Half Of My Heart
5 Capítulo 5
O sol ainda nem ameaçava nascer quando Ema remexeu-se na cama, esbarrando em um corpo quente ao lado do seu. Rapidamente todas as lembranças a atingiram, e seu coração deu um sobressalto ao sentir Ernesto se movimentar ao seu lado. A mão dele percorreu o corpo dela, depositando um beijo leve em seu ombro.
Estar com ele era sempre tão certo, e ao mesmo tempo tão contrário aos planos que seu avô tinha para sua vida, que seu coração permanecia dividido. Ela aconchegou-se no abraço de Ernesto, mas manteve o seu silêncio, sem querer despertar de um momento tão único.
— Essa é a hora que você me manda embora, não é? – ele sussurrou no ouvido dela, beijando seu pescoço.
Ema balançou a cabeça afirmativamente, e Ernesto a puxou ainda mais contra seu corpo.
— Seria mais fácil desistir de você se suas palavras e atitudes falassem a mesma língua. – a mão dele chegou ao meio das pernas dela. – Mas seu corpo fala sobre amor, e sua boca responde sobre compromisso.
— Você poderia entender minha situação. – a respiração dela falhou, um gemido baixo escapando a medida que ele a acariciava.
— Nunca vou entender você, Baronesinha. Nunca vou entender que coloque um compromisso absurdo à frente da sua felicidade. – os quadris dele se movimentaram.
— Eu posso ser feliz com Darcy. – Ema sorriu ao sentir Ernesto pronto.
— Eu deveria parar de procura-la de uma vez. Mas a senhorita sabe que me tem em suas mãos. – ele suspirou, angulando seus corpos.
— Sabe que essa escolha não é inteiramente minha. – Ema disse, enquanto ele deslizava para ela em movimentos lentos.
— É completamente sua. – ele suspirou, puxando-a contra si. – Você poderia terminar tudo isso a qualquer momento, ir à São Paulo comigo.
— Ernesto, já tivemos essa conversa.
Ele ficou em silêncio, aumentando a velocidade de seus movimentos, arrancando suspiros dela. Sabia que não adiantava conversar sobre isso, que nada a arrancaria dessa bolha familiar. Duvidava inclusive que o Barão se importasse tanto assim com o compromisso.
Mas, se a Baronesinha insistia nessa loucura, queria que lembrasse dele. Esperava que se lembrasse de seus beijos quentes à noite, da forma como fazia amor com ela. E ao mesmo tempo, só podia esperar que ela fosse feliz, que encontrasse o amor nos braços do marido que escolhera, ainda que isso dilacerasse seu coração.
Ema relaxou em seus braços quando chegou ao ápice do prazer, mas ele não a acompanhou, e nem queria. Afastou-se dela, tão logo a respiração de Ema entrou em compasso. Ela tentou segurá-lo junto dela, em vão.
Ernesto pegou suas roupas do chão, vestindo-se rapidamente. Se aproximou dela, e doeu nele ver aqueles olhos tão doces, ainda em meio a uma névoa, mas que começavam a acumular algumas lágrimas. Odiava fazê-la se sentir mal, mas precisava se colocar em primeiro lugar.
— Ernesto... – ela o chamou, em voz baixa.
— Está na hora de ir, Baronesinha. – ele sorriu, triste. – Vou respeitar suas escolhas, ainda que não as entenda.
— Eu queria que fosse diferente. – ela soltou o ar que prendia.
— Nós dois queríamos. Mas eu não vou muda-la, vou? – perguntou, sem esperar resposta. – Cuide-se.
Ernesto se aproximou, beijando a testa de Ema, e então partiu pela janela, sem olhar para trás. Já estava longe quando as lágrimas começaram a correr do rosto dela, pois não havia mentira maior do que dizer a si mesma que poderia ser feliz ao lado de qualquer outro homem que não fosse o italiano.
##
Elisabeta respirou fundo, antes de bater à porta de Ema. Passara quase metade do dia debatendo-se quanto a forma de contar à amiga a respeito de seu beijo com Darcy. Sentia-se culpada por sua falta de lealdade, jurara que nada demais aconteceria, mas não conseguia controlar seus desejos quando estava com ele.
