Halloween Love
25 Antecipação.
Notas iniciais
Arthur não sabia como perguntar aquilo. Sua boca estava seca só em pensar nas palavras que teria que pronunciar.
–Como e quando será o casamento? –Como sempre Alfred tomou a iniciativa. Todos os membros da família (vampiros e lobisomens) estavam ali sentados ao redor do fogo se preparando para comer o café da manhã. Sinceramente, Arthur não tinha mínima fome, estava tão nervoso quanto a possibilidade do casamento que talvez se visse alguma comida temia que vomitaria. Não é como odiasse o fato de ter Alfred como noivo, pelo contrário, estava começando a se acostumar a ideia de gostar do lobo, mas casamento era algo bem diferente de namorar. Queria prolongar o máximo possível o seu status solteiro... Queria conhecer mais sobre aquele que seria o seu marido. Também desejava mostrar mais de sua própria personalidade, medos, inseguranças e desejos para o seu companheiro... Não tiveram tempo o suficiente nem para isso! E a sua lista de queria e desejava só estava aumentando. Temia que no futuro toda essa atração inicial fosse apenas uma ilusão gerada pela paixão e poderiam se arrepender.
“Não esqueça a história de parceiros predestinados.” Sua mente o lembrou e seu corpo rapidamente reagiu a tal recordo: seu coração bateu forte e sentiu uma estranha sensação preenchendo a barriga, como se minúsculas borboletas voassem em seu interior, fazendo uma festa. Não podia negar que achava incrivelmente romântico o que Alfred tinha lhe dito, mesmo assim, para Arthur era meio difícil acreditar nisso, ao contrário do lobisomem não detinha nenhum super olfato para detectar sua alma gêmea. Tudo bem, podia entender a lealdade dos lobos e isso também deveria existir nos lobisomens, todavia, e quanto aos vampiros? Se os Alfred dizia que tinha farejado o seu parceiro ideal em Arthur,o jovem Kirkland não podia dizer o mesmo... Apesar de sentir uma estranha atração para com o seu companheiro, aquilo teria um sentindo mais profundo como predestinação? Não existe nada dentro da cultura dos vampiros que se equivale a histórias de amores eternos (na verdade os vampiros poderiam ser considerados bastante promíscuos)... Isso deixava Arthur um pouco relutante em seguir o seu coração, a sua mente sempre o fazia levantar dúvidas... Mas talvez, tal insegurança esteja relacionada com a rapidez com que tudo está acontecendo.
E agora tem o casamento?
E depois, filhos?
Será que não podiam começar como namorados e depois ver aonde iria dar?
Não... Sabia que havia mais um fator que pesava em toda aquela situação: aliança entre vampiros e lobisomens. O peso da paz entre as raças estava sob os ombros daqueles dois jovens garotos. Se não fosse a possibilidade de retorno a guerra caso o casamento não fosse feito era bem provável que podiam levar toda aquela história de matrimônio a passos mais lentos.
– Ainda estamos pensando sobre os preparativos. –Informou Gregor lançando um olhar a Arthur, que, por sua vez, desviou o rosto. Ainda estava chateado com o seu pai, afinal, seu progenitor tinha escondido um grande segredo por todos aqueles anos... Além disso, por causa desta herança, seu pai lhe tratara diferente de seus outros irmãos e era isso sua maior raiva. Agora entendia por que sempre era trancafiado no castelo, por que lhe era proibido participar das batalhas... Temiam que sua preciosa princesa vampira se machucasse! Afinal, ser fértil parece ser algo muito importante ao ponto de colocar o seu próprio filho como barganha valiosa em uma aliança!
–B-bem...-Se podia ver que a voz do chefe dos vampiros falhou alguns segundos, mas Max o amparou, colocando sua mão forte sobre o ombro esguio de Gregor, isso parecia dar forças a ele, o fazendo continuar – Estivemos discutindo os últimos eventos... Um caçador aqui indica que as forças contrárias a aliança já começaram a agir, mas rápido até do que imaginei. Por isso, quero que entendam a necessidade de sermos rápidos... Não penso unicamente na aliança, mas na segurança de vocês!
–Sei... –Resmungou Arthur.
Alfred fez um cafune nos cabelos loiros escuros do seu companheiro vampiro, desarrumando totalmente (mais que o normal, já que Arthur sempre tivera um cabelo rebelde).
–Se comporte, Artie! –Falou Al em um tom jovial –Nossos pais estão corretos quanto a proteção!
Arthur fez biquinho, mas não disse nada. Não gostava daquela inversão de papeis: Alfred sendo o racional e maduro e Arthur sendo o infantil e mimado. Contudo, não conseguia evitar... Naquele momento só queria ficar só com o lobisomem e esquecer de todas as responsabilidades e fugir!
