Hangover Is On
4 Trying to conect the dots
Notas iniciais
— Quem? – perguntaram em uníssono.
— Irene Adler – o detetive respondeu sem muita vontade, se A Mulher esteve envolvida na despedida de solteiro de John só poderia significar uma coisa: problemas.
— Sua namorada? – Tom perguntou.
— Sou casado com meu trabalho – respondeu com menos vontade que antes.
— Ex? – tentou novamente Tom.
— For Gods sakes! – O que Molly viu nele, pensou. Decidiu não responder, apenas lançou um significativo olhar entre não te interessa/cuide da sua vida.
— Sherlock, pode nos explicar a situação, por favor? – Lestrade pediu.
Já estavam naquela busca há um tempo e até agora nada de John, tudo o que sabiam é que beberam mais que o devido, nada que não ocorra numa despedida de solteiro, acordaram com uma senhora ressaca uma vez que não sabem como chegaram ao apartamento de Tom, exceto por ele ter acabado tatuado e o noivo sumido.
— Bom... Irei lhes contar o que apareceu em meu Palácio Mental.
Os três sentaram-se em uma das mesas já limpas, a senhora gentilmente perguntou-lhes se precisavam de algo, Tom e Lestrade pediram água, Sherlock não quis nada, manteve seus olhos fechados enquanto a senhora não voltava com a água deles, organizando mentalmente os fatos para poder relatar, depois que a senhora deixou copos e uma garrafa de água na mesa deles, o detetive começou a narrar:
Chegamos aqui, tinham pessoas por todos os lados, vi John discretamente subornar um garçom para nos conseguir uma mesa próxima ao palco de preferência. Ele conseguiu uma mesa exatamente de frente, o lugar dava uma boa vista para as apresentações. Sentamos e vocês aplaudiam as dançarinas, como se elas realmente fossem ótimas.
Uma garçonete deixou quatro bebidas na nossa mesa, segundo ela, cortesia pela despedida de solteiro, quis saber quem tinha enviado e vocês três já tinham virado os copos e se levantado e estavam indo ficar mais próximos ao palco, John perguntou: “Você não vem, Sherlock?” Respondi que precisava fazer algo antes, ele perguntou se podia ficar com minha bebida, dei de ombros, ele tomou e foi ao encontro de vocês dois na frente do palco.
Fui falar com o barman, queria saber quem teria enviado as bebidas, mas acabei nem precisando conversar com o sujeito, assim que a vi sentada três bancos de onde eu estava tive certeza de quem era o remetente.
Irene Adler usava um vestido preto acima dos joelhos, sapatos de salto em torno de 10 centímetros também pretos, o cabelo preso em um coque, no pescoço uma fita e preso a ela um pingente com a letra ‘A’, nos lábios batom vermelho. Ela levantou-se e veio até onde eu estava.
— Não precisa agradecer Sr. Holmes
— Eu não vim agradecer.
— Convidaria você para jantar, porém tenho que pegar um voo – Passou por mim e eu a segurei pelo pulso.
— O que colocou nas bebidas? – Perguntei tentando deduzir algo de sua postura, mas nada consegui, isso irritou-me — Se tentava me drogar novamente, sinto informar-lhe que falhou, só não posso dizer o mesmo dos outros. – Olhei rapidamente onde vocês estavam e Lestrade colocava a gravata na cabeça como se fosse headband.
Ela puxou sua mão e ficou olhando em meus olhos alguns segundos, segurou-me pela gola de meu paletó e trouxe meu rosto para perto do seu. Senti uma pequena pontada, como se fosse uma agulha em meu peito, ignorei, pois ela aproximava seu rosto do meu, parou com os lábios perto de minha orelha apenas para sussurrar:
— Twice – Afastou-se sorrindo de maneira triunfal, tirou o anel que usava e fechou a pedra falsa que escondia a agulha e com certeza a substância que ela também colocou nas bebidas — Adeus Sr. Holmes.
Ela virou-se e a vi encaminhando até a saída, fui até à frente do palco para encontrar-lhes, pelo estado em que estavam a droga com certeza já tinha feito efeito em vocês, Lestrade e Tom colocavam uma nota no cós da saia da dançarina, John aplaudia como se fosse o melhor espetáculo da Terra.
