Half of My Heart
5 Capítulo 4: Parte II
Notas iniciais
Apresso-me a chegar à porta. Sou detectado pelos dois seguranças que a protegem, que me atacam, dando alguns murros que me deixam um pouco atordoado. Mas é a minha irmã que está em perigo e tenho que a salvar. Levanto-me, deitando ao chão um dos seguranças, deixando-o inconsciente. Aponto a arma que tenho comigo ao que sobra, não sem antes lhe dar uns quantos socos e obrigo-o a abrir a porta que mantém a minha irmã presa.
– Abre a porta! Já! Ou queres que te deixe inconsciente como os teus outros amigos lá atrás? – Digo alterado, continuando a apontar a arma ao segurança. – Estás à espera de quê? Abre esta porta já! – Insisto, ficando cada vez mais irritado.
Depois da minha insistência, e com a arma ainda apontada ao segurança, ele acaba por ceder e abre a porta onde encontro Thea amarrada a uma cadeira, tendo conseguido libertar-se da mordaça que tinha na boca. Dou com a arma na cabeça do segurança, deixando-o inconsciente e sigo em direcção à minha irmã.
– Oliver! Como é que me encontraste? – Diz Thea enquanto a liberto das cordas que a prendem à cadeira. – Eles… Eles, apanharam-me à saída do clube, apontaram-me uma arma e pegaram no meu carro… Puseram-me inconsciente, eu não entendi nada do que se passava Oliver. Só sei que fiquei em pânico. – Continua Thea nervosa. – Não sabia o que fazer. Estava desesperada, pensei que não fosse sair daqui com vida. – E com isto, depois de a ter conseguido soltar, ela abraça-me e volta a agradecer-me.
– Agora está tudo bem. Estás comigo, estás em segurança. Anda, temos que nos apressar. Não sei quantos mais seguranças vão estar à nossa espera. – Falo pegando na mão de Thea e dirigindo-me para a saída.
Apressamos o passo. Não tenho mais nenhum encontro desagradável com os seguranças, ainda se mantinham inconscientes. Quando estamos quase a alcançar a porta, sinto que afinal, as coisas pareciam demasiado fáceis. Vêm atrás nós quatro seguranças e eu só tenho tempo de pôr a mão na porta e dizer à Thea para correr quando eles nos alcançam.
– Thea, foge! Corre! – Grito para a minha irmã enquanto me tento defender dos quatros homens que me alcançam. – Liga ao Roy, diz-lhe onde estás e pede-lhe para te vir buscar. Eu estou mesmo atrás de ti e depois explico-te tudo. – Termina Oliver e vê Thea a sair do armazém.
Consigo deitar ao chão um deles quando o atinjo com o cano da arma na parte de trás da cabeça. De seguida aparece um que me acerta com um pontapé na zona abdominal enquanto outro me agarra pelas costas.
Num movimento repentino, dou com os pés na barriga do que está a minha frente, que fica a contorcer-se de dores. Consigo libertar-me do homem que me agarra pelas costas, dando-lhe um murro no queixo, apanhando a arma que tinha ficado perdida no meio de toda esta luta.
Ao pegar na arma, aponto-a à cabeça do homem que ainda está de pé, fazendo com ele se encoste à parede, pondo as mãos atrás da cabeça, rendendo-se, ficando assim com o caminho livre para sair do armazém e ir em direcção à minha mota.
Saio do armazém correndo alcançando o beco onde tenho escondida a minha mota. No caminho ligo à Felicity para, mais uma vez lhe pedir ajuda.
(Felicity ON)
Esta falta de notícias do Oliver está a deixar-me preocupada. Será que está tudo bem com ele? Fico sempre assim cada vez que ele sai em busca de justiça.
Já perdi conta ao número de vezes que percorri o armazém, tentando manter-me calma. Tenho o telemóvel por perto, e mal o ouço tocar, olho para o visor e vejo que é o Oliver quem me está a ligar.
– Felicity – ouço do outro lado da linha. – liga ao inspector Lance, avisa-o que há um armazém onde está a ser escondido um arsenal. Vi umas caixas com o logótipo do exército. Eles estão a fazer contrabando para o Glades. Aviso-o e dá-lhe a morada do armazém. Já consegui libertar a Thea, o Roy está com ela. Dentro em breve já vou ter contigo.
– Ok Oliver. Já vou fazer a chamada. Fico contente por teres conseguido resgatar a Thea. Vou ficar à tua espera. Estou ansiosa por te ver de novo. – Digo arrependendo-me logo em seguida das palavras que saíram pela minha boca- Oh, estou ansiosa que me leves a casa, é por causa disso, não que não te queira ver de novo, mas porque o que quero mesmo é ir para casa. – Continuo tentando remediar a situação e percebo que quanto mais falo, mais motivos tenho para estar calada. – Até já.
Mal acabo de desligar a chamada marco o número do inspector Lance e faço exactamente o que o Oliver me pediu, avisando-o do armazém. Ele disse-me que ia falar com os seus superiores e pedir para direccionarem uma unidade para lá, para o inspeccionarem.