“Desde quando me tornei tão egoísta? Isso tudo não se trata só de mim... Dos segredos que me foram escondidos e do casamento a qual estou sendo forçado a fazer... Muitos vampiros e lobisomens dependem de mim...”.
–Desculpe. –Falou por fim, levantando os olhos para encarar o seu pai, ficou surpreso ao ver lágrimas contidas nos olhos de íris esverdeada de Gregor, uma pontada de culpa lhe atingiu o coração... Podia sentir raiva de seu pai, mas não o odiava, sobretudo não queria o fazer sofrer.
–Não se preocupe. –Disse animado, Maximiliano – Sei que faz apenas dois dias desde o ataque do caçador Brag... Sei-lá-o-nome... Enfim, as patrulhas de lobos buscaram vestígios deste humano na floresta, contudo não conseguiram nem encontrar seu rastro. Sem dúvida, isso indica que um lobisomem habilidoso o está ajudando, alguém que sabe enganar o nosso faro, ou seja, um eximo farejador.
–Um traidor... –Rosnou Alfred.
–Sim, um traidor. Por isso temo por nossa segurança. A nossa alcateia não está segura.
–Pai! Nós temos os melhores lobos, não fale como fossemos fracos ou algo do tipo!
–Não creio que sejamos fracos, filho. Também não acredito que esse caçador irá atacar de forma direta, mas isso não dá segurança. Quantos outros caçadores nossos opositores estarão contratando? Que outros planos eles têm para romper a aliança e nos fazer reiniciar a guerra?
–Por isso... –Agora foi a vez de Gregor continuar o discurso – Chegamos a uma conclusão que o casamento não deve ser feito aqui.
–E aonde seria? –Inqueriu Arthur –Voltar para a Europa não irá nos dá segurança... Lá existem mais caçadores do que...
–Eu sei . — Interrompeu o chefe vampiro com um sorriso –E não, não iremos voltar para a Inglaterra.
–Então? –Olhou ansioso para ambos líderes.
–Iremos zarpar com o nosso navio e fazer a cerimônia no mar. Melhor nos prepararmos, amanhã cedo iremos ao porto.
***
Amanhã.
Arthur estava sentando em um canto da caverna, observando as chamas da pequena fogueira em seu interior. Depois da breve reunião que tivera com seu pai e Max, resolveu buscar novamente a solidão...Sim, estava ficando repetitivo esse ato. Sentia raiva de si mesmo por agir deste modo... Mas, simplesmente não podia evitar. Será que isso era um mecanismo de fugir da realidade? Tentando se proteger das suas obrigações se ausentando do mundo?
–Sou um fraco...-Choramingou, sentiu uma lágrima escorrendo de sua face pálida e rapidamente a limpou.
–Oi! Artie! Trouxe macarrão, particularmente gosto mais de carne, mas Veneziano e Romano insistiram em fazer o jantar de despedida e... –O lobisomem logo calou o seu tagarelar ao ver o seu vampiro encolhido em um canto da caverna –Artie?
–S-sim...Oi! –O garoto forçou um sorriso –Desculpe. Você não precisava me trazer comida de novo, eu já iria ao jantar de despedida.
–Artie... –Alfred se aproximou –Sabes que não é obrigado a ir.
–E por que não iria? Estou ótimo! Não precisam que sintam pena de mim! –Disse em um tom irritado, já tinha se levantando e se encaminhava para um baú onde estava guardados as suas roupas.
–Ninguém sente pena de você! –Falou Al, interrompendo o ato do vampiro, segurando o seu braço. Arthur abaixou o rosto, não queria que o outro visse seus olhos mareados pelas lágrimas.
–Arthur Kirkland, olhe para mim. –O tom firme de Alfred o surpreendeu de modo que Arthur não pode se negar a seguir o comando. Levantou seu olhar e o que viu fez seu coração disparar. Os olhos azuis do lobisomem pareciam brilhar com uma estranha intensidade, havia tanto poder naquela mirada... Ali estava um verdadeiro líder de sua raça– Eu vou repetir: ninguém sente pena de você. E por que sentiriam?
–Pelo o que sou e...
–Pelo o que é? Um lindo e sexy vampiro? –Falou isso dando um meio sorriso.
Arthur se ruborizou completamente. Como Alfred lhe causava tamanho efeito? Momentos atrás estava quase tendo um ataque de ansiedade e agora morria de vergonha...
–Você é um idiota...-Resmungou, mas suas palavras não tinha um raivoso, pelo contrário, era afetuoso.
–Você estava chorando...-Al acaricia a face do outro, podia sentir a umidade das lágrimas que a pouco tinham rolado pela a bochecha do jovem vampiro –Sei que deve estar triste com tudo isso que está ocorrendo...
–Será que sabes mesmo? Não parece tão afetado! Eu só o único que... Bem...Que estou assim! –Respondeu emburrado.
–Achas que não estou com medo do nosso futuro? Pois está enganado. Tal como você, também estou nervoso, ansioso e amedrontado... Também temo o amanhã, no navio.