Ema a esperava ainda de camisola, enrolada nas cobertas. Seus olhos vermelhos denunciavam seu estado de espírito desde que Ernesto saíra pela janela, e não demorou mais do que alguns segundos para que Elisabeta sentasse ao lado dela e a puxasse para seu colo.
— Ele esteve aqui. – Ema disse, de súbito, as lágrimas voltando a correr. – Não consegui resistir, Elisa.
— Não se sinta culpada. – Elisa acariciou os cabelos dela. – Você o ama, não há porque se culpar.
— Mas não devo amá-lo. Estou praticamente noiva. Havia acabado de jantar com Darcy. – o coração de Elisabeta sobressaltou.
— Ema, esse compromisso com Darcy é uma loucura.
— Não é, não. – disse, categórica, sentando-se novamente. – Darcy e eu somos destinados a ficar juntos. Nada pode impedir isso.
Elisabeta fugiu dos olhos dela, sem perceber. Encarou as próprias unhas, em uma reação que chamou a atenção de Ema. Só agora via a expressão preocupada da amiga.
— O que aconteceu? – Ema perguntou, inquisitiva.
— O que? – Elisabeta assustou-se, levantando-se da cama. – Nada. O que poderia ter acontecido?
— Elisabeta Benedito! Me conte agora.
— Me desculpe, Ema. – Elisa sentou-se novamente, soltando o ar. – Eu não queria que tivesse acontecido, eu sei que isso só complica as coisas.
— O que houve? Você está me deixando ansiosa.
— Eu e Darcy nos beijamos. – Elisa disse, e seus olhos buscaram os de Ema.
Ema a encarou, uma porção de sentimentos distintos em seu coração. Em outro dia talvez vibrasse pela amiga, talvez quisesse os detalhes, talvez não se importasse. Mas naquele dia, decidira definitivamente que se casaria com Darcy. Não haveria forma de ficar com Ernesto, e Darcy era sua melhor opção de felicidade.
E por isso parte dela se sentia decepcionada com Elisabeta, traída até. A amiga sabia o quanto aquele compromisso era importante para ela, e por mais que a conhecesse, por mais que soubesse que Elisa nunca faria nada contra Ema, naquele dia a incomodava que a amiga pudesse valorizar tanto seus próprios desejos.
— Diga alguma coisa. – Elisabeta pediu, angustiada.
— Não tenho o que dizer, Elisabeta. – os olhos de Ema demonstravam uma mágoa que Elisabeta preferia ignorar. – Eu sei que você deseja Darcy, é realmente um homem muito bonito.
— Ema, não é... – tentou dizer.
— Eu prefiro não ouvir nada além disso, Elisabeta. Eu e Darcy vamos nos casar.
Foi a decisão nos olhos de Ema que fez Elisabeta calar-se e não argumentar a respeito de nada. Não havia mesmo o que dizer. Não era só desejo, mas também não nomeava o que sentia, não sabia o que era. E agora chegara o momento que no fundo sabia que chegaria.
— Me desculpe. – Elisa limpou rapidamente uma lágrima que caiu.
— Acho melhor você e Darcy se afastarem. Eu odiaria não poder recebe-la em minha casa, com o receio de que algo poderia acontecer entre você e meu marido.
— Ema! – Elisabeta levantou-se, revoltada. – Eu jamais faria isso. Se me envolvi com Darcy foi também por seu incentivo. Foi por saber que não sente nada por ele.
— Mas sentirei. – Ema disse, resolutiva. – Darcy e eu nos casaremos, Elisabeta. E é hora de todos nós aceitarmos a realidade.
Elisabeta desculpou-se novamente, antes de sair do quarto, sem obter nenhuma resposta de Ema. Sentia-se culpada, ao mesmo tempo em que lhe faltava o ar, a sensação de que o mundo girava rápido demais, de que lhe era tirada a chance de viver um sentimento que começava a nascer.
