Half of My Heart

6 Capítulo 5: Parte I


Notas iniciais
Bem, cá estou eu de volta! :) Desculpem a demora mas estar doente não é bom para escrever e foi por isso que demorei mais um pouco a publicar. :b Mais uma vez dividi o capítulo em duas partes, espero que vocês gostem! A segunda parte do capítulo já está escrita e publicarei em breve! :D Obrigada por acompanharem! Espero que continuem a comentar e dar a vossa opinião! :)

(Oliver ON)

Vou a caminho do armazém onde tenho a Felicity à minha espera. Já está tarde, as ruas estavam desertas e fazia um frio de rachar.

Andar de mota em pleno inverno não é, com certeza, uma boa opção para escapar ao frio que se faz sentir.

Dou por mim a acelerar pelas ruas desertas. Não sei se será por causa do frio ou por causa da ansiedade que sinto no meu peito para rever a Felicity.

Esta presença constante dela nos meus pensamentos começa a ser sinal de alarme, penso comigo mesmo. Como é possível que eu tenha esta ligação tão forte com ela? O que a tornou tão especial para mim? Estas perguntas andam a atormentar-me e gostava sinceramente de ter uma boa resposta para elas.

Chego ao armazém e estaciono a mota à porta deste, que para meu espanto, está muito silencioso.

Pergunto-me o porquê deste facto e quando entro tenho a minha resposta.

Felicity dormitava em cima da sua mesa, estava com um ar cansado, mas não deixava de estar perfeita.

Tinha o cabelo loiro preso num rabo-de-cavalo, a tombar para um dos lados. Vê-la assim, a dormir de forma tão serena faz-me ter pensamentos que sei que não deveria ter. Não com Felicity, nem naquelas circunstâncias. Eu sou um risco. Comigo ela ia estar constantemente em perigo e eu não posso deixar que isso aconteça. Se lhe acontecer alguma coisa e eu for o responsável por isso, nunca me perdoaria.

Podia passar a noite inteira a olhar para ela, mas tinha que a acordar e leva-la para casa.

–Felicity– Chamo em voz baixa tentado despertá-la, sem sucesso. — Felicity, acorda, tenho que te levar para casa– Continuo.

– Oh, Oliver, estás aí há muito tempo?– Pergunta Felicity um pouco atrapalhada – Eu disse alguma coisa enquanto estava a dormir? Estava a ter um sonho, bem um sonho bom, muito bom mesmo…– diz ela divagando, esquecendo-se momentaneamente que eu ainda estou ao seu lado.

– Não Felicity, não cheguei há muito e fica descansada que não revelaste nenhum dos teus segredos enquanto dormias.– Respondo divertido.

– Oh, ainda bem Oliver, acho me ia sentir atrapalhada se por algum acaso soubesses o que estava a sonhar.– Ouço atentamente as palavras da Felicity e agora ainda fico mais curioso para saber quem invadia os sonhos dela.

Aos poucos ela desperta, como era bonita a imagem dela a acordar. Estes pensamentos começam a dar cabo de mim. Oliver, pára! Penso para comigo.

– Felicity, estás pronta?– Pergunto — podemos ir?

– Deixa-me só pegar no casaco e já podemos ir.– responde Felicity.

Ela pega no casaco, desliga os computadores e dirigimo-nos à porta onde tenho a minha mota estacionada.

– A noite esfriou.– ouço a Felicity dizer esfregando os braços.

– Toma– digo tirando o meu casaco e entregando-lhe nas mãos dela. — Não quero que me culpes se apanhares uma gripe. Já chegou eu ter-te tirado de casa tão tarde. – Termino.

– Oh, obrigada Oliver. Não é preciso. Assim podes ficar tu doente e depois vou ter que servir de tua enfermeira outra vez.– Responde Felicity e eu não consigo evitar um sorriso. – Eu não queria dizer isto, oh, desculpa.– Continua atrapalhada.

