Hanami
6 Capitulo 5
Os transeuntes os olhavam com curiosidades, pois o primogênito de Hagoromo segurava no colo a forasteira diante da casa dela. Sem contar a roupa ensanguentada e a ferida em seu rosto.
— Hanami! —alguém gritou.
Na rua um dos irmãos da garota vinha em sua direção,alarmado.
— O que aconteceu? — seu olhar passava pela ferida e a situação na qual a irmã se encontrava. — Quem fez isso com você?
O Otsutsuki a pôs no chão.
— Ela foi atacada na floresta — Indra respondeu impassível. — Ela precisa tratar os ferimentos.
A responda pareceu não aliviar a situação.
— O que estava fazendo na floresta? — indagou ele. —Está doida em ir pra lá? Olha como você está!
Hanami respirou fundo. Pôde perceber os olhares dos curiosos sobre si e isso a incomodava.
— Não grite, por favor — pediu ela. — Eu não sou surda. E eu estou bem. — Olhou por sobre os ombros. —Obrigada, Otsutsuki.
Indra fez um maneio com a cabeça. O irmão dela fez um breve maneio com a cabeça, passando o braço pelo ombro da irmã e guiando para dentro.
— Vamos entrar logo.
Aquela noite fora difícil para Hanami e, consequente, para todos os membros da família. Teve que dar uma explicação plausível para todos sobre o ataque e o porquê de Indra tê-la ajudado. Seu avô desconfiava da história e seu pai lamentava pelos vizinhos tê-la visto no colo de um homem.
— Isso me desagradar profundamente. Fico feliz que tenha sobrevivido aos bandoleiros, mas sei que poderia ser impedido ser ao menos me ouvisse, Hanami!
— Temos que agradecer por esses ladrões não terem tentado fazer nada de mal a sua castidade— disse o avô.
Hanami inclinou a cabeça e apertou os punhos, aquela reunião estava acabando com ela. era horrível como seu pai e avô a tratavam.
— É melhor que não sair de casa por um tempo — recomendou o pai. — Vejo que a culpa é toda minha. Sua mãe e avó morreram, não houve nenhuma figura feminina para educá-la e quando abro os olhos, você pensa que pode virar um homem.
— Não penso em virar um homem — resmungou ela.
Seu avô balançou a cabeça negativamente.
— A culpa é igualmente de nós dois, meu filho. Eu falei repetida vezes sobre aquele garoto para Hanami, mas, com certeza, minhas palavras passaram por um ouvido e saíram pelo outro.
Hanami se irritava. Ambos conversavam como se ela não estivesse presente ou que fosse insignificante para aquela reunião sobre ela mesma.
— Está errado, meu vô — disse ela. — Eu ouvi suas palavras e a seguir. Se Indra apareceu naquela hora foi por pura forte.
— " Indra" —ele soergueu as sobrancelhas. — Agora o chama pelo nome.
O pai deu um suspirou e olhou para Hanami de relance.
— Vá para seu quarto Hanami. É melhor que descanse para se recuperar de suas feridas.
Encostou a testa no chão de madeira e pôs-se de pé. Ela sabia que a conversa entre eles prosseguiria por um longo tempo, afinal a questão era sobre o que fazer com uma mulher que não demonstrava a convencional forma de ser: submissa.
De manhã, antes que fosse quebrar o desjejum, trocou suas ataduras e limpou as feridas e seguiu para ter a refeição matinal com sua família.
Ao entrar na sala, todos os olhares se focaram nela.
— Bom dia a todos — pronunciou ela, mas ninguém lhe respondeu.
Se sentou no chão ao lado de seus irmãos, e passou a colocar a comida em sua tigela.
— Eu e seu avô tomamos uma decisão — disse o pai quebrando o silêncio do cômodo.
— Espero que não seja para me mandar pra longe —resmungou. Embora estivesse com sua família, se sentia estranha ali. Sua alma não estava harmonizada com a eles.
—Para longe você já foi várias vezes, não duvido— comentou seu irmão.
Hanami o encarou abismada, mas permaneceu em silêncio.
— Shizou quieto! — esbravejou o pai. — Depois do que ocorreu ontem consideramos melhor para você que se case logo.
Hanami arqueou as sobrancelhas e ficou boquiaberta. Olhou para todos a procura de que alguém lhe dissesse que fosse uma brincadeira. Mas não era.
— Mas eu não quero me casar!
— Não é questão de querer, Hanami — seu avô disse, sisudo. —Acaso quer ficar só a vida toda? Depois que seu pai se for a casa passará para Toshiro, e se permanecer aqui você passará de moradora a agregada de seu irmão. Toshiro logo vai se casar, Shizou também e você o que será? A família de Toshiro não aceitará sua presença aqui, afinal o natural é que a mulher saía da casa de seus pais para formar uma família.
Hanami engoliu em seco. Aquele discurso de seu avô era desnecessário e lhe dava ânsia.
— Vocês pensaram em tudo isso ontem? Incrível! — ironizou. — Então a ideia é que eu saía de casa, mas só posso sair se for levada por um homem? Também não posso ficar nessa casa que também é minha? Quanto vai custar para o sortudo se casar comigo?
— Hanami! — repreendeu o pai. —Não trate essas coisas com tão pouco-caso. Com sua mãe e sua avó foram assim. É uma tradição e você sabe disso. Nossa cultura é assim.
— Não! — ela gritou, batendo a tigela na mesa baixa. — Não é assim! Não pode ser assim! Deixamos nosso lar há muito tempo, sequer e lembro como era lá. Por que viver preso a uma tradição tão arcaica? Agora que estamos aqui temos liberdade, mas vocês não me deixam viver essa liberdade!
— É melhor abaixa o tom de voz, Hanami — disse Toshiro, o mais velho, entredentes. — é uma decisão do nosso pai e avô não a porquê os contradizer.
— Para você é fácil falar, afinal faz o que bem entende. —Retrucou
— Nossa decisão já foi tomada, Hanami — seu avô disse — se casará e pronto.
—Com quem, posso saber?
— Ainda não decidimos. Seu pai deu a ideia de anunciar isso aos amigos da família, assim não se casará com um estranho.
Os estranhos são vocês, pensou, pois nunca teria coragem de falar. Estava decidido e não tinha como remediar, e se houvesse um jeito para isso ela jamais conseguiria sozinha. Era a sua família, e embora fosse uma mulher cheia de impulsos aventureiros e de uma alma calma, ela não queria se ver longe deles mesmo que para isso tivesse de desistir do pouco que havia conquistado.
Falando em alma, a dela sentia falta de Indra.
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