Halloween Love
26 Propostas & Compromissos
Notas iniciais
–Está havendo muita movimentação na alcateia, não é mesmo? –Foi a primeira coisa que Ivan disse ao ver seu afoito parceiro voltar da sua investigação. Parceiro? Bem, era um bom título a ser dado a Raivis tendo em vista que o lobinho podia muito bem tê-lo abandonado e deixado a mercê dos outros lobos . O garoto mostrou a sua lealdade o salvando e tratando de seus olhos, novamente, graças a Raivis pode ver novamente. Havia tanta coisa que devia a aquele jovem lobisomem...Mas aquilo não deveria ser permitido, não devia se deixar envolver emocionalmente com aquele que deveria ser sua presa, seu inimigo. Contudo, não conseguia ver ameaça e muito menos imaginava caçando-o. Isso o deixava temoroso com relação ao futuro. Já previa a críticas de sua família ao aceitar aquele “trabalho, contudo se soubessem que desenvolvera alguma afeição para com um monstro... Não tinha muita certeza como seria reação. Sentiu um leve calafrio com aqueles pensamentos.
–Você está bem? –Inqueriu o lobinho, obviamente preocupado.
–Estou sim. –Disse tentando não demonstrar quanto aquela preocupação sincera que o outro demonstrava o fazia se sentir tão bem. Não devia abrir espaço para sentimentos, era um dos principais ensinamentos da família Braginski, se deixar levar pelas emoções significava fraqueza e isso sempre levava a morte – Só preocupado, perdi muito tempo...
–Não se culpe, você estava ferido! Vamos recuperar o tempo perdido! –A confiança na voz de Raivis fez que um sorriso se formasse nos lábios do caçador que rapidamente o ocultou com a mão, fingindo coçar o queixo.
–Perdemos o fator surpresa. Isso é uma grande desvantagem.
–S-sim... Desculpe...
–Não peça desculpas por algo que não foi sua culpa. Não fomos informados sobre as habilidades mágicas do vampiro, isso faz com que devo mudar a minha tática. Enfim, como dizia antes...-Seus olhos cor púrpura se voltaram para abaixo da encosta aonde fizeram o seu acampamento temporário, ali detinham uma visão ampla da floresta e da alcateia, logo abaixo da cordilheira de montanhas –Os lobos parecem atarefados... Vi mais de uma escolta saindo, mas não foi para nós procurar, acredito. Estavam indo em direção a cidade humana...
–S-sim! Eu ouvi que os vampiros e o chefe dos lobisomens irão a cidade humana hoje. Mas, os lobos estão evitando conversar muito a respeito de modo que quase não ouvi nada que estivesse relacionado ao motivo desta transladação. –Ivan pressentiu que, novamente, o lobinho iria pedir desculpas mas se conteve mordendo o lábio inferior.
“Fofo...” Sua mente pressentia em o trair, devia lutar contra aquela atração e a necessidade de abraçar o lobisomem.
“Lembre-se que você é um caçador! E ainda mais, um Braginski!”.
–Se nossos alvos estão se movendo, devemos nos mover com eles. – Disse voltando seu olhar para a floresta –Eles estão saindo de sua zona de conforto, o terreno humano é perigoso... Também é uma desvantagem para mim, sendo um caçador de monstros, digo...De seres sobrenaturais, temos um código: não revelar a existência dos seres caçados a humanidade. Nosso serviço deve ser feito em segredo.
–Será que é por causa disso que eles estão se movendo? Estão tentando limitar nossa ação?
–Não creio... Bem, para descobrir isso teremos que ir.
–I-Ivan... Você está mesmo bem, não é?
