Halloween Love
17 A caçada
Notas iniciais
Arthur já tinha se impressionado com as atitudes dos lobisomens desde que tinha chegado, pensava que não teria mais surpresas a sua espera, contudo, tal conclusão fora totalmente precipitada e se mostrou errônea. Depois do despertar embaraçoso... Arthur ainda tentava dissipar as imagens do toque de Alfred em seu corpo, tinha gostado, isso era a verdade, mas ainda sentia tamanha vergonha de terem compartilhado aquela intimidade que não sabia se teria coragem de tomar banho novamente naquela fonte de água subterrânea. Enfim, o que tinha o surpreendido agora era o alvoroço que a alcateia estava fazendo para o evento que seria a caça. Na Inglaterra, os vampiros não necessitavam caçar seu alimento, havia servos que fizeram um pacto para doarem sangue por livre espontânea vontade, logo não se fazia necessidade de capturar humanos e sugar-lhes todo os fluidos como os contos populares gostavam de enfatizar. Por outro lado, os lobisomens precisavam de carne e, além disso, necessitavam libertar a sua fera interior, ter contato com seus instintos, logo correr em grupo e caçar era um dos acontecimentos mais importantes, ali reafirmavam os laços de amizade e de união da alcateia.
–Eu disse que iria te levar para caçar! –Disse alegre Alfred ao seu lado, Arthur olhou, inconscientemente, para a cintura do seu companheiro, aliviado (ou meio decepcionado) por o vê-lo usando suas calças rasgadas, lobisomens também não tinham muita noção sobre a necessidade de uso de vestimentas, principalmente quando estavam ali no meio da floresta longe dos olhares reprovadores dos humanos.
–Hum... Eu não pensei que iria mesmo cumprir a sua promessa...-Admitiu o vampirinho.
–Ora, e por que não?
Arthur mordeu o lábio inferior, como explicar que estava acostumado a promessas falsas, pois seus familiares sempre estavam dispostos a prometer coisas e nunca cumprir, como prometeram que poderia sair do castelo ou mesmo acompanha-los em algumas batalhas... A desculpa era sempre a mesma: Não era seguro, eles tinham que protege-lo.
–Isso não importa! –Disso forçando um sorriso – Mas eu temo atrapalhar...Digo...Eu nunca cacei...
–Besteira! Atrapalhar? Nunca! –Alfred parecia confidente e otimista, mas isso parecia ser uma característica constante daquela lobisomem, o que não conferia nenhuma segurança ao vampiro –E além disso, eu mesmo irei te ensinar! Vai ser divertido!
Arthur estava ansioso, realmente queria participar daquele evento.
–O que vai ser divertido?
O animo do vampirinho logo se apagou ao ouvir a voz de seu pai se aproximando.
–Eles devem estar falando da caçada. –Informou Max com um sorriso animado no rosto, muito semelhante ao do seu filho –Eu te expliquei hoje cedo o que iriamos fazer,mas você não deve ter prestado atenção, tão preocupado em se lavar e cuidar de seu cabelo ... E todo aquele bla-bla-bla sobre higiene e roupas limpas.
–Não se trata de um mero bla-bla-bla! –O líder dos vampiros fez um cara de emburrado e lançou olhares furiosos para o lobisomem mais velho – Eu fiz um favor em te lavar e pentear o seu cabelo! Graça aos deuses eu não achei pulgas ou carrapatos...
–Eu não sou um cachorro para ter esse tipo de coisa! –Rosnou em retaliação.
–Que eu saiba, qualquer animal que não toma banho ou se cuide de forma correta pode ter pulgas e carrapatos.
–Mas você não achou nenhum, logo isso prova que...
–Espera! –Interrompeu Alfred – Você deu banho no meu pai e penteou o cabelo dele?!
Arthur também desejava fazer a mesma pergunta, aquilo era extremamente esquisito e ao mesmo tempo interessante. Olhou para o seu progenitor esperando pela a resposta.
–B-bem...
–Hum...
Ambos os lideres pareciam ter perdido toda a habilidade de fala, bem como seus rostos agora era tal como tomates frescos.
–Pai...Será que eu posso participar da caçada? – Tomou coragem o pequeno vampiro em fazer a pergunta derradeira. Fechou os olhos esperando o longo sermão sobre segurança o que culminava com um sonoro e definitivo “não”.
–Lógico que pode! –Quem respondeu foi Max.
–Desculpe, mas o filho é meu e, logicamente, sou eu que devo responder essa pergunta! –Rosnou Gregor.
–E o que irá responder? Aposto que um não.
–E isso é da sua conta por que...?
–Ele está seguro aqui, não esqueça que Alfred irá protegê-lo! Não é saudável para um filhote ficar sempre preso debaixo da barra da saia do pai... –Deu um meio sorriso o que provocou um rosnado maior do vampiro rei.
–E não será só o Alfred que ficará de olho nele...-Agora outra lobisomens se unia ao grupo, era Matthew, o garoto tinha o rosto ainda sonolento e era acompanhado por um pequeno urso – Lhe garanto que ele ficará totalmente seguro!