Lembrou-se de seu deslumbre com as palavras diretas de Darcy, com suas cartas contidas. O homem a atraia antes mesmo de conhece-lo, e seu corpo respondera ao dele no primeiro instante em que trocaram olhares. A lembrança do beijo a assombrara pela madrugada, mas era hora de esquecer tudo isso.
Ema estava decidida a se casar, e Darcy não parecia inclinado a desfazer o compromisso. Isso fazia dela e Ernesto complicações, e se pretendia manter Ema em sua vida, era hora de se afastar, de esquecê-lo.
##
Darcy caminhava pelo centro da cidade, distraído. A lembrança daquele beijo marcava sua mente, as mãos dela haviam deixado sua pele formigando, e sentia-se quase irritado de tanto desejo que sentia. Lembrava a todo momento da maneira como os dois se entregaram aquele beijo, em uma experiência intensa demais para ser esquecida.
A tarde já caia, e o pôr do sol no Vale do Café com certeza deveria ser uma visão bonita naquele horário, mas Darcy preferia aguardar na cidade. Talvez mais tarde pudesse tomar uma dose ou duas na Casa de Chá ou em outro bar local, e de repente o álcool o ajudaria a esquecer Elisabeta, ou daria a ele a coragem de procura-la novamente.
Mas sua vida parecia ligada à dela, ou sua mente a chamava de alguma forma, porque em um momento pensava nela, e em outro a avistava entrando apressada no mercado, uma expressão angustiada em seu rosto. Pensou em segui-la, mas talvez fosse melhor espera-la do lado de fora.
E não demorou mais do que alguns minutos para que ela saísse, com a mesma pressa que entrara, quase esbarrando em Darcy.
— Cuidado, senhorita. – ele disse com um sorriso.
— Darcy... Digo, Senhor Williamson. – ela cumprimentou, nervosa.
Perguntava-se que grande mal havia feito ao mundo, para que encontrasse justamente o objeto de sua perturbação. Tentara ir para casa após a conversa com Ema, inventar uma dor de cabeça e esconder-se em seu quarto, mas nada disso convencera Ofélia de que buscar bifes para o jantar não era a coisa mais importante do dia de Elisabeta.
E agora, é claro, encontrava Darcy parado, encarando-a com curiosidade, lembrando sua mente e seu corpo da noite anterior. Olhou para os lados, buscando uma saída, sem ver nada que pudesse livrá-la daquele encontro.
— Como passou a noite? – ele perguntou, com segundas intenções.
— Adormecida. – respondeu, evitando o olhar dele.
Darcy estranhou. Elisabeta costumava ser ao menos receptiva à suas provocações. Agora parecia agitada, ansiosa para sair dali.
— Está tudo bem? – ele perguntou, de súbito.
— Está, se me dá licença eu preciso voltar para casa. – Elisa forçou um sorriso, tentando passar por ele.
Mas Darcy não permitiu, segurando-a pelo braço com um misto de delicadeza e firmeza. O braço de Elisabeta formigou ao toque dele, e seus olhos se fecharam em reflexo. Ele a impedia de passar, e o perfume de Darcy chegava à seus sentidos sem pedir permissão.
— Me deixe ir, por favor. – ela pediu, sem forças.
— Não sem que você me diga o que aconteceu. – ele a puxou levemente para ele.
— Darcy, estamos no meio da cidade, alguém pode nos ver.
— Eu não me importo. – o rosto dele se aproximou do dela, roubando-lhe o ar.
— Mas eu me importo. – ela soltou-se, afastando-se rapidamente.
— Somos amigos, não somos? – Darcy sorriu, provocante. – Mais do que amigos...
— Não somos nada. – o espaço entre eles a fazendo recordar as palavras de Ema.
— Não foi o que pareceu na noite passada. – ele deu um passo em direção à ela. – Nem é o que seus olhos dizem.
A mão de Darcy buscou o rosto dela, querendo provocar em Elisabeta qualquer reação que não fosse a rejeição de suas palavras. Talvez ela estivesse se sentindo culpada pelo beijo, mas sabia que ela não estava arrependida. Não era o que os olhos dela diziam.
— Darcy... – ela pediu, os dedos dele tocando sua pele.
— Eu queria beijá-la aqui, agora. – ele sussurrou.