– Aceita lá o casaco Felicity, e sobe na mota que temos que ir embora e tu precisas de descansar. – Digo.

Ela pega no casaco e veste-o, sobe à mota e põe o capacete, agarrando-se a mim da mesma forma que fizera anteriormente.

(Felicity ON)

Aceito o casaco do Oliver e o capacete que ele me estende e subo para a mota agarrando-me aos seus abdominais. Apesar do frio que se fazia sentir, estar tão próxima do Oliver deixava-me muito mais confortável.

Senti-lo tão próximo de mim fazia com que eu tivesse pensamentos que sei que não deveria ter. Começa a ser difícil gerir os sentimentos que tenho pelo Oliver. A amizade que temos é algo de que eu nunca abriria mão, mas esta atracção que sinto por ele começa a deixar-me confusa e tenho medo de dizer algo que não devo, o que para mim não é difícil, uma vez que, quando estou com ele, digo sempre o que penso, mesmo quando não quero. Ficar atrapalhada quando estou com ele tornou-se quase num hábito.

O frio faz-se sentir quando ele acelera na mota. Aproveito e aconchego-me mais nas suas costas, apertando mais os meus braços contra o seu peito. Dentro em pouco chegamos a minha casa e quero aproveitar esta proximidade com o Oliver o tempo que conseguir. Nunca imaginei, naquele primeiro dia em que ele entrou no meu escritório com uma desculpa esfarrapada e um computador cheio de balas, nem por um segundo, que algum dia ele se fosse tornar tão especial para mim.

Sinto a mota a abrandar e apercebo-me de que estamos próximos da rua de minha casa. Não tenho vontade de descer daqui. É tão confortável estar assim com o Oliver. Ponho-me a imaginar como seria acordar com ele ao meu lado, aconchegada nos seus braços. Tenho a certeza que ia ser a sensação mais incrível do mundo. Com ele ao meu lado, sinto-me sempre segura e protegida.

A mota pára em frente à porta do meu prédio. O Oliver estaciona, tira o capacete e eu faço o mesmo. Descemos ambos, praticamente ao mesmo tempo, ficámos tão próximos que consigo sentir o respirar do Oliver perto de mim e noto que ele me está a encarar.

Sinto um arrepio a subir-me pela espinha. Esta atracção que sinto por ele está a tornar-se demasiado incontrolável.

Levo as mãos ao casaco para lho entregar, mas ele impede-me que o tire.

– Vá, Felicity, não te vou deixar subir sozinha, dás-me o casaco lá em cima. – Ouço o Oliver dizer. – Já vieste até aqui com o casaco, não é por mais dois minutos que vou fazer com que te constipes. – Termina.

A minha guerra com a carteira recomeça, e sinto-me atrapalhada com aquela situação. Estou à procura das chaves de casa e quando as finalmente encontro, olho para o Oliver que continua a observar-me.

– Desculpa, isto acontece todos os dias, a procura interminável pelas chaves numa carteira gigante. Coisas de mulher sabes? – Digo constrangida. – Já está, podemos subir. – E entramos os dois em simultâneo percorrendo lado a lado o corredor que leva ao elevador que dá acesso ao meu apartamento.

O ambiente no elevador é estranho. Sinto que o Oliver não tira os olhos de mim e que me observa e isso está a deixar-me constrangida. Será que ele também pensa em mim duma forma que vai para além da amizade? Gostava tanto de saber o que se passa na cabeça do Oliver neste momento. O elevador pára no sétimo andar, ele dá-me passagem e vem logo atrás de mim em direcção ao meu modesto apartamento.

Tive a inteligência de não guardar as chaves na carteira e tenho-as na mão prontas para abrir a minha porta de entrada.

– Bem, chegamos Oliver. – Dirijo-me a ele no mesmo instante em que abro a porta de casa com um sorriso. – Já que aqui estamos queres entrar? Podemos tomar um café. – Lembro-me que é de madrugada e levo a mão à cabeça. – Café de madrugada, que disparate. Ainda perdíamos o sono e ficávamos a conversar até às tantas. – Como sempre, lá estava eu a falar demais. – Podemos tomar um chá ou um chocolate quente. Aceitas? – Continuo atrapalhada.

