Halloween Love
18 De caçador a presa?
Notas iniciais
Alfred não podia conter o quão estava feliz por ter Arthur ao seu lado na caçada, sabia que quando se transformasse em lobo era bem provável que teria o constrangimento de ter o seu rabo balançando para os lados indicando justamente o que estava sentindo no momento. E por que isso? A caçada era um evento importante para um lobisomem, principalmente por significar que um laço de amizade e confiança é criado entre os membros participantes... Existia algo selvagem e mágico em caçar uma presa em conjunto. Se comunicando tal como seus parentes lobos (animais), era forma de retornar as raízes! Além de tudo isso, acredita-se que casais recém-formados ao participarem de uma caçada juntos seus laços de amor se estreitarão muito mais. Alfred sabia que a relação entre ele e o vampiro ainda era muito confusa e instável, tinham acabado de se conhecer, estavam comprometidos por uma aliança firmada em um futuro casamento... Antes, até imaginara formas de se impor a aquela condição imposta por seu pai, mas desde a primeira vez que sentiu a fragrância de Arthur seu lobo sabia que tinha encontrado o seu parceiro ideal... Lobisomens, tal como lobos, só tinham um companheiro por toda a sua vida, amor era um assunto levado extremamente a sério na alcateia, contudo encontrar a sua alma gêmea, um individuo a qual não só atraia a sua parte humana como sua parte animal, era raro... Seu pai mesmo não tinha encontrado sua parceira ideal, apesar disso casou com Evageline para garantir sua posição com líder e ter herdeiros.
“Herdeiros...” Aquilo o fez parar subitamente, Arthur colidiu nas suas costas emitindo um sonoro ai “ Se eu vou me casar com Arthur...Como teremos filhos? E se serei o novo líder eu teria que deixar descendentes, essa é a lei da alcateia.” Alfred estava confuso, como seu pai tinha aceitando aquilo sabendo, tão bem quanto ninguém, das condições de manutenção da liderança dos lobisomens?
–Alfred... Você está fazendo careta... –Falou Arthur preocupado com o súbito silêncio do outro.
–Ele está pensando, sempre faz caretas deste jeito quando pensa. –Explicou Matt –Ele não é acostumado a usar muito o cérebro, sabe?
Nisso Matt e Arthur riram.
–Ei! Eu estou aqui, na frente de vocês! –Fez biquinho –Pelo menos esperem eu virar as costas para fofocarem sobre mim...
–Desculpe, querido. –Disse o vampiro apertando a bochecha do maior, o tratando como um filhote mimado – Na próxima iremos prestar mais atenção quando fofocarmos.
–Sei...-Disse querendo parecer emburrado, contudo a verdade era que só pelo o fato de Arthur ter o chamado de querido e estar interagindo sem nervosismo e tensão para com ele já dissipava qualquer vislumbrem de irritação em seu coração. Além disso, o vampiro não tinha soltado a sua mão desde que conversara com Kirkland mais velho... Não que Alfred fosse reclamar daquela proximidade.
–Então? Como funciona essa “caçada” de vocês? –Perguntou Gilbert surgindo do nada logo atrás de Alfred o fazendo puxar, institivamente, Arthur para perto de si, como o tivesse protegendo do vampiro albino. Seu instinto até o fez rosnar para o seu pseudo-inimigo.
–Ohhhh! Calminha, lobinho! Não irei fazer nada! –Riu Gil levantando as mãos como que mostrando que não estava armado –Só fiz uma pergunta!
Arthur rolou os olhos com a reação, não era feito de vidro! Ainda mais aquele era apenas Gilbert, não era uma ameaça e sim um aliado...Contudo, a verdade é que não estava tão irritado assim, no fundo do seu coração, achara tal ato muito fofo.
–Alfred... –O empurrou com delicadeza, mas ainda não largara a sua mão – Já chega! Você é um lobo ou um cão de guarda?
O jovem lobisomem sentiu suas bochechas ficarem rubras, relutante deixou o vampiro escapar de seu abraço protetor.
–Bem...-Matt pigarreou tomando a iniciativa para explicar a situação, tendo em vista que seu irmão estava muito ocupado ficando embaraçado – A caçada é meio auto-explicativa, corremos pela floresta em nossa forma de lobo e caçamos unidos, no final trazemos a nossa presa para a alcateia e temos uma grande comemoração, a comida é compartilhada para todos igualmente e também contamos histórias da caçadas antigas e outras lendas de nosso povo, trata-se de algo bem familiar... Mantem nosso povo unido e preserva a nossa cultura.
–Interessante...Nós, vampiros, não temos esse mesmo habito...-Analisou Arthur –Digo, gostamos de dar bailes de máscaras...
–Alias, são ótimos bailes! – Interrompeu Gil – Roupas elegantes, ótima comida!
–Sei... Uma ótima oportunidade para certos vampiros flertarem vampiras nobres sabendo que não seria descoberto por estar oculto. –Provocou Arthur.
–Ora, não me diga? –Matt cruzou os braços e lançou um olhar mortal para o vampiro mais velho que engoliu em seco.