Ela encarou os olhos desejosos dele, e não poderia concordar mais com o que ele havia dito. Gostaria de jogar-se nos braços dele, sentir novamente o gosto de Darcy, a firmeza de suas mãos. Mas o rosto decidido de Ema a impedia de qualquer loucura.
— Elisabeta? – uma voz a chamou, e Elisabeta virou-se rapidamente em sua direção.
Os olhos confusos de Ernesto a fitavam, ainda que um sorriso tranquilo estivesse em seus lábios.
— Ernesto? – Elisabeta sorriu abertamente, a tensão se dissipando rapidamente.
Se aproximou dele em passos rápidos, e Ernesto abriu os braços para recebe-la, rodopiando-a no ar assim que se encontraram.
— Senti sua falta, furacão. – ele sorriu no abraço, a apertando forte contra seu corpo.
— Pensei que você não viria me procurar. – Elisa respondeu, fazendo um biquinho manhoso, tão logo se afastou dele.
— Eu estou atrás da senhorita o dia inteiro. – o italiano soltou uma gargalhada. – Temos muito o que falar.
Darcy observou a interação, uma confusão se formando em sua mente. Em um momento Elisabeta parecia querer se afastar dele, com medo de que alguém os visse juntos, e agora se jogava nos braços de outro homem, sem qualquer restrição. Nada o preparou para a irritação que sentiu ao ver as mãos do homem tocarem o corpo de Elisabeta.
Eles conversavam animadamente, sem sequer incluí-lo. O homem parecia não se importar em ser apresentado, e tampouco Elisabeta parecia lembrar-se de sua presença. Sentia vontade de interrompê-los e informar que o insolente havia interrompido uma conversa, mas era educado demais para isso.
Ernesto tirou os olhos de Elisabeta por alguns segundos, a ponto de ver a expressão fechada do inglês. Fingia, propositalmente, não saber quem ele era, e perguntava-se se o mau humor era uma característica habitual, ou resultado de informações sobre seu passado com Ema.
— O senhor deve ser o Lorde Darcy, não? – Ernesto aproximou-se, um sorriso debochado, arrancando uma risada contida de Elisabeta.
— Darcy Williamson. – ele encarou Elisabeta, ainda mais irritado, oferecendo à mão ao homem. – E o senhor?
— Ernesto Pricelli. – Ernesto apertou firmemente a mão de Darcy, medindo forças.
— O senhor é amigo de Elisabeta? – Darcy perguntou, sem disfarçar o incômodo.
— Oh, sim. – Ernesto sorriu abertamente, ao perceber que o inglês nunca ouvira falar dele. – Sou muito amigo de Elisabeta desde criança. Dela e de Ema.
Elisabeta deixou escapar mais uma risada, arrancando outro olhar irritado de Darcy. Conhecia Ernesto o suficiente para saber que o amigo continha a língua ao máximo naquela interação.
— Interessante. – Darcy observou os dois novamente, vendo-os dividir um olhar cúmplice.
— Muito. O senhor mal pode imaginar quantas aventuras vivemos juntos. – Ernesto piscou para Elisabeta, que sorriu.
— Nem gostaria de imaginar. – Darcy deixou escapar, cada vez mais incomodado com a intimidade de Elisabeta e Ernesto.
— Elisabeta, está ficando tarde. – Ernesto sorriu para a amiga. – Temos muito a fazer, e não gostaria de perder nem mais um minuto.
Ernesto ofereceu o braço à Elisabeta, que entrelaçou no dele.
— Senhor Williamson. – ela despediu-se de forma contida.
— Terminamos nossa conversa em outra oportunidade. – Darcy bufou. – Não gostaria de atrapalhar suas atividades.
Darcy ainda encarou Ernesto mais uma vez, sua expressão irritada em contraste com a falsa serenidade do italiano, que apenas piscou para ele, de maneira cúmplice. Darcy precisou conter o ímpeto de arrumar qualquer desculpa para não deixar que Elisabeta partisse.