– Está bem Felicity, aceito o convite senão te for dar muito trabalho. – Ouço o Oliver a dizer que sim e abro um sorriso ainda maior do que aquele que já tinha no rosto. – Aceito um chocolate quente. E olha que estou mal habituado que o de lá de casa é óptimo. Estou à espera que te superes. – Diz divertido e com um ar desafiador.

– Eu faço um óptimo chocolate quente, modéstia à parte, sou óptima cozinheira. Sou mulher para casar sabes? Uma excelente dona de casa. A minha mãe ensinou-me bem. – E mais uma vez, falo antes de pensar mas percebo que o Oliver está divertido. – Põe-te à vontade. O comando da televisão está em cima da mesa, podes ver o que quiseres enquanto eu preparo a ceia da madrugada do herói da noite. – Digo-lhe enquanto dispo o casaco que ele me emprestou e o ponho no bengaleiro à entrada da porta.

– Tens a certeza que não precisas de ajuda? – Ouço o Oliver a perguntar-me.

– Não Oliver, obrigada. Pretendo que a minha cozinha fique intacta e sobreviva durante longos e bons anos, não quero que venhas para a minha beira e a destruas. – Respondo divertida. – Não leves a mal, mas a cozinha é o meu território. – Termino e dirijo-me à cozinha enquanto ele vai em direcção da sala.

Tiro a louça dos armários, duas canecas e dois pratos, e ponho num tabuleiro. Vou ao frigorífico buscar um pacote de leite, ponho no fervedor e ligo o fogão onde ponho o leite a aquecer. Subo a um banco para pegar no pacote de chocolate que está num dos armários altos da cozinha. Vejo que o Oliver está a observar a minha movimentação na cozinha e se levanta de repente da sala, chegando a tempo de me dar a mão e ajudar a descer do banco antes que eu caísse redonda no chão da minha cozinha porque me desequilibrei em cima deste.

– Oh, obrigada Oliver. – Digo sentindo-me atrapalhada e corando um pouco. – Sou uma desastrada. – Termino envergonhada.

– Não precisas de agradecer Felicity, afinal, sou o herói aqui em casa certo? E como vês, sempre precisaste da minha ajuda no teu território. – Diz divertido.

Vejo o Oliver afastar-se do fogão onde o leite está a aquecer e a pôr-se atrás do balcão, continuando a observar a minha movimentação na cozinha. Vou ao frigorífico e tiro de lá um bolo de iogurte que tinha feito há pouco tempo e que estava guardado. Corto duas fatias e ponho no prato que está no tabuleiro. O chocolate quente também já está pronto e coloco-o nas duas canecas que estão em cima do balcão.

– Queres tomar aqui ou vamos para o sofá? – Pergunto ao Oliver descontraída.

– Tanto faz Felicity, o que preferes? – Responde o Oliver.

– Vamos para o sofá – respondo – a cozinha está um pouco fria e não importava nada de me aquecer no sofá. – Digo inocentemente mas depois de pensar, reparo que isto soava duma forma completamente diferente na minha cabeça.

Pouso as duas canecas no tabuleiro e quando vou para pegar nele o Oliver impede-me.

– Eu quero comprovar os teus dotes culinários Felicity, deixa que eu levo isso. Não quero que vires o tabuleiro no curto caminho daqui até à sala. – Diz olhando para mim, tocando com as mãos dele nas minhas e afastando-as do tabuleiro.

– Conheces-me tão bem Oliver. – É só o que consigo dizer, um pouco atrapalhada, mas mesmo assim, retribuindo o olhar que ele me lança.

Notas finais
E então gostaram? :) Comentem, favoritem e recomendem! :D Fico à espera das vossas opiniões e dentro em breve publicarei a segunda parte! :D Xoxo, Sandy