Arthur ficou admirado com aquela confissão, pois o lobo parecia tão confiante e quando receberam a notícia sobre o casamento Alfred não expressou nada, ao contrário do vampiro que começou a tremer e pediu para se retirar...
–Não queres casar comigo? –Perguntou Arthur, em um sussurro.
–Sabes que não é essa a questão... Lógico que quero casar com você, mas... Queria ter tempo para te conquistar.
–Me conquistar?
–Sim... E depois, eu iria te pedir em casamento do meu jeito... Tentaria fazer o mais romântico possível, talvez te levar para almoçar em um campo de flores silvestre na floresta e então te oferecer um anel e por fim te pedir em casamento.
Arthur sorriu com aquela discrição, pelo o que parecia Alfred tinha pensado muito sobre o assunto, mas infelizmente não teriam tempo para almoços românticos, o pedido de casamento foi feito antes mesmo deles se conhecerem...
–Mesmo que nos casamos amanhã... Prometo que não irei tocar em você na...N-na noite de núpcias, se não quiser...Digo...-Agora o lobisomem estava corando e de igual modo Arthur. O vampiro sacudiu rapidamente a cabeça o que deixou Alfred confuso.
–Eu estou sendo um tolo... Posso estar chateado de como as coisas estão se desenvolvendo, sobre o segredo que o meu pai guardou por todos esses anos, pelo o fato de não termos escolha sobre o nosso futuro...Mas uma coisa tenho total certeza que não me causa irritação em toda essa situação...É me casar com você, Alfred. –Abaixou o rosto já mais que rubro, evitando mirar o rosto do seu companheiro –Você fala tanto que quer me conquistar...M-mas a verdade é que já me conquistou... Você é tão compreensivo, engraçado e corajoso... E-eu... Me sinto bem ao seu lado...E-eu... Oh! Céus... –Antes que Arthur continuasse a tagarelar sua própria confissão, sentiu ser elevado do chão por um forte abraço.
–Artie! –Exclamou Alfred com imensa alegria – Está falando sério?
–Obvio... I-idiota! Me ponha no chão!
–Nunca! –Sorriu –Não quero me separar de você...Nunca!
Arthur teve que rir daquilo, o sentimento depressivo que tivera anteriormente já estava totalmente esquecido. Talvez, aquele casamento resultasse em sua felicidade...
–B-bem...Quanto a noite de núpcias... –Começou a falar Arthur tentando não parecer nervoso quanto o assunto.
–Vai ser maravilhosa, te garanto! –Piscou o lobisomem de forma maliciosa.
–A-Alfred n-não e-era isso que eu queria di-dizer!
–Vamos comer! –O rapaz o ignorou o levando a cama e trazendo a comida em seguida –Sei que aqui não é nada comparado a um campo de flores mas... Creio que pode ser considerado romântico, não?
Arthur sorriu, na verdade, o ato de sorrir era bem fácil de se fazer ao lado de Alfred...
–Er...Al, como iremos comer sem talheres? –Inqueriu, por fim, notando a tigela cheia de macarrão sem nenhum aparato para pega-lo.
–Hum? –Alfred já estava comendo, com as mãos, lógico –E que disse? –E falando com a boca cheia, uma visão bem nojenta, no ponto de vista do vampiro.
–Terei que te ensinar um pouco de etiqueta! –Disse com um pequeno sorriso nos lábios, pegou com delicadeza o macarrão e comendo, tentando causar menos algazarra.
–Etiqueta? O que é isso?
Arthur rolou os olhos.
–Exatamente! Por isso tenho que te ensinar, meu marido não pode comer sempre assim e...-Tapou a boca notando o que tinha falado. Alfred tinha um imenso sorriso vitorioso no rosto.
–Bem... Terei um lindo esposo para me ensinar todos os modos frescos dos vampiros, não?
–Alfred! –Reclamou jogando um fiapo de macarrão no rosto do outro –Não somos frescos!
–Sei...Sabe o que isso significa não? –Perguntou retirando o resto de comida do seu rosto, Arthur engoliu em seco, temendo ter feito algo errado ou... –Guerra de comida!
Alfred enfiou a sua mão na tigela, pegando uma grande quantidade de macarrão.
–N-não! Nem pense em fazer isso! –Rapidamente, o vampiro saltou da cama.
–Eu tenho que me vingar, você me sujou! –Disse o lobo também se levantando, não havia nenhum sinal de irritação em seu rosto, pelo contrário, parecia um filhote prestes a iniciar uma brincadeira.
–Mas só foi um pouquinho e depois diz que nós vampiros que somos frescos?
–Volte aqui e recebe o seu castigo com honra!
Os dois começaram a correr em círculos pela caverna... Rindo e soltando provocações.
Sim...
Aquele casamento podia resultar na verdadeira felicidade.
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