Fiquei aliviada por ter notícias do Oliver. E ainda fiquei melhor por saber que correu tudo bem, que a Thea está a salvo, e que dentro em pouco ele está de regresso, para me levar a casa, na parte de trás da sua mota.
Por muito que eu tente negar, o Oliver mexe comigo, e sim, sinto-me atraída por ele. Não sei se será por passar maior parte do meu dia com ele, na empresa e no armazém ou porque ele está sempre pronto a proteger-me, mas ele mexe comigo duma forma estranha, duma forma que eu não quero, porque sei que para ele não passo apenas duma amiga, alguém que ele sabe que vai estar sempre ao lado dele.
(Oliver ON)
Estou na minha mota em direcção à casa do Roy em Glades.
Tenho certeza que foi para lá que ele levou a minha irmã. Mesmo não gostando da ideia que ela more com ele, sei que é lá que ela passa a maior parte do tempo, e como adulta que é, tenho que aceitar as decisões dela.
Depois do que se passou hoje, ela vai ter imensas perguntas para me fazer.
Como sabia que ela estava desaparecida, como a tinha encontrado e mais uma diversidade de coisas, que de certeza, lhe estão a passar pela cabeça. Consegui despistar os carros que me seguiam, desviando por ruelas sem fim.
Eu sabia que ia tudo correr bem, quando tinha o apoio da Felicity, com ela ao meu lado, as coisas corriam sempre da melhor forma.
Não que com o Dig não aconteça isto, porque ele também é uma óptima ajuda e vou ser-lhe sempre grato por todo o apoio que ele me tem dado, mas com a Felicity é diferente.
Ela distribui motivação e pensamento positivo por tudo quanto é sítio e no meio de tanta escuridão que existe na minha vida, ela consegue ser sempre a luz ao fundo do túnel.
Demoro poucos minutos a chegar ao Glades. Depois de ter despistado quem me seguia, tudo se torna mais simples.
Estaciono a minha mota à porta da casa do Roy e bato à porta esperando que algum dos dois a abra. É Roy quem vem abrir. A primeira coisa que ele faz quando me vê é convidar-me para entrar e depois agradece-me por ter salvado a Thea.
– Obrigado Oliver! A sério, eu tentei de todas as formas encontrá-la mas não consegui! Foi um alívio quando ela me telefonou e me pediu para a ir buscar. Obrigado! – Ouço Roy dizer com alegria na voz – Ela está no sofá – diz direccionando-me à minha irmã – Tentei convencê-la a descansar, mas ela disse que não saía daqui enquanto não chegasses.
Aproximo-me do sofá onde está sentada a minha irmã e sento-me ao seu lado, preparando-me mentalmente para ser bombardeado por perguntas.
– Obrigada por me salvares Oliver! – Ouço a minha irmã a dizer – mas não te vais escapar das minhas perguntas. – Diz, reforçando aquilo que eu já sabia que ia acontecer. – Como soubeste que eu estava desaparecida? E já agora, como me conseguiste encontrar? – Termina.
– Vamos com calma maninha – digo divertido – Soube que tinhas desaparecido porque a meio do jantar recebi uma chamada do teu namorado a dizer-me que tinhas saído cedo do bar e ainda não tinhas chegado a casa. E consegui descobrir-te e resgatar-te porque pedi ajuda à Felicity. – Termino, fazendo figas para a minha irmã não começar com as conversas dela acerca das minhas “relações amorosas”.
– A Felicity? Aquela rapariga simpática que me apresentas-te há uns tempos atrás como tua amiga? Como é que ela te ajudou maninho? – Pergunta Thea curiosa.
– A Felicity é uma génia nos computadores, ela localizou-te pelo gps do teu telemóvel que me levou ao armazém onde estavas mantida refém pelo gang. Pedi-lhe apenas um favor, maninha, e ela ajudou-me, como minha boa amiga que é. Por falar nisso, tenho que a ir buscar. Tenho que a levar de volta a casa. – Digo lembrando-me que tenho a Felicity à minha espera no armazém. – Roy, toma conta da Thea e trata de a fazer descansar – viro-me para o Roy e falo directamente com ele tentando fazer com que a minha irmã não ouça – E tu Thea, tenta manter-te longe de sarilhos e por favor, não voltes a sair do bar sem companhia ok? Não quero que voltes a estar em perigo. – Acabo a minha conversa e dirijo-me à porta. – Tenham uma boa noite aos dois, e juízo. – Saio da casa do Roy, não sem antes ouvir o comentário da minha irmã, ao longe.
– Trata bem da Felicity, Oliver. Ela parece boa pessoa e merece que tu a trates bem. E quero que me apresentes oficialmente à minha futura cunhada. – Ouço Thea dizer com um ar divertido.
Saio da casa do Roy e subo para a minha mota, com um sorriso no rosto sabendo que vou voltar a ver a Felicity dentro em pouco.
Fale com o autor