Mas logo os dois viraram as costas, de braços dados, e Darcy só pode observá-los trocando risadas e carícias. E agora mais do que nunca se perguntava se o medo de Elisabeta era que Ernesto os visse, e precisava com urgência descobrir qual era a natureza daquela relação.
##
Pouco tempo depois, os bifes de Ofélia estavam esquecidos em um canto da oficina de Luccino. Ernesto e Elisabeta caminharam pelo Vale do Café, enquanto Ernesto contava animado sobre a vida em São Paulo, uma vida com a qual Elisabeta sonhava desde nova. Não demorou para que a conversa pedisse um pouco de bebida alcoolica, e como sempre, Ernesto tinha alguma barata para oferecer.
Elisabeta perdera a conta de quantas vezes estivera com Ema e Ernesto naquele local, bebendo escondidos, conversando, planejando uma vida que ficava cada vez mais claro que não chegaria. Agora estava sentada em frente à ele, no chão da oficina, e o silêncio dominava o local.
— Pois bem, vamos deixar de enrolação. – Ernesto disse, de súbito. – O que foi que eu vi no centro agora há pouco?
— A prova de que eu posso ser tão idiota quanto você. – Elisabeta riu, o efeito do álcool atingindo-a.
— Quanto eu? Isso é impossível. Mas antes que eu comece a falar sobre Ema, você pode me conta que intimidade era aquela com o almofadinhas.
— Você sabe que eu sempre li as cartas dele e de Ema. E sempre o achei um homem interessante. – ela arrancou uma risada alta de Ernesto. – Mas tudo se complicou quando ele chegou aqui.
— Ora, Elisabeta, faça-me o favor. Você com um tipão engomadinho como aquele?
— É mais forte do que eu, Ernesto. Desde o primeiro momento que o vi, e toda vez que ele chega perto, eu viro gelatina, e sinto calores.
— Controle-se, mulher! – Ernesto gritou, tapando os ouvidos. – Deixe para conversar esses detalhes com Ema.
— Eu não posso falar com Ema! – ela também gritou. – Sua namorada primeiro me jogou para cima dele, e agora resolveu se casar.
— Ela não é minha namorada. Porque não quer, é claro.
— Ontem a noite eu e Darcy nos beijamos. – Elisabeta confessou, corando.
— E o desgraçado ainda tem coragem de casar-se com Ema? – Ernesto levantou-se, irritado.
— Ernesto, eles querem esse casamento. Os dois querem esse casamento. – Elisa bufou, triste.
— E como nós ficamos nessa história? Ema se entrega à mim, o inglês fica atrás de você, e no fim do dia resolvem se casar?
— Você sempre disse que não pertencia ao mundo dela. – Elisa deu de ombros. – E eu não pertenço ao mundo de um nobre inglês.
O silêncio se apossou deles novamente, enquanto seus copos se esvaziavam, e o líquido era reposto. Queriam esquecer, e aos poucos seus pensamentos começaram a ficar um pouco nublados, a realidade parecendo menos dolorida.
— Sabe o que é, Elisa? – Ernesto sorriu, de repente, levantando seu copo. – Pessoas como eles não mudam os planos por pessoas como nós.
— Sábias palavras. – ela enrolou a língua. – Nos resta apenas tirá-los dos nossos planos.
— Eu me pergunto porque o meu coração escolheu Ema, e o seu Darcy.
— Porque gostamos do desafio, Ernesto. Mas tem que ser passado agora. Eu não vou abrir mão de minha amizade com Ema. – disse, decidida.
— Então vamos brindar à última noite em que perdemos o sono por esses amores. – Ernesto se aproximou dela, e bateram os copos.
— Um brinde a quem vai esquecer pela manhã. – Elisa puxou, batendo os copos novamente.
— Pelo menos essa noite nós vamos esquecer. – Ernesto gargalhou, fazendo-a rir também.
E então continuaram sua conversa sobre um futuro que não envolvia Ema ou Darcy, e que os dois sabiam que nunca chegaria, pois não se viam capazes de esquecer aquele sentimento que os aquecia. Mas sonharam, da mesma forma. E quando a bebida acabou, adormeceram ali mesmo, cansados demais pra voltar pra casa.
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