não volta a malhar e me deixa em paz, Mycroft?
— Da próxima vez que receber uma multa por alta velocidade e estacionar em local proibido, tente não estar dirigindo meu carro, sim?
— Bye, Mycroft – E desligou o telefone.
Sherlock estava afastado enquanto conversava ao telefone, Tom olhou para Lestrade pedindo por respostas, mas tudo que o inspetor lhe respondeu foi:
— Os Holmes que se entendam.
— Quem será que fez isso com o carro? — Questionou Tom.
— Tom, eu acordei numa banheira que nem sabia a quem pertencia, acha mesmo que eu sei de algo? – O detetive voltava para perto deles.
— Ao que parece recebemos uma multa por velocidade e outra por estacionar em local proibido... – Avaliou Sherlock.
Pegaram um táxi que os levou de volta ao Moulin Rouge. Lestrade ainda absorto em sua ressaca, lia e enviava algumas mensagens de seu celular; Tom ficou de olhos fechados com a cabeça encostada na janela. Sherlock conhecia alguém que poderia deixar o carro como estava, mandou uma mensagem.
Desceram do carro e olharam a fachada do bar/boate. Entraram e algumas poucas pessoas limpavam o local, atrás de um balcão um barman organizava as bebidas, viu o trio se aproximar:
— Então vocês voltaram – disse dando um sorriso de canto — Espera, onde está o quarto?
— Talvez você possa nos ajudar... Tom, veja se encontra o manobrista e veja o que ele sabe – o detetive ordenou e viram o noivo de Molly dar meia volta e ir fazer o que mandaram.
— Sabe dizer até que horas ficamos aqui? – Lestrade perguntou, sentando-se num dos bancos.
— Senão me engano, até por volta de meia noite...
— E o que nos serviu? Ou melhor, conte-nos sobre quando estávamos sentados aqui bebendo – Sherlock pediu.
— Bom... Vocês eram quatro, ouvi que estavam comemorando a despedida de solteiro do outro homem que não vi quando entraram, sentaram-se aqui e estavam fazendo uma aposta, você – ele apontou para Lestrade depois para Sherlock — E você, competiam virando doses de tequilas...
— Nós o quê? – O inspetor perguntou mais atento ao relato do barman.
— Apostavam ou competiam, sei lá, só sei que servi sete doses de tequila para cada um. Devo dizer que algumas pessoas que passaram a acompanhar o ‘jogo’ de vocês se impressionaram com a sua performance – ele apontou para Sherlock — Até eu me impressionei.
— Minha performance?
— Sim, você virou todos os copos com maestria.
— E sobre o que era a competição?
— Não sei o que levou vocês a competirem, só sei que quem perdesse tatuaria o nome do outro...
— Não estou gostando do rumo dessa conversa – Lestrade comentou se remexendo no banco.
— É isso, você ganhou do seu amigo inquieto ali, a propósito, ele parecia muito confiante ao desafiá-lo ontem.
Segundos se passaram enquanto Lestrade processava tudo que ouvira. Ele apostou com Sherlock quem viraria mais doses de tequila, perdeu e provavelmente estava com o nome de Sherlock Holmes tatuado em algum lugar do corpo...
— Isso explica o recibo que encontramos. Vamos, Lestrade! – saiu correndo, o inspetor levantou-se do banco e arrastou-se até a entrada para se juntar aos dois que o esperavam.
— Porque ele está com essa cara? – quis saber Tom.
— Apostamos, ele perdeu e agora precisamos ver o que descobrimos no estúdio de tatuagem. O que descobriu com o manobrista?
Foi possível notar um pequeno sorriso no canto dos lábios de Sherlock.
— Só que nos viu saindo no carro e avançando dois sinais vermelhos.
— Poderia pelo menos fingir que não gostou do que ouviu do barman, Sherlock? Eu podia ter ganhado.
— Podia, mas não ganhou... Agora podemos continuar nossa busca?