O caçador novamente voltou a encarar o seu pequeno companheiro. Quanto foi a última vez que alguém verdadeiramente se preocupou com ele? Sua família não podia ser definida como amável. Treinamento constante para se tornar um perfeito caçador, era o que faziam. Qualquer demonstração de afeto era considerada fraqueza. Mas será que realmente era sinal de fraqueza? Raivis, de todos os aspectos, podia ser considerado mais fraco, mas no momento que Ivan mais precisava de ajuda aquele lobisomem que parecia teme-lo o ajudou e protegeu. Quem era, de fato, o forte? Quem era o fraco? Ivan estava começando a questionar as bases a qual fora criado.
–Eu estou bem. –Sorriu – De qualquer modo não iremos nos precipitar em atacar. Avaliaremos a situação e depois planejamos o que deveremos fazer.
–Está bem. –Raivis sorriu timidamente. Ivan simplesmente não conseguiu se controlar, sua mão segurou o queixo do lobo o forçando a mirar para cima, ou seja, fitar diretamente o caçador –I-Ivan?
E o pior era aquele cheiro... Girassois... Não havia nenhum girassol naquela floresta, mas mesmo assim a fragrância doce de sua flor preferida persistia no ambiente, na verdade, parecia mais intensa com a presença de Raivis. Estava perdendo a lucidez? Estava cada vez mais atraído por aquele que deveria ser apenas um instrumento para alcançar o seu objetivo naquela missão. Aquela relação não teria futuro! Não devia estimular possíveis avanços! Devia se afastar!
–Ivan...-Raivis levantou sua mão trêmula e tocou a mão firme que segurava fortemente o seu queixo.
Devia realmente estar louco...
Aproximou o seu rosto, seu nariz tocou levemente ao nariz úmido do lobisomem.
–Por acaso, você também tem poderes mágicos?
–N-n-não...Q-que...S-saiba...-Gaguejou o menor –P-por que e-está perguntando isso?
Porque você me enfeitiçou de algum modo. Lógico que Ivan não deu essa resposta, ao invés disseo encurtou ainda mais a distância entre eles. Os lábios colidiram de forma desajeitada no início. Era a primeira vez que o caçador beijava alguém... Nunca tivera um amante ou algo tipo tipo. Romances também significavam fraqueza. Devia estar fazendo alguma coisa errada já que o seu suposto amante não lhe dava uma resposta, parecia paralisado. Na verdade, nem respirava. Será que o tinha matado?!
–Desculpe...-Sussurrou começando a se afastar, todavia seu movimento foi interrompido com um forte puxar na gola de sua camisa.
–Não p-pare... Por favor...-O pedido quase inaudível de Raivis parece ter despertado algo interno no humano que agora beijava com maior ferocidade, seus grandes braços rodearam o corpo esguio do lobo o trazendo mais para perto de si. Ambos se perderem em seu próprio mundo, aonde não eram nem caçador ou presa...
Será que podiam sonhar com um futuro?
Se um vampiro pode se casar com um lobisomem depois de anos de guerra o que impediria de um humano de se apaixonar por um ser sobrenatural?
Mas eles são monstros! São perigosos!
Ivan se afastou lentamente para fitar o seu ofegante e totalmente corado amante. Raivis estava trêmulo, na verdade o corpo do garoto sempre lhe parecia trêmulo, contudo desta vez não era devido ao medo... Nem devido ao frio...
–Ivan...-Como podia acreditar que alguém como Raivis pudesse ser chamado de monstro?
–Infelizmente, não temos tempo para o que tenho planejado para você. –Confessou Ivan dando um leve beijo na testa do ainda confuso lobisomem –Quando essa missão acabar...
O caçador não completou a frase apenas se afastou com um olhar pensativo voltado para o horizonte.
“O que ele tinha planejado para mim?” Pensou meio que aflito Raivis. Levou os seus dedos aos seus lábios... Ainda podia sentir o gosto do humano. Como permitiu que fosse beijado? Devia sentir nojo ou mesmo medo, contudo nenhum destes sentimentos jaziam dentro de si. Alegria e excitação, era o que sentia de verdade.
“Quando essa missão acabar...O que será de nós?” Agora sentia tristeza, apesar de tanto tentar negar, sabia que havia se apaixonado pelo o caçador... Não mais o via como inimigo. Isso seria um grande problema.