–B-bem, mas os bailes também são super chatos, digo, aquelas danças cheia de regras, muita etiqueta e frescura! – Falou rapidamente – Acho a ideia das caçadas melhor!
–Lógico que as caçadas são melhores! –Falou Alfred afoito – Podemos nos aventurar nos limites da fronteira da alcateia... Sentir a liberdade de nosso animal interior, mesmo que seja momentâneo.
–Liberdade...-Sussurrou o vampirinho tal como aquela palavra lhe fosse estranha e ao mesmo tempo tão doce e tentadora quanto o melhor sangue que já bebera. Sempre almejara a liberdade, ser muito além de um vampiro ou filho de um rei. Queria ser simplesmente Arthur e experimentar tudo que o mundo pode lhe oferecer. Talvez ali encontrasse o que tanto buscava.
–Espera... Vampiros também podem se transformar em animais? Tipo...Morcegos? –Perguntou ainda mais afoito, era quase possível ver a sua cauda balançando para os lados, tal como um cachorrinho feliz.
Gilbert riu alto. Arthur rolou os olhos com aquela pergunta.
–Isso é só uma lenda... –Resmungou o jovem Kirkland –Só por que o pobre animal tem um habito alimentar semelhante ao nosso logo nos associaram a ele!
–Talvez nos transformemos em pernilongos! Eles também sugam sangue, não? –Piscou divertido o vampiro guerreiro –Ou melhor! Sangue-sugas!
–Isso seria nojento...-Fez careta Matt pegando o seu urso e o abraçando – Os humanos também criam muitas lendas errôneas sobre os lobisomens, eles pensam que só porque podemos mudar de forma de homem para animal somos irracionais e mortíferos. Nem os lobos, que são de fato animais, são assim! Eles só atacam quando estão com fome ou se sente ameaçados, não creio que isso seja uma atitude insana e malévola...Simplesmente é como funciona a natureza! Além disso, acredito que pela a descrição dos monstros nessas lendas criadas muitos humanos poderiam se identificar com as criaturas que tanto temem.
Gilbert bateu palmas.
–Além de lindo você é inteligente! Um lobinho perfeito!
–Gil, cale a boca! –Rosnou o menor.
Alfred conteve uma risada ao ver o seu irmão tão corado e irritado, afinal Matt era sinônimo de paciência e racionalidade, tudo isso deveria ser efeito daquele vampiro de cabelos brancos-prateados.
–Certo, acho que entendi o que iremos fazer, mas tem um problema... –Falou Arthur meio triste –Eu não posso me transformar em animal, tão pouco Gil! Como iremos participar?
–Vocês vampiros caçavam suas presas no passado, não? –Inquiriu Alfred já começando a se despir, um chifre oco foi sobrado e emitiu um som rouco e alto, era o aviso para aqueles que iriam participar do evento se prepararem. Arthur tentou não se envergonhar ao ver vários homens e mulheres se despindo na sua frente.
–Er...B-bem...Sim...Mas...
–Então, existe uma fera em seu interior... Deve ouvir seus instintos e deixar sua habilidade vampiresca aflorar. –Instruiu o rapaz já ser roupa. Arthur não conseguia tirar os olhos da cintura do outro, na verdade seus olhos estavam focados em ponto mais abaixo...
–Sei que o pequeno Artie vai conseguir! –Disse Gil dando um tapa nas costas do jovem mestre o fazendo despertar de sua “observação” – Afinal, todos sabemos o quão eficientes são os vampiros quando caçam.
–Quem disse? –Rosnou Alfred.
–Eu digo. –Deu um meio sorriso expondo seus avantajados caninos.
–Aposto que consigo abater uma presa primeiro do que você, sangue-suga. –O rosnado aumentou. Matt balançou a cabeça, desaprovando a atitude daqueles dois.
–Cuidado, filhote, não entre em uma competição que não pode vencer.
–Veremos!
Arthur soltou um suspiro, era para ser um evento de união e cooperativismo, agora estava se transformando em uma competição entre os representantes mais tolos das duas raças: Alfred e Gilbert.
“Mas talvez isso torne a caçada mais divertida...” Pensou, tentando ser otimista.
~~**~~**~~
–Uma caçada, você diz?
–S-sim...
Ivan estava apagando a fogueira do acampamento enquanto Raivis aparecera, saindo da mata totalmente nu, o garoto tinha se transformando em lobo e vasculhado a área, pelo o que parecia tinha indo muito além, até as fronteiras da alcateia e trazia notícias interessantes...Contudo, parte da atenção do caçador humano estava voltada para o corpo esguio e pequeno do seu “parceiro” sobrenatural.
–Er...-Raivis subitamente notou a sua nudez e logo se cobriu envergonhado –M-minhas roupas...Elas... –Olhou para os lados, desesperado.
–Eu as deixei perto do seu saco de dormir. –Informou com um sorriso cordial.
–Oh! S-sim...Obrigado.
Enquanto o garoto se vestia rapidamente, Ivan analisava aquela nova informação... Os lobisomens saíram para uma caçada, talvez devesse ensina-los como é uma verdadeira caçada.
Fale com o autor