Sherlock ficou em silêncio, vendo que não falaria mais nada, o inspetor resolveu tentar entender.
— Espere aí, Sherlock, como assim ‘tentar me drogar novamente’? – Lestrade quis saber, estava curioso sobre porque a mulher teria drogado o detetive.
— Uma vez, ela queria pegar algo de mim e como não encontrou outra maneira usou um golpe baixo.
— E porque ela faria novamente?
— Capricho.
— Por isso o ‘twice’? – dessa vez era o noivo de Molly.
— Sim – Só não acrescentou o que já existiu por trás desse twice. Tinha relatado tudo que se lembrava, agora precisavam ver se encontravam alguém que trabalha lá a noite e ver se pode dizer algo que seja útil — Vamos – Disse, se levantando — Temos que encontrar alguém que trabalha aqui a noite para ver se pode nos dizer algo.
— Vou ali conversar com a senhora, podem me esperar lá fora. – Lestrade anunciou.
Saíram. Lá fora o dia estava quente, praticamente não tinham nuvens no céu. Tom atravessou a rua e foi até o café comprar algo para comer, enquanto Sherlock esperava, seu celular tocou, era Molly:
— Sherlock, avaliei os resultados das substâncias presentes no seu sangue. Tinha uma boa quantidade de álcool, e também uma substância que não consegui identificar, aparentemente um dos efeitos colaterais é a amnésia.
— Obrigado, Molly.
— Mary ligou, disse que John precisa voltar logo para fazer a última prova do terno... Descobriram mais alguma coisa?
— Sim – Mesmo por telefone ela percebeu que ele não iria comentar.
— E você, Tom e Lestrade como estão? – O detetive viu o noivo de Molly saindo do café com algumas sacolas, agora sem usar roupas parecidas com as suas e a cabeça raspada, não parecia uma cópia mal feita de si, sorriu.
— Bem. Bye, Molly – Não aguardou a resposta e desligou o telefone. Tom se aproximava e Lestrade saía do bar Burlesque.
— Diz que aí tem algo pra comer – Lestrade disse ao se juntarem.
— Comprei uns donuts e café – o inspetor pegou um copo de café e um donut — Não vai comer, Sherlock?
— Aceito o café. Te disseram algo mais, Lestrade?
— Encontrei uma das dançarinas no camarim, ela disse que nós estávamos bem altos ontem à noite, e que saí abraçado com ela, ouviu você reclamar sobre um arranhão no carro, saímos daqui depois das três da madrugada...
— E não sabe mesmo como o Rolls Royce negro ficou igual ao Yellow Submarine? – Tom tentava imaginar como o carro havia acabado daquela maneira.
— Se eu reclamei sobre o arranhão, provavelmente pedi que um de meus contatos das ruas desse um jeito e aproveitei para irritar meu querido irmão quando devolvesse o carro.
— Ah! – Lestrade lembrou-se de algo mais que a dançarina havia dito, tirou o celular do bolso — Ainda não tive coragem de assisti-lo, parece que subimos no palco, cantamos e dançamos...
Sherlock tirou o aparelho das mãos de Lestrade, ele e Tom se reuniram em torno do detetive quando viram que ele apertou a tecla play para assistir o vídeo.
No vídeo, os quatro estavam em cima do palco, cada um com um microfone em mãos, Sherlock deu um passo à frente e começou a cantar acompanhado pelo instrumental:
"Tonight I'm gonna have myself a real good time
I feel alive
And the world is turning inside out Yeah!
And floating around in ecstasy
So don't stop me now
Don't stop me"
Então todos começaram a acompanhá-lo:
"Cause I'm having a good time, having a good time"
Pareciam uma tentativa falha de boyband, gesticulavam com as mãos imitando instrumentos musicais quando preciso, faziam passos atrapalhados. Quando os quatro minutos do vídeo acabaram com os aplausos do bar ninguém disse nada, estavam digerindo a ressaca moral.
Caminharam até um parque em silêncio e sentaram-se num dos bancos, depois de tudo que descobriram ainda não faziam ideia de onde John poderia estar. Precisavam descansar direito. Sherlock quase ponderou sobre contar tudo à Mary, quando ouviu uma menina que brincava de pular corda cantarolar uma música.
Teve um insight.
Que sua mente não estivesse brincando consigo.
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