***
Os lobisomens não poderiam prover de uma carruagem ou algum transporte do gênero, logo seguiam para a cidade costeira humana em uma carroça. Gregor, líder dos vampiros, nunca tinha sofrido tamanho ultraje. Bem, talvez seja o segundo maior ultraje tendo em vista que quando chegou no “novo mundo” teve que ir a pé até a alcateia tendo em vista que os lobisomens pareciam não ligar muito para coisas civilizadas. De fato, eram uns caipiras.
–Ainda está chateado por causa da carroça? –Perguntou Max com um sorriso nada inocente no rosto, pelo o visto o chefe dos lobisomens estava se divertido muito as custas do vampiro.
–E eu não deveria? –Resmungou -E você ainda me força a usar esse chapéu idiota! –Apontou para o chapéu de palha que usava.
–Eu achei que ficou ótimo!
–Sei...-Rolou os olhos.
–Dá um ar mais rustico... E de deixa mais sexy. –Acrescentou piscando para o outro, que, por sua vez, enrubesceu.
–Shhhh! –Gregor olhou para os lados –Não fale esses tipos de coisas em voz alta! S-seu pervertido!
Maximiliano apenas gargalhou.
–Idiota...-Resmungou, novamente, o vampiro. Suas bochechas ainda avermelhadas assinalavam o seu embaraço.
–Foi você que disse que deveríamos ser discretos. –Disse o lobisomem depois de recuperar de seu ataque de riso momentâneo – Não só para os humanos e sim, principalmente, para os caçadores.
Gregor soltou um suspiro.
–No nosso barco teremos mais segurança. Em meio ao mar, não teria como o Braginski se aproximar ou atacar sem ser visto por nossos homens. Assim espero, pelo menos. O que mais desejo é a segurança do meu filho... O fim da guerra deveria nos trazido paz e não esse sentimento de continua suspeita e receio! Por que ainda existem indivíduos contra a aliança? Gostam de guerra e morte? Eu não entendo...
Max colocou sua grande mão sob a pálida mão do líder vampiro.
–Sempre irá existir pessoas egoístas e orgulhosas neste mundo. Preferem que uma guerra sanguinária se perpetue do que apertar as mãos do inimigo e o aceitar como um igual. Suas mentes e corações estão fechados. Contudo, acredite...Eles são a minoria. Aos poucos, suas ideias conservadoras e extremistas vão sendo abafadas e esquecidas, afinal...- O lobo levou a mão delicada de seu companheiro aos lábios e a beijou com caminho -...Ao provar a felicidade advindo com a paz, quem desejara o retorno da guerra?
Gregor corou ainda mais.
“Maldito lobo... Tem que ser tão atraente quando fala de forma séria e romântica?” Resmungou em pensamento.
–M-mas, o-outras alianças foram quebrados...
–Nenhum deles estava envolvido um casamento, muito menos dois casamentos.
Se era possível o vampiro corar ainda mais? A resposta era sim.
–E-eu...A-ainda...N-não te dei uma resposta em relação a sua...P-proposta...-Gaguejou debilmente. Maximiliano parecia lhe causar essa estranha reação... Se sentia como um adolescente diante do seu primeiro namorado, o que era ridículo levando-se em conta sua idade e que fora casado.
–Pois pense bem, pois quando chegarmos ao tal barco, quero a minha resposta.
–Você está agindo de forma impulsiva, devemos analisar bem...
–Não temos que analisar nada, quero você ao meu lado e ponto final.
Gregor mordeu o lábio inferior, não sabendo como agir diante daquela afirmação. Sem dúvida, muita coisa estava acontecendo fora do seu plano original. Como seus filhos iriam reagir em ter um padrasto lobo?
“O que devo lhe responder?”.
A carroça se movia lentamente, contundo não demorariam muito para chegar ao vilarejo humano.
Precisava ter uma resposta.
E rápido.
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