–E para proteger todos eles! Aqui estou eu! –Gilbert surgiu por trás do lobinho, lançando seu braço por cima dos ombros de Matt, este suspirou, parecia resignado com sua posição atual – Não precisa se preocupar, Mestre Gregor!
–Viu? –Maximiliano disse ainda mais sorridente para Gregor que ainda tinha um semblante emburrado –Além disso, grande parte de alcateia vai participar do evento, seu filhote nunca ficara só e se algo ocorrer meus lobos estarão perto para auxilio.
–Eu não sei...
–Faça por mim, sim?
Arthur engoliu em seco, reconhecia aquela olhar que Max estava fazendo para o seu pai, era o mesmo olhar que Alfred fazia quando lhe pedia alguma coisa, olhos grandes e brilhantes, tal como um filhote abandonado... Aquilo era golpe baixo, mas no momento o vampirinho estava torcendo para o seu pai ceder a manipulação emocional.
–Tsc...Está bem! –Rosnou Gregor –Que seja...
–Ah! Obrigado, papai! –Arthur se lançou sobre o vampiro mais velho e o abraçou fortemente –Obrigado...
Gregor correspondeu o abraço, meio relutante, não estava acostumado com demonstração de afetos daquela forma pelo o seu filho, afinal, sempre brigavam.
–Só tome cuidado... –Sussurrou ao seu ouvido.
–Pode deixar... Eu não sou tão fraco assim, pai! –Falou em um tom defensivo.
Gregor sorriu e lhe deu um beijo na testa.
–Eu sei... –Falando isso se afastou, Arthur se sentiu leve, seu pai o apoiou e não o repreendeu... Aquilo era algo novo e também maravilhoso.
–Então, vamos? –Disse Alfred oferecendo a mão para que Arthur a segurasse.
–Sim...-Sorriu aceitando a mão oferecida e seguindo o seu noivo.
–Melhor eu segui-los. –Disse Matt rapidamente, empurrando Gil com força, o forçando a recolher o braço e libertar o lobinho do seu abraço forçado.
–Matty...-O vampiro albino fez biquinho mais antes que choramingasse mais percebeu que o chefe dos lobisomens o observava com olhos nada amigáveis.
–Estou de olho em você...-Agora era a vez de Max rosnar.
–Ora, agora vai bancar o super-protetor quando a pouco tempo quis me dar lição de moral!? –Reclamou Gregor colocando as mãos na cintura, sua famosa pose de dar sermão –Sabe qual o nome desta atitude? Hipocrisia!
Max revirou os olhos e resmungou algumas coisas que o rei vampiro ignorou.
–Gilbert, fique de olhos neles... Você é dos meus melhores guerreiros, confio em suas habilidades, além disso, também quero confiar na sua capacidade de não se distrair! –Enfatizou isso lançando um olhar de relance para o segundo filho de Maximiliano, Matthew que agora estava ao lado de Arthur e Alfred.
–Você tem a minha palavra de honra, meu mestre e senhor...-Fez uma reverência.
–Ótimo! Agora vá!
Gil logo partiu, praticamente sumindo em pleno ar devido a sua rapidez, Max conteve a sua surpresa virando o rosto para o lado, emparentando indiferença.
–Então, já que não vamos para a caçada, o que faremos? –Inquiriu o vampiro.
–Hum... Posso pensar em algumas formas de nos entreter...
Gregor corou com aquelas palavras bem como o sorriso agora sedutor do lobisomem, agora era a sua vez de virar o rosto para o lado e aparentar indiferença.
–E-então vamos logo...-Resmungou.
–Como quiser, meu mestre e senhor... –Falando isso o chefe dos lobisomens retirou as calças rasgadas que usava, para a surpresa e embaçado do vampiro, e se transformou em lobo.
–Oh! Céus...-Disse Gregor acariciando a pelagem sedosa do chefe dos lobisomens. O lobo, por sua vez, lambeu a mão do rei e depois abaixou a cabeça.
–Não...-Negou com a cabeça o vampiro –Definitivamente, não irei montar em você!
Contudo, Max não era do tipo de aceitar um “não” como resposta, empurrou Gregor, o fazendo desiquilibrar, mas o vampiro não cairá no chão e sim por sobre o dorso do animal que aproveitou o momento para correr, logo Greg teve que segurar na sua pelagem para se equilibrar, sendo forçado a monta-lo.
–Maldito cachorro! –Rosnou.
O lobisomem soltou um uivo, ignorando o rei vampiro que nervosamente tentava se manter seguro sobre aquele animal.
“Pelas asas dos morcegos... Essa viagem era destinada em estreitar as relações do meu filho com o seu noivo...E não entre mim e Max...” Um rubor dominou seu rosto alvo, sabia que tinha algo crescendo entre eles... Mas o que de fato seria?
Aquela viagem estava trazendo muitas surpresas...
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