O estúdio de tatuagem não era muito longe do Moulin Rouge. Andaram três quarteirões e viraram à direita. O lugar tinha um toldo com listras azuis e brancas na entrada, na vitrine escrito ‘In My Skin Tatoo’s’. O sino da porta anunciou a entrada deles, uma jovem de uns 20 anos recepcionou-os:
— O que desejam?
— Gostaríamos de falar com o dono do local – Tom pediu.
Um homem de quase 30 anos saiu por onde a recepcionista tinha entrado, ele era grande e forte, seus braços completamente tatuados, quando viu os três sorriu e foi cumprimentar Tom.
— Thomas, como vai? Recuperou-se da ressaca de ontem? – olhou para os outros dois e cumprimentou-os também — Como estão vocês?
— Olá, Claude, viemos porque precisamos saber o que você tatuou em Lestrade.
— Ah! Devo dizer que vocês já deviam ter bebido muito, ele aparentemente não sentia nenhuma dor.
— Apenas me diga onde você me tatuou.
— Não se lembra? – ele foi para o lado de Lestrade, ergueu sua camisa e apontou para suas costelas — Tatuei ‘Sherlock’ aqui.
O inspetor correu para o espelho mais próximo, seus olhos quase saltaram dar órbitas ou ver no reflexo o nome do detetive tatuado, só podia ser brincadeira. “Poderia ser pior, a tatuagem poderia estar em um lugar mais exposto”, em algum lugar de sua mente uma voz sussurrou.
— Poderia ser pior – Tom comentou abafando uma risada.
— Falou o cara que amanheceu com a cabeça raspada e só de cuecas, quem sabe você também não tatuou algo?
— Ah não, eu só tatuei você porque Tom é meu amigo, disse que era importante por ser o pagamento de uma aposta...
— Como você pode concordar quando homens bêbados lhe pedem algo tão absurdo?! – O inspetor não se conformava.
— Se faz você se sentir melhor eu sinto muito tá?
— Ouviu se comentamos aonde iríamos quando saímos daqui? – Sherlock interrompeu antes que Lestrade continuasse com o drama.
— Sim, vocês perguntaram que local eu indicava para irem, disse que recomendava um bar chamado Burlesque. Ótimos shows, ótimas bebidas, ótimas dançarinas...
— É perto daqui, Claude? – Tom perguntou ao amigo.
— Sim, subam três quarteirões e depois andem mais dois para esquerda.
— Mais uma coisa, quando viemos aqui estávamos em quantos? – o detetive ainda não sabia nada de John, precisava de alguma pista.
— Quatro. Aliás, o amigo que não voltou com vocês que os arrastou para o bar, você não estava querendo ir – Claude indicou Sherlock com a cabeça — Ele argumentou com você dizendo que era a despedida de solteiro dele e que não seria a mesma coisa sem o melhor amigo, que acabou concordando. Saíram pouco após eu terminar a tatuagem.
— Vamos! – Sherlock chamou-os para fora.
Seguiram as instruções conforme Claude tinha dito, pediram para o segurança do lugar deixá-los entrar, mentiram dizendo que perderam um celular e precisavam ver se o encontravam. Por dentro o bar Burlesque era decorado de maneira semelhante ao Moulin Rouge, no fundo tinha um palco com as cortinas fechadas, uma senhora organizava as mesas, foram até ela em busca de informações.
— Olá, a senhora poderia nos ajudar? – Sherlock disse o mais amigável possível.
— Você é o Senhor Holmes? Sherlock Holmes?
— Sim.
— Ela disse que você voltaria aqui – a senhora tirou um lenço do bolso do avental e entregou a ele, tinha uma única letra bordada. Quando virou-se a senhora tinha continuado sua tarefa de limpar as mesas.
— 'A'? – Lestrade olhou o lenço nas mãos do detetive tentando entender o que poderia significar.
Sherlock fechou os olhos e entrou no seu Palácio Mental, uma lembrança lhe vinha à mente, um único nome lhe veio à cabeça, tinha certeza a quem pertencia... Repentinamente seus olhos se abriram e ele disse com um tom de espanto:
— Adler!
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